No espaço deslizante da dança, as diferenças de idade e de nacionalidade desaparecem, dando lugar a uma identidade comum baseada na alegria e no estilo partilhado. Entre ritmos e compassos uníssonos, o projecto transforma a Baía de Luanda no epicentro privilegiado de preservação cultural, saúde mental e inclusão social por via da dança, com a Kizomba, o Semba e Afro Tribal a serem os estilos mais praticados
Nas tardes de Domingo, a Baía de
Luanda é transformada no verdadeiro palco de encontro e reencontro cultural, de
interacção social e de exercícios terapêuticos. Centenas de cidadãos com idades
compreendidas entre os 17 e os 60 anos, vindos de diferentes pontos da cidade
capital, acorrem ao local todos os fins-de-semana com um único objectivo:
descontrair-se, e a dança acaba sendo a melhor ferramenta.
Enquanto uns procuram entreter-se com actividades
promovidas ao redor da Baía, outros, atraídos pela música, fazem-se ao espaço
para aprender a dançar e livrar-se do estresse acumulado durante a semana.
No espaço da dança, as diferenças de idade e de
nacionalidade desaparecem, dando lugar a uma identidade comum baseada na
alegria e no estilo partilhado. É o caso da dona Teresa Gonçalves, cidadã de 36
anos, integrante activa do Movimento “Kizomba na Rua” há quase quatro anos. A
transformação emocional é o ponto central de seu relato.
Teresa recordou que, antes de optar pela dança, teve um
período de profundo isolamento e tristezas que precisava esconder, mas, através
da prática constante da dança, conseguiu superar essas barreiras emocionais,
sentindo-se hoje uma pessoa plenamente à vontade e renovada. Assim como ela,
outras pessoas também encontraram na dança a ‘receita mágica’ para aliviar o
estresse do dia-a-dia. É o caso do jovem Ladys, um bailarino dedicado há mais
de cinco anos ao Movimento “Kizomba na Rua” em Luanda. In “O País”
- Angola
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