Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 24 de outubro de 2022

Adriano Moreira: um ícone


No dia 13 de maio do ano corrente, após a Covid, fui visitá-lo em seu Recanto de Viver, lá no Restelo, às margens do Tejo.

Entre lágrimas e afagos nos abraçamos, a reviver uma amizade transoceânica, alicerçada por inúmeros e inolvidáveis encontros e celebrações literárias.

Presente, o Presidente da Academia Internacional da Cultura Portuguesa, Almirante António Carlos Duarte, seu fiel escudeiro vivencial.

Lisboa, Açores, Belmonte, Bragança (onde ele me designou membro do Conselho Executivo da Biblioteca Nacional de Portugal), marcaram nossas estradas portuguesas, à beira de sua inteligência invulgar.

Fui seu confrade na Academia das Ciências de Lisboa, em companhia dos acadêmicos Tarcízio Dinoá Medeiros e Deonísio da Silva, integrantes da Academia Real de Ciências de Lisboa, quase tricentenária, fundada pelo Duque de Lafões, presidida por ele e pelos académicos Luís Ayres-Barros, Eduardo Romão Arantes de Oliveira, Artur Anselmo, Jorge Salema e atualmente por José Luís Cardoso.

A convite da Academia de Letras de Brasília, aqui esteve em dois eventos internacionais.

Três livros marcaram sua caminhada: Este é o Tempo, A Nossa Época e a Circunstância do Estado Exíguo. Muitos outros compõem seu acervo literário, naturalmente.

Finalmente, no dia de seu centenário (6 de setembro de 2022), lá do Restelo, mandou-me o livro ADRIANO MOREIRA-Para Além da Espuma do Tempo, preparado pela Universidade de Lisboa e pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, quando distinguiu-nos com esta dedicatória:


Assim, viajou um homem de bem!

Nossas homenagens cósmicas e condolências à família. José Gentili – Brasil in “Blog de São João del-Rei”

José Carlos Gentili, jornalista e escritor

Tarcízio Dinoá Medeiros (ex-presidente da Academia de Letras de Brasília, genealogista e escritor, autor de Ramificações genealógicas do Cariri paraibano) disse...

Prezados confrades e amigos,

Partiu para a Glória do Pai o grande Mestre Escritor, Intelectual e Modelo de Homem Adriano Moreira.

Em 6 de setembro passado ele completou CEM anos de idade - lúcido e ainda escrevendo. Enviei-lhe, naquela data, a seguinte mensagem:

Me​stre Adriano Moreira,

​É uma grande honra, uma Graça de Deus, ter o prazer de congratular-me, hoje, com Vossa Excelência, no seu centésimo aniversário. E rogo ao Pai que lhe dê ainda anos de vida, para a nossa alegria e o merecido orgulho de Portugal e do Brasil.

Tarcízio Dinoá Medeiros

Academia de Letras de Brasília

Academias das Ciências de Lisboa - Classe de Letras




 

domingo, 23 de outubro de 2022

Morreu Adriano Moreira

A UCCLA - União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa - ao tomar conhecimento que o Professor Doutor Adriano Moreira nos deixou, privando-nos de continuarmos a beneficiar do contributo estratégico que tinha sobre a importância da concertação e afirmação dos interesses dos povos e países de língua oficial portuguesa, neste mundo hoje global e da língua portuguesa, não pode deixar de manifestar o seu mais profundo pesar, o que faz de forma pública e desde logo à família.

Ao fazê-lo tem presente a influência que o Professor Doutor Adriano Moreira exerceu para que, em 1985, o então Presidente da Câmara de Lisboa Eng. Kruz Abecassis criasse, com as demais cidades capitais dos países de língua portuguesa, a primeira instituição para o aprofundamento das relações com esses países. Hoje, a UCCLA tem 55 cidades associadas de todos eles e 20 empresas apoiantes. Ocorrendo em Lisboa no próximo dia 27 de outubro, quinta-feira, a XXXVlll Assembleia Geral a que não deixaremos de recordar nela, com a dignidade merecida, a memória do Professor Doutor Adriano Moreira.

Vítor Ramalho

Secretário-geral da UCCLA


Biografia de Adriano Moreira

Adriano Moreira nasceu em Grijó de Vale Benfeito (Macedo de Cavaleiros), em 15 de Setembro de 1922, filho do polícia António José Moreira e de sua mulher D. Leopoldina do Céu Alves.

Cedo os pais vieram para Campolide, Lisboa, onde o pai chega a sub-chefe da PSP, aqui fazendo Adriano Moreira os seus estudos primários e liceais, no Liceu Passos Manuel, onde se matriculou em 1932. Continuou os estudos na Faculdade de Direito onde, em 1944, com 21 anos, completou a licenciatura com 17 valores, especializando-se no ano seguinte em Ciências Histórico Jurídicas.

Após concluir a licenciatura em Direito, iniciou a sua carreira profissional na função pública, como jurista no Arquivo Geral do Registo Criminal e Policial, em 1944, embora manifestasse simpatia pela Oposição Democrática, assinando mesmo uma lista do Movimento de Unidade Democrática (MUD), em 1945.

Toda a biografia disponível na página da República Portuguesa pode ler aqui.


quarta-feira, 1 de junho de 2022

Adriano Moreira: um jovem centenário


O Restelo, em Lisboa, mantém viva a historicidade portuguesa, ao acolher a figura gigantesca de Adriano Moreira em sua invejável senectude centenária, a distribuir conhecimentos aos seus circundantes e amigos, que têm o privilégio e a honra cívica de merecer suas atenções.

Em 6 de setembro próximo estará a completar 100 anos de vida – um século!

Ao chegar de Brasília, fomos abraçá-lo em seu recanto de viver, em companhia do Presidente da Academia Internacional da Cultura Portuguesa – Almirante António Carlos Rebelo Duarte.

A Capital Federal e a sua Academia de Letras de Brasília, várias vezes, o receberam com a fraternidade que une brasileiros e portugueses, verdadeira seiva que alimenta as raízes profundas e históricas de nossos processos civilizatórios.

Adriano Moreira é um integrador de pessoas e mundos.

A lucidez, aliada à extraordinária vastidão de seus conhecimentos, permite que este longevo transmontano, em seu recolhimento de vida, continue a espargir ensinamentos a todos aqueles que o circundam, a feitio de um oráculo grego.

A sua extraordinária capacidade de antevisão geopolítica, aliada a um invejável tirocínio mundial, especialmente neste período em que a ONU está a envelhecer, após a Segunda Guerra Mundial, enquanto que o Projeto da ilha de Ventotene, atualmente, tem o seu curso, estruturado nos ditames do Livro Branco, é algo fantasmagórico.

Um momento mágico para ouvir sabedoria!

Há alguns anos, proferiu-se comunicação na Academia de Ciências de Lisboa, à qual pertencemos, abrangendo temática indicada pelo culto Presidente Artur Anselmo, presente Adriano Moreira,  intitulada: “O futuro da União Europeia passará, também, pelo Brasil?”, que mais tarde redundou num livro de idêntica nominação.

A Europa atual é uma colcha de retalhos de 26 países, fruto lamentável das duas Guerras Mundiais, enfeixada numa só moeda e delimitada pelo Espaço Shengen, que eliminou fronteiras, a gerar distorções migratórias incontornáveis.

A Inglaterra, todavia, continuou com sua tradicional libra, a coparticipar da União Europeia, até aos limites do Brexit e a manter seu hermetismo grupal da Commonwealth, a reunir 53 países independentes do Império Britânico.

A velha Albion tem tradição.

Os processos migratórios no mundo sempre derivaram de tragédias e de movimentações populacionais para centros vivenciais, onde a cultura, o poder temporal e novas oportunidades fixaram grandezas de toda ordem.

A migração é uma realidade e seus processos civilizacionais, irreversíveis, pois apresenta parâmetros nos limites societários de suas fronteiras. Tem como marco gregário as respectivas órbitas da Segurança Nacional, sob a égide da ideação daquilo que os povos chamam de soberania.

A Europa, multifária, politicamente, racial e geneticamente multifacetada, vai sofrendo mutações com as migrações diversas, que o orbe movimenta com quase seus 8 bilhões de seres, à procura de melhores condições de vida.

É pura realidade geopolítica, independente dos avanços da inteligência artificial, que mantém descompassos geográficos, continentais.

Escreve-se, também, há anos, a demonstrar que a França, por exemplo, brevemente, será uma comunidade árabe. As migrações de seguidores de Alá, reproduzem-se geometricamente, enquanto que os franceses, procriam-se, aritmeticamente.

A nova geração ocidental dá mais valor aos cães do que a um filho!

O próprio Papa, lá de seus redutos vaticanos, do saudoso Latrão, promove o proselitismo migratório sob a égide da religiosidade midiática, evangelizadora. Verdadeira festa com o chapéu dos outros, consoante provérbio de antanho, quando os homens, usavam-no.

Aqueles que vão a Paris e a Veneza, deveriam visitar, também, Marseille, atualmente, verdadeiras realidades árabes, onde as burkas e os véus muçulmanos competem com as máscaras covidianas.

É uma simples constatação, nada mais!

Recentemente, o Fórum Econômico de Davos, que centraliza os poderosos do mundo, examinou a temática dos custos de recuperação econômica da Ucrânia, ainda em fase de aniquilamento nacional, como se as pessoas fossem meros objetos indesejáveis.

Os centros de poder deveriam examinar, tempestivamente, a questão da migração mundial com a importância devida, sob pena de uma hecatombe famélica.

A geopolítica da fome é uma realidade inevitável e deve ser tratada, permanentemente.

Há carência de estadistas. Há falta de líderes mundiais.

Pensa-se que o mundo está a precisar de mais Adrianos Moreiras com suas reflexões futuristas, visionárias, que somente aos sábios pertencem. José Gentili – Brasil in “Blog de São João del-Rei”

José Carlos Gentili, jornalista e escritor


 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O futuro da CPLP


SÃO PAULO – Nascida para superar os traumas de uma guerra colonial que durou de 1961 a 1974 e reaproximar os povos irmanados pelo mesmo idioma, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), criada em 17 de julho de 1996, foi viabilizada mesmo por empenho do governo brasileiro, especialmente pelo poder aglutinador do embaixador do Brasil em Lisboa ao tempo do governo Itamar Franco, José Aparecido de Oliveira (1929-2007), que fora ministro da Cultura do governo José Sarney.

Embora seja definida como instrumento de defesa da língua portuguesa e “uma comunhão de afetos” pelo ex-embaixador português Adriano Moreira, 91 anos, especialista em relações internacionais e outro grande batalhador pela criação da entidade, a CPLP começou a se transformar em bloco econômico – aliás, o único que partiu da identidade linguística entre os seus aderentes –, trilhando um caminho natural no mundo de hoje, ainda que tivesse de ferir alguns de seus princípios.

Foi o caso da inclusão da Guiné Equatorial no bloco, formalizada em julho de 2014, depois de um processo de amadurecimento que levou dez anos e culminou com a adoção do Português pela nação africana como uma de suas línguas oficiais e a abolição da pena de morte no país. É de se lembrar que a Guiné Equatorial foi colônia portuguesa entre os séculos XV e XVIII, mas a presença hoje da língua portuguesa em seu território é restrita.  E que o seu atual presidente está no poder desde 1979. Há, porém, um argumento “mais prático” que justificaria essa inclusão: depois de Angola, Portugal e Moçambique, a Guiné Equatorial, dentro da CPLP, é o quarto maior comprador de produtos brasileiros (US$ 56 milhões em 2014, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior – MDIC).

Apesar das queixas de puristas como o professor Adriano Moreira, ao que parece, a CPLP hoje irá para onde o Brasil for – afinal, se a comunidade reúne a grosso modo 250 milhões de lusofalantes, 201 milhões estão em território brasileiro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sem contar que o Brasil é o único país emergente da CPLP, condição que levou o economista Jim O´Neill, do grupo Goldman Sachs, a incluí-lo ao lado de Rússia, Índia e China para formar o acrônimo Bric, hoje conhecido como Brics, depois da inclusão da África do Sul.

Não é de se admirar, portanto, que se desenvolvam negociações para que Japão, Índia, a Região Administrativa Especial de Macau (China) e mais alguns países africanos passem a integrar a CPLP, a partir do pressuposto de que nessas nações existem comunidades de língua portuguesa. Na União Indiana, por exemplo, estão Goa, Damão e Diu, antigas possessões portuguesas anexadas à força em 1961, depois de mais de 450 anos de domínio luso, assim como no Senegal, que já está na CPLP como observador associado, fica a província da Casamansa, que luta há mais de 30 anos por sua independência e adesão ao mundo lusófono.

Se haverá futuro para a união e compatibilização de interesses e países tão díspares, é que não se sabe. Mas, desde já, não se deve descartar duas ideias do professor Adriano Moreira: a da criação de uma frota comercial pela iniciativa privada no âmbito da CPLP – afinal, todos os seus membros são marítimos – para o incremento das relações econômicas entre seus membros, além do estabelecimento de um pacto de defesa e segurança no Atlântico Sul. São ideias que estão no recém-lançado livro Este é o Tempo (Lisboa, Clube do Autor, 2014), do jornalista Vitor Gonçalves, da Rádio e Televisão de Portugal (RTP), que reúne conversas com o professor Adriano Moreira. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.