Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 1 de maio de 2022

Portugal - Capturar espécies marinhas em profundidade

Investigadores portugueses testam sistema hiperbárico para captura e conservação de espécies marinhas de profundidade.

Investigadores do IPMA, da A. Silva Matos Metalomecânica, do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) e do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR) desenvolveram um sistema de captura e conservação de espécies até 1000 metros de profundidade.

Esta solução permite trazer as espécies à superfície sem danos provocados pelas diferenças de pressão, e mantê-las vivas para estudos posteriores. As primeiras demonstrações desta tecnologia estão a decorrer entre os dias 23 de abril e 2 de maio, a bordo do Navio de Investigação Mário Ruivo.

O mar profundo constituiu uma das últimas fronteiras do planeta, com enorme potencial de exploração de bio recursos associados aos organismos particulares e substâncias raras que podem ser encontrados nessas regiões. Contudo, a investigação do mar profundo tem sido muito pouco desenvolvida devido ao ambiente extremamente hostil, em particular à elevada pressão destes meios.

“O conhecimento das espécies do mar profundo é ainda incipiente. Contudo, os primeiros programas de investigação focados nestes recursos mostraram que estes organismos marinhos poderão ter um grande potencial de utilização, pelas indústrias farmacêutica e alimentar”, explica Diana Viegas, investigadora do INESC TEC.

A investigadora do IPMA responsável pela campanha, Antonina dos Santos, refere “Através deste projeto desenvolvemos um sistema de recolha e manutenção, em cativeiro, que permitirá o aumento do conhecimento do ciclo de vida e da biologia de animais marinhos de profundidade. Esta campanha destina-se a testar a capacidade de capturar organismos vivos no solo marinho e na coluna de água a diferentes profundidades, até um máximo de 1000 m, a sua transferência para uma câmara hiperbárica à superfície e a sua manutenção em boas condições fisiológicas”.

As componentes desenvolvidas incluem uma infraestrutura móvel hiperbárica que permite a recolha de organismos vivos no mar profundo em condições de elevada pressão, baixa temperatura (ou extremamente elevada, no caso de proximidade a vulcões ativos ou fontes hidrotermais) e reduzida luminosidade, e uma infraestrutura que faz a sua transferência para uma outra câmara hiperbárica, que irá mimetizar à superfície o ambiente do fundo do mar nos parâmetros físicos relevantes para a manutenção da vida das espécies e funcionando como um aquário.

A Investigadora do IPMA e do CIIMAR e coordenadora desta missão, Antonina dos Santos, explica “Este equipamento contêm componentes que controlam os parâmetros químicos que permitem a vida dos organismos dentro do sistema hiperbárico, assim como, por exemplo, a pressão, a temperatura, a luz, o alimento, a corrosão e a salinidade”.

O sistema foi desenvolvido no âmbito do projeto “HIPERSEA - Sistema Hiperbárico para Recolha e Manutenção de Organismos do Mar Profundo” (POCI-01-0247-FEDER-033889), financiado pelo programa COMPETE 2020 em aproximadamente três milhões de euros.

A Campanha de testes em mar está a decorrer entre os dias 23 de abril e 2 de maio no navio Mário Ruivo ao largo da costa sudoeste de Portugal. InInstituto Português do Mar e da Atmosfera” - Portugal

 

quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Portugal - Investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto querem usar cascas de camarão para obter produtos sustentáveis

Um projeto liderado por investigadores do Laboratório Associado para a Química Verde (LAQV-REQUIMTE), da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP), vai usar os resíduos das cascas de camarão, que geralmente vão para aterro, para produzir aminas, que podem ser usadas na produção de fármacos, plásticos, detergentes e em muitas outras coisas. 

O que têm estas cascas de especial? “São ricas em azoto, oferecendo uma excelente oportunidade para obter vários tipos de aminas de uma forma sustentável e que atualmente apenas são produzidas na indústria a partir de petróleo”, explica Andreia Peixoto, investigadora do LAQV-REQUIMTE na FCUP, responsável pelo Shell4BioA.


A ideia dos investigadores é utilizar apenas métodos sustentáveis. E já têm a decorrer vários processos de extração e conversão de um dos constituintes das cascas, a quitina, em aminas bioderivadas nos laboratórios do Departamento de Química e Bioquímica da FCUP. No entanto, há um destes processos em que se querem debruçar para o processamento das cascas de camarão, cedidas pela Mar Cabo. As cascas são colocadas em água pressurizada a temperaturas de cerca de 250 ºC e obtêm um extrato e um resíduo sólido que, após tratamentos térmicos, pode ser usado como catalisador que vai acelerar reações químicas para a transformação sustentável da quitina e derivados em aminas.

“Pretende-se criar as condições necessárias para se desenvolver uma refinaria que usa cascas de camarão em vez de petróleo”, sublinha Andreia Peixoto. Seria, nas palavras desta investigadora, uma biorrefinaria que utilizaria equipamentos diferentes das refinarias que usam petróleo com alguns processos similares.

O lema do Shell4bioA é não desperdiçar, reutilizar e valorizar. Assim, ao aproveitar uma matéria-prima que, de outra forma, seria desperdiçada, evita-se ainda o recurso a combustíveis fósseis. Este projeto terá a duração de 18 meses e conta também com investigadores do LAQV-REQUIMTE, do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) e da Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa (FFUL). Universidade do Porto - Portugal