Alexandre Pinto conquistou uma bolsa da Federação Europeia de Sociedades de Bioquímica para desenvolver ferramentas de design computacional de enzimas.
Anualmente, são produzidas 500 mil milhões de garrafas a
partir de um plástico conhecido por PET (polietileno tereftalato), com graves
consequências para o meio ambiente e para a saúde humana. Através da bioquímica
computacional, é possível criar enzimas capazes de degradar este tipo de
plástico. É esta a motivação de Alexandre Pinto, investigador e docente da
Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), que conquistou uma bolsa
da Federação Europeia de Sociedades de Bioquímica (FEBS) e rumou à Universidade
de Girona, em Espanha, para integrar o grupo da cientista Silvia Osuna, uma
referência mundial em design computacional de enzimas.
Durante a estadia em Girona, Alexandre, que terminou em
2025 o doutoramento em Química, estará a trabalhar no desenvolvimento de
ferramentas de design computacional de proteínas através da inteligência
artificial.
“Espero que esta oportunidade ajude a reforçar a nossa
capacidade de conceber enzimas mais eficientes para aplicações biotecnológicas
na área da reciclagem de plásticos”, salienta o alumnus da FCUP. O objetivo é aplicar estas novas moléculas,
por exemplo, a bioreatores enzimáticos em centros de reciclagem, que terão
assim taxas de degradação do plástico superiores e um menor gasto energético.
“A ciência computacional que desenvolvemos é poderosa,
mas precisa de chegar a quem trabalha no laboratório e na indústria, e
aproximar esses mundos é algo que me motiva cada vez mais”, confessa o jovem
cientista, que tem desenvolvido a sua investigação no grupo High Performance
Computing in Molecular Modelling, do LAQV/REQUIMTE – Laboratório Associado para
a Química Verde, sob orientação da docente Maria João Ramos, especialista em
bioquímica computacional.
O foco do seu trabalho é o estudo de enzimas capazes de
degradar plásticos como o PET, com recurso a simulações de dinâmica molecular e
métodos de mecânica quântica/mecânica molecular. Com todo o percurso académico
realizado na FCUP, Alexandre tem como ambição dar uma aplicação prática à sua
investigação, “contribuindo efetivamente para soluções sustentáveis no problema
global dos plásticos”.
Para o investigador, ter sido selecionado para esta
bolsa, um objetivo que surgiu ainda durante o doutoramento, é um
“reconhecimento do trabalho desenvolvido e também da visibilidade e relevância
internacional da ciência feita em Portugal”.
“É uma oportunidade única de aprender com um dos melhores
grupos da área e de construir uma rede de colaborações que certamente marcará a
minha carreira”, acrescenta Alexandre Pinto, que estará na Universidade de
Girona até meados de junho.
Sobre a bolsa da Federação Europeia de Sociedades de
Bioquímica
A Federação Europeia de Sociedades de Bioquímica (FEBS,
na sigla em inglês) é uma das organizações científicas mais prestigiadas na
Europa na área das ciências bioquímicas.
A FEBS Short-Term Fellowship é uma bolsa da área das
ciências biomoleculares (bioquímica, biologia molecular, biotecnologia,
biomedicina, etc.) que tem como objetivo fomentar colaborações internacionais
intensivas entre grupos de investigação europeus, através do financiamento de
estadias curtas.
As bolsas têm uma duração de dois a três meses e
destinam-se sobretudo a investigadores em início de carreira. Universidade do
Porto - Portugal
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