Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 27 de outubro de 2021

França - Paris está a investir para tornar-se uma 'cidade 100% do ciclismo'


Paris quer tornar-se uma das cidades mais amigas do ciclismo na Europa, com planos de transformar-se numa “cidade do ciclismo” até 2026.

A capital francesa está a investir 250 milhões de euros em atualizações significativas da infraestrutura e manutenção de bicicletas nos próximos quatro anos. Milhares de novos suportes para bicicletas e um número maior de ciclovias protegidas serão introduzidos como parte do 'Plano Velo: Ato 2'.

A partir deste ano, Paris já tem mais de 1000 km de ciclovias seguras, incluindo cerca de 52 km de “coronapistes” que foram temporariamente introduzidos durante a pandemia. Agora, planeia torná-las permanentes e adicionar mais 130 km de caminhos seguros para incentivar as pessoas a pedalar na cidade.

As autoridades de Paris esperam tornar mais fácil atravessar a cidade de bicicleta, introduzindo rotas que cruzam a cidade e vão para os subúrbios ao redor. Locais onde os ciclistas são colocados em perigo ao atravessar estradas movimentadas e os principais pontos de entrada no centro da cidade também serão mais seguros.

O objetivo é possibilitar uma pedalada segura de uma ponta a outra de Paris.

A cidade também informou que, em 2020, os roubos de bicicletas aumentaram em sete por cento e cerca de 80 por cento das pessoas que não querem andar de bicicleta dizem que o medo da sua bicicleta ser roubada é o motivo número um.

Para encorajar mais pessoas a adotar a força do pedal, Paris está mais do que a triplicar o estacionamento seguro para bicicletas ao adicionar 100000 novas vagas, incluindo 1000 vagas para bicicletas de carga.


Iniciando uma 'revolução' de ciclismo

A autarca de Paris, Anne Hidalgo, foi eleita para um segundo mandato em junho do ano passado, depois de introduzir uma série de medidas pró-ciclismo e favoráveis ​​aos pedestres na cidade. Paris já gastou 150 milhões de euros num plano inicial de bicicletas que foi elogiado como o início de uma “revolução” para a cidade.

“Este plano de ciclismo é um dos pilares essenciais da transformação ecológica e social que lideramos em Paris”, afirmou David Belliard, vice-presidente encarregado da transformação urbana.

Todos os anos, desde 2015, a cidade realiza um “dia sem carros”, onde a maior parte do tráfego é removido do seu movimentado centro. As vias públicas, incluindo a avenida Champs-Élysées, estão cheias de peões e ciclistas. O evento anual tem como objetivo reduzir o uso de veículos e a poluição em Paris.

Hidalgo, membro do partido socialista francês, é atualmente candidata presidencial e essas políticas verdes são fundamentais para sua campanha. Rosie Frost – Inglaterra in “Euronews”




 

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

Portugal - Equipa da Universidade de Coimbra desenvolve metodologia que identifica os trajetos urbanos onde os ciclistas estão menos expostos a poluentes

Uma equipa das Faculdades de Ciências e Tecnologia (FCTUC) e de Ciências do Desporto e Educação Física (FCDEFUC) da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu uma metodologia que identifica os trajetos urbanos onde os ciclistas estão menos expostos a poluentes.

Este estudo, publicado na revista internacional “Transportation Research D”, foi realizado no âmbito do projeto SoMoMUT (Soft Modes Modelling in Urban Trips), financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), que teve como objetivo contribuir para a promoção de modos de transporte ativos (andar a pé, andar de bicicleta) nas cidades, identificando quais os trajetos mais adequados não só do ponto de vista do esforço, da distância e do tempo (e de outras características), mas também da exposição a poluentes.

No trabalho agora publicado, os investigadores apresentam uma metodologia para comparação de rotas alternativas para ciclistas, considerando «não apenas a distância e o tempo de viagem, mas também o esforço e a exposição a poluentes resultantes das emissões de tráfego», explica Anabela Ribeiro, coordenadora do estudo e docente no Departamento de Engenharia Civil da FCTUC.

O modelo foi testado e validado em dois trajetos diferentes entre o Polo II e o Polo I da Universidade de Coimbra: um optando pela rua do Brasil e rua dos Combatentes da Grande Guerra; outro pelo Parque Verde - rua Ferreira Borges - avenida Sá da Bandeira.

Numa primeira fase, a equipa calibrou a relação entre o esforço dos ciclistas e a inalação de poluentes, em laboratório, tendo em conta as características da pessoa, da bicicleta e do meio envolvente onde é efetuado o trajeto. Para a validação “in situ” foi usada uma bicicleta instrumentada.

Considerando os dois trajetos referidos, concluiu-se que, «com um acréscimo de entre 5 e 6 % na distância e tempo de viagem [trajeto via Parque Verde e Sá da Bandeira], consegue-se uma redução de cerca de 30% na inalação de poluentes. Além disso, o esforço total despendido pelos ciclistas em ambos os trajetos é praticamente o mesmo, ou seja, a rota do Parque Verde não exige nenhum esforço adicional, embora seja mais longa, e até requer menos esforço médio nas subidas», sendo possível de realizar sem grande esforço por um adulto, com preparação física dentro de valores médios, salienta a também investigadora do Centro de Investigação do Território, Transportes e Ambiente (CITTA).

Assim, «trajetos mais rápidos ou mais curtos podem não ser os melhores no que respeita à exposição a poluentes ou ao esforço médio exigido», observa Anabela Ribeiro.

A docente e investigadora da FCTUC considera que a metodologia agora desenvolvida poderá ser uma ferramenta poderosa de apoio à decisão tanto para as autarquias como para os cidadãos. «Por exemplo, com base em informação sólida, os municípios poderão decidir quais os melhores locais para instalar uma ciclovia do ponto de vista da exposição a poluentes».

Já para os cidadãos, e através de uma plataforma amiga do utilizador, «poderão decidir se preferem o trajeto mais rápido ou um alternativo menos sujeito a poluição. Em simultâneo conseguem identificar as ruas ou os percursos onde terão de efetuar mais ou menos esforço», exemplifica.

O estudo está neste momento em novas fases de desenvolvimento e aprofundamento, de modo a consolidar os resultados obtidos e a torná-los diretamente úteis para a sociedade. O artigo publicado está disponível: aqui. Universidade de Coimbra “Faculdade de Ciências e Tecnologia” - Portugal