Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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segunda-feira, 14 de julho de 2025

Portugal - Investigador da FEUP e CIIMAR recebe bolsa Marie Curie para revolucionar a energia das ondas

Rodeada por mais de 68 mil quilómetros de costa, a Europa possui um enorme potencial, em grande parte inexplorado, para um melhor aproveitamento da energia das ondas – uma fonte renovável emergente que é mais previsível do que o vento e complementar à energia solar, particularmente durante os meses de inverno.


Para revolucionar este aproveitamento deficitário da energia das ondas, o investigador Gianmaria Giannini, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) e do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR), lançou o projeto WEC-Pro que é apoiado com uma bolsa de pós-doutoramento Marie Skłodowska-Curie (Marie Curie), com um orçamento total de aproximadamente 200 mil euros, naquela que é uma das bolas de investigação mais competitivas atribuídas pela Comissão Europeia, no âmbito do programa Horizonte Europa.

Ao qualificar-se para este financiamento com uma pontuação total de 98,40%, o investigador da Universidade do Porto irá, nos próximos dois anos, desenvolver um conversor de energia das ondas (WEC), impresso em 3D, que transforma a energia mecânica das ondas do mar em eletricidade.

Este avanço pode simplificar e reduzir, significativamente, o custo e a complexidade do desenvolvimento dos mesmos, através da integração de restrições no fabrico destas peças na fase inicial de conceção e simulação, levando a uma melhoria técnica e económica dos WEC.

A caminho de Itália, mas com viagem de regresso

A investigação do projeto WEC-Pro permitirá uma produção automatizada e em grande escala destes conversores de energia das ondas, investindo numa energia que desempenhará um papel fundamental na construção de um sistema energético mundial mais resiliente e diversificado, com baixo teor de carbono.

Os primeiros passos desta investigação foram dados na secção de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente (SHRHA) do Departamento de Engenharia Civil da FEUP, e no grupo de investigação de Energia Marinha do CIIMAR. Gianmaria Giannini vai seguir, agora, para o Marine Offshore Renewable Energy Lab (MORE) do Politécnico de Turim, em Itália, onde o projeto será desenvolvido nos próximos dois anos, em colaboração com a Caracol, um dos principais fabricantes de sistemas de impressão 3D industrial para produção de peças grandes e complexas a partir de materiais termoplásticos reforçados.

O investigador italiano agradeceu todo o apoio que recebeu na FEUP e no CIIMAR, com a promessa de regressar para implementar esta tecnologia inovadora.

“Estes anos aqui em Portugal foram uma valiosa experiência e desempenharam um papel fundamental na definição da direção desta investigação. Foi aqui que nasceu o projeto WEC-Pro. Quando regressar, pretendo trazer de volta novos conhecimentos, ferramentas e ideias para contribuir ainda mais para a investigação e inovação em curso no setor das energias renováveis marinhas em Portugal”, vaticina Gianmaria Giannini. Universidade do Porto - Portugal


segunda-feira, 4 de março de 2024

Portugal - Instituto de Investigação e Inovação em Saúde recebe Bolseiro Marie Curie da Costa Rica

Carlos Redondo vai produzir hidrogéis com biomateriais supramoleculares para serem usados como veículos de entrega de medicamentos para tratar o glioblastoma multiforme

Durante os próximos dois anos, o investigador Carlos Redondo, natural da Costa Rica, vai integrar e desenvolver o seu projeto de investigação no Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) no âmbito das prestigiadas bolsas de pós-doutoramento Marie Skłodowska-Curie (MSCA-PF), atribuídas pela União Europeia.

O financiamento atribuído a Carlos Redondo, no valor de 157 mil euros, vai financiar o projeto D-PhosMate, que pretende aumentar as opções terapêuticas para o glioblastoma multiforme, um tipo de tumor cerebral de rápido crescimento e muito agressivo.

Carlos Redondo, químico de formação, explica que escolheu o grupo do i3S «Molecular Biomaterials», da investigadora Helena Azevedo, devido à sua “reputação internacional na área da aplicação de péptidos com capacidade de auto-organização em bionanotecnologia, bem como na excelente infraestrutura científica proporcionada pelo instituto. Estas condições únicas irão facilitar a translação do D-PhosMate para a prática pré-clínica e clínica”.

No âmbito do seu projeto, Carlos Redondo vai produzir hidrogéis com biomateriais supramoleculares para serem usados como veículos de entrega de agentes terapêuticos. Os hidrogéis, explica o investigador, “são biocompatíveis, biodegradáveis, o seu desenho molecular minimiza possíveis respostas imunes indesejáveis, e seriam facilmente produzidos em larga escala”. Além disso, acrescenta, “podem ser carregados com fármacos ou células e administrados de forma minimamente invasiva através de injeção direta em tecidos superficiais ou através de cateteres em tecidos profundos”.

O trabalho que Carlos Redondo vai desenvolver tem em vista duas aplicações muito concretas destes hidrogéis: “O tratamento pós-operatório do glioblastoma multiforme e a realização de estudos in vitro sobre os mecanismos moleculares responsáveis pelas calcificações ectópicas de vários órgãos, nomeadamente rins, articulações, válvulas cardíacas e artérias”.

As ferramentas moleculares fornecidas pelo projeto D-PhosMate, sublinha o investigador, “vão aumentar as opções terapêuticas disponíveis para o cancro, contribuir para melhorar a investigação pré-clínica, aumentando as taxas de sucesso dos ensaios clínicos, e melhorar a qualidade de vida dos doentes que necessitam de terapias inovadoras”.

Sobre as bolsas de pós-doutoramento Marie Skłodowska – Curie

Inspiradas no nome da cientista franco-polaca galardoada com dois Prémios Nobel e reputada pelo seu trabalho no domínio da radioatividade, as Bolsas Marie Skłodowska-Curie financiam a investigação e inovação de excelência e apoiam os investigadores, em todas as fases da sua carreira, com novos conhecimentos e competências, através da mobilidade transfronteiras e da exposição a diferentes setores e disciplinas.

As bolsas Marie Curie têm como critérios de avaliação e pontuação a excelência, o impacto e a qualidade e eficiência da implementação dos projetos candidatos. Na decisão final pesam também critérios como a qualidade do supervisor científico e da instituição de acolhimento, sendo avaliada a capacidade destes para auxiliarem no desenvolvimento da carreira científica do investigador.

Estas bolsas são altamente competitivas (foram submetidas mais de oito mil propostas na edição de 2023/2024 e apenas 15 projetos portugueses vão receber financiamento) e têm como objetivo apoiar o potencial criativo e inovador dos investigadores doutorados que apresentem projetos de investigação de excelência e de alto impacto e que pretendam adquirir novas competências através de formação avançada, mobilidade internacional, interdisciplinar e intersetorial. Universidade do Porto - Portugal