Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

terça-feira, 9 de junho de 2026

Internacional - Universidade de Coimbra coordena descoberta de novas orquídeas africanas com sistema de polinização raro

Duas novas espécies de orquídeas descobertas na África Central estão a ajudar cientistas a compreender melhor como plantas tropicais interagem com os seus polinizadores e a revelar um tipo de polinização raramente observado na natureza. O estudo, coordenado pelo Centro de Ecologia Funcional (CFE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra mostra, ainda, que estas espécies, agora identificadas, já se encontram ameaçadas de extinção.


As espécies, pertencentes ao género Rhipidoglossum, foram identificadas através de uma abordagem que combinou trabalho de campo, análise morfológica e dados de distribuição geográfica. Para além da descoberta, os investigadores conseguiram algo pouco comum: observar diretamente a interação com os seus polinizadores, neste caso mariposas noturnas, um comportamento raramente documentado.

Estas observações ajudam a confirmar que a forma das flores está intimamente adaptada aos insetos que as polinizam, revelando relações ecológicas altamente especializadas.

As novas espécies foram encontradas em regiões da África Central, incluindo áreas montanhosas e florestas tropicais, consideradas importantes centros de biodiversidade. No entanto, apresentam uma distribuição limitada e já foram classificadas como ameaçadas, sobretudo devido à destruição de habitat.

Para os investigadores, este trabalho demonstra que a biodiversidade tropical é não só mais rica do que se pensava, mas também mais complexa nas suas interações ecológicas. A falta de dados e a pressão sobre os ecossistemas tornam urgente continuar a estudar e proteger estas espécies antes que desapareçam.

"No grande quebra-cabeças que é a biodiversidade tropical, cada nova amostra ou registo pode representar uma peça ainda desconhecida pela ciência. Estes ecossistemas estão entre os mais ricos em biodiversidade do planeta, mas também entre os mais ameaçados e com maiores lacunas de informação. Estudos que combinem coleções biológicas, trabalho de campo e colaboração internacional são essenciais para compreender esta diversidade e apoiar estratégias de conservação antes que muitas destas espécies desapareçam", refere Arthur Macedo, doutorando do CFE.

Os investigadores registaram ainda interações entre grilos e flores de orquídeas, um fenómeno extremamente raro e pouco documentado em escala global. Esta observação representa uma descoberta inédita e sugere que estes insetos poderão desempenhar um papel ecológico mais relevante na polinização de algumas espécies tropicais do que se pensava anteriormente.

“A grande diversidade floral de Rhipidoglossum deixa adivinhar muitas interações desconhecidas. Quem sabe se os grilos não poderão ser os polinizadores principais de alguma espécie na flora da África Tropical?”, questiona João Farminhão, investigador do CFE e orientador principal. Universidade de Coimbra - Portugal


Macau - Recém-licenciados vêem língua portuguesa como essencial no Direito da Região

Recém-licenciados dos cursos de Direito em português e chinês da Universidade de Macau (UM) indicaram à Lusa acreditarem que o português vai continuar a ser uma ferramenta essencial na prática jurídica do território.


A universidade oferece a única licenciatura em Direito Chinês-Português do mundo, um curso que prepara juristas para o sistema jurídico de Macau, de tradição romano-germânica e matriz portuguesa.

A UM realizou a 30 de Maio a cerimónia de graduação que conferiu diplomas a mais de 1700 licenciados, com 30 alunos licenciados no curso de direito bilingue, e dois no curso administrado somente em português.

Tam Sio Pang confessou à Lusa que não tinha interesse na língua portuguesa antes da universidade, com o curso bilingue a ser uma “escolha estratégica” para o futuro profissional.

“Continuo a considerar que a língua portuguesa desempenha um papel importante em certas áreas, sobretudo no Direito. É previsível que no futuro haja mais chineses a trabalhar em Macau e é preciso preparar-se, aprender algo que muitos chineses não sabem, o que considero ser a principal razão pela qual escolhi o [curso] bilingue”, destacou.

O estudante chinês de Macau considera que aprender português o ajudou consideravelmente no estudo de Direito local, por existirem “poucas referências jurídicas escritas em chinês”.

Ao mesmo tempo, apesar de admitir uma certa redução no seu uso na cidade, mostra-se “positivo” quanto ao futuro da língua portuguesa em Macau. “De acordo com a política do Governo chinês, Macau é a cidade de ligação aos países lusófonos. Não acredito que um bom governante abandonasse a característica mais icónica que a cidade tem em comparação com outras cidades chinesas”, apontou.

A Lei Básica estabelece que “o português é igualmente uma língua oficial”, e que decretos-lei consagram que “o chinês e o português têm igual dignidade”.

Após a transição de soberania em 1999, Macau manteve o próprio quadro legal, com a legislação local construída a partir de códigos e leis da República Portuguesa, incluindo o Código Civil, Código Penal e Código Comercial.

Em termos oficiais o sistema vigente está em vigor até 2049, mas advogados defenderam recentemente à Lusa que a posição oficial do Governo de Macau sobre a língua portuguesa contrasta com a “erosão silenciosa” desta enquanto idioma oficial na região.

Juliana Tavares, uma estudante luso-descendente, cuja língua materna é o cantonês, decidiu apostar na internacionalização completando o curso de direito em português da UM. “Escolhi estudar Direito em português porque não falava uma única palavra de português antes da universidade e queria mergulhar num ambiente de língua portuguesa para poder aprender”, explicou.

Em Setembro deste ano vai iniciar um mestrado no Porto em Direito Internacional e Europeu, mas mantém planos de regressar temporariamente a Macau. “Pretendo trabalhar em Macau durante algum tempo depois disso para passar no exame [equivalente ao] da Ordem dos Advogados,” apontou.

Para Juliana, o português continua a ser relevante, e “apesar cada vez menos utilizado”, continua a ser a língua oficial e assim permanecerá até 2049. “Macau está a tentar afirmar-se como uma plataforma intermediária entre a China e os países de língua portuguesa, e penso que também aí existem oportunidades.”

Por sua vez, Cheang Pak In sublinhou ter escolhido o curso bilingue por sempre ter tido interesse “em ciências humanas e de línguas”. “Dentro das escolhas disponíveis, o direito bilingue pareceu-me a opção mais adequada”, disse.

O recém-licenciado pretende continuar a estudar em Macau para compreender melhor as diferenças entre a jurisprudência local e a portuguesa. “Acho que é melhor saber ambas as perspectivas, se estudasse em Portugal só iria saber a perspectiva de Portugal”, apontou.

Já no plano profissional, está decidido a continuar a trabalhar em Macau, e que “não vale a pena ir a Portugal e arriscar perder oportunidades” que existem no território.

“A sociedade precisa de juristas que saibam chinês e português. Dizer isto pode parecer um cliché, mas é verdade”, descreveu. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Lusa”


Macau - Enfrenta bloqueios estruturais ao empreendedorismo, diz académico

Um dos fundadores da competição sino-lusófona 929 Challenge insistiu que, apesar dos discursos oficiais sobre inovação e diversificação económica, Macau continua a impor barreiras práticas que dificultam a vida dos empreendedores, sobretudo estrangeiros


A sexta edição da competição de ‘startups’ foi anunciada na sexta-feira, com José Alves, reitor da Faculdade de Negócios da Universidade da Cidade de Macau, a apontar que o evento ajudou a criar consciência e diálogo sobre inovação e empreendedorismo, mas insistiu que Macau deve “ir além da retórica”.

Com uma economia profundamente dependente da indústria do jogo, as autoridades de Macau têm vindo a tentar diversificar a economia local para indústrias selecionadas, incluindo tecnologia, saúde, eventos culturais e finanças. “As políticas da cidade incentivam o empreendedorismo, mas persistem obstáculos práticos, sobretudo para fundadores estrangeiros. Um empreendedor estrangeiro pode registar uma empresa em Macau. Mas não pode operar sem uma autorização de trabalho”, disse.

Para o co-fundador da competição isto gera um “ciclo vicioso” e um “bloqueio estrutural” do sistema, em que regras de imigração, práticas de contratação pública e exigências de gestão de risco das empresas criam fricções que impedem novos projetos de avançar. “A economia de Macau continua altamente concentrada, com seis operadoras de jogo e 34 departamentos governamentais a dominar os recursos”, apontou.

Alves defendeu que estas operadoras e o Governo poderiam desempenhar um “papel decisivo” ao abrir projetospiloto e janelas de contratação em áreas como transformação digital, Inteligência Artificial (IA), eficiência energética ou turismo inteligente. “As ‘startups’ não precisam de caridade. Precisam de oportunidade”, sublinhou, alertando que “sem clientes iniciais e contratos” nenhum ecossistema de ‘startups’ “pode sobreviver”. “Consciência sem acesso gera frustração, e incentivo sem oportunidade gera estagnação”, afirmou, acrescentando que a diversificação permanecerá “uma aspiração em vez de um resultado mensurável”, sem “alinhamento entre política, ambição, e realidade administrativa”.

Desde a sua primeira edição em 2021, a competição atraiu mais de 1420 equipas e mais de 6000 participantes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Guiné-Bissau, Portugal, Macau e Hong Kong.

As novidades para a edição deste ano da competição incluem uma parceria inédita com uma exposição de tecnologia e a colaboração com o Parque Científico e Tecnológico de Qianhai, em Shenzhen, uma expansão que a organização diz irá alargar o alcance do evento à zona da Grande Baía.

Os eventos principais da competição vão realizarse de 3 a 4 de dezembro de 2026 como parte da AIE Expo, uma exposição global de IA e tecnologia, realizada em paralelo no hotel-casino The Venetian Macao e em Zhuhai.

Segundo a organização, ao integrar pela primeira vez os eventos na AIE Expo, as ‘startups’ participantes terão acesso direto a mais de 900 expositores e 50 mil visitantes profissionais, incluindo compradores nas áreas da robótica, inteligência artificial, equipamentos inteligentes, saúde digital, mobilidade e eletrónica de consumo, além de parceiros da cadeia de fornecimento da Grande Baía e visibilidade junto de grandes marcas tecnológicas globais.

A edição de 2026 introduz ainda um programa de aceleração, uma iniciativa póscompetição para apoiar a entrada de ‘startups’ nos mercados da Grande Baía e de Macau, com estratégias de acesso ao mercado, formação para investidores, orientação regulatória e mentoria de mais de 100 especialistas. “A China está rapidamente a tornarse o ecossistema de inovação mais dinâmico do mundo. Com os nossos novos programas de Aceleração e Soft Landing, esperamos ajudar os fundadores a passar do ‘pitch’ [apresentações] ao mercado, construindo negócios reais, parceiros reais e clientes reais”, afirmou Marco Duarte Rizzolio, co-fundador do 929 Challenge.

O primeiro grupo de ‘startups’ deverá participar neste programa no início de 2027, com candidaturas abertas em dezembro de 2026. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


Macau - Nova obra histórica de Ieng Weng Fat explora o legado da família Chio na Região

A história da família Chio, uma das famílias proeminentes de Macau, é o tema do livro recentemente lançado por Ieng Weng Fat, historiador de Macau. A obra, intitulada “A Study on the Zhao Clan – the Most Prominent Family in Macau, and Reconstruction of their Mong-Há Ancestral Shrine”, foi apresentada depois de mais de três anos de investigação do autor e traça o percurso do desenvolvimento da família desde a sua mudança para a aldeia de Mong Há no final da dinastia Ming e início da dinastia Qing. Através do livro, Ieng Weng Fat assinala o contributo da família Chio para a sociedade e a cultura de Macau


Ieng Weng Fat, historiador de Macau, lançou no sábado a sua obra mais recente sobre a investigação histórica da proeminente família Chio, que chegou a Macau entre o final da dinastia Ming e o início da dinastia Qing, ou seja, no século XVII.

Intitulado A Study on the Zhao Clan – the Most Prominent Family in Macau, and Reconstruction of their Mong-Há Ancestral Shrine, o livro apresenta uma análise sistemática da evolução da família Chio (ou “Zhao”, em mandarim), desde a sua mudança para a antiga aldeia de Mong Há, em Macau, envolvendo dez gerações e mais de três séculos e meio de história familiar.

De acordo com Ieng Weng Fat, o intuito da publicação é de enriquecer o estudo histórico em Macau sobre a família Chio, através de traçar, de forma abrangente e completa, as figuras proeminentes desta família, bem como o percurso do seu desenvolvimento em Macau. A obra procura “reconstruir a memória histórica da família Chio há muito esquecida”, segundo apresentou o autor.

“No passado, as investigações sobre a família Chio limitavam-se, na sua maioria, a um estudo focado nas conquistas académicas deles. Neste livro pretendo delinear a história do desenvolvimento desta família, sobre a sua origem e a passagem ao longo dos séculos”, frisou o autor, no lançamento de livro que decorreu no sábado na livraria Fangsuo, no Grand Lisboa Palace.

O conteúdo do livro estende-se ainda a outras famílias chinesas centenárias em Macau que passaram também a se instalar na aldeia de Mong Há. “Espero que a minha investigação possa fornecer uma base de referência para a indústria cultural de Macau, nomeadamente para os criadores de histórias nas áreas do cinema, da televisão e da literatura”, disse o também membro do Conselho Consultivo de Desenvolvimento Cultural.

A investigação de Ieng Weng Fat para esta obra levou mais de três anos, mas a sua ligação à família Chio remonta a mais de vinte anos, quando conheceu um descendente de família e fez uma visita à Mansão da Família Chio, a segunda residência da família em Macau e agora bem imóvel classificado da RAEM.

Ieng Weng Fat detalha no livro as raízes profundas da família Chio através de uma abordagem que combina a história da arquitectura com a filologia, incluindo um registo genealógico que consta num poema de nomes de geração de 42 versos, transmitido desde a dinastia Song (960–1127).

Passagem de família e realizações académicas

Segundo registos históricos, a família Chio descende da família Imperial Zhao da dinastia Song, cuja 12.ª geração mudou-se para o condado de Xiangshan para seguir a carreira de alto funcionário. Entre o final da dinastia Ming e o início da dinastia Qing, a 22.ª geração da família mudou-se de Xiangshan para a aldeia de Mong-Há, em Macau. Depois, em meados do século XIX, a 28.ª geração da família Chio mudou-se de Mong-Há para a Travessa da Porta, onde está a Mansão da Família Chio.

A família Chio é conhecida de ser um clã de eruditos. Após a chegada a Macau, gerações de descendentes da família Chio estudaram com afinco e alcançaram excelentes resultados nos exames imperiais. Entre eles, as gerações 25.ª e 26.ª, da dinastia Qing, foram os mais respeitados porque o pai e o filho alcançaram a posição de ‘Juren’, ranking de pessoas que passaram o exame provincial, segundo ranking mais alto dos exames imperiais. Aqueles que detinham a posição de ‘Juren’ passavam a gozar do estatuto de nobreza e, consequentemente, de privilégios sociais, políticos e económicos.

A conquista académica do pai e filho de Chio contribuiu para uma história muito badalada em Macau na altura e a casa ostentava em tempos uma placa que celebrava as suas realizações. “Isto marcou uma importante transição de Chio de uma família influente no plano económico para uma família influente no plano cultural”, salientou o autor.

A família Chio também operava uma escola privada numa sala lateral do templo da sua família, em Mong Há, que agora já não existe. Nessa escola ensinavam confucionismo e formaram mais académicos e artistas nessa altura.

Ieng Weng Fat referiu ainda que a família tem um preceito ancestral de que uma “pessoa pode morrer, mas os livros perduram”, o que assinala a importância da transmissão, de geração em geração, de conhecimento e das crenças culturais, que transcendem a vida individual.

A família Chio fez contribuições cruciais para os primórdios da educação e a promoção da cultura em Macau, nomeadamente o trabalho pedagógico e apoios financeiros para ir aos exames imperiais. Em termos políticos, a família participava activamente nos assuntos sociais locais, representando a comunidade chinesa de nobres, e desempenhando uma ponte de comunicação entre os residentes e o governo.

Na ocasião, Ieng Weng Fat apontou que o lançamento do livro coincide com o período em que o Instituto Cultural deu início aos trabalhos de restauro da Mansão da Família Chio. Disse esperar que a sua investigação contribua com conteúdo histórico, cultural e documental necessária para a revitalização da construção, “transformando a mansão restaurada num verdadeiro projecto de turismo cultural rico em narrativa de histórias de Macau, enriquecendo a construção de uma Macau cultural”, destacou.

Recorde-se que a Mansão da Família Chio, que terá sido construída antes de 1875, tornou-se devoluta na década de 1990 à medida que os descendentes da família Chio se mudaram gradualmente na década de 1960. Em 2021, o edifício foi adquirido pelo Instituto Cultural para ser restaurado. Catarina Chan – Macau in “Ponto Final”


segunda-feira, 8 de junho de 2026

Moçambique - Livro resgata brincadeiras tradicionais moçambicanas e já está disponível em formato digital

Os jogos que marcaram a infância de várias gerações de moçambicanos acabam de ganhar um novo espaço de preservação e valorização. O escritor, educador e promotor cultural moçambicano Arone Silva Bila lançou recentemente o livro Jogos e Festas Infantis em Moçambique, uma obra que reúne brincadeiras, danças e atividades tradicionais que fazem parte do património cultural do país. O livro encontra-se disponível em formato digital na plataforma Educável, ao preço de 500 Meticais.


Destinada a pais, educadores e crianças, a publicação apresenta uma rica coletânea de jogos e brincadeiras tradicionais moçambicanas, funcionando simultaneamente como instrumento educativo e de entretenimento. Ao longo das páginas, Arone Bila descreve atividades como Matakuzana, Mbalele Mbalele e outras brincadeiras populares, explicando as suas regras, dinâmicas e formas de execução, ao mesmo tempo que valoriza expressões e vocábulos das línguas locais.

No vídeo de divulgação da obra, o autor afirma que o livro surge como resposta para muitas famílias que procuram formas saudáveis de entretenimento para as crianças. “É para puxar um pouco o menino, para sair das telas toda hora, para brincar como brincavam antigamente”, explicou Arone Bila, defendendo a importância de resgatar práticas lúdicas tradicionais num contexto em que os dispositivos electrónicos ocupam cada vez mais espaço no quotidiano infantil.

Mais do que um simples guia de brincadeiras, Jogos e Festas Infantis em Moçambique assume-se como uma ferramenta de preservação do património cultural imaterial do país. A obra procura evitar o desaparecimento de práticas tradicionais, ao mesmo tempo que oferece uma alternativa pedagógica para escolas e famílias. Com uma trajetória ligada à educação, cultura e desenvolvimento infantojuvenil, Arone Bila acredita que o contacto das crianças com os jogos tradicionais pode fortalecer a identidade cultural, estimular a criatividade e promover uma convivência mais saudável entre as novas gerações. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


UCCLA - Lançamento do livro “Antologia Brutalista” na Feira do Livro de Lisboa

Terá lugar, no dia 13 de junho, às 17 horas, o lançamento do livro Antologia Brutalista do autor Ricardo Rao - vencedor da 11.ª edição do “Prémio Revelação Literária UCCLA-CMLisboa - Novos Talentos, Novas Obras em Língua Portuguesa” -, no Auditório Sul da Feira do Livro de Lisboa, no Parque Eduardo VII.


A apresentação do livro contará com a presença do autor, da editora e de membros do júri.


Portugal - Integra a rede de aceleradores da NATO DIANA

O acelerador nacional foi activado pela rede NATO DIANA (Defence Innovation Accelerator for the North Atlantic), o programa de desenvolvimento tecnológico para a indústria da Aliança Atlântica. Esta integração resulta da parceria estratégica entre a idD Portugal Defence e o Instituto Pedro Nunes (IPN), em Coimbra, que é o gestor operacional do acelerador, e coloca o nosso país no centro do desenvolvimento de tecnologias emergentes e disruptivas de duplo uso — inovações com forte aplicabilidade na Defesa.


A rede DIANA foi criada para detetar e acelerar soluções tecnológicas que respondam aos desafios críticos de resiliência e segurança das 32 nações aliadas, permitindo que as empresas testem o desenvolvimento tecnológico que realizem em centros de teste militares. O acelerador gerido pelo IPN passa agora a fazer parte de uma rede exclusiva de aceleradores distribuídos pela Aliança, acompanhando empresas portuguesas no terreno e apoiando-as a posicionarem-se com sucesso no mercado global de defesa.

Benefícios para quem se candidata

As empresas e startups selecionadas para os programas da DIANA recebem um financiamento inicial de 100.000 euros, podendo aceder a 300.000 euros adicionais na fase de crescimento. Beneficiam ainda de uma rede de mais de 200 centros de testes, de participação em exercícios operacionais, de apoio no desenvolvimento de modelos de negócio e de ligação estratégica ao Fundo de Inovação da NATO e a investidores de capital de risco.

Para apoiar as entidades portuguesas no processo de candidatura à edição de 2027, a idD Portugal Defence e o IPN organizam um webinar informativo sobre os novos Challenges do NATO DIANA, no dia 9 de junho.

Prioridades Tecnológicas

A activação do acelerador português da NATO DIANA ocorre num momento em que duas das startups incubadas no IPN — a Neuraspace (inteligência artificial para gestão de tráfego espacial) e a Connect Robotics (logística autónoma de entrega por drones) — foram recentemente selecionadas a nível nacional para integrar a rede de inovadores da DIANA, comprovando a competitividade internacional da tecnologia desenvolvida em Portugal.

O programa foca-se em áreas prioritárias como a Inteligência Artificial, a autonomia, os sistemas de energia e propulsão, a cibersegurança, os novos materiais, as ciências biológicas, as infraestruturas críticas e o Espaço.

Com este novo marco, Portugal e o IPN unem os seus laboratórios de I&D, a sua incubadora e a chancela internacional da NATO num esforço conjunto com a idD para projetar a indústria de Defesa Nacional na vanguarda da inovação tecnológica global.

Sobre a idD Portugal Defence:

A idD Portugal Defence é uma empresa pública que tem como missão promover o desenvolvimento de uma indústria de Defesa nacional competitiva, tecnologicamente avançada e com recursos qualificados para apoiar as Forças Armadas portuguesas e aliadas no desempenho das suas missões

Sobre o Instituto Pedro Nunes (IPN):

Fundado em 1990 por iniciativa da Universidade de Coimbra, o Instituto Pedro Nunes (IPN) é uma instituição privada sem fins lucrativos, de utilidade pública, que promove a inovação e a transferência de tecnologia, estabelecendo a ligação entre o meio científico e tecnológico e o tecido empresarial. O IPN atua através de três vertentes complementares: Investigação e Desenvolvimento Tecnológico (I&DT) com laboratórios próprios, Incubação e Aceleração de empresas de base tecnológica e Formação especializada. Instituto Pedro Nunes - Portugal


Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde desenvolve Inteligência Artificial que aprende a comunicar com neurónios

O projeto NeuroSAFE vai ser financiado com cerca de 100 mil euros no âmbito do Concurso de Projetos Exploratórios 2025 do Programa CMU Portugal


O investigador Paulo Aguiar, do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto, vai liderar um novo projeto financiado em cerca de 100 mil euros pelo Concurso de Projetos Exploratórios 2025 do Programa CMU Portugal. O projeto intitulado NeuroSAFE foi um dos sete selecionados para financiamento pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no âmbito desta iniciativa de colaboração internacional com a Carnegie Mellon University (CMU).

“O projeto NeuroSAFE pretende desenvolver novos métodos de inteligência artificial (IA) para controlar a atividade de neurónios, de forma segura e adaptativa”, explica o líder do grupo de investigação Neuroengineering and Computational Neuroscience do i3S. A ideia é criar algoritmos que observam continuamente a atividade dos neurónios, tomam decisões sobre quando e como estimulá-los e ajustam essas decisões com base na resposta obtida. Este processo acontece em tempo real, funcionando de forma semelhante a um sistema que aprende com a experiência e melhora gradualmente o seu desempenho.

Esta abordagem poderá contribuir para o desenvolvimento de futuras gerações de sistemas de estimulação cerebral profunda, utilizados, por exemplo, no tratamento da doença de Parkinson e de outras perturbações neurológicas.

“Como estes algoritmos não podem ser desenvolvidos diretamente com pacientes, a equipa recorrerá a plataformas brain-on-chip”, acrescenta Paulo Aguiar. Estas plataformas funcionam como pequenos laboratórios onde neurónios vivos são cultivados e ligados a sensores capazes de registar e estimular a sua atividade elétrica. Isto permite aos investigadores treinar os algoritmos em condições controladas e seguras.

O projeto resulta de uma colaboração entre o i3S e o Department of Electrical and Computer Engineering (ECE) da Carnegie Mellon University, sendo coordenado por Paulo Aguiar em Portugal e por Yorie Nakahira na instituição norte-americana. Para o investigador do i3S, este financiamento representa também uma oportunidade para reforçar a cooperação científica internacional e lançar bases para futuros desenvolvimentos na área das neurotecnologias. “

Este financiamento é particularmente importante porque permite estreitar a colaboração entre o i3S e a CMU, gerar dados preliminares e desenvolver ferramentas computacionais que poderão contribuir para futuras neurotecnologias inteligentes e personalizadas”, sublinha Paulo Aguiar.

Os resultados provisórios dos Concursos de Projetos Exploratórios 2025 dos programas CMU Portugal e UT Austin Portugal contemplam um total de 15 projetos, correspondendo a um investimento global de quase 800 mil euros, integralmente financiado pela FCT. No caso concreto do Programa CMU Portugal, foram apoiados sete projetos na área das Tecnologias de Informação, entre 36 candidaturas submetidas.

Desde 2017, o programa já financiou 42 projetos, contribuindo para reforçar a competitividade internacional e a capacidade de inovação científica e tecnológica de Portugal. Universidade do Porto - Portugal


domingo, 7 de junho de 2026

Cabo Verde - Armindo Ferreira desafia narrativas sobre a independência, o PAIGC e Amilcar Cabral em “Diálogos Inquietantes”

Em Diálogos Inquietantes, Armindo Ferreira revisita alguns dos episódios mais sensíveis da história contemporânea de Cabo Verde, questionando narrativas consolidadas sobre a independência, o PAIGC, Amílcar Cabral e os debates identitários no arquipélago. Publicado em edição de autor, o livro reflecte a recusa do autor em submeter a escrita a critérios editoriais e comerciais, assumindo a publicação como espaço de liberdade pessoal, reflexão e prazer intelectual. Em entrevista, Armindo Ferreira explica o alcance provocador da obra, defende a dessacralização de certos mitos políticos e fala também de O Divórcio, conto integrado na publicação. Entre reflexão histórica, ficção e polémica, o livro assume-se como um convite ao questionamento. Ferreira revela que pondera ainda a realização do lançamento da obra, que, entretanto, já se encontra à venda nas livrarias Nhô Eugénio, em Achada Santo António, e Pedro Cardoso, na Fazenda

O livro está dividido em duas partes. Por que Diálogos Inquietantes dá título à obra?

Na verdade, o livro não está dividido em duas partes. Só o está aparentemente. São na realidade dois livros numa única brochura. O que chama segunda parte, é um livrinho que publiquei no ano passado “domesticamente” – uma distribuição extremamente reduzida e quase familiar ou muito pouco mais do que isso e que achei por bem agora incluir nesta brochura cujo título é Diálogos Inquietantes. São temáticas absolutamente autónomas, ambos diálogos inquietantes de natureza díspar, que reflectem, de certa forma, um antes e um depois do mesmo período histórico, abordados e expostos de forma bem diferentes.

Em que sentido estes 14 diálogos são inquietantes? Pelos temas controversos que aborda?

Não, não são 14 diálogos, mas sim, 14 capítulos. Aceito a sua conclusão com uma ligeira alteração: a controvérsia não é propriamente dos temas, pois estes são velhos e batidos, mas sobretudo pela temeridade da abordagem que deles faço: a dessacralização de determinados mitos e o ajustamento, com uma visão bem diferente e devidamente fundamentada e justificada, – obviamente do meu ponto de vista – de determinadas fantasiosas narrativas históricas.

Por exemplo, pela voz de uma das personagens, afirma que a independência de Cabo Verde resultou de uma cumplicidade entre o MFA (Movimento das Forças Armadas) e o PAIGC. Em que fundamenta essa afirmação?”

Eu provo lá que é uma cumplicidade. Bom, não vou explicar porque não vou falar do livro. O livro, o leitor chega lá mais tarde. Mas está lá explicado porque é que é uma cumplicidade. Tenho os dados que levam qualquer pessoa a chegar a esta conclusão, porque até há livros e ensaios publicados nesse sentido, de autores portugueses, que mostram que houve uma enorme cumplicidade entre o MFA e o PAIGC. E entregaram de bandeja a independência, não ao povo cabo-verdiano que devia ser, mas ao PAIGC, porque a independência foi entregue. Resultado: passamos 15 anos na continuação de um regime ditatorial e totalitarista. Portanto, nós saímos do Estado Novo e entramos numa ditadura que nada ficou a dever à outra: a censura, as torturas, as prisões arbitrárias, tudo o que a outra senhora tinha, nós continuamos a ter. Portanto, foi o MFA que entregou de bandeja... mas eu explico isso no livro de maneira mais acabada, não como estou a falar aqui de forma atabalhoada, porque infelizmente o MFA não escondeu isso. Pelo contrário, fez gala disso, no género de afirmações: já deixei o PAIGC pronto para poder fazer isto e aquilo e não sei quantos. Mas está tudo fundamentado no livro.

O livro refere também que o assassinato de Amílcar Cabral era, desde o Congresso de Cassacá, uma “morte anunciada”. Em que assenta a sua interpretação histórica?

Sim, as coisas do Congresso de Cassacá foram violentíssimas. Ele cavou um fosso e criou inimigos para todo o percurso que fez. E Amílcar Cabral, ao dogmatizar a unidade Guiné-Cabe Verde, ele estava a defender Cabo Verde e não a Guiné. Eu tenho isto mais ou menos exposto no livro. Note que Cabral dogmatizou a questão da unidade Guiné-Cabo Verde, não foi uma aliança. Cabral impôs uma questão como prioritária. Quer dizer que ele estava à frente da própria independência: é mais importante manter a unidade Guiné-Cabo Verde do que criar situações para que essa unidade viesse a ser aceite pelos povos dos dois países. Mas, como eu disse, eu tenho tudo isso escrito, não quero entrar nos pormenores do livro.

Através da personagem Dr. Leonardo Gonçalo, aborda criticamente certas manifestações contemporâneas do africanismo e questiona possíveis tendências de negação da mestiçagem que marcou historicamente Cabo Verde. Que reflexão pretende suscitar sobre os debates identitários contemporâneos no país?

Compreendo a sua pergunta, mas a minha posição sobre o assunto é, ou seria neste caso, irrelevante. Mas mesmo assim, posso-lhe dizer, que, para mim é um não-assunto. Mas não o é, de todo, para o Dr. Leonardo Gonçalo, personagem do meu livro, que o aborda en passant, posta de uma forma muito breve, nas seguintes posições: os primeiros homens que chegaram a este território eram caucasianos europeus. Logo Cabo Verde deve ser a única colónia portuguesa cuja história começa com a chegada dos portugueses. Estes trouxeram – não vieram!... – do continente africano pessoas escravizadas de várias e diferentes etnias – mais de três dezenas! – cada uma com a sua língua, com os seus costumes, com as suas tradições, com a sua cultura, com a sua História. Isto é, as pessoas escravizadas, para além da sua situação ou circunstância, estavam “apenas” unidas entre si pela cor da pele. A homogeneização de tudo isto, incluindo os caucasianos, deu o cabo-verdiano. Um produto acabado e definido há já alguns séculos! Usando, grosseiramente, uma linguagem e configuração química: formou-se um composto e deixou de ser uma mistura. Isto é, as especificidades de cada elemento “desaparecem” no produto final, no todo. Como bem disse Gabriel Mariano: “Nós somos as nossas raízes!”


O livro abre com uma citação de Bertrand Russell: “Dos infinitos desejos do homem, os principais são os desejos de poder e de glória.” Que significado pretendeu atribuir a esta citação no contexto da obra?

Eu penso que ao longo do livro o leitor não terá qualquer dúvida quanto ao alcance que dei a essa conclusão de Bertrand Russel. Deixo ao leitor esta incumbência.

Há uma passagem no livro em que o doutor Leonardo entra em cena no momento em que alguém afirma: “Temos de fazer como aquele camarada que incentivava outros camaradas a suicidarem-se como classe social, a fim de serem recebidos como ‘os melhores filhos’.” Como refere no livro, a expressão “suicídio de classe” não é originalmente de Amílcar Cabral, mas sim é atribuída a um médico maliano. Que reflexão pretende suscitar com esta referência?

Não, não pretendo suscitar qualquer reflexão. Apenas alertar para o facto de muitas das expressões ou frases atribuídas de forma grandiloquente a Amílcar Cabral não passam de lugares-comuns ou de adaptações de expressões já utilizadas por outras personalidades. O problema não é Cabral usá-las, mas os seus seguidores, por pura ignorância ou ostentação bacoca do culto de personalidade, na ânsia de o exaltar, citarem-no como autor, o que, no meu ponto de vista, até o menoriza.

Que enquadramento atribui ao conto O Divórcio dentro da estrutura e do universo temático do livro?

Penso que já expliquei atrás o aparecimento de O Divórcio bem como o seu enquadramento na estrutura da brochura.

À primeira vista, O Divórcio parece destoar um pouco do ambiente político e social vivido em Cabo Verde no período pós-25 de Abril. Considera que há um contraste deliberado ou entende que ambos os planos acabam por se complementar?

O conto O Divórcio situa-se precisamente no momento logo a seguir à Independência e passa-se no ambiente vivido pelos protagonistas na sua abrangente intimidade… Não parece existir qualquer contraste interno. Estarei de acordo consigo sim, que, de certa forma, poderá existir uma complementaridade.

A temática do divórcio é pouco abordada na literatura cabo-verdiana. O voo foi feito sobre as nuvens?

Talvez não. Note que o período logo a seguir à independência, nós tínhamos um regime católico em que o divórcio era uma espécie de um anatoma. As pessoas separavam às vezes e fingiam e continuavam a viver juntas. E quando se deu a independência, não é o seu tempo, não é o meu, foi uma explosão de divórcio por todo o lado, porque liberalizou-se. A concordata que existia com a igreja depois caiu. E os tempos foram outros, foram tempos de divórcio. Este é um elemento e por acaso até se justifica, porque a minha ideia é que o casamento, quer dizer, o indivíduo que é transportado para uma outra região, a senhora [personagem do conto O Divórcio], não obstante ser uma mestiça, tinha outra cultura e não aceitou a invasão familiar, que é normal em Cabo Verde, mas para ela não é normal, é uma intromissão na sua vida. Por outro lado, ela não se sentia integrada. E à essa falta de integração, de certa forma, culpou o marido. Mas deu uma chance ao marido: ou vens comigo ou divorciamos. Mas não vou contar toda a história, porque está no livro.

Considera adequado o timing escolhido para a venda do livro?

Esta seria uma preocupação de uma edição comercial. A edição do autor, normalmente, de reduzida tiragem, não deve ter essa preocupação, a de exponenciar essa vertente, mas sim, a de priorizar a divulgação. Neste caso específico, Diálogos Inquietantes, penso que a sua leitura seria, sem qualquer presunção, uma possível oportunidade para questionar, mesmo que apenas interiormente, certos posicionamentos!

Por que optou pela publicação do livro em edição do autor?

Eu poderia muito simplesmente responder-lhe: E porque não, edição do autor? Mas presumo que possa ter algum, não direi preconceito, mas alguma reserva, sobre a edição do autor, porque senão não a questionava. No meu caso específico, dir-lhe-ei que escrevo por prazer, para me divertir, não sou escritor. É uma maneira como outra qualquer de ocupar, de passar o tempo: registar as minhas reflexões, as minhas cogitações, os meus devaneios. E também sou eu que me divirto a fazer a composição e a paginação dos meus livros. Só a impressão não faço quando são muitas páginas. Indo directamente à sua questão: não tenho paciência para me submeter às prioridades do editor nem aos seus critérios, designadamente, comerciais. Bem me basta a “comissão de leitura” doméstica que, para além da apertada avaliação técnica, tem em conta, – porque também interessada, – a eventualidade de um fútil despesismo e que, normalmente não se fica pelo simples “no objection” indo, bastas vezes, à recomendação expressa e explícita de publicação ou não. António Monteiro – Cabo Verde in “Expresso das Ilhas”


Luxemburgo – António José Seguro pede mais português no currículo escolar

O Presidente da República afirmou, este domingo, que apelou aos responsáveis do Luxemburgo para que alarguem a disponibilização do português como língua de opção no programa curricular, lembrando que um terço dos residentes no país é lusófono


António José Seguro falava numa sessão com alunos que aprendem português no Luxemburgo, país que visita desde sexta-feira e que marca o arranque das comemorações oficiais do Dia de Portugal, a que se juntou, este domingo, o primeiro-ministro, Luís Montenegro.

O chefe de Estado salientou que o português “é uma chave que abre portas no mundo inteiro”, falado por 260 milhões de pessoas em quatro continentes.

“Quando estiverem cansados nas aulas, lembrem-se disso. Não estão apenas a aprender uma língua, estão a ligar-se ao mundo”, afirmou.

Aos pais e professores, assegurou que o seu papel “é reconhecido e valorizado pelo Presidente da República de Portugal e também pelo primeiro-ministro”, que tinha discursado minutos antes.

“Deixei aos responsáveis luxemburgueses um apelo claro: que alarguem a disponibilização do português como língua de opção no programa curricular do nosso ensino, aqui, num país onde cerca de um terço de residentes é lusófono, onde o português é a segunda língua principal falada em casa pelos alunos do ensino público e isso é relevante para o nosso país”, disse.

Para Seguro, esta é “uma opção decisiva para o fortalecimento de uma comunidade dinâmica e coesa”.

O Presidente da República e o primeiro-ministro encontraram-se, este domingo, com alunos portugueses no Centro Cultural Artikuss de Sanem.

“Olhar para esta sala e ver estes rostos cheio de energia, cheios de futuro, é ver Portugal vivo no centro da Europa e perceber melhor do que qualquer discurso poderia explicar, porque é que escolhi o Luxemburgo para celebrar o primeiro dia de Portugal no meu mandato”, afirmou Seguro.

O chefe de Estado voltou a agradecer às autoridades luxemburguesas a forma como tem tratado a comunidade portuguesa, que classificou como “uma força do Luxemburgo”.

Para Seguro, ter dois países “não significa ter um coração dividido, significa ter um coração maior, onde cabem dois países e dois povos extraordinários”.

“Portugal está nos vossos avós que ligam pelo telefone. Está na comida que a vossa mãe faz ao fim de semana, ou o vosso pai. Está nas histórias que ouviram contar. Está nas músicas que conhecem sem saber bem quando as aprenderam. E acima de tudo, está na língua que estão a aprender aqui nesta sala”, disse.

O Presidente da República assegurou que “Portugal está sempre de braços abertos” para receber estes emigrantes, quer seja de férias, quer seja para construírem uma vida num país “que precisa de todos”.

“Continuem a falar português em casa. E quando alguém vos perguntar de onde são, digam com a cabeça erguida e um sorriso, sou português, do Luxemburgo e de Portugal”, pediu. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Associação Internacional dos Lusodescendentes - Avança com proposta de Dia do Lusodescendente

A Associação Internacional dos Lusodescendentes (AILD) anunciou esta sexta-feira, 5 de junho de 2026, o lançamento de uma iniciativa para instituir oficialmente o Dia do Lusodescendente. O objetivo é reconhecer a identidade própria das gerações nascidas da diáspora portuguesa em todo o mundo


Gilda Pereira, presidente da Direção da AILD, destacou a importância da iniciativa, afirmando que “os lusodescendentes são a projeção global e o futuro de Portugal no mundo”. A responsável esclareceu ainda que a designação não deve ser “dia nacional”, uma vez que seria uma contradição para uma comunidade cuja vivência é, por definição, global. “Vamos pedir estas audiências parlamentares convictos de que os deputados, em especial os eleitos pela Emigração, reconhecerão a urgência de valorizar esta imensa rede que une Portugal ao mundo”, concluiu.

A AILD declarou que vai formalizar pedidos de audiência junto da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e dos diversos Grupos Parlamentares da Assembleia da República.

A associação sublinha que, embora o dia 10 de Junho seja já assinalado como o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, os lusodescendentes constituem uma realidade identitária distinta. “Os lusodescendentes representam uma realidade identitária distinta, marcada por vivências transnacionais, multiculturalidade e uma relação com Portugal que se renova geração após geração”, lê-se na publicação.

Segundo a AILD, a instituição deste dia assenta em três eixos fundamentais: a afirmação global da identidade transnacional de milhões de cidadãos; a continuidade da herança, através do incentivo ao ensino do português como língua de herança; e o reconhecimento dos lusodescendentes como um ativo estratégico em posições de liderança internacional nas áreas económicas, científicas e culturais.

A AILD lançou ainda um apelo à sociedade civil e ao movimento associativo, convidando todas as organizações da diáspora, instituições culturais e cidadãos interessados a juntarem-se à causa. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo


Felicidade












Vamos aprender português, cantando

 

Felicidade

 

Eu estava longe lá tão longe

tão nesse lugar

onde a beleza já não chega

onde falta o ar e eu

não tinha vontade de voltar

 

E quando olhava à volta

à minha volta era só eu

só quando a volta deu a volta

e se fez luz no breu, eu

soube que era tempo de voltar

 

E fiz de mim canção pra dançar

 

Olha a felicidade

bateu à porta

deixa-a entrar senão

ela não volta, não

ela não volta a bater

 

Olha a felicidade

fora da hora

deixa-a entrar senão

vai logo embora, não

 

Não foi feita para se prender

 

Eu estava longe lá tão longe

a viver os dias

e nas tristezas na incerteza

via alegrias

sem saber se devia voltar

 

E quanto me dei tempo

e o tempo trouxe a solução

de olhar para dentro

e pôr pra fora o meu coração

eu soube que era tempo de voltar

 

E fiz de mim canção pra dançar

 

Sei cantar, sei dançar

sei tocar a pandeireta

quem quiser dançar

comigo, traga a música completa

 

E fiz de mim canção pra dançar

 

Olha a felicidade

bateu à porta

deixa-a entrar senão

ela não volta, não

ela não volta a bater

 

Olha a felicidade

fora da hora

deixa-a entrar senão

vai logo embora, não

 

Não foi feita para se prender

 

Olha a felicidade

bateu à porta

deixa-a entrar senão

ela não volta, não

ela não volta a bater

 

Olha a felicidade

fora da hora

deixa-a entrar senão

vai logo embora, não

 

Não foi feita para se prender

 

E fiz de mim canção pra dançar

 

Luísa Sobral - Portugal