Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 26 de maio de 2023

Macau e Portugal assinam protocolo de cooperação no domínio dos arquivos

Macau e Portugal comprometeram-se a divulgar a coleção das “Chapas Sínicas”, um conjunto de documentos em língua chinesa classificadas como Memória do Mundo da UNESCO, no âmbito de um protocolo no domínio dos arquivos assinado esta quinta-feira em Lisboa


As “Chapas Sínicas” são compostas por mais de 3600 documentos, incluindo mais de 1500 ofícios escritos em língua chinesa, cinco livros de cópias traduzidas para português das cartas mantidas pelo Leal Senado de Macau e quatro volumes de documentos diversos.

Encontram-se na coleção Documentos em Chinês, constituída por documentos oficiais e privados datados a partir de meados do século XVIII até meados do século XIX.

Promover e divulgar “de forma mais abrangente” esta coleção em Macau, Portugal e na China é uma das áreas de cooperação contemplada no memorando de entendimento assinado hoje entre o Ministério da Cultura português e o Instituto Cultural do Governo da Região Administrativa Especial de Macau da República Popular da China no domínio dos arquivos.

Trata-se de um documento que pretende “contribuir de forma eficaz para o reforço e o desenvolvimento da cooperação cultural e científica” entre Macau e Portugal.

Entre as várias áreas abrangidas está a “promoção recíproca de exposições sobre laços históricos, patrimoniais e culturais, numa base não lucrativa, constantes dos acervos arquivísticos detidos pelos arquivos sob a égide de cada um dos signatários”, bem como a “troca de informação, estudos e publicações em áreas afins à arquivística”.

Está igualmente contemplada, entre outras iniciativas, o aprofundamento da “investigação sobre documentação relativa a Macau posterior a 1886”.

O diretor-geral do Livro, dos Arquivos e das Biblioteca, Silvestre Lacerda, um dos signatários do memorando, assinado na Torre do Tombo, sublinhou o trabalho que juntou Macau e Portugal na candidatura das “Chapas Sínicas” à Memória do Mundo da UNESCO, que resultaria nesta classificação em 2017, como um bom exemplo da cooperação nesta área.

Por seu lado, a presidente do Instituto Cultural de Macau, Leong Wai Man, também identificou os “bons resultados” das “boas relações” entre Macau e Portugal no domínio dos arquivos.

A presidir à assinatura do memorando, a secretária de Estado da Cultura portuguesa, Isabel Cordeiro, recordou “a história de alianças e de relações de cooperação” entre Portugal, a China e Macau.

“Há uma edificação do património [físico], mas também de amizade”, indicou.

Para Isabel Cordeiro, as obras e os projetos evidenciam o “espírito de diálogo e cooperação” entre Macau e Portugal. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


terça-feira, 3 de julho de 2018

Macau - Chapas Sínicas retratam cooperação luso-chinesa



A mostra intitulada de Chapas Sínicas – Histórias de Macau da Torre do Tombo está patente a partir de 7 de Julho no Museu das Ofertas Sobre a Transferência de Soberania de Macau.

“As Chapas Sínicas reflectem quase 300 anos de relações harmoniosas entre os chineses e os portugueses, onde havia um diálogo constante para resolver os problemas locais e regionais que iam aparecendo”, disse à Lusa a directora Lau Fong.

Esta correspondência relata, entre outras coisas, a “actuação e colaboração concertada entre os portugueses de Macau e as autoridades chinesas na luta contra os piratas que infestavam esta região e que punham em perigo a população de Macau e até da própria coroa chinesa”, considerou a responsável pelo Arquivo de Macau.

Lau Fong relatou ainda a troca de mensagens entre Miguel José de Arriaga, conhecido como ‘Ouvidor de Arriaga’, e a sua “acção determinante e definitiva para esta causa, em que se movimentou e trocou muita correspondência com as autoridades chinesas para resolver o problema” da pirataria.

O Ouvidor – magistrado enviado por Portugal para Macau no início do século XIX que superintendia a justiça no território – teve um papel preponderante na luta contra a pirataria no delta do rio das Pérolas e nas negociações que culminaram na rendição de muitos piratas.

“A solidariedade de ambas as partes para com os náufragos e a ajuda no regresso aos seus países de origem, foi outro exemplo dado por Lau Fong para comprovar este “retrato fidedigno das harmoniosas relações de Portugal através de Macau com a China”.

As Chapas Sínicas – assim chamadas devido ao carimbo que era colocado na correspondência – são um conjunto de documentos em chinês de correspondência oficial trocada entre as autoridades chinesas e as portuguesas em Macau.

Desde 2016, as Chapas Sínicas integram o Programa Memória do Mundo da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), na sequência de uma candidatura apresentada em conjunto pela região e por Portugal. Compreendem um total de 3.600 documentos, referentes ao período entre 1693 e 1886, que se encontram na Torre do Tombo, em Lisboa.

A partir de 7 de Julho, 102 destes documentos vão estar patentes em Macau, sendo que 35 destes foram traduzidos, na época, do chinês para português, explicou a directora, que é também a curadora desta mostra.

O principal objectivo desta exposição é a “celebração do sucesso da candidatura conjunta do Arquivo de Macau e do Arquivo Nacional da Torre do Tombo para a inscrição das Chapas Sínicas no Registo da Memória do Mundo da UNESCO”, considerou.

Esta exposição testemunha ao longo da história o “papel fundamental de Macau como plataforma de interacção entre o Oriente e o Ocidente”, concluiu a curadora. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”