Reunidos de sábado, 28, a domingo, 29 de março de 2026, em Balantacounda, os membros e representantes da JICASA demonstraram uma determinação inequívoca em continuar a luta pela independência da Casamansa, num contexto marcado por tensões persistentes na sub-região.
Impulsionada pelo forte apoio de Kassa, Fouladou, Pakao e
Fogny, a reunião também contou com a participação notável de delegações da
Gâmbia, Guiné-Bissau, Mali e Guiné. Para os organizadores, esta participação
reflete a crescente solidariedade regional com a causa da Casamansa.
Numa declaração contundente, a JICASA prestou uma
homenagem entusiasmada aos combatentes da ATIKA, destacando as recentes
vitórias militares contra as forças senegalesas entre fevereiro e março de
2026. O movimento considera essas ações como prova de uma resistência que
permanece ativa e determinada no terreno.
Além do aspecto militar, a JICASA destaca os progressos
políticos que considera significativos, enfatizando o papel central da
diáspora. Esta última é elogiada pelo seu compromisso com as populações
deslocadas e os refugiados da Casamansa na Gâmbia e na Guiné-Bissau, numa
demonstração de solidariedade considerada "vital ".
O movimento condenou veementemente a situação dos 21
presos políticos da Casamansa detidos sem julgamento no Senegal, descrevendo-a
como uma " flagrante injustiça " e exigindo a sua libertação
imediata.
Outro ponto de discórdia: a governação na Casamansa. A
JICASA critica as nomeações administrativas e coloniais impostas (governadores,
prefeitos, administradores civis, diretores, médicos, juízes, comissários e
comandantes), que compara a práticas de outra época, denunciando uma
persistente marginalização das populações locais.
Nesse mesmo sentido, os jovens separatistas apontam para
o silêncio dos deputados da Casamansa diante dos recentes acontecimentos
trágicos, um silêncio que consideram " inaceitável ", especialmente
em comparação com os debates no Parlamento da Gâmbia sobre a situação na
Casamansa.
À luz destas descobertas, a JICASA apela para uma maior
mobilização de todas as forças ativas — autoridades religiosas e tradicionais,
sociedade civil e diáspora — para alcançar uma paz duradoura, mas também para
apoiar o que considera uma luta legítima pela dignidade, justiça e
autodeterminação.
Numa Casamansa marcada por mais de quatro décadas de
conflito entre o exército senegalês e os combatentes do Movimento das Forças
Democráticas da Casamansa (MFDC), esta nova posição confirma que a questão da
Casamansa permanece sem solução e continua a cristalizar tensões e aspirações. Balanta
Mané – Casamansa in “Le Journal du Pays”
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