Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Castelhano. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Castelhano. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Galiza - Estatísticas confirmam mínimos históricos no uso do galego



A partir dos dados do Censo 2021 do INE (Instituto Nacional de Estatística espanhol), na passada semana saia em vários meio de comunicaçom a notícia que situa o uso do galego por baixo do castelhano na Galiza por primeira vez na história. Um dado que nom surpreende, já que é coerente com o continuo retrocesso em que se situa a nossa língua desde há décadas.

Mais trabalhos tenhem analisado esta tendência, como o trabalho que publicamos neste portal, de Roberto Samartim, ou o estudo sobre as escolas infantis do concelho de Ames que realizou a RAG no ano passado e que constata que o sistema educativo funciona como espaço de perda linguística.

Umha realidade que preocupa as pessoas sensíveis à situaçom do idioma, e na que afundamos no PGL com umha série de entrevistas semanais durante todo o ano passado, para analisar a saúde do idioma após 40 anos de oficialidade, assim como o especial que vem decorrendo este 2022 focado na situaçom no ensino: Novo Ensino para o Galego.

Com os dados do recente adiantamento do castelhano sobre a língua própria, forom muitos os posicionamentos públicos a este respeito: da Mesa pola Normalización Lingüística mostraram a sua preocupaçom, com “que quase o 30% dos menores de 20 anos declarem sérias dificuldades ou impossibilidade de se exprimirem na língua da Galiza” sinalou o presidente da entidade, Marcos Maceira.

O presidente da Associaçom Galega da Língua (Agal), Eduardo Maragoto Sanches também falou para a imprensa a respeito destes dados, lamentando a “falta de visom estratégica” para evitar chegar a este momento, e para além de alarmar-se, sugere tomar medidas concretas: “Som otimista, mas devemos focar bem os objetivos. Nom faz sentido prolongar indefinidamente a estratégia de convencer cada galego por puro sentimentalismo ou patriotismo”, argumenta, nesse sentido fai finca-pé em as pessoas usuárias da língua sentirem a vantagem estratégica de fazer parte da lusofonia: “Falarmos diretamente com trinta países, essa é a maior plus-valia que tem o galego”, afirma o presidente da AGAL, que considera que isto, ademais, permite manter “o galego mais genuíno”.

Nesta linha, Ana Pontón, vozeira nacional do BNG, reconhece que é possível reverter a situaçom para impedir a perda “dum sinal de identidade e orgulho” que nos conecta “com mais de 300 milhons de pessoas”, declarou, em relaçom às comunidades lusofonas de todo o mundo. Ana Pontón denunciou o decreto do pluriliguismo no ensino como “a coartada” com que o PP lhe tira espaço no ensino ao galego, e denuncia que as crianças “entram pola porta da escola falando galego e saem falando castelhano”. Concordou nisto o Secretario Geral do PSdeG, Valentín González Formoso, quem sinalou que a promoçom do inglês do decreto “foi a escusa de Feijoo para reduzir o peso do galego na escola”.

Perguntado sobre esta questom, o presidente do governo galego, Alfonso Rueda, disse que no nosso país há “cordialidade linguística”, mas reconheceu a obriga de fomentar o uso do galego. In “Portal Galego da Língua” - Galiza

 

segunda-feira, 28 de março de 2022

Galiza - A língua própria que multiplica

A importância da língua para construir um imaginário coletivo é evidente e mesmo para muitas pessoas é a marca mais característica e definitiva. Assim, igualar língua e sentimento nacional (ou nacionalista) muitas vezes caminhárom de mãos dadas durante os séculos XIX e XX, os séculos das nações. Caminhárom juntos e em sentidos contrários, porque as nações sem Estado é claro que se constroem enfrentando a naçom do Estado, como mínimo. Um confronto que é o marco e a fonte da qual nascem as articulações das realidades administrativas plurilingues como há tantas por volta de todo o mundo, nomeadamente na Europa e no Estado espanhol.

Assim sendo, no pacto constitucional vigorante em Espanha institucionalizou-se a oficialidade do resto de línguas, embora nom de todas, juntamente com o castelhano, que sempre foi. Apesar desta novidade, que só tinha um breve precedente na legalidade republicana da década de 30, o castelhano continuou a ser a língua que toda a cidadania tem o dever de conhecer ficando o resto de línguas só com o direito de serem usadas, mas sem ser obrigatório o seu conhecimento. Ainda assim, em vários Estatutos de Autonomia, como é o caso do galego, reconheceu-se uma mínima diferença legal com o castelhano, é por isso que o nosso idioma foi caracterizado como “língua própria”.

Este conceito de língua própria foi usado pola vez primeira na Catalunha e ainda que nunca se chegou a concretizar numa definiçom jurídica nítida sim que valeu para fomentar políticas de discriminaçom positiva, embora na Galiza fossem sempre escassas, que se baseavam nesse conceito. É por isso que nom é de estranhar que desde o seu nascimento coletivos contrários ao galego como o anteriormente conhecido como ‘Galicia Bilingue’ -hoje com um nome que transparenta muito melhor os seus objectivos: ‘Hablamos Español’- atacárom o facto de o galego ser considerado ‘língua própria’ da Galiza e o castelhano nom. Apesar de as consequências jurídicas serem realmente quase imperceptíveis, apesar de levarmos mais de 40 anos em que a língua própria continua a perder espaços e presença, apesar de todo isto, pessoas ideólogas desse pensamento uniformizante como o caso do professor Blanco Valdés continuam a insistir na necessidade de que o galego perda esta sua característica de língua própria.

Apoiam a sua tese, precisamente, no facto de já nom ser majoritária nas camadas mais jovens da populaçom assim como na sua perda da condiçom de língua mais falada, tal e como indicava um inquérito da empresa Sondaxe recentemente. Tal e como indicam todas as demoscopias e pesquisas dos últimos anos e décadas. Estas pessoas e coletivos colocam o castelhano na Galiza num plano de língua assediada, que luita pola sua sobrevivência, totalmente irreal e afastado da realidade das nossas ruas. Isto é assim tam evidente que assim que deixárom de desfrutar da amplificaçom mediática do seu discurso diluírom-se com grande rapidez.

Coletivos e pessoas que procuram usar as línguas para dividir em vez de para multiplicar. Pessoas que sob um falso cidadanismo realmente acabam aderindo à visom mais tradicional e organicista da consciência nacional, neste caso da espanhola, que identifica naçom e língua. Pessoas que talvez nom sejam quem de explicar como um nacional irlandês fala hoje inglês igual que um nacional argentino fala castelhano. Frente a estes discursos da divisom compre construir o discurso multiplicador, esse em que a língua própria, a galega, é interpretada como português.

Uma focagem multiplicadora em que nom se negam as potencialidades das línguas, em que uma pessoa galega consegue falar galego (português), castelhano e desejavelmente também inglês. E isto independentemente da adscriçom nacional que deseje ter essa pessoa. Este é o caminho que deveríamos promover coletivamente, uma estratégia que salvaguarde o próprio, que o eleve dando-lhe caráter internacional, que nos ajude a olhar até Porto, Lisboa, Rio, Salvador, mas também até os PALOP, sem deixar de sermos nexo com Buenos Aires, México ou Caracas, nem com Madrid, Bilbao ou Barcelona. E quem nos dera poder incorporar, neste nosso mapa, também New York, Londres ou Sidney. Miguel Penas – Galiza in “Portal Galego da Língua” com “Nós Diario”

______________________________

Miguel R. Penas - Nascido em 1976, o compostelano Miguel R. Penas é Licenciado em História pola Universidade de Santiago de Compostela (USC). Desde 2001 trabalha profissionalmente no âmbito da comunicaçom, no campo privado, institucional e associativo. Foi dos fundadores do Portal Galego da Língua (PGL) e primeiro diretor da Através Editora. Atualmente é o presidente da AGAL.

 

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Península Ibérica - Nasce a primeira plataforma mediática ibérica: O Trapézio



Após um ano de trabalho preparatório, nasceu o primeiro jornal digital bilíngue espanhol-português, de tipo generalista, voltado para um público, tanto português quanto espanhol, que desejam conhecer melhor o país vizinho.

Este novo projeto procura ter um olhar cruzado, uma visão dupla empática, para aspirar a uma maior compreensão entre os ibéricos.

O projeto editorial é definido como “uma publicação digital voltada para as comunidades de língua espanhola e Luso-falantes. O seu objectivo é criar uma opinião pública Ibérica, consciente da existência de barreiras administrativas e linguísticas que queremos ajudar a levantar “.

O Trapézio é um espaço plural e aberto, que aceita - a partir da tolerância e do respeito - as opiniões de todos. A editora e o diretor da publicação reservam-se o direito de não divulgar os textos que violam o tom geral de boa convivência e cultura proposicional”.

“O Trapézio é uma publicação ligada ao grupo editorial EL TRIANGLE, fundada em 1990 pelo jornalista Jaume Reixach. A editora, para fins comerciais, legais e jurídico, é ISLURE SL”.

O projeto manterá um balanço de participação entre portugueses e espanhóis. In “O Trapézio” - Espanha

sábado, 1 de dezembro de 2012

Castelhano

“Hoje recebi um correio, um desses correios de grupo, coletivos, que ao começá-lo a ler deu-me vontade de chorar, tive que deter a leitura, mesmo sendo um texto brevíssimo, senti como me vencia. A violência linguística me rompe, me desarticula. O maltratador instalou em mim mecanismos que se ativam e eu me afundo, afogo-me em meu próprio desejo de existir ao chocar contra a minha impotência. Oxalá pudesse gritar, pedir a um juiz uma ordem de afastamento, algo para me proteger dessas atitudes ferozes. Não há auto-estima que resista viva logo de tanta violência. É por isso que os falantes se 'auto-apagam', é por isso que os galegos 'vão calando'. Hoje quando comecei a ler a tal carta na que se denunciava um ataque desses por usar a nossa língua no nosso pais, não consegui ler, como já disse, fugi das cruéis palavras; mas depois revi, porque tenho que denunciar ali onde a minha palavra seja entendida. Necessito achar paz, remédio, cura. Necessito abrir a gaiola do peito, permitir aos pássaros do meu jardim, condenado à escuridão e às sombras, voarem. Necessito luz para dar cor as minhas rosas. Ilumino os olhos lembrando algum verso de Rosalia, e tento terminar de ler a mensagem:

[Um aluno pede informação dos cursos de inglês na academia "SPEAK ENGLISH CALHAN" Com centros em Corunha e Oleiros. Naturalmente fez isso na nossa língua; usando a ortografia que meu marido chama de 'popular', eu chamo 'ILGA-RAG' e um amigo meu chama de 'ortografia mutilada'. Como quer que fosse, ele o moço pedia informação sobre o funcionamento e todas essas questões que em inglês se podem denominar 'marching orders'. Mas para surpresa do moço a resposta que recebe nada tem a ver com o que ele perguntara, em vez de resposta ele recebe porrada... Me fez voltar à escola da infância. A mensagem dizia mais um menos assim:

"por respeto y educación básica (...) dirígete a nosotros en español o inglés siendo ésta una empresa internacional (...) "; "el idioma internacional de España es el español"; "Este no es un centro de política regional".]

Devia parar por aqui, essa mensagem diz tudo. Mas me pergunto como depois não querem que a gente seja independentista?! Se em Espanha só há lugar para o 'Espanhol' deveriam-se alegrar ao ver que os 'não espanholizados' queiram se ir do seu lado (como andam a pensar os catalães nestes dias...). Mas não, isso não parece que seja suficiente. Como nos casos de violência de género, que tão bem eu conheço por ser matéria da minha especialidade psicoterapêutica, o maltratador depois de tentar submeter a vítima durante o tempo todo, depois de causar nela imensa destruição, prefere antes matá-la do que deixá-la ir....

Bom, eu com esse tipo de ataques, que vão à essência do ser, não posso, reconheço meu limite. Acontecimentos como esse que lhe passou a um moço galego, eu não posso; ele parece que resistiu bem e teve a valentia de o contar. Talvez por ele ter crescido numa época na que as humilhações por falar a nossa língua não tenham sido tão brutais ou óbvias, como na minha. Com o passar do tempo até os bárbaros evoluem, aperfeiçoam seus métodos. Mesmo assim, em mim tem o mesmo efeito, ainda sendo eu pessoa forte, a mim me afundem. Seguimos sendo maltratados, humilhados, tanto, depois de tantos séculos, que nem somos conscientes do quanto...”  Concha Rousia – Galiza in “Portal Galego da Língua”