Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 6 de março de 2022

França - Humor português em Paris pelo menos uma vez por mês

Quatro humoristas lusófonos subiram ao palco do afamado Jamel Comedy Club, em Paris, na noite de sexta-feira, deleitando a comunidade portuguesa que compareceu em peso para se rir dela própria


“Não é muito fácil o humor para a comunidade portuguesa, mas esta noite foi muito bom e começamos a aceitar. As coisas estão a mudar”, disse alegremente Paula, portuguesa que vive há mais de 40 anos em França, no fim da noite de humor, em declarações à agência Lusa.

Foi a primeira vez que Paula veio a um clube de comédia, mas não estava sozinha. Para muitos dos portugueses na sala também foi uma estreia e o nome do espetáculo ‘Portugal Comedy Show’ com os comediantes Mike de Sá, Jonathan da Silva, Jean Paul SP e P.V. foi um chamariz. A sala com cerca de 150 lugares encheu-se com a comunidade portuguesa.

P.V. ou Pierre Victor tem origens portuguesas e faz stand-up desde 2018, percorrendo os clubes de comédia da capital, e já usa normalmente piadas sobre o seu pai, que é português, nos seus 10 minutos de humor, mas esta noite quando subiu ao palco foi especial.

“A noite foi horrível [risos]. Foi ótimo, as pessoas receberam-nos muito bem, foi um público que participou muito e não há essa coisa de dizer que era um público estranho por serem só portugueses, foi um bom público!”, disse P.V., feliz por ter atuado na “mítica” sala do Jamel Comedy Club.

Houve piadas sobre trabalhadores da construção civil e sobre porteiras, mas também o dia-a-dia dos jovens franco-portugueses que, ao terem nascido em França, têm uma experiência de vida enriquecida pelas raízes portuguesas, mas com os problemas inerentes à vida parisiense.

“Eu tento ter cuidado, de não falar muitos nos clichés. Filmes como a Gaiola Dourada ajudaram a não exprimir esses clichés, mas a explicar esses preconceitos. Eu digo sempre que o meu pai chegou aqui clandestino, a vida não era fácil e é claro que o mais fácil era trabalhar na construção civil”, explicou o humorista.

Hugo tem 21 anos, já nasceu em França e toda a família é portuguesa. Como qualquer jovem francês na região parisiense, costuma vir a este género de clubes e não podia faltar a este evento.

“Foi uma noite muito boa, ri-me muito, eu já vim duas ou três vezes aos clubes de comédia e vim especialmente a esta por ser um evento português”, explicou.

Mesmo sendo de uma geração diferente, Hugo disse ter sofrido com as piadas, mas agora já não liga, embora no “início fosse difícil”.

“É um cliché dizer que foram os portugueses que construíram a França, é preciso que daqui a uns anos isso acabe e queremos mostrar que hoje os portugueses em França são médicos, investigadores e até humoristas”, concluiu P.V. que brevemente terá o seu espetáculo individual numa sala parisiense.

O Jamel Comedy Club vai acolher este evento com humoristas portugueses mensalmente, na primeira sexta-feira de cada mês, e os bilhetes rondam os 25 euros. In “Bom dia Europa” - Luxemburgo com “Lusa”


quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

França - Denis dos Santos está a organizar um musical com músicas portuguesas dos anos 80 e 90

 


O produtor Denis dos Santos, radicado na região de Paris, está a preparar uma comédia musical intitulada “Ele e Ela” que deve estar pronta no segundo semestre deste ano, e que pretende revisitar temas da música ligeira portuguesa dos anos 80 e 90, “provavelmente haverá um tema dos anos 70”, diz o produtor sem querer desvendar de que temas se trata.

Em setembro começou a ser feito um casting de cantores, mas numa entrevista-vídeo ao LusoJornal, Denis dos Santos diz que ainda lhe falta pelo menos mais uma voz masculina. Por isso, o recrutamento de cantores continua aberto.

O período de pandemia convidou o produtor – que também é músico – a mergulhar na música dos anos 80/90 e a ideia de montar um musical foi ganhando consistência. “Até porque considero que é uma das melhores alturas da música portuguesa” diz ao LusoJornal.

“Eu não sei se é mais fácil recorrer a temas existentes do que escrever temas inéditos, mas desta vez decidimos que seria assim” conta Denis dos Santos.

Denis dos Santos nasceu em França e começou a tocar acordeão com apenas 6 anos de idade. “Tive uma professora francesa e um professor português” conta. Com apenas 16 anos obteve o diploma de professor e começou a dar aulas de música. “Depois montei um estúdio em casa e comecei a trabalhar na distribuição musical, com editores em Portugal”. Casou com a cantora Sandra Helena e acompanha-a nos concertos. “A minha vida praticamente sempre foi andar no meio da música. Tive a oportunidade de ter estado com grandes artistas franceses e portugueses. Com a minha esposa, acompanhei-a a fazer espetáculos no mundo inteiro”. Não admira pois que este musical seja “um projeto muito importante para mim”.

O sonho de Denis dos Santos é ter músicos em cima do palco, mas por enquanto apenas prevê que os cantores estejam em palco com uma banda sonora. Para ter músicos em cena, Denis dos Santos necessitava de ter “palcos maiores, mais meios e neste momento temos que ter cuidado com os custos”, mas acrescenta que “as coisas podem evoluir. No fim do ano 2021 teremos de tomar essa decisão”, até porque depois é relativamente fácil acrescentar os músicos.

Magali e Bruno vão ser os dois artistas mais experientes do musical. “Já cantaram em vários grupos, não são artistas, mas são grandes cantores confirmados” garante Denis dos Santos. “Tenho de me apoiar em pessoas que tenham mais experiência e que vão dar força aos mais jovens, que certamente no início vão estar mais intimidados”.

Denis dos Santos não procura artistas confirmados, procura jovens que queiram ter uma oportunidade de participar numa comédia musical como trampolim “para ir mais longe na carreira”.

Neste mês de janeiro vão começar a trabalhar, essencialmente em estúdio, e lá para março e abril, “se a situação evoluir, esperamos já poder trabalhar em grupo”. Sem querer desvendar a “história” que vai estar por detrás desta Comédia musical, Denis dos Santos foi anunciando temas de Fernando Correia Marques, José Cid, Marco Paulo ou Carlos Paião.

Em palco, o produtor está a prever colocar um muro de ecrãs para levar o público para o contexto da história.

Denis dos Santos diz que o movimento associativo está a atravessar uma fase menos boa, com menos associações, menos meios, menos público e até menos rádios. Por isso, deitou mãos à obra e vai organizar, ele próprio, os espetáculos, porque quer que o musical circule por várias cidades de França, da Europa e até noutras partes do mundo.

Organizar este tipo de espetáculos é “fundamental” para Denis dos Santos. “Durante os últimos anos, toda a gente começou a fazer kizomba e kuduro e não saíamos daqui, esquecemos a nossa música ligeira. Eu penso que agora está novamente a mudar em Portugal e estamos já a voltar às nossas sonoridades”. Carlos Pereira – França in “LusoJornal”


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

França – Peça de teatro portuguesa na região parisiense



No próximo dia 8 de março, um domingo, às 15h45, o grupo de teatro “Os Teimosos” fará a sua estreia na região parisiense – mais precisamente em Nanterre, na Maison de la Musique (8 rue des Anciennes Mairies) – com a peça “Os vizinhos do rés-do-chão”, uma comédia escrita em 1947 por Fernando Santos e Almeida Amaral e logo nesse ano transformada em filme pelas mãos do realizador espanhol Alejandro Perla, uma película que teve a participação de Eunice Muñoz.

A primeira parte do espetáculo, que antecede a entrada em palco de “Os Teimosos”, está a cargo do humorista “frantuguês” José Cruz. Será, então, como está fácil de ver, uma tarde de muitas gargalhadas.

O grupo teatral “Os Teimosos”, fundado em 1989, pertence à Sociedade Filarmónica Boa União Montelavarense, da vila de Montelavar, no concelho de Sintra, e esta vinda a Nanterre serve também para comemorar os 130 anos da Sociedade.

A vinda de “Os Teimosos” a Nanterre é promovida pelas associações ARCOP (Association Récréative et Culturelle des Originaires du Portugal) e APAPF (Association pour la Promotion des Artistes Portugais en France).

Os vizinhos do rés-do-chão” que subirá ao palco no dia 8 é encenada por Gil Matias, ator com uma vasta experiência na área do teatro de revista e que apareceu em alguns formatos televisivos, embora a sua grande paixão sempre tenha sido o teatro e a revista portuguesa. Entretanto começou a encenar vários grupos de teatro do concelho de Sintra, nomeadamente os “Cintrões”, o grupo de teatro de Almoçageme e, claro, “Os Teimosos”.

Os vizinhos do rés-do-chão” é uma comédia típica dos anos 40 portugueses onde se retrata a vida num prédio onde vivem três famílias de classes sociais distintas: a aristocrata vive no primeiro andar, a de classe média no rés-do-chão e a proletária na cave. As três famílias vão vivendo juntas, apesar dos preconceitos e das óbvias diferenças na instrução, cultura e tendências, mas sempre no mútuo “respeitinho” e nos brandos costumes idealizados pela ditadura católica e conservadora de Salazar. Um mundo em que os mais pobres eram sufocados pela opressão do regime de extrema-direita e obrigados a aceitar o status quo, tal como se a impossibilidade de sair da pobreza fosse um fado, a ordem natural das coisas. Nesta peça, todavia, disfarçado de humor e de ligeireza, surge um elemento quase “subversivo” sob a forma de o amor entre jovens de diferentes origens sociais. É então que o “respeitinho” é mandado às urtigas e rompem as hostilidades em forma de “luta de classes”… Mas, como se trata de Portugal, país de “brandos costumes” – ou, dir-se-á hoje, país de “brancos costumes” – tudo é sanado graças a um cristianíssimo perdão recíproco, mantendo-se tudo igual, sem ondas, na paz dos anjos.

Será então sob a batuta de Gil Matias que entrarão em palco os onze atores e atrizes que darão corpo às personagens. Uma delas é Graziela, que ganhará vida graças à jornalista e atriz Joana Marques Alves.

Joana o que significa para “Os Teimosos” esta viagem até Nanterre?

Para nós é uma oportunidade única! É uma forma de levar o nosso grupo de teatro além-fronteiras e de poder pisar um palco internacional. Nem todos os grupos têm essa sorte e nós estamos muito entusiasmados e felizes com isso! Mas temos também a noção do peso da responsabilidade: além de estarmos a representar as nossas raízes – a Sociedade Filarmónica Boa União Montelavarense e a vila de Montelavar em si -, queremos também trazer um bocadinho de ‘casa’ à Comunidade portuguesa que reside em Nanterre e arredores. Queremos que recordem o que era Portugal nos anos 40 e 50 e que façam uma viagem no tempo connosco.

Esta peça foi escrita há quase 75 anos. Qual é a sua atualidade?

Apesar de ser uma peça com alguns aninhos, continua a ser atual. Se pensarmos bem, continua ou não a existir um fosso entre classes? Continua ou não a haver preconceito em relação a todas as classes? Mas as relações humanas conseguem ou não ultrapassar tudo e todos? Esta peça continua a fazer todo o sentido. Seja hoje, seja daqui a 100 anos.

Fale-nos um pouco de Graziela.

A Graziela é como todas as meninas de hoje em dia, quer crescer rápido, ter a sua independência e procurar a sua felicidade fora de portas. Mas as coisas nem sempre são fáceis e a relação entre pais e filhos pode por vezes ser um pouco conturbada. Como vê, poderia ser um retrato de uma jovem de hoje em dia. Nuno Garcia – França in “LusoJornal”