Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 19 de março de 2026

Timor-Leste - Investimentos aproximam o país da China, diz estudo

Um estudo recente destaca como Timor-Leste tem procurado mais investimentos da China como estratégia de desenvolvimento económico e de superação de isolamento geopolítico

O trabalho realizado por William Vogt, membro executivo sénior de política no think-tank The Digital Economist, e por Guilan Massoud-Moghaddam e Robert Miles Chong da Universidade de Georgetown, explora a crescente presença da China em Timor-Leste e o impacto dessa relação no desenvolvimento tecnológico do país.

“A presença chinesa em Timor-Leste ocorre num momento em que três outras nações — Índia, Austrália e Portugal — fornecem ajuda em tecnologias de informação e comunicação, sendo a Austrália o contribuinte mais ativo”, destacou o estudo.

Segundo os autores, a abordagem da política externa tecnológica da China é concebida para desafiar os interesses geopolíticos australianos no Sudeste Asiático, investindo fortemente em áreas essenciais para o desenvolvimento digital timorense, incluindo eletrificação e conectividade.

Timor-Leste tem procurado integrar-se plenamente na Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), embora enfrente escrutínio devido a fragilidades económicas, com “cerca de 42% dos timorenses a viver abaixo do limiar da pobreza e o fundo soberano do país em declínio”.

A adesão, apoiada diplomaticamente por Pequim, abriria acesso ao fundo de cooperação ASEAN–China e a “benefícios económicos tangíveis”, com os investigadores a descrever que Timor-Leste pode estar a recalibrar a sua política externa, privilegiando novas parcerias.

Para os autores, a presença crescente da China em sectores-chave — telecomunicações, energia, agricultura e defesa — sugere que Díli procura superar o isolamento geopolítico e construir uma economia digital funcional. “A China encontra-se bem posicionada para competir oferecendo o trabalho de campeões nacionais como a Huawei, em conjunto com outros fornecedores de energia e tecnologia”, assinalaram.

A companhia China Nuclear Industry 22nd Construction Company, por exemplo adjudicou um contrato de 360 milhões de dólares para melhorar a rede elétrica nacional timorense, enquanto a gigante tecnológica Huawei se afirma como fornecedora central de infraestrutura de Internet.

A Austrália continua a ser um parceiro relevante, financiando cabos de fibra ótica que substituem a dependência timorense de conexões via satélite, contudo Pequim tem avançado em áreas sensíveis, apoiando a Rádio e Televisão de Timor-Leste na digitalização de conteúdos e promovendo um sistema de transmissão televisiva digital terrestre. “A China aumenta o acesso dos timorenses a essas transmissões, criando um destino potencial para propaganda chinesa”, alertam Vogt, Massoud-Moghaddam e Chong.

O estudo descreve também que a cooperação sino-timorense não se limita ao setor civil, pois em julho de 2024 os dois países acordaram reforçar intercâmbios militares e investir em áreas como formação de pessoal, tecnologia de equipamentos e exercícios conjuntos.

Para os autores, esta aproximação reflete uma mudança significativa na política externa timorense, com o presidente José Ramos-Horta a alinhar-se cada vez mais com os interesses chineses. “Díli pode ser persuadida a continuar a aprofundar suas relações com Pequim como estratégia para o desenvolvimento económico contínuo e para a superação do isolamento geopolítico”, acrescentou o estudo.

Além de apoiar a Marinha timorense e integrar Timor-Leste na sua Rota Marítima da Seda, Pequim tem investido em tecnologia agrícola, introduzindo arroz híbrido e métodos como a tecnologia Juncao, aplicados em zonas agrícolas com suporte digital.

Segundo o estudo, os financiamentos são frequentemente canalizados através do China Exim Bank, permitindo a Díli aceder a crédito para obras públicas e projetos digitais, uma parceria é vista como alternativa às limitações de capital interno, dependente das receitas de recursos naturais.

Ao mesmo tempo, o comércio eletrónico é visto como caminho para o desenvolvimento económico moderno e Díli poderá colher frutos ao integrar-se no mercado digital regional, recorrendo às plataformas e produtos chineses. In “Ponto Final” – Macau com “Lusa”


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