Cidade da Praia – A investigadora Neusa Correia Lopes é a única mulher cabo-verdiana e em África que, até agora, publicou sobre “Educar durante a pandemia: sala de aula tradicional versus espaço virtual”, apurou a Inforpress.
Com o aproximar do mês de Março, que é dedicado às
mulheres, a Inforpress abordou a escritora que, no seu livro, explora os
desafios provocados pela crise sanitária da pandemia do covid-19, com foco no
impacto emocional e social.
Em declarações à Inforpress, Neusa Correia Lopes afiançou
que o livro, escrito durante a pandemia, aborda a cultura, a diversidade
cultural e adaptação no contexto educativo e a experiência dos imigrantes, em
particular, dos cabo-verdianos, ao chegarem aos EUA durante a pandemia, bem
como o multiculturalismo e as mudanças necessárias no sistema educativo para
acolher estes novos alunos.
“O objectivo foi compreender como integrar os
recém-chegados nas nossas comunidades, mesmo em tempos difíceis”, enfatizou.
Segundo a autora, um dos temas centrais do livro é a
importância da língua inglesa e das barreiras linguísticas enfrentadas pelos
imigrantes, numa altura em que o ensino sofreu uma transformação significativa
com a transição para as aulas virtuais, trazendo novos desafios e
oportunidades.
Neusa Correia Lopes adiantou que o livro vem na sequência
das pesquisas realizadas em vários países, incluindo Portugal e Cabo Verde,
para melhor compreender os diferentes contextos educativos e o impacto da
pandemia, destacando a sua experiência de dar aulas virtualmente em
universidades cabo-verdianas enquanto residia nos EUA.
A autora indicou que objectivo é de se reflectir sobre o
impacto emocional e psicológico do ensino “online”, procurando criar um
espaço confortável para que alunos e professores possam enfrentar as
dificuldades deste novo paradigma, vincado numa filosofia a que deu o nome de “between
dimensions” (entre dimensões).
Frisou por outro lado, que é preciso manter um equilíbrio
psíquico, emocional e social, analisar a situação, observar e manter a calma
perante a sociedade em que vivemos, algo que conferiu durante a pandemia com os
seus alunos, por isso criou a filosofia “between dimensions”.
“Percebi que a cultura e a língua são cruciais para os
indivíduos, especialmente no momento em que o emigrante multilingue e a
população estudantil foram desafiados pela covid-19, com o uso de máscaras, o
distanciamento social e a necessidade de adaptação a uma nova vida social”,
precisou.
Desafios a que, na sua opinião, os professores devem
estar atentos, desde à forma emocional, psicológica e fisiológica como devem
abordar os alunos numa “sala de aula do Zoom”, de modo a não perderem a
identidade e criarem uma nova forma de adaptação social com a transformação
tecnológica, que este condicionalismo trouxe ao sistema educativo e que obriga
à criação de estratégias para construir resiliência.
A escritora alega que, a chegada da pandemia, lhe causou
algum choque inicial e foi então que começou a dar aulas pelo WhatsApp, para
garantir a continuidade do ensino.
Além disso, Neusa Lopes acompanhou, de perto, debates
científicos internacionais, nomeadamente, os fóruns da Harvard School, onde
especialistas como o Dr. Anthony Fauci discutiam a evolução da covid-19, o que
lhe permitiu aprofundar a sua investigação.
No final, o livro propõe uma reflexão sobre se a educação
pós-pandemia regressará à “normalidade” ou se a crise provocará mudanças
permanentes no modo de ensinar e aprender e ao mesmo tempo deixar uma pista
para os procedimentos a se ter em conta, caso venha a surgir uma nova pandemia,
de modo a que o sistema de ensino esteja preparado para dar resposta as novas
exigências.
Finalizou defendendo que, “língua da
inteligência artificial (IA) é cultura e dimensão tecnológica também é língua.
Isto porque, esta dimensão apresenta sua própria linguagem, os seus próprios
parâmetros, pelo que é preciso descodificar esta linguagem. É preciso
aproveitar as oportunidades que surgem”. In “Inforpress”
– Cabo Verde
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