Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 12 de janeiro de 2020

Venezuela - Cáritas Portuguesa e de Macau acordam ajuda a parturientes e crianças subnutridas

Macau - A Cáritas Portuguesa e de Macau vão enviar nutrientes e medicamentos para ajudar parturientes e crianças subnutridas venezuelanas, disse à Lusa o presidente da instituição de Portugal.

Foi acordado o "envio de nutrientes e também de medicamentos para crianças subnutridas e para parturientes", afirmou Eugénio Fonseca, após uma reunião com a Cáritas Macau no último dia da visita que realizou ao antigo território administrado por Portugal.

"Os medicamentos foram-nos doados em Portugal e é preciso fazer chegar lá [Venezuela]", acrescentou, explicando que "a forma mais segura", por indicação da Cáritas venezuelana "é por via postal", precisou.

A Cáritas de Macau "vai ajudar a suportar o custo", acrescentou o responsável da Cáritas Portuguesa.

Esta é uma das medidas concretas que resultou da visita desta semana a Macau.

"Vamos conseguir apoio financeiro da Cáritas de Macau para realizar em Portugal uma ação de formação em empreendedorismo social para pelo menos 40 colaboradores", numa "área que é importante, face aos novos desafios em termos sociais, resultantes até da crise que vivemos há anos", declarou.

A Cáritas Portuguesa e a de Macau vão igualmente avançar com a partilha de experiências na área da reintegração social de reclusos e no intercâmbio de colaboradores.

"Queremos diversificar o protocolo já assinado na área de apoio a reclusos (...) com a Direção-geral de Reinserção e Serviços Prisionais em Portugal" e "dos projetos que tenham a ver com a preparação dos reclusos para a sua reintegração social".

A ideia passa por apresentar um projeto. "E partilharmos experiências que vamos tendo em Portugal para replicar" no território administrado pela China desde 1999, até porque a Caritas local "é a única que faz voluntariado e apoia em termos sociais os reclusos na cadeia em Macau", esclareceu, adiantando que haverá ainda "intercâmbio entre colaboradores", estando ainda por acertar "em que moldes".

Das reuniões resultou ainda um acordo para se estabelecer uma parceria entre as duas Cáritas e a Universidade de São José para que seja criado um prémio que passe a distinguir "a melhor tese de mestrado", com direito a publicação em Macau através da Editorial Cáritas.

Quanto ao desenvolvimento de projetos conjuntos em países como São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Guiné-Bissau, no âmbito da qualificação de quadros qualificados, por exemplo, Eugénio Fonseca explicou à Lusa que a definição destes ficará dependente da reunião interministerial do Fórum Macau agendada para este ano e que vai juntar representantes ao mais alto nível dos países lusófonos.

A visita que começou esta segunda-feira serviu para reativar a colaboração com a congénere de Macau.

Após mais de 400 anos sob administração portuguesa, Macau passou a ser uma região administrativa especial da China em 20 de dezembro de 1999, com um elevado grau de autonomia acordado por um período de 50 anos, com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, com o governo central chinês a ser responsável pelas relações externas e defesa.

A Cáritas foi fundada em 1945 em Portugal e em 1951 em Macau. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”

quinta-feira, 14 de março de 2019

Bangladesh - Responsável da Organização Internacional para as Migrações desafia portugueses a envolverem-se na ajuda aos rohingyas

Cox's Bazar, Bangladesh - O coordenador de emergência da Organização Internacional para as Migrações (OIM) para a crise Rohingya no Bangladesh, Manuel Marques Pereira, gostava de ver mais portugueses envolvidos e a ajudar nesta questão.

"Mais portugueses deviam tentar (integrar a ajuda humanitária internacional). Nós precisamos de mais portugueses no mundo. Contribuir e aprender que há muito que podemos levar para Portugal, mas muito que podemos contribuir para a humanidade em geral", diz o responsável, em entrevista à Lusa no âmbito de um documentário para uma bolsa de exploração da Nomad.

dirigente humanitário, que já esteve em respostas a crises em Timor-Leste, Paquistão, Filipinas, Moçambique e Iraque, refere-se ao auxílio no terreno, nos vários campos de Kutupalong, na região de Cox's Bazar, Bangladesh, mas também ao apoio em forma de pressão pública mediática sobre os governos.

O coordenador da OIM insiste na importância do tema "continuar no topo das agendas" dos diversos governos, bem como nos cidadãos contribuírem financeiramente para as organizações não governamentais (ONG) a atuar nesta crise no Bangladesh.

"A forma mais eficaz das pessoas ajudarem é continuarem a discutir o problema, chamarem a atenção para o problema, criarem pressão política ao governo em Portugal e no governo da União Europeia. Para que junto das instâncias multilaterais se possa continuar a fazer pressão para que este problema no futuro seja resolvido nas suas raízes, nas questões que originaram este deslocamento em massa", explica.

Cerca de 750 mil membros da comunidade rohingya, muçulmana, fugiram para o Bangladesh desde agosto de 2017, após um ataque de um grupo insurgente a postos militares e policiais que levou a uma ofensiva militar pelo exército de Myanmar (antiga Birmânia), país de maioria budista, no Estado ocidental de Rakhine.

A violência, descrita pela ONU como limpeza étnica e um possível genocídio, incluiu o assassínio de milhares de pessoas, a violação de mulheres e de crianças e a destruição de várias aldeias, provocando uma das crises humanitárias mais graves do início do século XXI.

Aos compatriotas mais entusiasmados com o labor de campo, Manuel Marques Pereira incentiva-os a avançar, seja qual for a sua experiência de formação académica ou profissional, pois revela-se "contrário à ideologia do perfil".

"Tenho muitas dificuldades com a lógica de que os trabalhadores humanitários precisam de um currículo, de uma formação específica. Acho que são a agregação de muitas profissões, de muitas perspetivas e muitas capacidades. Essa diversidade é que nos dá a adaptabilidade e resistência de podermos trabalhar, porque não somos formatados, não somos um grupo coeso", justifica.

Ao invés, sublinha que o fundamental é que haja "dedicação e querer", uma vez que, avisa, "a vida de um expatriado não é fácil": "Mas quando as pessoas têm vontade e vocação, vontade e capacidade de absorver esta diversidade que existe neste meio, isso é meio caminho andado".

Na região de Cox's Bazar, onde se encontram os campos de refugiados, trabalham cerca de 3000 humanitários internacionais a dar resposta, juntamente com equipas locais, a uma problemática que atinge entre um a 1,2 milhões de rohingya.

Desde que a nacionalidade birmanesa lhes foi retirada em 1982, os rohingyas têm sido submetidos a muitas restrições: entre outras, não podem viajar ou casar sem autorização, não têm acesso ao mercado de trabalho, nem aos serviços públicos (escolas e hospitais). In “Sapo Timor Leste” com “Lusa”