Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 23 de abril de 2023

Estrela da tarde









Vamos aprender português, cantando

 

Estrela da tarde

 

Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia

eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia

era tarde tão tarde que a boca tardando-lhe o beijo, morria

quando à boca da noite surgiste na tarde, qual rosa tardia

 

Quando nós nos olhamos, tardamos no beijo que a boca pedia

e na tarde ficámos, unidos, ardendo na luz que morria

em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste, o Sol amanhecia

era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

 

Meu amor, meu amor, minha estrela da tarde

que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde

meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza

se tu és a alegria ou se és a tristeza

meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza

 

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram

dos noturnos silêncios que à noite, de aromas e beijos se encheram

foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram

e da estrada mais linda da noite, uma festa de fogo fizeram

 

Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram

era o dia da noite de todas as noites que nos precederam

era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram

e entre os braços da noite, de tanto se amarem, vivendo, morreram

 

Meu amor, meu amor, minha estrela da tarde

que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde

meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza

se tu és a alegria ou se és a tristeza

meu amor, meu amor, eu não tenho a certeza

 

Meu amor, meu amor

eu não tenho a certeza

se tu és a alegria ou se és a tristeza

meu amor, meu amor

eu não tenho a certeza

 

Eu não sei meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto

é por ti que adormeço, e acordado recordo no canto

essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto

essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto

meu amor

 

Mário Lundum – Portugal

 

Composição:

(Letra) José Carlos Ary dos Santos – Portugal

(Música) Fernando Tordo - Portugal
 

domingo, 25 de dezembro de 2022

Volta para mim


 








Vamos aprender português, cantando

 

Volta para mim

 

Dói-me o corpo de chorar

já sequei as lágrimas do rosto

a minha alma não se cansa de verter

não se espanta o meu desgosto

 

Quando eu choro estou mais perto de ti

falo ao teu ouvido e tu sentas-te aqui

 

Pergunto-te onde estás?

E se me vens visitar?

Quero saber mais de ti

pra poder imaginar

 

Volta amor

volta para mim

volta nem que seja para eu me despedir

 

Volta amor

volta para mim

volta nem que seja para eu me despedir

 

Se não souberes a minha porta

e não ouvires a minha voz

deixa-me um sinal para decifrar

 

Volta amor

volta para mim

volta nem que seja para eu me despedir

 

Volta amor

volta para mim

volta nem que seja para eu me despedir

 

 E se puderes olha por mim

 

Picas – Portugal

 

Agir – Portugal



Vamos recordar, cantando

O Possível Natal

domingo, 15 de maio de 2022

Olha


 







Vamos aprender português, cantando

 

Olha

 

Olha, você tem todas as coisas

que um dia eu sonhei pra mim

a cabeça cheia de problemas

não importo, gosto mesmo assim

 

Tem os olhos cheios de esperança

de uma cor que mais ninguém possui

me traz o passado e a lembrança

coisas que eu quis ser e não fui

 

Olha, você vive tão distante

muito além do que eu posso ter

eu que sempre fui tão inconstante

te juro, meu amor, agora é pra valer

 

Olha, vou contigo aonde for

seja meu amante, meu amado, meu amor

vem viver comigo o meu caminho

e viver a vida só de amor

 

Olha, você vive tão distante

muito além do que eu posso ter

eu que sempre fui tão inconstante

te juro, meu amor, agora é pra valer

 

Olha, vem comigo aonde for

seja meu amante meu amado meu amor

vem viver comigo meu caminho

e viver a vida só

 

E viver, viver a vida só de amor

e viver a vida só de amor

 

Liah Soares – Brasil

 

Composição:

Erasmo Carlos / Roberto Carlos – Brasil




Vamos recordar, cantando

Cavalo à solta


sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

O Possível Natal

 







Vamos aprender português, cantando

 

O Possível Natal

 

Quem poderá esquecer este Natal?

Quem guardará consigo esta glória?

Tristes os dias de dor e do mal

lágrimas, água, no olhar da história

 

Quem poderá sonhar este Natal?

Como se fosse um Natal qualquer

vou dizer que esta terra é desigual

ou que ela é sempre o que o homem quiser

 

Quem poderá falar deste Natal?

Sem que as imagens e o olhar se agitem

dúvidas tão fortes que afinal

só certas incertezas é que existem

 

Quem poderá lembrar este Natal?

Num outro tempo que estará para vir

como uma coisa assim tão natural

como ser normal no Natal sorrir

 

Quem poderá mudar este Natal?

De quem a força que traga alegria?

De onde a luz do céu tão imortal

de Deus, de nós, ou do esperado dia

 

Quem poderá falar deste Natal?

Sem que as imagens e o olhar se agitem

dúvidas tão fortes que afinal

só certas incertezas é que existem

 

Quem poderá mudar este Natal?

Quem poderá mudar este Natal?

 

Fernando Tordo – Portugal

Paulo de Carvalho – Portugal

Composição – Fernando Tordo


domingo, 8 de abril de 2018

Os Cantores da Minha Terra



















Vamos aprender português, cantando


Vou falar deles, vou-os lembrar
quero-os eternos
faço justiça pela minha própria voz
os desgraçados, os antigos, os modernos
os afamados, esquecidos, sempre sós

Vou falar deles, vou-os lembrar
quero-os activos
parto epitáfios com a minha própria voz
antes que morram, apesar de pouco vivos
antes que sofram mais desgostos
sempre sós

Vou falar deles, vou-lhes cantar
a velha história
farei um palco com a voz que sai de mim
onde terão a sua noite de glória
com grande orquestra, com maestro e camarim

Vou falar deles, vou-os lembrar, vê-los contentes
os desprezados, os melhores e os piores
os de voz própria, os já sem voz todos presentes
na grande gala em que eles sejam
os senhores

Vou falar deles, vou-os lembrar
fazer notícia
de quem amou mais o aplauso que os dinheiros
gente tão bela que achava uma delícia
fazer a borla para a ambulância dos bombeiros

Vou falar deles, vou-os lembrar
dar-lhes um beijo
para que saibam que não esqueço esse tempo
em que sem chavo para comprar nem um desejo
dava a impressão de andar mesmo cheio de vento

Vou falar deles, vou-os lembrar, pedir carinho
em homenagem dos que nunca se renderam
vidas inteiras descobrindo mais caminho
falo daqueles que não ganhando não perderam

Vou falar deles vou-os lembrar pedir respeito
por todos esses que nunca andaram na berra
se no amor não se olha ao imperfeito
peço que amem os cantores da minha terra

Fernando Tordo - Portugal

sábado, 17 de maio de 2014

Cavalo à solta












Vamos aprender português, cantando





Minha laranja amarga e doce
meu poema
feito de gomos de saudade
minha pena
pesada e leve
secreta e pura
minha passagem para o breve breve
instante da loucura.

Minha ousadia
meu galope
minha rédea
meu potro doido
minha chama
minha réstia
de luz intensa
de voz aberta
minha denúncia do que pensa
do que sente a gente certa.

Em ti respiro
em ti eu provo
por ti consigo
esta força que de novo
em ti persigo
em ti percorro
cavalo à solta
pela margem do teu corpo.

Minha alegria
minha amargura
minha coragem de correr contra a ternura.

Por isso digo
canção castigo
amêndoa travo corpo alma amante amigo
por isso canto
por isso digo
alpendre casa cama arca do meu trigo.

Meu desafio
minha aventura
minha coragem de correr contra a ternura.

Fernando Tordo - Portugal

Composição;

(Letra) José Carlos Ary dos Santos – Portugal

(Música) Fernando Tordo - Portugal