Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 26 de março de 2025

Europa - Astrofísica portuguesa nomeada para comité científico e técnico de observatório europeu

Sónia Antón, professora do Departamento de Física da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e investigadora do Centro de Física de Coimbra (CFisUC), foi nomeada membro do Science and Technical Committee (STC) do European Southern Observatory (ESO), representando Portugal neste comité consultivo. A nomeação, que vigorará do próximo dia 1 de abril a dezembro de 2027, foi aprovada por unanimidade pelo Conselho do ESO. 

O STC tem um papel essencial na assessoria ao Conselho do ESO e ao Diretor-Geral em matéria de estratégia e operacionalidade da instituição. Entre as suas principais responsabilidades, incluem-se a definição de prioridades científicas para projetos e programas, bem como recomendações sobre a construção e modernização de instrumentação e telescópios. O comité também atua como elo entre o ESO e a comunidade científica dos seus Estados Membros, promovendo informação sobre os objetivos estratégicos da organização.

A seleção da professora Sónia Antón surge na sequência de um processo rigoroso. Cada Estado Membro do ESO propõe três candidatos, escolhidos através de um pedido nacional de manifestação de interesse e validação pelos seus delegados nacionais.  «Embora a razão exata da escolha não tenha sido comunicada, acredito que a expertise em astrofísica extragalática, a experiência na utilização de diversos tipos de telescópios e a participação no desenvolvimento de instrumentação para o espaço tenham sido fatores determinantes.  Esta nomeação representa um reconhecimento do meu percurso e contributo para a comunidade académica e científica», considera Sónia Antón. 

O STC integra um representante de cada Estado Membro do ESO, um representante do Chile e até seis membros independentes, incluindo especialistas de países não-membros. Conta ainda com subcomités especializados, compostos por peritos em áreas específicas, que fornecem recomendações técnicas sobre as infraestruturas do ESO, como La Silla-Paranal, ALMA e o futuro E-ELT. 

Esta nomeação também poderá trazer benefícios para a Universidade de Coimbra, especialmente para o Departamento de Física da FCTUC, onde se leciona o Mestrado em Astrofísica e Instrumentação para o Espaço. «Esta participação no STC fomenta a identificação de oportunidades para a Universidade, seja no âmbito de projetos científicos internacionais e estágios para estudantes, como também no desenvolvimento de novos instrumentos, na modernização de tecnologia existente e, em suma, na inovação em instrumentação para o espaço», acredita a docente. 

Para a cientista, a motivação para integrar o STC prende-se com a oportunidade de contribuir para a visão estratégica do ESO e antecipar os desafios da astronomia nas próximas décadas. «É absolutamente aliciante estar na linha da frente das decisões que orientam a construção e evolução dos observatórios mais avançados do mundo», afirma.

A nomeação da professora Sónia Antón reforça, assim, a presença e influência da Astrofísica portuguesa nos grandes projetos internacionais e evidencia o contributo de Portugal para a investigação científica no âmbito do ESO. Universidade de Coimbra - Portugal


sábado, 8 de julho de 2023

Internacional - Conheça o segundo português a “brilhar” no céu

A União Astronómica Internacional (UAI) atribuiu a um asteroide o nome do astrofísico Pedro Machado, que se tornou o segundo português a “brilhar” no céu noturno


O asteroide “2001 QL160”, ou melhor, o “asteroide 32599 Pedromachado” tem quase três quilómetros de diâmetro e demora quatro anos e meio a dar uma volta ao Sol, revelou esta quinta-feira o Instituto de Astrofísica e Ciência do Espaço (IA), ao qual pertence o cientista.

Pedro Machado é investigador do IA e professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências ULisboa) e foi homenageado pelo Grupo de Trabalho para a Nomenclatura de Pequenos Corpos (WGSBN), da União Astronómica Internacional (UAI), com a atribuição do seu nome a um asteroide.

O anúncio foi feito na Conferência de Asteroides, Cometas e Meteoros, que decorreu em Flagstaff, no Arizona, EUA, e foi publicado no Boletim do WGSBN.

Pedro Machado é especialista em atmosferas planetárias, mas este é um reconhecimento pelo seu contributo noutro domínio de estudo do Sistema Solar: a deteção e caracterização de asteroides e de outros objetos que se encontram para além da órbita de Neptuno, chamados transneptunianos.

Em alguns casos, este trabalho cruza o estudo das atmosferas, pois envolve o estudo das regiões de transição entre a atmosfera e o espaço exterior, as chamadas exosferas, nas quais são perdidas partículas para o espaço, adianta o IA.

 Em junho de 2021, o astrofísico português Nuno Peixinho viu também o seu nome a batizar um asteroide descoberto a 16 de setembro de 1998, numa campanha de observações do Observatório de Lowell, nos Estados Unidos.

Anteriormente designado por “(40210) 1998 SL56”, o asteroide passou a chamar-se “(40210) Peixinho”, por decisão também do Grupo de Trabalho para a Nomenclatura de Pequenos Corpos da União Astronómica Internacional, organização dirigida na altura pela astrónoma, também portuguesa, Teresa Lago.

A proposta de nomeação do asteroide partiu do observatório norte-americano.

O “Peixinho” é um corpo rochoso que pertence à Cintura de Asteroides, entre as órbitas de Marte e Júpiter, e orbita o Sol a uma distância média três vezes superior à que separa o Sol e a Terra, completando uma órbita em cerca de 5,3 anos. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


quinta-feira, 16 de abril de 2020

Internacional - Cientistas portugueses comprovam teoria de Einstein

Vários investigadores, incluindo portugueses, verificaram, pela primeira vez, que uma das estrelas em redor de um buraco negro ‘supermassivo’ no centro da Via Láctea se movimenta tal como o previsto na Teoria da Relatividade Geral de Einstein, foi divulgado.

A estrela é a S2, que faz parte de um aglomerado estelar que existe em torno do buraco negro Sagitário A, localizado a 26 mil anos-luz do Sol e que terá quatro milhões de massas solares.

Segundo o Observatório Europeu do Sul, que opera o telescópio no Chile com que foram feitas as observações e que divulgou em comunicado os resultados da investigação, a órbita desta estrela tem a forma de uma roseta e não a de uma elipse, como prevê a clássica Teoria da Gravitação do físico Isaac Newton, de 1687.

“Descobrimos que o movimento de uma estrela em torno desse buraco negro não é uma órbita fechada, isto é, não é um caminho em que o fim e o início são o mesmo ponto, descrito periodicamente”, disse à Lusa um dos investigadores portugueses envolvidos no estudo, Paulo Garcia, do Centro de Astrofísica e Gravitação (Centra) do Instituto Superior Técnico, em Lisboa.

De acordo com Paulo Garcia, que também leciona na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, a órbita da estrela S2 “é um caminho tipo figura roseta”, uma “órbita aberta, compatível com a Relatividade Geral” publicada pelo físico Albert Einstein em 1915.

Os resultados da investigação, que implicou fazer medições precisas da órbita da estrela durante cerca de 30 anos a partir das observações realizadas com o telescópio VLT, foram publicados na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics. O trabalho mobilizou uma equipa científica internacional, nomeadamente de Portugal, França e Alemanha.

Além de Paulo Garcia, estiveram envolvidos os investigadores do Centra António Amorim e Vítor Cardoso.

A equipa portuguesa participou nas mais de 330 medições da posição da estrela, que completa uma órbita na proximidade de Sagitário A ao fim de 16 anos, mas também no “desenho e construção” de um componente de um instrumento do telescópio VLT que permite “obter imagens do ambiente próximo do buraco negro”, adiantou António Amorim, citado num comunicado do Centra.

À Lusa, Paulo Garcia explicou que a órbita da estrela S2, uma das mais próximas do buraco negro Sagitário A, “está associada ao mecanismo físico denominado precessão”, que, no caso, “está ligado à deformação do espaço-tempo pelo buraco negro”.

A deformação do espaço-tempo provocada por um buraco negro, corpo extremamente denso e escuro no centro das galáxias de onde nada escapa, nem mesmo a luz, é descrita pela Teoria da Relatividade Geral de Einstein.

“O efeito da deformação do espaço-tempo é ‘puro’ e dá um puxão extra à estrela no ponto de maior aproximação do buraco negro, fazendo com que a órbita não volte ao ponto inicial e realize a figura de roseta”, assinalou Paulo Garcia.

Segundo o docente, a teoria da gravitação clássica, ao contrário da moderna de Einstein, “é incapaz de explicar este fenómeno sem invocar um terceiro corpo (que seria um segundo buraco negro) ou uma nuvem de matéria escura massiva que se desconhece”.

Contudo, para o investigador, “por muito espetacular que a Relatividade Geral seja, a maioria dos físicos acredita que esta não é a última teoria da gravidade”.

“Testar a teoria [de Einstein] no limite da curvatura imensa do espaço-tempo que é a região perto do horizonte do buraco negro ‘supermassivo’ [Sagitário A] no centro da galáxia [Via Láctea] é uma maneira de chegar a essa nova física”, sustentou.

Por isso, os cientistas pretendem aprofundar os seus estudos, medindo a órbita da estrela S2 ainda com maior exatidão, procurando estrelas em órbitas mais próximas de Sagitário A e analisando o que desencadeia as explosões em redor do buraco negro. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”