Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 1 de outubro de 2023

Madrid ou Pequim


 








Vamos aprender português, cantando

 

Madrid ou Pequim

 

Meu amor, já fui contigo

até Madrid ou Pequim

ou onde fosse preciso

só para nos salvar do fim

 

Fui inteira na bagagem

dei-te a escolher o menu

e enchi-me de coragem

pra engolir o Pompidou

 

Disse ao Boris Vian ici

e ao Almodôvar também

és só tu quem não repara

quando preciso de alguém

 

E eu a sentir tanta falta

de ficar no teu abraço

mas nem a dançar o tango

nós acertamos o passo

 

Afinal o infinito

já não dura tanto assim

como diz uma canção

e se partires e me partires

antes de filmares o fim

que o teu colo me dê colo

até te perderes de mim

 

Meu amor eu queria fado

e tu gostavas de Liszt

eu queria um copo de vinho

tu querias um vodka spritz

 

Eu queria ler em sossego

na cama nua de verão

tu querias morrer de tédio

até à próxima estação

 

E eu que já fui tanta gente

eu que já fui tão sozinha

já morei secretamente

numa galáxia vizinha

 

Dei por mim a sentir falta

de ficar no teu abraço

mas não há dança nem volta

em que acertemos o passo

 

Afinal o infinito

já não dura tanto assim

como diz uma canção

e se partires e me partires

antes de filmares o fim

que o teu colo me dê colo

até te perderes de mim

 

Onde será que ficou

esse primeiro lugar

onde pousámos o sonho

e o deixámos desfocar

 

Afinal o infinito

já não dura tanto assim

como diz uma canção

e se partires e me partires

antes de filmares o fim

que o teu colo me dê colo

até te perderes de mim

 

Que o teu colo me dê colo

até te perderes de mim

 

Mafalda Veiga - Portugal


domingo, 26 de março de 2017

Restolho

















Vamos aprender português, cantando


Geme o restolho, triste e solitário
a embalar a noite escura e fria
e a perder-se no olhar da ventania
que canta ao tom do velho campanário.

Geme o restolho, preso de saudade
esquecido, enlouquecido, dominado
escondido entre as sombras do montado
sem forças e sem cor e sem vontade.

Geme o restolho, a transpirar de chuva
nos campos que a ceifeira mutilou
dormindo em velhos sonhos que sonhou
na alma a mágoa enorme, intensa, aguda

Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver

E a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
pra receber daquilo que aumenta o coração

Geme o restolho, a transpirar de chuva
nos campos que a ceifeira mutilou
dormindo em velhos sonhos que sonhou
na alma a mágoa enorme, intensa, aguda

Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver

E a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
pra receber daquilo que aumenta o coração


Mafalda Veiga - Portugal

domingo, 8 de maio de 2016

Cada lugar teu

















Vamos aprender português, cantando


Sei de cor cada lugar teu
Atado em mim, a cada lugar meu
Tento entender o rumo que a vida nos faz tomar
Tento esquecer a mágoa
Guardar só o que é bom de guardar

Pensa em mim protege o que eu te dou
Eu penso em ti e dou-te o que de melhor eu sou
Sem ter defesas que me façam falhar
Nesse lugar mais dentro
Onde só chega quem não tem medo de naufragar

Fica em mim que hoje o tempo dói
Como se arrancassem tudo o que já foi
E até o que virá e até o que eu sonhei
Diz-me que vais guardar e abraçar
Tudo o que eu te dei

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
E o mundo nos leve pra longe de nós
E que um dia o tempo pareça perdido
E tudo se desfaça num gesto só

Eu Vou guardar cada lugar teu
Ancorado em cada lugar meu
E hoje apenas isso me faz acreditar
Que eu vou chegar contigo
Onde só chega quem não tem medo de naufragar

Mesmo que a vida mude os nossos sentidos
E o mundo nos leve pra longe de nós
E que um dia o tempo pareça perdido
E tudo se desfaça num gesto só

Eu Vou guardar cada lugar teu
Atado em mim cada lugar meu
E hoje apenas isso me faz acreditar
Que eu vou chegar contigo
Onde só chega quem não tem medo de naufragar

Mafalda Veiga - Portugal