Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 10 de maio de 2026

Reino Unido - Comunidade portuguesa garante pelo menos 10 eleitos nas autárquicas britânicas

Pelo menos 10 portugueses foram eleitos nas eleições autárquicas britânicas que se realizaram na quinta-feira, incluindo Hedson Farinha de Castro, que contrariou a tendência nacional de recuo e foi eleito pelo Partido Trabalhista

Este professor de crianças com necessidades especiais foi eleito pela primeira vez na área de Yeading, no município de Hillingdon, um subúrbio no oeste de Londres.

“Foi difícil devido ao que tem acontecido aqui em Inglaterra, porque há vários grupos políticos neste momento, como o Reform UK e o Green Party, que são partidos que estão a ter muita força e a população encontra-se muito dividida”, disse, este sábado, à Agência Lusa.

Castro, de 45 anos e nascido em Luanda, revelou ter enfrentado hostilidade durante a campanha.

“Foi muito difícil sair pelas ruas, tentar fazer a campanha, porque houve lugares onde não fui bem recebido, lugares onde as pessoas me receberam muito mal. E houve lugares onde fui ameaçado e tudo. Foi uma campanha muito difícil”, contou.

Hedson Castro pretende colocar a sua experiência pessoal e profissional ao serviço da comunidade, com especial enfoque na prevenção da criminalidade entre os mais jovens.

“Eu sempre acreditei que dentro de mim tinha um dom de poder ajudar as pessoas, de comunicar com jovens pela experiência que eu tenho com crianças especiais e também dar ajuda às mães e pais que muito precisam de ajuda com os filhos”, explicou.

Uma análise feita pela Lusa aos resultados divulgados indica que, pelo menos, 10 candidatos portugueses ou lusodescendentes foram eleitos por diferentes partidos, sobretudo na região de Londres.

Os trabalhistas Diogo Costa, Lúcia das Neves e Tiago Corais foram reeleitos em Lambeth, Haringey e Oxford, respetivamente, quanto Isabel Araújo, em Sutton, e Nick da Costa, em Haringey, renovaram os mandatos pelos Liberais Democratas.

A estreante Sandra Mano soube que foi eleita pelos Liberais Democratas em Watford no dia do seu aniversário e Elmedina Baptista-Mendes, enfermeira de profissão, conquistou pela primeira vez um lugar em Islington pelos Verdes.

Floyd Anjoe Dias do Rosário, em Brent, e Salvador António José Pereira, em Hounslow, ambos de origem goesa, foram eleitos pelo Partido Conservador.

Mais de duas dezenas de portugueses ou lusodescendentes concorreram às eleições autárquicas realizadas na quinta-feira em Inglaterra.

Segundo os resultados divulgados por 131 das 136 autarquias que foram a votos, o grande vencedor foi o Partido Reformista, que conquistou 1444 lugares dos cerca de 5000 em disputa.

O Partido Trabalhista elegeu 999, mas perdeu 1408 representantes locais, enquanto o Partido Conservador garantiu 773, mas perdeu 557.

Os Verdes mais do que duplicaram o número de eleitos, para 516, e os Liberais Democratas também cresceram, atingindo 836.

O mau desempenho nas eleições autárquicas do Partido Trabalhista foi repetido nas eleições regionais, também realizadas na quinta-feira, para os parlamentos autónomos da Escócia e País de Gales.

Na Escócia, o Partido Nacional Escocês, que governa desde 2007, conquistou o maior número de assentos (58), mas sem maioria absoluta.

O ‘Labour’ e o ‘Reform UK’ ficaram empatados, com 17 lugares num total de 129, à frente dos Verdes (15), Conservadores, (12) e Liberais Democratas (10).

O partido do primeiro-ministro Keir Starmer sofreu uma derrota eleitoral histórica no País de Gales ao perder pela primeira vez a maioria no parlamento autónomo do País de Gales desde a criação em 1999 e cair para o terceiro lugar.

Em primeiro ficou o partido nacionalista Plaid Cymru, seguido do Partido Reformista. In “Bom dia Europa” – Luxemburgo com “Lusa”


quinta-feira, 15 de setembro de 2022

São Tomé e Príncipe - Filipe Nascimento, de ascendência cabo-verdiana, quer quinta maioria absoluta na eleição regional da ilha do Príncipe

Santo António, Região Autónoma do Príncipe – Filipe Nascimento, filho de pais cabo-verdianos com raízes no concelho da Ribeira Grande, Santo Antão, candidato da UMPP nas eleições regionais de 25 de Setembro, diz estar convicto de que o seu partido alcançará a quinta maioria absoluta consecutiva.

Dezasseis anos depois do primeiro acto eleitoral livre na região, os naturais da ilha do Príncipe vão decidir se querem continuar a ser governados pela União para a Mudança e Progresso do Príncipe (UMPP), no poder há 16 anos, ou pelo MLSTP/PSD, que nunca venceu uma eleição no Príncipe, e que para esta corrida eleitoral se apresenta em coligação com o Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe (MVDP), de Nestor Umbelina, um dissidente da UMPP.

Filipe Nascimento, 32 anos, advogado, formado em Portugal, actual presidente do Governo Regional do Príncipe e líder da UMPP, a quem os críticos acusam de ter recebido o executivo numa bandeja de prata servida pelo ex-presidente, Tozé Cassandra, tem agora a oportunidade de testar a sua popularidade na urna.

Em entrevista exclusiva à Inforpress, no Príncipe, no terceiro dia de campanha para as eleições regionais de 25 Setembro, Filipe Nascimento apresentou os argumentos com os quais pretende convencer os habitantes da Região Autónoma do Príncipe a votar no seu projecto eleitoral.

Os habitantes do Príncipe, sublinhou, sabem bem o trabalho que foi feito pelo governo nestes últimos 16 anos, mas o jovem jurista apresenta-se a estas eleições não pelo passado, mas pelo futuro, pelo que falta fazer e inovar, nas mais diversas áreas, consolidando, cada vez mais, os indicadores positivos.

“Parto para estas eleições com a expectativa de uma vez mais, ganhar com a maioria absoluta, para concretizar os muitos projectos que estão em carteira. A população tem percebido a nossa vontade, o nosso querer de continuar a transformar o Príncipe e resolver os problemas estruturantes ligados à condição de uma ilha duplamente insular”, lançou.

O candidato salientou que, além deste trabalho, o executivo do Príncipe tudo fará para tentar conseguir o engajamento do Governo Central de forma mais “colaborativa e interventiva”, para em conjunto se conseguir resolver as grandes questões.

Uma das principais prioridades para a ilha do Príncipe, para os próximos quatro anos, pelas quais Filipe Nascimento vai se bater, será a adopção de medidas para baixar o custo de vida para os cerca de dez mil habitantes, na sua maioria de ascendência cabo-verdiana e que vive nas antigas empresas agrícolas em condições de precariedade.

“As grandes prioridades para o próximo mandato passam, primeiro, por baixar o custo de vida da população. Isso passa por um conjunto de medidas, nomeadamente a melhoria do Porto do Príncipe, tornando-o atracável e a construção de um reservatório de combustível, como serviço complementar”, especificou.

Filipe Nascimento indica também como grande objectivo, no sector da saúde, concluir as obras do bloco operatório do hospital local e a edificação, na capital São Tomé, de uma residência para acolher os doentes transferidos do Príncipe para tratamento médico.

O reforço da rede de postos sanitários comunitários, a criação de um sistema moderno de bolsa de medicamento, o reforço do quadro médico para atendimento especializado, bem como promover consultas médicas por teleassistência são outras propostas no sector para os próximos quatro anos.

Também para o novo mandato, o candidato da UMPP à presidência do Governo Regional do Príncipe pretende concretizar o projecto de energias renováveis no Príncipe, nomeadamente a Barragem Hidroeléctrica do Papagaio, que já conta com parte de financiamento do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e a amarração de fibra óptica à ilha, num financiamento do Banco Mundial.

Relativamente à educação, Filipe Nascimento garantiu que o Governo não se conformará enquanto não construir o Liceu Regional, cujo orçamento será suportado, segundo o candidato, pelas câmaras municipais portuguesas de Amadora, Oeiras e Lisboa.

Ainda no sector da educação, o executivo da UMPP promete não baixar os braços na capacitação dos professores, educadores, supervisores e inspectores, bem como no reforço do ensino técnico e profissional na região.

Filipe Nascimento defende também “maiores investimentos nos sectores produtivos”, na agricultura, pecuária e pescas, com a criação de um “plano de intervenção muito intenso”, apostando no empreendedorismo para fomentar iniciativas que possam gerar riqueza, rendimento e emprego.

“Vamos reforçar a nossa intervenção na melhoria de condições para atrair mais e melhores investidores para fomentar oportunidades do emprego e trabalhamos o turismo de seguimento ecológico, para continuarmos a diversificar a economia regional”, referiu.

Nas pescas, disse o líder regional, a ideia passa pela criação de um centro de conservação do pescado e criação de um estaleiro para fabrico e reparação de embarcação de pesca e desenvolve condições para a pesca semi-industrial.

O presidente do Governo Regional considerou que, apesar de os seus dois primeiros anos de mandato terem sido “difíceis”, a ilha do Príncipe “tem grandes possibilidades de crescer”, apostando na diversificação da economia e na atração de mais investimentos, para fomentar o emprego.

Filipe Nascimento, que lidera o Governo Regional desde 2020, é um jovem quadro natural do Príncipe, de ascendência cabo-verdiana e formado em Direito em Portugal, que durante vários anos trabalhou na Câmara Municipal de Oeiras.

Pelo menos 50 candidatos de origem cabo-verdiana estão na corrida às eleições legislativas, autárquicas e regionais santomenses de 25 de Setembro.

Mais de 120 mil eleitores, incluindo a diáspora,  estão recenseados para votar nestas eleições, às quais concorrem dez partidos e uma coligação: Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe / Partido Social Democrata (MLSTP/PSD), Ação Democrática Independente (ADI), Basta, Movimento Democrático Força da Mudança/União Liberal (MDFM/UL), União para a Democracia e Desenvolvimento (UDD), CID-STP, Muda, Partido Novo, Movimento Partido Verde, Partido de Todos os Santomenses (PTS) e a coligação Movimento de Cidadãos Independentes/Partido Socialista/Partido da Unidade Nacional.

As eleições legislativas elegem 55 deputados à Assembleia Nacional de São Tomé e Príncipe. A ADI foi o partido mais votado nas eleições de 2018, elegendo 25 deputados, seguida pelo MLSTP/PSD, que conseguiu 23 assentos. In “Inforpress” – Cabo Verde