Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 10 de julho de 2025

Fundação Calouste Gulbenkian - Antarctic and Southern Ocean Coalition recebe Prémio Gulbenkian para a Humanidade

A Antarctic and Southern Ocean Coalition (ASOC) é a vencedora do Prémio Gulbenkian para a Humanidade 2025 pelo seu trabalho na proteção de um dos mais cruciais e frágeis ecossistemas do mundo e na preservação de um dos territórios mais remotos do planeta


O júri independente, presidido por Angela Merkel, selecionou o vencedor de entre 212 nomeações de 115 países, pela sua liderança na proteção de regiões vitais para a estabilidade climática global, a colaboração internacional e a advocacy sustentada na ciência.

Desde a sua fundação, em 1978, a ASOC reuniu organizações ambientais de prestígio de mais de 10 países, formando uma coligação resiliente e articulada de membros, parceiros, ativistas e apoiantes. Visto que a Antártida se encontra fora da jurisdição de uma só nação, a cooperação multilateral tem sido essencial para a sua proteção. Ao longo dos últimos 50 anos, a ASOC tem demonstrado, de forma consistente, como uma voz única, assente num objetivo partilhado e num compromisso a longo prazo, pode influenciar a governação e a preservação de um dos ambientes mais intocados do planeta.

Apesar da sua localização remota, a Antártida é um pilar da estabilidade global. O Tratado da Antártida, assinado em 1959, atribuiu-lhe a designação de continente de paz e cooperação, tornando-a reserva para fins pacíficos e de investigação científica. Com cerca de 90% do gelo terrestre e cerca de 70% da água doce do planeta, a Antártida é fundamental para este esforço. O Oceano Antártico representa, por si só, cerca de 10% do oceano global e alberga quase 10.000 espécies únicas. As suas poderosas correntes regulam as temperaturas do planeta, impulsionam os ciclos de nutrientes e sustentam a biodiversidade marinha que constitui a base da cadeia alimentar global. Contudo, a região encontra-se atualmente num momento crítico, enfrentando impactos climáticos acelerados, nomeadamente anomalias extremas na temperatura, ondas de calor marinhas e diminuição do gelo marinho, com partes da Antártida a aquecerem mais do dobro da média global.

O Prémio é atribuído numa altura em que as Nações Unidas declararam 2025 como o Ano Internacional da Preservação dos Glaciares, lançando a Década de Ação para as Ciências da Criosfera (2025-2034). A comunidade internacional está finalmente a reconhecer o papel essencial da criosfera — os mantos de gelo, os glaciares e as calotes polares da Terra — na regulação do clima. A liderança da ASOC ajuda a transformar o conhecimento científico em ação global, salvaguardando os sistemas dos quais a vida na Terra depende.

Claire Christian, Diretora Executiva da ASOC: “É uma honra para a ASOC receber o Prémio Gulbenkian para a Humanidade, que vem afirmar e reconhecer o poder da ação coletiva e a importância vital de proteger o Antártico e o Oceano Austral. Estas regiões podem parecer distantes, mas são fundamentais para a saúde e o futuro do planeta. Aceitamos este prémio em nome da nossa coligação e de todos os que continuam a proteger um dos últimos ecossistemas ainda intocados da Terra.”

Angela Merkel, Presidente do Júri: “A região da Antártida é um ecossistema único e frágil, particularmente vulnerável aos efeitos das alterações climáticas. Ao situar-se fora da jurisdição de um só país, a região precisa de um nível extraordinário de cooperação internacional para proteger e preservar este recurso precioso. O Júri quis reconhecer as conquistas da Antarctic and Southern Ocean Coalition e a forma como tem demonstrado que a colaboração global é possível. A Antarctic and Southern Ocean Coalition transmite esperança às gerações vindouras e é uma justa vencedora deste prémio.”

António Feijó, Presidente do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian: “Aliando ciência, persuasão e cooperação internacional é possível fazer face a um dos maiores desafios globais: as alterações climáticas. O trabalho da Antarctic and Southern Ocean Coalition mostra-nos que é essencial proteger os lugares mais remotos da Terra, a fim de salvaguardar o nosso futuro comum. A Fundação reconhece o trabalho feito e o compromisso inabalável da ASOC com o planeta”.

O Prémio é uma iniciativa da Fundação Calouste Gulbenkian e visa distinguir indivíduos e organizações que lideram os esforços da sociedade para enfrentar os maiores desafios da Humanidade: as alterações climáticas e a perda da biodiversidade. No valor de um milhão de euros, o Prémio distingue contribuições excecionais para a ação climática e soluções climáticas que inspiram esperança e novas possibilidades.

Este é o sexto ano em que o prémio é atribuído. Em 2020, no seu primeiro ano, foi atribuído a Greta Thunberg; em 2021, foi atribuído ao Pacto Global de Autarcas para o Clima e a Energia; em 2022, a Plataforma Intergovernamental Científica e Política sobre a Biodiversidade e os Serviços dos Ecossistemas (IPBES) e o Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) foram os vencedores conjuntos; e em 2023, Bandi “Apai Janggut”, líder comunitário tradicional da Indonésia, Cécile Bibiane Ndjebet, ativista e agrónoma dos Camarões, e Lélia Wanick Salgado, ambientalista, designer e cenógrafa do Brasil, foram igualmente distinguidos em conjunto.

Em 2024, o Prémio foi atribuído em conjunto a Andhra Pradesh Community Managed Natural Farming (Índia), um programa estatal que apoia a transição de pequenos agricultores, predominantemente mulheres, para a agricultura natural; a Rattan Lal (EUA/Índia), um cientista pioneiro na abordagem da agricultura centrada no solo; e a SEKEM (Egito) com a sua Associação Biodinâmica Egípcia, uma rede que permite aos agricultores a transição para práticas regenerativas.

Sobre a Antarctic and Southern Ocean Coalition

Desde 1978, a ASOC tem sido a principal voz da conservação da Antártida, trabalhando exclusivamente para a sua proteção e a do Oceano circundante. Sendo a única ONG ambiental convidada a participar como observadora nas reuniões do Tratado da Antártida, a ASOC trabalha ao mais alto nível na governação polar. A sua presença garante que as preocupações ambientais não só são ouvidas, mas também integradas nas políticas e ações relativas à região.

A ASOC representa a comunidade de conservação da Antártida nos corredores do poder onde são tomadas decisões de importância global sobre o seu futuro. Trabalhando em conjunto com os 21 membros da Coligação, parceiros, ativistas e apoiantes, a ASOC informa e incentiva os líderes mundiais a proteger a Antártida em prol de toda a humanidade

Sobre o Prémio Gulbenkian para a Humanidade

No valor de 1 milhão de Euros, o Prémio Gulbenkian para a Humanidade distingue indivíduos, organizações e grupos que lideram os esforços da sociedade para enfrentar o maior desafio enfrentado pela humanidade: as alterações climáticas. O Prémio distingue contribuições excecionais para a ação climática e soluções climáticas que inspiram esperança e novas possibilidades. O Prémio é uma demonstração clara do compromisso estratégico da Fundação Calouste Gulbenkian para com a sustentabilidade e a equidade.

Criado em 2019 e entregue pela primeira vez em 2020, o Prémio Gulbenkian para a Humanidade não só reflete o legado de Calouste Gulbenkian, como também está a criar um legado próprio, possibilitando que as pessoas façam enormes avanços no combate às alterações climáticas. Ajudar a humanidade a ultrapassar o maior desafio que enfrentamos constituirá o derradeiro legado do Prémio. Fundação Calouste Gulbenkian - Portugal


segunda-feira, 11 de março de 2024

Portugal - Cientista da Universidade de Coimbra estuda e monitoriza evolução de círculos de pedras na Antártida em formação há 10 mil anos

Pedro Pina, professor e investigador do Departamento de Ciências da Terra (DCT) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), está a estudar e a monitorizar a evolução de círculos de pedras naturais na Antártida em formação há 10 mil anos, quando os glaciares da região começaram a recuar e criar zonas livres de gelo.


Toda a informação geológica recolhida no âmbito do projeto CAMOES, financiado pelo Programa Polar Português (PROPOLAR), será compilada num mapa detalhado desta região polar.

«Nas zonas polares e de alta montanha é comum existirem padrões naturais de fragmentos rochosos que se formam, sobretudo, em regiões livres de gelo como permafrost, em que o solo, por variação sazonal de temperatura, cria à superfície círculos de pedras, que podem ter entre 1 a 4 metros de diâmetro. É a evolução destes círculos que estamos a estudar e monitorizar, através de imagens de satélite e, mais recentemente, de drones», explica Pedro Pina.

O permafrost é a camada do solo da crosta terrestre que está permanentemente congelada. No entanto, se as temperaturas atingirem zero graus ou mais, esta camada começa a descongelar e a possibilitar uma dinâmica semelhante à do solo “normal”, acabando por permitir, na Antártida, a implantação de vegetação rasteira (tipicamente líquenes e musgos).

De acordo com o investigador do DCT, «estes círculos formam-se pela dinâmica sazonal do solo, que, mesmo que não descongele, sofre variações de temperatura ao longo do ano, o que faz com que se movimente, começando a expulsar primeiro as pedras maiores do subsolo para a superfície, “arrumando-as” depois radialmente à superfície (em forma de círculo). Este fenómeno natural é um bom indicador das características de climas passados. É aliciante estudar estes círculos de pedras que se formam ao longo de centenas de milhares de anos», conta.

Estes padrões ajudam a perceber o clima que existiu na região nos últimos 10 mil anos. O objetivo desta monitorização «é quantificar a densidade espacial dos círculos, se são maiores ou menores, se ainda estão ativos ou não. A sua dinâmica é sempre muito baixa (poucos milímetros por ano), por isso não os vemos a movimentar-se, mas percebe-se que estão ativos se o solo estiver húmido. Porém, se estiver coberto de vegetação, normalmente, significa que já não estão ativos», esclarece.

«Fazer a caracterização morfométrica destes círculos, identificar o tipo de rocha e de solo, e relacionar isso com expansão da vegetação é também muito importante para perceber o avanço das alterações climáticas», conclui.

Para mais detalhes sobre o PROPOLAR consultar aqui. Universidade de Coimbra - Portugal


terça-feira, 20 de julho de 2021

Internacional - Estudo revela a presença de microplásticos em pinguins da Antártida há mais de 15 anos

Um estudo internacional liderado por cientistas da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) demonstrou a presença de microplásticos (partículas com menos de 5 mm), como poliéster e polietileno, entre outras partículas de origem antropogénica, em pinguins na Antártida.

Neste estudo, no qual participaram também investigadores da Universidade de Nova de Lisboa, do Museo Nacional de Ciencias Naturales (Espanha) e do British Antarctic Survey (Reino Unido), foram utilizadas amostras de fezes de três espécies de pinguins – pinguim Adelie (Pygoscelis adeliae), pinguim de barbicha (Pygoscelis antarcticus) e pinguim gentoo (Pygoscelis papua) – recolhidas entre 2006 e 2016.

As análises realizadas permitiram verificar a presença generalizada de microplásticos em todas as espécies, colónias e anos do estudo. Além das partículas de plástico, foram encontradas em quantidades semelhantes outras partículas processadas, na maioria fibras, que, apesar de serem de origem natural (celuloses), são produzidas artificialmente e podem ter compostos, como tintas, que podem persistir no ambiente.

Este estudo, já publicado na revista Science of the Total Environment, segundo os autores, «demonstra que os microplásticos estão cada vez mais difundidos nos ecossistemas marinhos, identificados agora na Antártida, o que é preocupante dada a sua persistência no meio ambiente e a sua acumulação nas cadeias alimentares».

Joana Fragão, autora principal do estudo e investigadora do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC e do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), salienta que «o mais impressionante dos resultados foi verificar que os microplásticos estavam presentes na dieta das três espécies de pinguins, em vários locais e nos vários anos do estudo (2006, 2007, 2008, 2012, 2013, 2014 e 2016), o que demonstra que estas partículas se encontram já bem difundidas no ecossistema marinho Antártico».

Por seu lado, Filipa Bessa, coautora do estudo e especialista em poluição por microplásticos da UC, afirma que, «agora que sabemos que várias espécies de pinguins de regiões remotas como a Antártida ingerem microplásticos, mas que não existe um foco específico para a origem destas partículas, o próximo passo é também avaliar os efeitos destas partículas nestes ambientes».

Os resultados obtidos, sublinha José Xavier, autor sénior do artigo científico, «vão certamente ser muito úteis para abrir novas áreas de investigação nesta temática e avançar com políticas para reduzir o impacto da poluição por plásticos no Oceano Antártico no contexto do Tratado da Antártida».

Ou seja, concluem os três cientistas da FCTUC, «são necessários mais estudos para entender melhor a dinâmica espaço-temporal, destino e efeito dos microplásticos nesses ecossistemas, e controlar a contaminação por plásticos na Antártida». Universidade de Coimbra - Portugal




quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Internacional - Microplásticos encontrados pela primeira vez em pinguins na Antártida



Não são boas notícias. A poluição por microplásticos já chegou à Antártida, revela um estudo da Universidade de Coimbra (UC) publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

Uma equipa de investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) encontrou, pela primeira vez, microplásticos em pinguins da Antártida, confirmando que este tipo de poluição já entrou na cadeia alimentar marinha.

Ao analisarem a dieta de pinguins gentoo Pygocelis papua em duas regiões da Antártida, os investigadores observaram que 20% das 80 amostras de fezes das aves continham microplásticos (partículas de plástico menores que 5mm de comprimento) de diversas tipologias, formas e cores, o que indica uma grande variedade de possíveis fontes destes microplásticos.

A poluição marinha por plásticos é reconhecidamente uma ameaça aos oceanos em todo o mundo mas só recentemente tem havido um aumento do esforço científico sobre microplásticos. Em zonas mais remotas do planeta, como a Antártida, esperava-se que a presença de microplásticos fosse muito reduzida, embora estudos recentes já tenham encontrado microplásticos em sedimentos e nas águas do Oceano Antártico.

Para Filipa Bessa, autora principal do artigo, «é alarmante que microplásticos já tenham chegado à Antártida. O nosso estudo é o primeiro a registar microplásticos em pinguins e na cadeia alimentar marinha Antártica». A investigadora nota que «a variedade de microplásticos encontrados nos pinguins poderá indicar diferentes fontes de poluição, indiciando uma difícil solução para este problema».

Por seu lado, José Xavier, autor sénior do artigo, afirma que «este estudo vem na altura certa, pois os microplásticos podem causar efeitos tóxicos nos animais marinhos e nada se sabe sobre o que eles poderão provocar nos animais da região Antártica».

Por isso, salienta o também docente do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC, «esta descoberta é de muita importância para desenvolver novas medidas para reduzir a poluição na Antártida, particularmente relacionada com plásticos, podendo servir de exemplo para outras regiões do mundo». Universidade de Coimbra “Faculdade de Ciências e Tecnologia” - Portugal

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Estados Unidos da América - Cientistas descobrem "Rei da Antártida", um parente precoce dos dinossauros

Um parente precoce dos dinossauros, do tamanho de uma iguana, viveu na Antártida há 250 milhões de anos, segundo cientistas norte-americanos citados hoje na publicação científica “Boletim de Paleontologia de Vertebrados”



Há 250 milhões de anos o que é hoje a Antártida estava coberto de florestas e tinha temperaturas amenas, abrigando animais selvagens como o réptil agora descoberto, a cujo fóssil foi dado o nome de “Rei da Antártida”.

“Este novo animal era um arcossauro, um antepassado primitivo de crocodilos e dinossauros”, disse Brandon Peecook, um investigador do museu Field de História Natural, em Chicago, Estados Unidos.

Segundo o responsável, principal autor do artigo em que é descrita a descoberta, a nova espécie era parecida com um lagarto, mas evolutivamente foi um dos primeiros membros desse grande grupo. “Ele explica como é que os dinossauros e os seus parentes mais próximos evoluíram e se disseminaram”, disse.

O esqueleto fossilizado foi encontrado incompleto, mas os paleontólogos dizem ter ainda assim uma ideia aproximada do animal, classificado como “Antarctanax Shackletoni”, com a primeira palavra a traduzir-se por “Rei da Antártida” e a segunda sendo uma homenagem ao explorador Ernest Shackleton, um britânico que viveu no início do século XX e que liderou três expedições à Antártida.

Com base nas semelhanças com outros fosseis, Peecook e outros autores do artigo dizem que provavelmente o “Antarctanax Shackletoni” era um carnívoro, que caçava insetos, mamíferos e anfíbios.

“Pensávamos que os animais da Antártida seriam similares aos que viviam no sul de África, já que as duas massas de terra estavam juntas nessa altura. Mas descobrimos que a vida selvagem da Antártida é surpreendentemente única”, disse Peecook.

Dizem os autores do artigo que cerca de dois milhões de anos antes do “Antarctanax” viver a Terra teve a maior extinção em massa de todos os tempos, causada por alterações climáticas devido a erupções vulcânicas. Cerca de 90% da vida animal foi morta.

O período seguinte foi de descontrolo evolutivo, com novos grupos a competirem para preencher os espaços deixados livres pela extinção em massa. Os arcossauros foram um desses grupos que tiveram um grande crescimento.

Segundo Peecook, antes da extinção os arcossauros só eram encontrados junto do equador e depois estavam “por todo o lado”. Na Antártida havia, disse, uma combinação de novos animais e de outros que já estavam extintos em toda a parte mas que sobreviviam ali.

O facto de os cientistas terem encontrado o “Antarctanax Shackletoni” ajuda a reforçar a ideia de que a Antártida foi um local de rápida evolução e de diversificação, após a extinção em massa.

“Quanto mais tipos diferentes de animais encontramos mais aprendemos sobre o lugar ocupado pelos arcossauros após a extinção em massa”, disse também Peecook. In “Sapo 24” – Portugal com “MadreMedia / Lusa”