Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 29 de junho de 2025

França - Hora do conto em português: Literanto cria pontes na comunidade em Paris

O projeto Literanto realizou a última “Hora do conto e atelier criativo em língua portuguesa” do ano letivo na Bibliothèque Gulbenkian, em Paris, reunindo um pequeno grupo de crianças e pais, que expressaram agrado pela iniciativa


“É uma iniciativa muito rica porque permite às minhas filhas poderem ter o contacto com a língua portuguesa, ouvirem o vocabulário em português e depois, no final das histórias, da hora do conto, há sempre um atelier que é muito atrativo e interativo”, disse à Lusa Rute Nunes, mãe de Eliana e Eva, de 10 e oito anos, respetivamente.

Natural do Algarve, mas atualmente a viver a uma hora de Paris, Rute Nunes é uma das mães que participa no projeto desde os seus primórdios, já que as suas filhas “adoram vir e ficam radiantes” por interagir em língua portuguesa no espaço da Casa de Portugal – André de Gouveia, no campus da Cité internationale universitaire de Paris, rodeadas de livros em português.

“Estou muito feliz e espero que esta iniciativa continue futuramente”, afirmou, referindo que a coordenadora do projeto é “muito pedagógica”.

O projeto, criado em 2022 por Sara Novais Nogueira, “pretende promover a língua portuguesa, sobretudo para os mais jovens e as suas famílias”, como afirmou à Lusa, revelando que o grupo de crianças é “bastante assíduo”, participativo e com gosto pela literatura portuguesa.

“É importante, sobretudo nestas camadas [mais jovens], nestes novos casais, que muitas vezes são casais de pais [em que] um é francês e o outro é português (…), e às vezes é difícil em casa também manterem a língua portuguesa. Eu acho que isso é uma herança tão rica, manterem a língua portuguesa e ao mesmo tempo também a francesa”, disse Sara Novais Nogueira.

A atividade que durou cerca de duas horas reuniu cinco crianças, dos quatro aos 10 anos, para ouvirem Sara contar de forma cativante os livros “Se esta história fosse sobre animais”, de Carlos Nuno Granja, “Versos para meninos que comem sempre a sopa toda”, de Manuela Ribeiro, mas também para explicar o mito da sopa da pedra, ao mesmo tempo que incentivava as crianças a dizer palavras em português.

No fim, as crianças participaram no atelier criativo para fazer sardinhas a pintar caixas de ovos, numa alusão aos santos populares, e foram surpreendidas pela coordenadora com pinturas faciais, levando inclusive a que uma das crianças pedisse para pintar a própria coordenadora, numa demonstração de cumplicidade e de criatividade.

“Acho que na ludicidade está tudo, portanto, as crianças, através da brincadeira, através das artes, podem partilhar a língua portuguesa entre eles, ouvirem, lerem e falarem”, disse a coordenadora, que se mostrou agradecida à equipa da Gulbenkian, à Casa de Portugal, à Associação Internacional de Lusodescendentes (AILD), onde exerce o cargo de diretora do Conselho Cultural, e às famílias e às crianças.

Durante este ano letivo, o Literanto trouxe a Paris o escritor Carlos Nuno Granja, Adélia Carvalho e Pedro Seromenho, “grandes da literatura infantojuvenil” na escrita e na ilustração, que inspiraram uma das crianças a ilustrar e o pai de origem francesa de outra a desenhar uma das sessões a que assistiu.

A partir de setembro, e ainda sem apoio financeiro do Estado e de instituições, Sara Novais Nogueira está já a alinhavar a vinda da artista plástica portuguesa Mafalda Rocha, com o projeto dos 50 rostos da democracia, porém ainda com dificuldade em arranjar forma de trazer as obras de Portugal até à capital francesa.

As atividades do Literanto podem ser acompanhadas pela página de Facebook de Sara Nogueira, e dos sítios da AILD, da Bibliothèque Gulbenkian e da Citescope.

A educadora de infância é ainda coordenadora do projeto do mapeamento de autores lusófonos a residir fora de Portugal da AILD, uma iniciativa que começou em França, mas que pretende abrir a outros países e que terá uma feira em Portugal entre este e o próximo ano.

“Não temos tido muitas inscrições ao contrário do que eu pensaria”, revelou Sara Novais Nogueira, justificando que “é importante” este mapeamento para convidar os artistas e dar mais destaque aos seus trabalhos.

A AILD, criada em 2019 e com sede em Lisboa, tem como objetivo promover ações e estratégias de proximidade nas comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo e da língua e cultura portuguesas, como o concurso literário “As minhas férias em…”, que conta com a participação com cada vez “mais qualidade” e criatividade, segundo Sara Novais Nogueira. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


quinta-feira, 30 de janeiro de 2025

França - Associação Internacional dos Lusodescendentes lança mapeamento dos escritores lusófonos a residir fora do seu país de origem

A Associação Internacional dos Lusodescendentes (AILD) lançou o processo de mapeamento dos escritores portugueses que escrevem em português e a residir fora de Portugal, num projeto coordenado por Sara Novais Nogueira, mestre em Línguas, Literaturas e Civilizações Lusófonas e também diretora cultural da delegação da AILD em França.



A AILD tem vindo a desenvolver ações e atividades junto das Comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, “em prol da promoção da língua e cultura portuguesa”, como é disso exemplo o recente concurso literário “As minhas férias em…”, ou o projeto “Literanto” em França ou ainda o “Portuguese in Translation Book” no Reino Unido.

Sara Novais Nogueira “tem vindo a desenvolver e coordenar o projeto extraordinário de enorme sucesso Literanto” diz uma nota da associação enviada ao LusoJornal. Literanto “é um projeto de desenvolvimento e cooperação cultural, linguístico, civilizacional e artístico – lusófono, que pretende, acima de tudo, desenvolver a língua portuguesa através das artes – para portugueses, lusodescendentes e para quem quiser aprender o português e conhecer mais sobre a língua, a cultura e as civilizações lusófonas e os seus artistas” diz a nota de imprensa assinada por José Governo, Diretor executivo da associação. “Pretende reforçar a importância da educação da língua portuguesa desde a primeira infância e a riqueza literária que esta contém devido à sua multiplicidade cultural e civilizacional, assim bem como divulgar e promover a língua, a leitura e a literatura lusófona em França e, acima de tudo, a do público infantojuvenil, através das múltiplas artes”.

O mapeamento dos autores/escritores lusófonos a residirem fora do seu país de origem, irá ter início em França e depois vai estender-se a outras geografias do mundo onde residem comunidades portuguesas, “com o objetivo de os valorizar, de saber quem são e quantos são, e posteriormente dar corpo a um projeto do nosso plano de atividades para 2025, que é a realização da Feira do Livro e do Autor – Autores de língua portuguesa pelo mundo, que se realizará em Portugal em parceria com um município em território português e com quem estamos já em contacto”.

Os autores/escritores lusófonos interessados serão contactados ou poderão registar-se livre e diretamente AQUI que permitirá o acesso a um formulário que deverá ser preenchido e submetido pelo próprio. In “LusoJornal” - França