quinta-feira, 2 de abril de 2026

São Tomé e Príncipe - Apresentação do meu livro “Meu Nome é Joaquim. Fragmentos de Memória”

Há vidas que se contam em linha reta. E há outras - como esta - que só podem ser compreendidas em fragmentos.


Nasci antes da independência de São Tomé e Príncipe. Carrego memórias de um tempo que já não existe e de sonhos de um tempo que ainda não chegou.

Fragmentos de Memórias não é apenas um livro. É uma tentativa de reunir, entre ruínas e iluminações, aquilo que fomos, aquilo que perdemos e aquilo que, apesar de tudo, insistimos em ser.

Michel Montaigne escreveu” eu mesmo sou a matéria do meu livro”. E é nesse território onde o autor se torna objeto e a vida se transforma em reflexão que este texto habita.

Não há aqui a pretensão de oferecer respostas definitivas. Há, antes, a humildade de quem aprendeu que viver, é acima de tudo interrogar-se. A vida não se revela aos que têm certezas absolutas. Revela-se aos que aceitam duvidar. A dúvida, tantas vezes confundidas com fraqueza, pode ser uma forma superior de equilíbrio. É ela que nos afasta do fanatismo das convicções rígidas e nos devolve a nossa condição humana: imperfeita, inacabada, em constante construção. Neste sentido, o espírito de Hermann Hesse atravessa essas páginas. Em obras como Sidarta, o caminho não aparece como linha reta, mas como uma travessia feita de erros, ruturas e reencontros.

Este livro nasce dessa travessia. Não é uma celebração do sucesso, nem um lamento contínuo pelas quedas. É sobretudo um testemunho: o testemunho de alguém que olhou para dentro de si e aceitou o desconforto de não encontrar respostas fáceis. De alguém que percebeu que a maturidade não está em saber mais, mas em duvidar melhor.

Vivemos num tempo que exige certezas rápidas, opiniões firmes, identidades sólidas. Mas o ser humano não é sólido. É contraditório, mutável, fragmentado. E talvez seja exatamente nessa fragmentação que reside a sua verdade mais honesta.

Escrever sobre nós mesmos nunca é simples. Exige permanecer diante do que somos o tempo suficiente para não mentir.

Durante muito tempo, pensei que viver era ter razão. Hoje sei que viver é aprender a escutar, a hesitar, a voltar atrás. É aprender a duvidar não como fraqueza, mas como respeito pela complexidade da vida.

Há uma geração, a que nasceu depois da independência, que hoje pergunta: valeu a pena? Não fujo a esta pergunta.

Quem viveu antes… sabe o que foi sonhado. Quem vive agora sabe o que ficou por cumprir. E eu, como muitos de nós, encontro-me no meio disto tudo: entre o que fomos … e o que ainda não conseguimos ser.

Este livro não responde à pergunta se valeu a pena. Mas também não a evita. Permanece diante dela.

Hermann Hesse escreveu sobre caminhos interiores, sobre perder-se para encontrar-se.

Mas eu aprendi que nem sempre nos perdemos sozinhos. Por vezes perdemo-nos como país.

E, se houver caminho de volta, teremos de o fazer juntos.

Cada fragmento aqui reunido é uma tentativa de encontrar sentido. Mas é também o reconhecimento da sua impossibilidade plena. Viver é, inevitavelmente, não compreender tudo e ainda assim continuar.

Se alguma sabedoria atravessa estas páginas, ela não está nas respostas que oferecem, mas nas perguntas que se recusam a morrer: perguntas sobre o amor, o tempo, o poder, a solidão, e a memória. Perguntas que não pretendem encerrar-se, mas abrir caminhos.

Talvez seja esse, no fim, um dos sentidos da vida: não alcançar uma verdade final, mas aprender a habitar a incerteza com serenidade.

Ao chegar ao fim, talvez o leitor descubra que não tenho respostas para lhes dar.

Tenho apenas isto, fragmentos de uma vida, sem filtros e sem defesas.

E talvez seja esse o ponto mais próximo a que conseguimos chegar da verdade. E se, no meio destas páginas, alguém encontrar um pedaço de si mesmo, então talvez tenha valido a pena.

Muito obrigado. Rafael Branco – São Tomé e Príncipe in “Téla Nón”


Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe reforçam cooperação

O encontro bilateral, realizado à margem da XI Cúpula da OASCP em Malabo, serviu para avaliar os acordos existentes e projetar novas linhas de colaboração entre os dois estados insulares


O Presidente da República, Obiang Nguema Mbasogo, recebeu este domingo, 29 de Março, em audiência o seu homólogo são-tomense, Carlos Vila Nova, na Sala de Conferências Internacional do Sipopo, no âmbito dos trabalhos da XI Cimeira da Organização dos Estados de África, Caraíbas e Pacífico (OACPS), que se realiza em Malabo.

Durante o encontro, ambos os chefes de Estado felicitaram-se mutuamente pela participação ativa dos seus respectivos países nos debates da cúpula, que este ano decorre sob o tema "Uma organização transformada e renovada num mundo em constante mudança".

O encontro também proporcionou uma oportunidade para analisar o estado das relações bilaterais entre a Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe, duas nações unidas por laços históricos de amizade, boa vizinhança e cooperação estratégica em áreas como energia e segurança marítima no Golfo da Guiné.

Um dos pontos centrais da audiência foi a avaliação do nível de implementação dos acordos assinados entre os dois países, em particular aqueles relacionados ao tratado de delimitação marítima assinado em 1999 e à exploração conjunta de hidrocarbonetos em áreas transfronteiriças.

O encontro diplomático tornou-se, assim, uma plataforma favorável para reafirmar a vontade política de ambas as administrações em continuar a consolidar os seus laços, promover novas áreas de cooperação e reforçar a coordenação em matérias de interesse comum.

Os precedentes mais recentes para este diálogo presidencial incluem a última visita do presidente de Santo Tomé a Malabo, em 5 de junho de 2025, por ocasião da XXVI Cimeira Ordinária da CEEAC, o que demonstra a continuidade dos contactos ao mais alto nível entre os dois governos.

A Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe também partilham espaços de consulta no âmbito de organizações como a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, a Comunidade Económica dos Estados da África Central e a Organização dos Estados da África, das Caraíbas e do Pacífico, onde mantêm posições convergentes em matéria de integração regional, desenvolvimento e segurança. Catalina Nchama – Guiné Equatorial in “Real Equatorial Guinea”


Angola - Escritoras defendem valorização da literatura infantil diante de crise crescente

Já foi o tempo em que o livro e a literatura infantil, numa data simbólica como a de hoje, 2 de Abril, faziam o deleite das crianças nas escolas, nos centros infantis, no ambiente familiar, nas avenidas e nos parques de diversão do país, onde cada uma procurava mostrar ao público as suas habilidades nos recitais, na leitura e na interpretação, nos contos, nos concursos de redacção e nas brincadeiras


Para trás, ficaram apenas lembranças de um princípio criativo e pedagógico que muito contribuiu para o amplo sucesso de muitas crianças da época no domínio da leitura e no desenvolvimento do seu género por parte de autores, de promotores, de familiares, de encarregados de educação e de núcleos de desenvolvimento de leitura pública.

Hoje, lamentavelmente, estas acções pedagógicas e de entretenimento deixaram de fazer parte do roteiro dos petizes e do cronograma institucional do Estado, sendo relegado para o segundo plano, situação que tem interferido negativamente na sua capacidade de desenvolvimento cognitivo.

Curiosamente, pouco ou nada tem sido feito por parte das instituições de direito para replicar as iniciativas que anteriormente despertavam os piôs, para que o livro se tornasse um amigo inseparável no seu seio, assim como da família. Mas, apesar de tudo, algumas iniciativas do fórum privado (pessoal, colectiva) vêm registando um pouco pelo país adentro, com parcos recursos, apenas para agradar os miúdos, enquanto as instituições de direito fazem-se passar despercebidos em relação ao assunto. Augusto Nunes – Angola in “O País”




África - Boicota Cimeira Africana das Energias em Londres

"Não participamos em ambientes onde jovens moçambicanos são discriminados apenas com base na cor da pele e não nas suas qualificações ou méritos decorrentes da experiência", justificou o presidente da Câmara de Energia de Moçambique, Florival Mucave. Outros produtores de petróleo africanos juntaram-se ao boicote


Os ministros africanos do Petróleo anunciaram um boicote à Cimeira Africana das Energias (AES), que terá lugar de 12 a 14 de Maio em Londres, por "sérias preocupações" relacionadas com o conteúdo local, argumentando que esta é "uma prioridade inegociável" para a indústria petrolífera do continente.

A decisão, divulgada pela Câmara de Energia Africana, é anunciada dias depois de Moçambique acusar a entidade organizadora, a Frontier Energy Network, de "discriminação", por se recusar a pôr fim à política de não contratação de profissionais negros e resistir aos apelos para divulgar dados sobre a diversidade da força de trabalho.

"A Cimeira Africana de Energias obtém a maior parte das suas receitas de África, mas o seu padrão de discriminação equivale a um bloqueio intencional aos profissionais negros", resume a Câmara Africana de Energia (AEC, na sigla em inglês), num comunicado onde anuncia a decisão de Moçambique de se retirar da Africa Energies Summit 2026, numa altura em que o país está a reiniciar megaprojetos de gás e a pressionar para que os projectos sejam abertos a talentos locais.

Já o presidente da Câmara de Energia de Moçambique, Florival Mucave, afirma que "em 2026, este não é o comportamento que se espera de quem quer que seja que utilize o nome de África", descartando a ida do país a Londres. "Não participamos em ambientes onde jovens moçambicanos são discriminados apenas com base na cor da pele e não nas suas qualificações ou méritos decorrentes da experiência", justifica.

A decisão de Moçambique acabou por ser seguida por outros países produtores de petróleo e gás africanos, que, ao boicotar o evento em Londres, enviam uma mensagem clara. "Se Gayle Meikle, da Irlanda, e Daniel Davidson, da Escócia, alterarem a sua política para que seja mais inclusiva, muitos africanos trabalharão com eles. As políticas de exclusão não reflectem os nossos valores nem os da indústria petrolífera.

A Frontier tem uma oportunidade incrível de fazer o que está certo", frisou NJ Ayuk, presidente executivo da Câmara Africana de Energia. Por outro lado, as nações produtoras de petróleo do continente enviam "um forte sinal" de que as plataformas do sector que operam sob a bandeira da energia africana "devem reflectir os valores e os objectivos de desenvolvimento do continente", acrescenta.

Compromisso com África

A Câmara Africana de Energia lembra que, em todos os sectores do oil & gas, tantos os mercados emergentes como os já estabelecidos estão a integrar políticas de conteúdo local, como forma de catalisar a criação de emprego, a participação local e o desenvolvimento de competências. Para isso, têm feito alterações à regulamentação interna, como mostram a Lei de Desenvolvimento de Conteúdo da Indústria do Petróleo e do Gás da Nigéria (NOGIC) e a Lei de Conteúdo Local de Angola, que "proporcionaram uma base sólida para a implementação do conteúdo local".

A Câmara Africana de Energia aponta ainda o projecto Greater Tortue Ahmeyim (GTA) no Senegal e na Mauritânia, que não só destina uma parte do gás a cada mercado interno, como apresenta uma estratégia de conteúdo local multifacetada centrada na cadeia de abastecimento, no desenvolvimento da força de trabalho e no investimento social.

Aponta ainda o projecto EG LNG na Guiné Equatorial como "um importante impulsionador" do conteúdo local. Em funcionamento desde 2007, o projecto "tem colocado ênfase no desenvolvimento e integração da força de trabalho local por meio de várias iniciativas que promovem a participação e um apoio económico mais amplo". Isabel Bordalo – Angola in “Expansão”


Brasil - Flávio quer intervenção de Trump no país se perder em outubro

Depois do comício pelas Reformas de Base no 13 de março de 1964, a queda do presidente Jango Goulart era questão de dias. Esta não é uma simples lembrança do golpe militar ocorrido há 62 anos, vale como uma advertência, pois tem gente querendo repetir a dose, com uma diferença: a situação política no Brasil de hoje nada tem a ver com o clima político da época de Goulart. Essa nova tentativa de golpe quer aproveitar o momento favorável da presidência de Donald Trump nos EUA.

Ninguém esqueceu dos esforços de Eduardo Bolsonaro, quando ainda deputado federal, junto ao governo Trump, por uma intervenção dos EUA no Supremo Tribunal Federal, conseguindo incluir o ministro Alexandre de Moraes em todos os rigores da lei Magnitsky, e a revogação do visto de entrada nos e EUA para outros 14 outros nomes do Judiciário, Ministério Público e Advocacia Pública.

A tentativa golpista acabou sendo prejudicial ao próprio Eduardo, mas isso não desestimulou seu irmão Flávio, agora candidato à presidência, de continuar no mesmo caminho. A atração exercida sobre os filhos de Bolsonaro pelo golpismo levou o próprio jornal Estadão a elaborar a teoria de ser genética essa tendência. Na verdade, seria mais que uma simples tendência natural, e sim uma estratégia empregada diante de resistência e obstáculos contrariando seus desejos e objetivos.

É importante assinalar essa posição do Estadão, uma espécie de mea culpa por ter se aliado aos militares golpistas em 1964. Lembro-me bem do telegrama recebido do velho Mesquita, quando secretariava, ao lado de Mário Martins, a última grande reunião pública de crítica e protesto contra a ditadura, o Encontro com a Liberdade, em janeiro de 1967, no Teatro Paramount abarrotado, em São Paulo.

No telegrama, o velho Mesquita se solidarizava com o Encontro contra a Lei de Imprensa. Enquanto eu lia o telegrama, esperava uma reação positiva daquele grande público formado, na grande maioria, de jovens. Mas veio, para minha surpresa, uma enorme vaia contra o Estadão e contra os Mesquitas.

No dia seguinte, o jornal deu algumas linhas ao Encontro sem mencionar as vaias. Sempre me ficou a impressão de se ter perdido ali uma grande oportunidade de união contra a ditadura, mas os ânimos estavam excitados e a moçada universitária de esquerda não perdoava o apoio do Estadão ao Golpe, três anos atrás.

Tantos anos depois, o candidato Flávio à presidência, da dinastia Bolsonaro, não aceitou a derrota golpista do pai e foi aos EUA, com já fizera seu irmão pedir apoio da extrema-direita, direta, evangélicos norte-americanos para uma nova tentativa golpista, desta vez com o apoio do presidente Trump. Indiretamente, Flávio sugere que Trump poderia repetir a extração do presidente Lula do Palácio do Planalto em Brasília, como fizera com Maduro em Caracas.

O argumento é o mesmo já empregado por Trump e por Bolsonaro:  se Flávio Bolsonaro ganhar em outubro, as eleições terão sido livres e corretas, mas se Flávio perder, terá havido fraude nas eleições e os EUA deverão intervir! E como reagem os patriotas vestidos com a bandeira ou com as cores da nossa bandeira?

Isso é grave, não se trata de uma hipótese de intervenção no Brasil, mas de um pedido quase direto de intervenção de um candidato à presidência, considerado pelas primeiras sondagens em situação de empate com Lula. Ou seja, se perder poderá provocar um novo 8 de janeiro para justificar uma intervenção militar norte-americana. Se ganhar, irá governar como um vassalo de Trump, um lacaio, um vendido, um entreguista de nossas riquezas e um traidor.

O próprio Estadão não deixa por menos no seu editorial com o título “Tal pai, tal filho”. O jornal se reporta ao discurso de Flávio Bolsonaro na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), um ponto de encontro da extrema-direita em Dallas, onde não pronunciam só discursos, mas se tramam golpes.

E continua o Estadão: Flávio defendeu o monitoramento das eleições brasileiras pelos EUA e sugeriu pressões diplomáticas externas para "garantir um pleito livre e justo", alegando que se perder terá havido fraude e manipulação nas eleições. Isso deveria ser suficiente para um processo de tentativa pré-golpista! Rui Martins – Suíça

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Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. Criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Estudou no IRFED, l’Institut International de Recherche et de Formation Éducation et Développement, fez mestrado no Institut Français de Presse, em Paris, e Direito na USP. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

 

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Portugal - Investigadores da Universidade de Coimbra alertam que a avaliação da saúde dos rios em Portugal está incompleta e propõem um método complementar

Um estudo coordenado pelo MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), em colaboração com o laboratório Rede de Investigação Aquática (ARNET), alerta que a avaliação da saúde dos rios em Portugal está incompleta e propõe um método complementar baseado na decomposição da matéria vegetal.


O trabalho, intitulado “Moderators of Organic Matter Decomposition in Portuguese Streams: A Field Study and Literature Review” e publicado na revista Freshwater Biology, envolveu 23 investigadores de sete instituições nacionais. A equipa analisou a decomposição de folhas e madeira em 37 ribeiros do continente e da Madeira, e realizou uma revisão de 61 estudos prévios sobre decomposição de detritos vegetais em rios portugueses.

Segundo os investigadores, medir a taxa de decomposição da matéria vegetal permite avaliar a integridade funcional dos ecossistemas aquáticos, um aspeto que não é considerado na avaliação oficial, que se baseia quase exclusivamente em indicadores estruturais, como as comunidades aquáticas ou a qualidade da água.

“Mesmo entre ribeiros praticamente intactos, observamos grande variabilidade nas taxas de decomposição”, afirma Verónica Ferreira, coordenadora do estudo. “Só conhecendo as taxas naturais de decomposição é possível identificar desvios que indiquem perturbações, mesmo antes de serem visíveis nas comunidades aquáticas.”

O estudo revela, ainda, que fatores como o tipo de detrito vegetal, a presença de macroinvertebrados fragmentadores, a temperatura da água, o regime hidrológico, a estação do ano e a composição química da água influenciam a velocidade de decomposição. Ribeiros permanentes e intermitentes apresentam dinâmicas distintas, refletindo diferenças na disponibilidade de água e na atividade biológica ao longo do ano.

Os autores defendem a padronização dos métodos de medição das taxas de decomposição - incluindo o tipo de detrito a usar, a duração da incubação e o acesso dos invertebrados - como ferramenta robusta para avaliação funcional e comparações entre diferentes ecossistemas.

“Este trabalho estimula a integração de indicadores funcionais na avaliação da saúde dos rios, permitindo uma visão mais completa e realista da condição destes ecossistemas”, concluem os investigadores. Universidade de Coimbra - Portugal


Índia - Vai combater a obesidade com injecções genéricas e baratas

Uma onda de medicamentos para emagrecer está prestes a transformar a luta global contra a obesidade, com a Índia a preparar-se para lançar versões genéricas de baixo custo de injecções como o Ozempic. A medida irá alargar drasticamente o acesso a tratamentos que há muito são considerados um luxo, especialmente nos países de rendimento médio, onde a crescente procura destes medicamentos choca com os preços elevados.


Nas clínicas de toda a cidade de Bombaim, os médicos notam um aumento do número de pacientes. Mais de 50 pessoas procuram o consultório do endocrinologista Nadeem Rais todas as semanas em busca de injecções para emagrecer.

“Temos cerca de 70 a 80 doentes em tratamento activo neste momento. Quando os genéricos forem lançados e os preços descerem, este número poderá facilmente chegar aos 200”, disse.

Segundo a sua colega, a Dra. Sunera Ghai, a procura é “muito elevada”, mas muitos “provavelmente não estão a consumir porque, neste momento, é realmente um artigo de luxo”.

A descoberta surge após a expiração da patente da semaglutida – princípio activo de medicamentos como o Ozempic e o Wegovy – na Índia, maior fornecedor mundial de medicamentos genéricos. Até ao final de 2026, as principais patentes da semaglutida expirarão em 10 países que representam 48% da carga global de obesidade, de acordo com um estudo publicado no início de Março por investigadores. Estes países incluem Brasil, China, África do Sul, Turquia e Canadá.

Para os gigantes farmacêuticos indianos, isto marca o início de uma nova e agressiva corrida. Pelo menos quatro grandes empresas já prepararam injecções genéricas de semaglutida, de acordo com os registos regulamentares e os documentos de conformidade.

Algumas, incluindo a Zydus Lifesciences, anunciaram lançamentos “no primeiro dia”, sugerindo que as versões genéricas poderão estar disponíveis já esta semana na Índia.

A empresa de estudos Pharmarack estima que o mercado indiano será em breve inundado de opções. “Mais de 50 marcas serão lançadas no mercado e mais de 40 empresas estarão a lançar estes medicamentos”, disse Sheetal Sapale, vice-presidente da Pharmarack.

O momento coincide com a mudança do panorama da saúde na Índia. Embora, segundo a Organização Mundial de Saúde, o país ainda represente um terço da subnutrição mundial, o aumento dos rendimentos e o estilo de vida urbano impulsionaram drasticamente as taxas de obesidade. Dados governamentais divulgados em Março de 2025 mostram que 24% das mulheres e 23% dos homens têm excesso de peso ou são obesos na Índia.

“Quando uma pessoa começa a ganhar dinheiro, torna-se mais sedentária”, disse o cirurgião Sanjay Borude, assinalando que “em contraste, no Primeiro Mundo, quando as pessoas ganham mais dinheiro, tornam-se mais activas e também dedicam mais tempo à saúde”.

Esta inversão da dinâmica económica tem sido muito benéfica para grandes empresas farmacêuticas como a Eli Lilly e a Novo Nordisk, que têm lucrado bastante com o mercado.

As vendas de medicamentos para emagrecer na Índia cresceram 10 vezes em cinco anos, atingindo 153 milhões de dólares em 2026, e a projecção é de que ultrapassem os 500 mil milhões até 2030.

Mas o uso destes medicamentos pode causar efeitos secundários, incluindo náuseas e problemas gastrointestinais. O Mounjaro, da Eli Lilly, tornou-se o medicamento mais vendido na Índia em 2025, ultrapassando mesmo os antibióticos comuns.

Ainda assim, os preços elevados – frequentemente entre 15.000 e 22.000 rupias (1300 a 1900 patacas) por mês – limitam o acesso, afirma a Dra. Swati Pradhan, que gere uma clínica de emagrecimento em Bombaim e que prevê um aumento do número de doentes quando os genéricos reduzirem o custo do tratamento para perto de 5000 rupias por mês.

O impacto internacional pode ser ainda mais profundo. A Índia fornece mais de metade dos medicamentos genéricos de África, e a semaglutida mais barata pode tornar-se uma tábua de salvação para os países onde a obesidade está a aumentar rapidamente.

“A semaglutida a um custo mais baixo pode expandir significativamente o acesso a um tratamento eficaz, particularmente nos países de rendimento médio, onde o preço tem sido uma grande barreira”, afirmou Simon Barquera, presidente da Federação Mundial da Obesidade, observando que “os medicamentos genéricos são um passo importante para quebrar a barreira de acesso, agora que a barreira científica foi ultrapassada”.

As empresas indianas serão uma força motriz fundamental, com a Reddy’s Laboratories a planear lançar a sua versão da semaglutida no Canadá até Maio de 2026.

Para doentes como Sukant Mangal, de 46 anos, que perdeu quase 14 kg em oito meses, um acesso mais alargado ao medicamento não podia chegar em melhor altura. Muitas pessoas que ele conhece simplesmente abandonaram o tratamento a meio quando perceberam que teriam de gastar 20.000 rupias por mês durante sete a oito meses.

“Se fosse mais barato, teria sido muito mais fácil obter o medicamento”, concluiu à agência AFP. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “AFP”


Moçambique - Celestino António Kasten lança a sua biografia em Tete

No dia 03 de Abril, pelas 16 horas, o Monumento e Centro de Interpretação Samora Machel, na cidade de Tete, vai acolher o lançamento do livro A resiliência do meu espírito, biografia de Celestino António Kasten. A apresentação do livro estará a cargo do Reverendo Dr. Júlio Calengo.


De forma sincera e envolvente, Celestino António Kasten revisita as várias etapas da sua vida, desde as origens humildes no bairro que o viu crescer, passando pelos tempos estudantis e pela experiência militar, até à formação em instituições de ensino técnico e superior. Entre desafios, superações e peripécias que marcaram o seu percurso, o autor revela como a força interior e a determinação moldaram a sua identidade.

Mais do que um simples relato biográfico, este livro é um testemunho de coragem, transformação e fé na capacidade humana de recomeçar.

Celestino António Kasten é Instrutor e Técnico em Pedagogia e Andragogia no Serviço Distrital de Educação, Juventude e Tecnologia de Moatize, Mestrado em Administração e Gestão Escolar pela Universidade Púnguè e Licenciado em História Política e Gestão Pública pela extinta Universidade Pedagógica – Delegação de Tete. Tem diversos artigos de índole didáctico-pedagógico. Multifacetado, é também assessor político.

Júlio Calengo é Reverendo Padre da Igreja Anglicana afecto em Changara e Moatize. É também jurista, activista social, cantor e escritor. É formado em Direitos Humanos pelo Instituto Internacional René Cassin, Licenciado em Teologia e Ciências de Educação pelo Instituto Superior Hefsiba, mestrando em Teologia pelo Tinity University, e está a especializar-se em Ciências de Formação para Docência Superior Teológica pela TEDS – África do Sul com aulas semi-presenciais em Angola. É director geral da Associação dos Direitos Humanos de Tete, por si fundada, e director dos programas sociais da Igreja Anglicana em Tete. É também membro do Conselho Empresarial de Tete, onde desempenha funções de Presidente do Pelouro do Desenvolvimento do Capital Humano. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Fundação Calouste Gulbenkian - O Portugal de Todd Webb

10 abr – 27 jul, Galeria do Piso Inferior – Edifício Sede


Pouco conhecido em Portugal, Todd Webb (1905-2000) foi um dos mais relevantes fotógrafos americanos da 2.ª metade do século XX, tendo-se afirmado como um atento observador da vida quotidiana, dos espaços urbanos e das comunidades.

          A sua obra vai ser apresentada pela primeira vez em Portugal, numa exposição com curadoria de Jorge Calado. Ao todo, serão expostas 61 fotografias inéditas resultantes das três viagens que o artista realizou em Portugal e que foram recentemente doadas à Biblioteca de Arte pelo Todd Webb Archive.

Saiba mais aqui. Fundação Calouste Gulbenkian - Portugal


Brasil - Clubes jovens fortalecem autonomia feminina para jovens e mulheres

Proposta é mudar contextos dominados por homens, oportunidades de misoginia e ensinar jovens a defender-se na esfera digital. A ONG Girls Up nasceu nos EUA e alastra-se a outros países. A socióloga Munah Munek disse à ONU News que debate entre meninas e meninos é essencial para construção de uma nova realidade


Quem ouve as jovens? Uma jovem brasileira que lidera clubes para jovens defende que elas precisam ocupar espaços de destaque, desde a própria comunidade até os grandes centros de poder.

Já uma socióloga participante na 70.ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, CSW, considera urgente conquistar o direito e a legitimidade de falar de igual para igual.

Impacto na Sociedade

Neste mês de março, o Mês da Mulher, levou milhares de vozes femininas a Nova Iorque. Na sede da ONU, a 70.ª CSW teve brasileiras da iniciativa global Girl Up promovendo um evento especial com foco na saúde menstrual de adolescentes e principais perguntas de milhares de jovens.

Em 2026, os debates foram guiados pelo lema: “Justiça. Ação. Para todas as Mulheres e Meninas”. Em pauta: o direito à liderança, o acesso aos espaços de decisão e a luta ativa contra a desigualdade e a violência.

A ONU News conversou com Lucília, representante da ONG Girls Up. Ela atua diretamente com clubes locais que ajudam a quebrar as barreiras impostas às mulheres, na expectativa de mudar a trajetória e o futuro dessas jovens.

“O que acontece muito é que, às vezes, nós não temos voz, nós meninas mais jovens, acabamos não tendo tanta voz nos debates e existem muitas questões que as meninas precisam que sejam ditas. Então, um dos tópicos que a gente vem falando muito sobre ultimamente é a dignidade menstrual, como as necessidades que certas meninas têm com relação à sua saúde menstrual. Elas precisam ser ouvidas, quais as adaptações que precisam ser feitas, mas essa voz muitas vezes não ecoa onde ela precisa ecoar. Então, nós viemos aqui como uma forma de trazer essa mensagem, que essas meninas precisam que cheguem mais longe para que elas sejam atendidas.”

Expor o que jovens passam e precisam

Quem também participou da conversa foi a socióloga Munah Munek. Na conversa com a ONU News, ela ressalta que abrir espaço para a juventude debater e expor as suas necessidades é essencial, seja para meninos ou meninas.

Segundo a especialista, nada supera a sensação de saber que a sua voz tem valor.

“É um sentimento muito bom de abertura, realmente, porque, como eu falei, às vezes esse espaço não é aberto. Então, quando nós conseguimos abrir esse espaço e esses jovens e essas jovens, meninos, meninas, quando todos conseguem sentir que o espaço foi aberto para que o debate aconteça, para que nós consigamos trazer as nossas perguntas, é uma coisa muito boa, porque não existe nada melhor do que sentir que você está sendo ouvido. Então, é uma coisa realmente muito gratificante ver essas meninas, esses jovens, podendo trazer a sua realidade, falar, é isso aqui que acontece na minha região, na minha casa foi desse jeito, e essas pessoas sentem que, finalmente, estão podendo expor aquilo que elas passam e que elas precisam.”

Estratégias de segurança digital

A presença da Girl Up vai muito além do Brasil: trata-se de uma força global. Nascida nos Estados Unidos, a ONG atua em nações como México, Chile, Argentina e Índia, moldando as suas ações de acordo com as necessidades específicas de cada região.

A apresentação mostrou estratégias que as jovens usam para reivindicar direitos e engajar outras meninas de forma presencial ou virtual. Além disso, destacou a necessidade de fortalecer a conexão com jovens de outros continentes.

“Na Girls Up Brasil, a gente tem algumas parcerias para esse projeto, em especial, sobre saúde menstrual, que a gente vai falar hoje, nós temos a parceria do Instituto Alana, que é um instituto também que trabalha para promover a igualdade, o crescimento, o desenvolvimento de crianças no Brasil, e a Girls Up Brasil também se organiza em diversas frentes, além de menstruação. Nós trabalhamos também com democracia, com política, encorajando meninas a não só se candidatarem, serem lideranças, mas também trabalharem para promover o voto jovem, para consciencialização política pela democracia, trabalhamos também com as áreas de tecnologias, meninas nas ciências, estamos muito enfocadas também em seguranças e estratégias de segurança digital, e com o nosso pilar de saúde, onde está a saúde menstrual, a saúde mental, também trabalhando esses eixos.”

No diálogo, Munah Munek destacou ainda um avanço recente e importante para meninas na busca por equidade: a segurança digital dos menores, agora garantida por lei modernizada no Brasil.

Em vigor desde 17 de março, o chamado ECA Digital atualiza o Estatuto da Criança e do Adolescente e moderniza a proteção dos jovens na internet.

“ECA é o Estatuto da Criança e do Adolescente, que é uma lei que nós temos no Brasil, se eu não me engano é desde 1992, é uma lei extremamente sofisticada no que tange à proteção dos direitos de crianças e adolescentes, desde garantir a eles o acesso à vida comunitária, o direito à saúde, educação, lazer, ao brincar, colocando crianças e adolescentes como prioridade absoluta em todos os temas que tangenciam as nossas vidas. O que a gente faz na Guerra UP é aumentar, extrapolar essa questão da segurança, também dando para essas jovens que trabalham, que estão dentro da nossa rede, conectadas dentro da nossa comunidade, a possibilidade de exercerem as suas lideranças”.

Para Munah, atualizar as ferramentas de segurança digital, criar um senso de comunidade e formar líderes são passos que transformam a realidade de milhares de meninas.

Maior projeção

Lucília, por sua vez, faz um alerta: é urgente que as meninas sejam ouvidas em todos os níveis de decisão. Ela acredita que, ao dar espaço para essas vozes, as jovens passarão a ocupar lugares de destaque, desde o dia a dia na comunidade até os grandes centros de poder.

"A primeira coisa que todas nós queremos é que o mundo esteja aberto a nos escutar, não só sobre a nossa saúde, mas, como a Munah falou, a Girl Up atua em diversos temas e nós queremos fazer parte de todos esses temas. Isso não significa necessariamente estar na ONU ou estar no Congresso Nacional, óbvio que estar nesses lugares é uma coisa maravilhosa, a Girl Up Brasil já esteve nos dois, então é claro que nós queremos essas oportunidades também, mas se nós pudermos ser ouvidas nas nossas casas, nas nossas ruas, bairros, cidades, onde tudo começa, exatamente, dos lugares menores aos de maior projeção, se nós pudermos ser escutadas em todos os temas que têm algo a ver com a nossa existência, aí eu acredito que as meninas vão ter o  direito e a propriedade para lidar com o mundo da forma que nós queremos”

Potencializado pela atuação dos clubes, o novo mecanismo para garantir um ambiente digital seguro e a proteção integral da infância exigirá uma responsabilidade compartilhada entre famílias, plataformas e o Estado. A medida também requer ferramentas rigorosas de verificação de idade e controlo parental.

O trabalho da Girl Up aborda, ainda, o combate à exploração sexual e os desafios impostos pelas plataformas digitais, que afetam as meninas de forma desproporcional. Eleutério Guevane – Brasil ONU News


Timor-Leste – Quer reforçar ligação à China com consulado na Grande Baía

O delegado de Timor-Leste junto de um fórum sino-lusófono disse que recomendou ao Governo de Díli a abertura de uma representação diplomática em Macau ou Hong Kong, com um olho na Grande Baía


António Ramos da Silva defendeu que o país deveria criar um consulado ou consulado honorário, “considerando a importância estratégica“ das duas regiões no projeto da Grande Baía.

Este é um projeto de Pequim para criar uma metrópole mundial que integra Hong Kong, Macau e nove cidades da província de Guangdong, uma região com cerca de 86 milhões de habitantes e com uma economia superior a um bilião de euros.

O delegado timorense junto do Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa (Fórum de Macau) disse que o cargo deveria ter uma missão alargada.

Num relatório dirigido ao executivo de Timor-Leste e enviado à Lusa, Ramos da Silva apontou para os “novos desenvolvimentos” da Grande Baía nas áreas comerciais, culturais e tecnológica. In “Plataforma” – Macau com “Lusa”


terça-feira, 31 de março de 2026

Macau - Prometida formação contínua de guias em língua portuguesa

A Direcção dos Serviços de Turismo assegurou a oferta contínua de cursos gratuitos de português, inglês, coreano e francês aos guias turísticos. Segundo adiantou, no próximo trimestre, serão lançados novos cursos de formação para guias em línguas portuguesa, inglesa e coreana, sob os temas de alojamento e compras. Posteriormente, serão planeados cursos temáticos nesses idiomas que abrangem temas como templos, igrejas e arquitectura


No âmbito da formação de guias turísticos multilingues, a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) afirmou que tem mantido uma comunicação estreita com a Universidade de Turismo de Macau (UTM), no sentido de promover a respectiva formação. Segundo garantiu a DST, em resposta a uma interpelação escrita do deputado Chan Lai Kei, no futuro, continuar-se-á a proporcionar cursos gratuitos de diferentes línguas aos operadores turísticos, por exemplo, relacionados com o turismo, em português, inglês, coreano e francês, para elevar o nível linguístico dos operadores e optimizar a experiência dos visitantes internacionais.

Sobre a matéria, face a outra interpelação, do deputado Ho Ion Sang, a DST começou por assegurar que “acompanha sempre a situação de formação de guias turísticos de línguas minoritárias”. Segundo lembrou, desde Julho de 2025, a UTM lançou cursos de formação para guias de línguas inglesa, japonesa, coreana e portuguesa através de um modelo de ensino híbrido.

Adiantou ainda que, no segundo trimestre deste ano, serão lançados novos cursos de formação para guias turísticos em línguas inglesa, portuguesa e coreana subordinados aos temas de alojamento e compras.

“Esses cursos serão integrados no âmbito do ‘Programa de Desenvolvimento e Aperfeiçoamento Contínuo’ consoante a sua natureza, de modo a incentivar a uma maior participação”, afirmou, também indicando que, “posteriormente, e de acordo com as necessidades constatadas, serão planeados cursos temáticos que abrangem templos, igrejas e arquitectura, entre outros, visando elevar de forma contínua as competências de serviços multilingues dos guias turísticos locais”.

Por outro lado, salientou que trata activamente dos trabalhos de apreciação e autorização do cartão de guia turístico, reduzindo o tempo de tratamento do documento através de várias medidas electrónicas, para que os requerentes possam ingressar, o mais rapidamente possível, na profissão.

De bilhetes gratuitos de ferry ao pagamento facilitado

Por outro lado, também em resposta a Ho Ion Sang, a DST revelou que está em estudo a viabilidade de disponibilizar bilhetes gratuitos de ferry a turistas internacionais em deslocação à RAEHK para participar em convenções e exposições de carácter empresarial, com vista a incentivar ainda mais a extensão do seu itinerário a Macau para turismo e consumo.

No que diz respeito à optimização da experiência de pagamento dos visitantes internacionais, o organismo revelou a Chan Lai Kei que a Autoridade Monetária irá promover, junto das instituições financeiras, o estudo da optimização dos serviços locais de pagamento móvel, incluindo a vinculação, por parte dos turistas, de cartões bancários emitidos no exterior a aplicações de pagamento locais, ou o carregamento, mediante cartão bancário, de cartões electrónicos de valor armazenado locais. Segundo notou, encontram-se disponíveis para utilização directa em Macau plataformas de pagamento electrónico de mais de 40 países e regiões. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau




Brasil - Banco Mundial aprova projeto para expandir energia renovável e empregos na Amazónia

Projeto quer ampliar acesso à eletricidade confiável para mais de 1 milhão de pessoas, a proposta deve beneficiar também mulheres e comunidades vulneráveis


O Banco Mundial aprovou um projeto para a Amazónia Legal do Brasil com foco na geração de empregos, expansão da energia renovável e redução dos custos de energia na região.

A iniciativa também prevê ampliar o acesso à eletricidade confiável para mais de um milhão de pessoas que atualmente não contam com serviços básicos de energia.

Milhões de empregos

A Amazónia Legal abrange nove estados e cerca de 60% do território brasileiro. Apesar de sua relevância ambiental e económica, a região enfrenta desafios históricos de acesso a infraestrutura e serviços. O projeto procura posicionar a Amazónia para aproveitar as oportunidades da economia de energia limpa, que deve gerar milhões de empregos na América Latina nos próximos anos.

O investimento total é de US$ 627,75 milhões, incluindo um empréstimo de US$ 100 milhões do Banco Mundial, US$ 400 milhões em contrapartida do governo brasileiro, US$ 125 milhões em financiamento comercial e uma doação de US$ 2,75 milhões do Programa de Assistência à Gestão do Setor de Energia (ESMAP). A operação será implementada por meio do Banco da Amazónia (BASA), que apoiará profissionais privados e concessionárias de energia.

Mulheres e comunidades vulneráveis

Entre os principais eixos estão investimentos em geração de energia renovável, modernização da rede elétrica e ações de eficiência energética, com potencial para substituir sistemas baseados em diesel, reduzir custos para consumidores e aumentar a resiliência da infraestrutura frente a eventos climáticos. O projeto também inclui assistência técnica e fortalecimento institucional, com foco em inclusão e geração de oportunidades para mulheres e comunidades vulneráveis.

Quem explica é o especialista sénior em energia do Banco Mundial, Felipe Sgarbi..

“Este projeto cria as condições para acelerar a transição energética na Amazónia, combinando expansão da energia renovável com a geração de rendimento a partir de usos produtivos da energia. Ao mobilizar investimentos privados e diversificar a matriz elétrica, reduzindo a dependência de fontes mais caras e poluentes, a iniciativa contribui para um sistema energético mais eficiente, confiável e sustentável na região.”

A expectativa é que a operação contribua para ampliar a oferta de energia limpa, reduzir custos ao longo do tempo e fortalecer o papel da Amazónia na transição energética do Brasil. Sidronio Henrique – Brasil ONU News com “Banco Mundial”


Moçambique - Whaskety Fernando lança o seu livro “Inventar o mundo na língua” na cidade da Beira

Inventar o mundo na língua é o título do quarto livro de Whaskety Fernando, do género conto, chancelado pela Mapeta Editora, lançado na cidade da Beira, no Centro Cultural Português. A apresentação esteve a cargo do académico Cristóvão Seneta.


Neste livro de contos, entre personagens condenadas, doentes, errantes ou simplesmente humanas, Whaskety Fernando inventa um mundo onde quase tudo é ficção, excepto a própria ficção, essa experiência íntima e reconhecível que cada leitor já viveu ou poderá viver. Os contos movem-se num território simbólico, filosófico e social, onde a realidade é questionada e o imaginário se transforma em reflexo.

Inventar o mundo na língua convida-nos à reflexão sobre os limites entre o real e o inventado, propondo uma leitura inquietante, lúcida e profundamente humana.

Saiba mais sobre Whaskety Fernando e Cristóvão Seneta

Whaskety Fernando nasceu na Munhava, cidade da Beira, onde vive. Começou a publicar os seus textos na página “Diálogo”, do jornal Diário de Moçambique. Foi finalista do Prémio Literário Fernando Leite Couto com a novela “Noites de desassossego” (não publicado). É autor dos livros Os últimos animais (2023), romance, O prazer ao chorar de dor (2024), poesia, e Tratado sobre noite (2025), poesia.

Cristóvão Seneta, Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, é docente na Faculdade de Ciências Sociais e Humanidades da Universidade Zambeze. Tem publicação científica dispersa, incluindo um livro baseado no estudo que desenvolveu para o mestrado, capítulos de livros, artigos e vários prefácios para livros literários e ensaísticos. In “Moz Entretenimento” - Moçambique


Angola - Distintas gerações de poetas e declamadores unem-se em recital de poesia para celebrar a mulher

Em alusão ao mês da mulher, oito poetas e declamadores de diferentes gerações sobem, nesta Terça-Feira, 31, ao palco da sede da União dos Escritores Angolanos (UEA), em Luanda, para um recital de poesia que visa celebrar a força da mulher em toda sua dimensão


O evento, previsto para começar a partir das 17h00, vai juntar os poetas e declama dores José Luís Mendonça, Natália Mendonça, Bendinho Freitas, Olívia Gomes, Hélder Simbad, LuKiesse, Marito Pereira e Kátya dos Santos, com o objectivo celebrar a mulher e resgatar a essência da declamação poética, num encontro marcado pelo diálogo entre experiências e novas abordagens da poesia angolana.

Durante o recital, cada participante vai declamar entre dois a quatro poemas, alguns de autoria do escritor e jornalista José Luís Mendonça, retirados do livro Software Carnal. Outros textos vão ser da autoria dos escritores e slammers participantes.

O evento promete proporcionar ao público uma experiência diversificada, marcada por diferentes estilos, linguagens e sensibilidades, como avançou o escritor José Luís Mendonça, mentor da iniciativa. “O objectivo é juntar a nova e a antiga geração de escritores e poetas, para a troca de experiências, uma vez que a poesia declamada cresceu muito nos últimos tempos e mudou completamente de estilo”, disse.

O mesmo explicou que o recital retoma uma experiência anterior denominada “Poeira de Marte”, um programa realizado entre 2021 e 2023, no Camões-Centro Cultural Português, na sala Pepetela. Na altura, recordou, o projecto tinha como foco a sensibilização para questões ambientais, como o aquecimento global e a preservação do planeta, através da poesia.

Com as mudanças na direcção da instituição e a consequente indisponibilidade do espaço, o programa foi interrompido. Ainda assim, o poeta garantiu que nunca abandonou a missão de promover a declamação poética, por considerar que esta constitui a essência da própria poesia. In “O País” - Angola


segunda-feira, 30 de março de 2026

Portugal - Universidade de Coimbra é o primeiro membro português no grupo de especialistas do Serviço de Meteorologia Espacial da ESA

O Observatório Geofísico e Astronómico da Universidade de Coimbra (OGAUC) tornou-se o primeiro membro português a integrar o grupo de especialistas do Serviço de Meteorologia Espacial da Agência Espacial Europeia (ESA), reforçando a presença de Portugal em estruturas científicas internacionais dedicadas ao estudo das perturbações espaciais e à sua previsão.


A participação da Universidade de Coimbra (UC) neste grupo insere a investigação nacional nos mecanismos científicos da ESA e destaca a atividade desenvolvida na área da Meteorologia Espacial, que analisa a atividade do Sol e os seus impactos em sistemas tecnológicos críticos, como comunicações, navegação por satélite, aviação e redes elétricas.

A antecipação de eventos como tempestades solares, capazes de afetar infraestruturas na Terra e no espaço, é um dos principais desafios desta área. A integração da UC permite contribuir diretamente para programas europeus de monitorização e previsão, com impacto científico, tecnológico e socioeconómico.

Este reconhecimento evidencia o trabalho desenvolvido na UC, em particular no OGAUC, onde tem sido consolidada a investigação em física solar e meteorologia espacial.

Ao assumir um papel de destaque na meteorologia espacial, uma área crítica e em plena expansão, a UC reafirma o seu protagonismo científico global. Este sucesso estratégico fortalece a missão do UC Space Hub, transformando investigação de ponta em valor real e afirmando a Universidade como um parceiro incontornável no ecossistema tecnológico e espacial europeu. Universidade de Coimbra - Portugal