sábado, 16 de maio de 2026

Coreia do Sul - Um monge budista robô chegou ao país

Gabi liderou uma procissão de monges budistas entoando cânticos no Templo Jogye, em Seul, Coreia do Sul, na semana passada. Vestindo um manto cerimonial cinzento e castanho, sapatos pretos, um rosário e luvas cor da pele, Gabi ergueu as mãos em oração.



– “Vai dedicar-se ao Buda sagrado?”, questionou um dos monges, segundo a agência de notícias coreana Yonhap.

– “Sim, vou dedicar-me”, respondeu Gabi.

– “Dedicar-se-á aos ensinamentos sagrados?”, perguntou o monge.

– “Sim, vou dedicar-me”, respondeu Gabi.

Se estas respostas soam robóticas, é porque Gabi é, de facto, um robô.

Com pouco mais de 1,2 m de altura, Gabi tornou-se no primeiro monge robô da Coreia do Sul ao juntar-se à Ordem Jogye, a maior seita budista do país. O nome Gabi significa misericórdia em coreano.

“Tentámos dar um nome que não fosse muito difícil de pronunciar e que não fosse antiquado, e que representasse a disseminação da misericórdia de Buda pelo mundo”, disse o venerável Seong Won, responsável pelos assuntos culturais da Ordem Jogye, à agência Yonhap.

O robô é o mais recente esforço dos monges do país para demonstrar a relevância moderna do budismo. Introduzida na Coreia por volta do século IV, a religião tem sofrido um declínio na popularidade e na prática.

Em Janeiro, o Venerável Jinwoo, presidente da Ordem Jogye, prometeu incorporar a inteligência artificial na tradição no seu discurso anual de Ano Novo.

Durante a cerimónia da passada quarta-feira, um monge presenteou Gabi com cinco preceitos, ou votos, para um robô budista: Respeitar a vida e não a magoar; não danificar outros robôs e objectos; seguir os humanos e não lhes responder; não se comportar ou falar de forma enganadora; e poupar energia e não sobrecarregá-la.

A ordem desenvolveu preceitos utilizando os ‘chatbots’ de inteligência artificial Gemini e ChatGPT, informou a Yonhap.

O instrutor Zen Noah Namgoong, do Templo Budista Coreano Jo-Gei da América, na cidade de Nova Iorque, disse que o robô era “uma coisa bastante estranha” que falava mais de “algo socioeconómico do que espiritual”.

O budismo nunca foi uma religião de proselitismo, disse a professora de antropologia Sujung Kim, da Universidade Johns Hopkins, que se concentra no budismo na Ásia Oriental. Mas a introdução de um monge robô pode ser uma estratégia para reforçar o capital social e a presença cultural da religião, especialmente tendo em conta a localização privilegiada do templo no centro de Seul.

O proselitismo refere-se ao acto de converter ou tentar converter pessoas de uma religião, crença ou opinião para outra.

O monge robô, disse Kim, é “uma estratégia de visibilidade de marketing muito singular”.

A Universidade de Quioto, no Japão, apresentou um robô semelhante em Fevereiro, capaz de aprender escrituras e fornecer feedback às pessoas que procuram orientação, segundo a académica. Em contraste, os meios de comunicação sul-coreanos exibiram vídeos de Gabi a acenar com as mãos em vez de se curvar.

Embora as suas capacidades possam ser limitadas, o robô sul-coreano aborda um tema central do budismo: o que significa realmente ser humano?

“A questão é que esta questão transcende a lógica, o raciocínio e a capacidade de pensar”, afirmou Namgoong, o que torna difícil para um robô reflectir realmente sobre ela, dado que “não tem mente”.

Mas, quando se trata da função social de um monge, talvez ele possa ser útil.

“Um monge está aqui basicamente para ajudar outras pessoas a libertarem-se”, disse. “Portanto, se este robô puder ajudar outras pessoas a libertarem-se, pode ser útil”. In “Jornal Tribuna de Macau” – Macau com “Agências Internacionais”


Sem comentários:

Enviar um comentário