Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 21 de julho de 2021

Cabo Verde - Projecto Vitó já identificou mais de 700 ninhos de desovas de tartarugas nos Ilhéus Rombos e mais de 300 no Fogo

 


São Filipe – A associação de conservação e uso sustentável dos recursos, Projecto Vitó, registou mais de mil ninhos de desovas de tartarugas marinhas na ilha do Fogo e nos Ilhéus Rombos.

A coordenadora do projecto conservação das tartarugas marinhas na ilha do Fogo e nos Ilhéus Rombos do Projecto Vitó, Carla Lopes, ao fazer o balanço do primeiro mês da campanha de conservação de tartarugas nesta região, disse que até este momento na ilha do Fogo foram contabilizados 310 ninhos e 438 rastos e nos Ilhéus Rombos 740 ninhos e 1868 rastos.

A nível da ilha do Fogo, nas 16 praias de desovas de tartarugas marinhas, a maior parte dos ninhos e rastos estão nas praias do município de São Filipe, com um total de 219 ninhos e 274 rastos, seguido dos Mosteiros, com 58 ninhos e 111 rastos, e Santa Catarina do Fogo, com 33 ninhos e 53 rastos.

Carla Lopes disse que para além dos trabalhos de monitorização, outras actividades têm sido realizadas como a identificação de todas as praias desovas de tartarugas na ilha do Fogo, com colocação de placas nas 16 praias.

A equipa de conservação das tartarugas marinhas começou a campanha de sensibilização nas comunidades, tendo realizado já duas sessões, sendo uma na localidade de Atalaia (Mosteiros) e outra na de Ponta Verde (São Filipe).

Igualmente, a equipa começou uma campanha de sensibilização nas praias balneares, dado que se está na época de desova e ao mesmo tempo na época balnear e muitas que frequentam as praias que têm muitos ninhos, não sabem quais as medidas exactas que devem tomar e a equipa aproveita esta campanha para sensibilizar as pessoas sobre as medidas e procedimentos a serem adoptados.

Carla Lopes disse ainda que a equipa de “task-force” foi activada e já começou a efectuar visitas nocturnas, sobretudo às praias onde já aconteceram algumas capturas e que não têm guardas.

Até este momento, a equipa de coordenação já identificou a captura e abate de oito tartarugas nas praias da ilha do Fogo, sendo quatro nos Mosteiros, dois em São Filipe, um na zona de Cova Figueira e outro na zona de Salinas, sendo que nos Mosteiros foi possível identificar os actores que foram submetidos ao julgamento no tribunal de comarca dos Mosteiros há uma semana.

A campanha de preservação conta com um total de 23 guardas que foram recrutados e contratados, dos quais sete são assegurados pelas câmaras municipais da ilha do Fogo, e todos antes de iniciar as actividades passaram por uma acção de capacitação de três dias.

Na próxima sexta-feira, a coordenação do projecto de conservação e preservação das tartarugas tem agendado o primeiro encontro mensal para avaliação do trabalho dos guardas, mas também vai dar seguimento a campanha de sensibilização, cobrindo todas as zonas piscatórias da ilha.

A equipa agendou ainda para este fim-de-semana encontro com a comunidade de S.Jorge e sensibilização das pessoas que frequentam a praia balnear de Salinas que tem sido muito frequentado. In “Inforpress” – Cabo Verde


domingo, 23 de maio de 2021

Cabo Verde – Aumenta o número de ninhos de tartaruga monitorizados


Cidade da Praia – Cabo Verde contabilizou, em 2020, 198787 ninhos de tartaruga e registou uma diminuição da taxa de captura à volta de 1,54 por cento (%), disse à Inforpress o director nacional do Ambiente, Alexandre Nevsky.

Em entrevista à Inforpress para falar sobre a situação da caça de tartarugas e a fiscalização, no âmbito do Dia Internacional da Tartaruga que se assinala hoje, 23 de Maio, o director nacional do Ambiente avançou que considera a sensibilização e fiscalização como as “armas” mais poderosas para dar combate à captura e ao consumo da tartaruga.

“Normalmente as legislações servem para combater determinados actos e, nesta matéria, além de penalizar temos é de reforçar a sensibilização e informação junto das pessoas e nas escolas, para que entendam que uma tartaruga viva terá muito mais valor, a longo prazo, do que uma morta”, afirmou, lembrando às pessoas o valor da tartaruga no ecossistema.

Conforme disse, o trabalho de informação e sensibilização, apesar de surtir efeito deve ser reforçado por forma a se garantir que quem esteja a infringir seja apanhado e enquadrado de acordo com a legislação existente sobre a matéria.

Nesta linha de ideias realça o trabalho que a Polícia Nacional tem feito, nesta matéria, apesar de considerar difícil chegar-se ao consumo zero tartarugas.

“Para alcançarmos este propósito temos de trabalhar com as escolas para que possamos ter uma geração que verá, como pouco natural, consumir carne de tartaruga”, prosseguiu, informando por outro lado, que a fiscalização da espécie é garantida pelas comunidades, pescadores e associações locais.

No caso da fiscalização, explicou que têm sido realizadas saídas ocasionais com a polícia, numa óptica mais preventiva, havendo em algumas praias uma vigilância contínua dos militares.

“A nova legislação, relativamente às campanhas, trouxe-nos uma nova realidade com aumentos de ninhos monitorizados que nos indicam que em 2015 foram identificados 10725 ninhos em todo o território, em 2018 cerca de 189196 e em 2020 foram identificados 198787 ninhos”, disse reforçando a ideia da sensibilização para que a nova geração tenha uma outra mentalidade sobre comer carne de tartaruga.

Segundo Alexandre Nevsky, dados disponíveis mostram que o reforço das campanhas de monitorização das tartarugas nas praias, diminui a taxa de captura que, em 2015, era de 8,25% e em 2020 passou para 1,54%.

Em Cabo Verde, segundo disse, a população de tartarugas marinhas mais predominante é a “Caretta Caretta”, a que mais de perto de monitorizar por fazer do espaço nacional o seu local de desova, embora se contabiliza, também, uma dezena de tartarugas verde.

A desova das tartarugas acontece nas ilhas da Boa Vista, Sal, Maio e os ilhéus, mas 90% da desova no país acontece na ilha da Boa Vista.

O Dia Mundial da Tartaruga assinala-se a 23 de Maio e tem como propósito chamar a atenção para o perigo de extinção das tartarugas e cágados de todo o mundo e aumentar o conhecimento da população sobre estes animais.

A tartaruga é um réptil que possui uma concha característica nas suas costelas, utilizada como protecção. Este animal existe há 200 milhões de anos, sendo uma das criaturas mais antigas do mundo, mas encontra-se em risco, dada a destruição do seu habitat natural, o “cruel” comércio animal e a indústria da comida exótica.

Além dessa data, há também o Dia Mundial da Tartaruga Marinha, celebrado em 16 de Junho e tem como propósito promover o conhecimento sobre esses animais além de alertar para sua preservação

A cada 1000 ovos colocados por uma tartaruga em fase de reprodução, 800 chocam. Das 800 tartaruguinhas que nascem, apenas 400 chegam ao mar, já que encontram obstáculos diversos no caminho ou são comidas por caranguejos, aves e outros animais.

As que chegam ao mar trocam um conjunto de perigos por outro: podem ser comidas por golfinhos, tubarões, uma variedade de peixes e até aves marinhas, já que precisam subir para a superfície para respirar. In “Inforpress” – Cabo Verde


 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Portugal - Novo habitat proporciona subida de peixes para desova

Centro no Baixo Sabor faz parte do conjunto de medidas de compensação ambiental pela construção da barragem.

O centro de desova piscícola da ribeira da Vilariça, em Torre de Moncorvo, já está em fase “experimental”. Faz parte de um conjunto de medidas que visa atenuar os impactos ambientais pela construção do empreendimento hidroeléctrico do Baixo Sabor.

Rui Dias, da direcção de Sustentabilidade da EDP, explica que foi criado ao longo de um troço de cinco quilómetros. “Criámos condições na ribeira, como os açudes galgáveis, para que os peixes pudessem subir leito a cima na época desova", refere o técnico da EDP.

Foram também criadas galerias ripícolas, que vão ser uma espécie de “chamariz para as mais diversas espécies de peixes desovarem neste novo centro”.

Paulo Santos, representante dos movimentos ambientalistas na comissão de acompanhamento do Baixo Sabor, considera que a medida de compensação ambiental atenua os efeitos da construção da barragem.

"Ao fazer a modelação da parte terminal da ribeira da Vilariça [um afluente do rio Sabor], para a criação de uma zona de desova, foram em simultâneo melhoradas as condições ambientais do curso de água, já que se retiraram espécies exóticas da margem da ribeira, o leito foi corrigido e criaram-se diversas condições para a melhoria da actividade piscícola", explica o ambientalista.

Esta é primeira época de desova em que o centro vai funcionar. Rui Dias, da direcção de Sustentabilidade da EDP, espera que se “mantenham as populações das espécies piscícolas e que as comunidades locais continuem a exercer a actividade piscatória”.

Apesar de concordar com esta medida de salvaguarda ambiental, o especialista afirma que a solução “não se pode sobrepor ao 'habitat' natural do rio Sabor”, porque que se trata de um troço muito pequeno, já que o rio tinha vários quilómetros de desova de peixes, justifica.

Entre os rios Douro e Sabor abundam espécies como o barbo, o robalo e as bogas, sendo a pesca uma actividade económica secular naquela região.

O projecto conta com a colaboração científica da Universidade de Trás-os-Montes e do Instituto Politécnico de Bragança. Olímpia Mairos – Portugal in “Página 1”