Um dos fundadores da competição sino-lusófona 929 Challenge insistiu que, apesar dos discursos oficiais sobre inovação e diversificação económica, Macau continua a impor barreiras práticas que dificultam a vida dos empreendedores, sobretudo estrangeiros
A sexta edição da competição de ‘startups’
foi anunciada na sexta-feira, com José Alves, reitor da Faculdade de Negócios
da Universidade da Cidade de Macau, a apontar que o evento ajudou a criar
consciência e diálogo sobre inovação e empreendedorismo, mas insistiu que Macau
deve “ir além da retórica”.
Com uma economia profundamente dependente da indústria do
jogo, as autoridades de Macau têm vindo a tentar diversificar a economia local
para indústrias selecionadas, incluindo tecnologia, saúde, eventos culturais e
finanças. “As políticas da cidade incentivam o empreendedorismo, mas persistem
obstáculos práticos, sobretudo para fundadores estrangeiros. Um empreendedor
estrangeiro pode registar uma empresa em Macau. Mas não pode operar sem uma
autorização de trabalho”, disse.
Para o co-fundador da competição isto gera um “ciclo
vicioso” e um “bloqueio estrutural” do sistema, em que regras de imigração,
práticas de contratação pública e exigências de gestão de risco das empresas
criam fricções que impedem novos projetos de avançar. “A economia de Macau
continua altamente concentrada, com seis operadoras de jogo e 34 departamentos
governamentais a dominar os recursos”, apontou.
Alves defendeu que estas operadoras e o Governo poderiam
desempenhar um “papel decisivo” ao abrir projetos‑piloto e janelas de contratação em áreas como transformação
digital, Inteligência Artificial (IA), eficiência energética ou turismo
inteligente. “As ‘startups’ não precisam de caridade. Precisam de
oportunidade”, sublinhou, alertando que “sem clientes iniciais e contratos”
nenhum ecossistema de ‘startups’ “pode sobreviver”. “Consciência sem
acesso gera frustração, e incentivo sem oportunidade gera estagnação”, afirmou,
acrescentando que a diversificação permanecerá “uma aspiração em vez de um
resultado mensurável”, sem “alinhamento entre política, ambição, e realidade
administrativa”.
Desde a sua primeira edição em 2021, a competição atraiu
mais de 1420 equipas e mais de 6000 participantes de Angola, Brasil, Cabo
Verde, Moçambique, Guiné-Bissau, Portugal, Macau e Hong Kong.
As novidades para a edição deste ano da competição
incluem uma parceria inédita com uma exposição de tecnologia e a colaboração
com o Parque Científico e Tecnológico de Qianhai, em Shenzhen, uma expansão que
a organização diz irá alargar o alcance do evento à zona da Grande Baía.
Os eventos principais da competição vão realizar‑se de 3 a 4 de dezembro de 2026 como parte da AIE Expo,
uma exposição global de IA e tecnologia, realizada em paralelo no hotel-casino
The Venetian Macao e em Zhuhai.
Segundo a organização, ao integrar pela primeira vez os
eventos na AIE Expo, as ‘startups’ participantes terão acesso direto a
mais de 900 expositores e 50 mil visitantes profissionais, incluindo
compradores nas áreas da robótica, inteligência artificial, equipamentos
inteligentes, saúde digital, mobilidade e eletrónica de consumo, além de parceiros
da cadeia de fornecimento da Grande Baía e visibilidade junto de grandes marcas
tecnológicas globais.
A edição de 2026 introduz ainda um programa de
aceleração, uma iniciativa pós‑competição para
apoiar a entrada de ‘startups’ nos mercados da Grande Baía e de Macau,
com estratégias de acesso ao mercado, formação para investidores, orientação
regulatória e mentoria de mais de 100 especialistas. “A China está rapidamente
a tornar‑se o ecossistema de
inovação mais dinâmico do mundo. Com os nossos novos programas de Aceleração e Soft
Landing, esperamos ajudar os fundadores a passar do ‘pitch’
[apresentações] ao mercado, construindo negócios reais, parceiros reais e
clientes reais”, afirmou Marco Duarte Rizzolio, co-fundador do 929 Challenge.
O primeiro grupo de ‘startups’ deverá participar
neste programa no início de 2027, com candidaturas abertas em dezembro de 2026.
In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”
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