Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 13 de outubro de 2023

Luxemburgo – Arte urbana no bairro de Lallange, em Esch-sur-Alzette, realizada por uma pintora portuguesa

A artista Mariana Duarte Santos foi convidada a retratar numa parede a história do bairro de Lallange. Enquanto a lisboeta pintava o mural em Esch-sur-Alzette, o luxemburguês Alain Welter fazia a viagem contrária para dar cor a uma parede de Arroios


Por estes dias, já ninguém passa indiferente àquele mural gigante na Rue de Cologne, no bairro de Lallange, em Esch-sur-Alzette. É uma parede com um jogo de cores a contrastar com o preto e branco, de alto a baixo, num edifício castanho de três andares, com cerca de nove metros de altura. As figuras a preto e branco representam as pessoas e as memórias do passado do bairro, enquanto os elementos coloridos refletem o presente, como as crianças e as casas. É a história de um local luxemburguês contada por uma artista portuguesa.

Mariana Duarte Santos tem 26 anos e é de Lisboa. Nasceu e cresceu na capital, onde cedo começou a desenvolver a sua paixão pela arte. Aos 14 anos já fazia umas "coisas mais a sério" e arranjou os primeiros trabalhos de ilustração. Seguiu estudos artísticos, mas considera que o percurso académico não é muito relevante, porque aprendia mais sozinha ou com outros artistas. Fez pinturas, desenhos e gravuras de ateliê e, há três anos, começou a pintar murais. A partir daí, foram surgindo vários projetos. Um deles levou-a até ao Luxemburgo.

A artista foi convidada a participar num projeto do centro cultural Kulturfabrik e do Centro Luxemburguês de História Contemporânea e Digital da Universidade do Luxemburgo, no âmbito do evento Nuit de la Culture, que promove a descoberta de lugares invulgares e desconhecidos da cidade, e do Esch2022 – Capital Europeia da Cultura. A ideia era fazer uma troca de artistas. Enquanto um luxemburguês ia a Portugal pintar um mural, uma portuguesa vinha ao Luxemburgo fazer a obra homóloga. Alain Welter foi para Lisboa, Mariana veio para Esch.

A lisboeta visitou o Grão-Ducado pela primeira vez em fevereiro, para se encontrar com os habitantes de Lallange e assim se inspirar para contar a história daquele bairro e das pessoas que lá vivem. "Este mural nasceu de uma pesquisa sobre o bairro, através de conversas que tive com as pessoas e com os historiadores da Universidade do Luxemburgo. Depois fiz vários esboços com diferentes propostas e as pessoas votaram naquela que preferiam e mais se identificavam", recordou a artista, que voltou a Esch no início deste mês para concretizar a obra.

O mural foi inaugurado na passada sexta-feira, depois de Mariana ter estado a pintar a parede durante uma semana. À versão original do desenho, a artista acabou por adicionar mais alguns detalhes, como o antigo aeródromo de Esch, que funcionou naquele bairro entre 1937 e 1954 e que permitiu a primeira ligação aérea entre o Luxemburgo e Inglaterra. Em vez de uma estrada, pintou um lago gelado, porque antigamente as pessoas faziam patinagem no gelo dos lagos, que com o tempo e a construção do bairro acabaram por desaparecer.

Também a preto e branco, as tintas que remetem para o passado, a autora desenhou um álbum de fotografias antigas, "como um agradecimento às pessoas que partilharam as suas fotos para o projeto". Outra particularidade que as pessoas referiram foi o contraste entre a natureza e o betão. "Foi um bairro que teve o seu desenvolvimento nos anos 50 e a natureza desapareceu toda. Então incluí uma planta em cima do passeio, para passar a mensagem de que, apesar da construção, a natureza prevalece sempre", explicou Mariana.

"Será que saí de Portugal?"

A obra também faz referência aos muitos emigrantes que vivem no bairro, com uma "conexão à família e aos países de origem". A artista não fez nenhuma ligação com a comunidade portuguesa em particular, mas sim com as "memórias das famílias, porque os emigrantes não são só de Portugal", esclareceu. "É mais sobre o bairro em si, as pessoas que vivem lá, os sentimentos e as memórias do que foi importante para o bairro".

Mariana reconhece que foi um trabalho cansativo, "de manhã à noite, com sol e vento", mas sente que a missão foi cumprida: "É o que eu gosto de fazer e acho que correu bem". Enquanto pintava, os residentes que iam passando na rua paravam para olhar e comentar. "É sempre giro conversar com as pessoas que passam. Dizem que gostam ou fazem perguntas sobre o mural. Um rapaz contou-me que costumava brincar no jardim destas casas. Uma senhora mais velha que vive nesta rua disse que gostou imenso. O mais importante para mim é ver que as pessoas se identificam com o que pintei. É o propósito disto", assegurou.

A maior parte dessas pessoas abordava Mariana em francês ou luxemburguês. "Eu dizia que não percebia. Mas é sempre giro ver as diferentes reações e ouvir os comentários. Ia percebendo pela postura se o que diziam era positivo ou não", contou. A artista também ouvia muitas pessoas a falar português. "A ligação com Portugal é engraçada, porque na primeira vez que vim cá só ouvia português em todo o lado e só pensava ‘será que saí de Portugal? Será que eu perdi o voo?’ (risos). Foi um bocado estranho, mas é bom ver essa grande comunidade portuguesa aqui no Luxemburgo".

Na primeira visita ao Grão-Ducado, a lisboeta não teve a oportunidade de conhecer muito da capital, porque passou mais tempo em Esch. "Gostei imenso de conhecer Esch e de estar cá a trabalhar Visitei alguns sítios e tentei conhecer um pouco, apesar de ter estado pouco tempo", reconheceu. Por ora, Mariana tem outros projetos internacionais, em Santiago de Compostela e na Irlanda, mas tem curiosidade em voltar ao país. "Para visitar a Cidade do Luxemburgo, que acabei por não conhecer. Gostava de voltar a trabalhar cá no futuro". Tiago Rodrigues – Luxemburgo in “Contacto”


segunda-feira, 15 de março de 2021

Hong Kong - Artista portuguesa Maria Imaginário participa na exposição colectiva “Art Bodega”


A artista portuguesa Maria Imaginário leva este mês o seu trabalho até ao Oriente, no âmbito da exposição colectiva “Art Bodega”, a ser inaugurada na quinta-feira, em Hong Kong, e que tem a comida como tema central.

Em “Art Bodega”, serão apresentados trabalhos da artista portuguesa, bem como de dois artistas britânicos – Jon Bugerman e Timothy Gatenby, um sul coreano, Gunwoo Park, e um outro de Hong Kong, 2timesperday -, segundo informação disponível no comunicado de apresentação da mostra, enviado à agência Lusa.

Na exposição será possível ver-se, entre outros trabalhos, esculturas de chupa-chupas e rebuçados, em madeira e cerâmica, em tons pastel, de Maria Imaginário, e as reinterpretações de Timothy Gatenby de famosas personagens de animação, com produtos de ‘fast food’.

“Durante a pandemia, é difícil para todos sair de casa ou até fazer uma refeição num restaurante com amigos. Na situação actual, através de ‘Art Bodega’, esperemos que todos possam ser lembrados de que qualquer tipo de interação pessoal deve sempre ser valorizada, enquanto se aprecia ‘comida’ em forma de arte, que também pode ser servida como comida para o pensamento”, lê-se no texto de apresentação da mostra.

“Art Bodega” está patente até 26 de Março, no K11 Art Mall de Hong Kong, um centro comercial que integra e funciona como espaço expositivo com programação regular. O trabalho de Maria Imaginário, que vive e trabalha entre Lisboa e Londres, tem sido mostrado em feiras e galerias de arte em países como o Reino Unido, Portugal, França, Itália e os Estados Unidos. Maria Imaginário, que começou por pintar nas ruas em 2004, estudou Ilustração e Banda Desenhada no Ar.Co, em Lisboa.

Actualmente, define-se como artista multidisciplinar e, nos últimos anos, tem passado, de forma gradual, as histórias e personagens que cria de pinturas a duas dimensões para uma linguagem tridimensional, com a criação de instalações e esculturas de larga escala. In “Hoje Macau” - Macau