Maior feira de frutas do
mundo, o evento reunirá cerca de três mil empresas expositoras e 65 mil
visitantes do mundo inteiro durante os três dias. A delegação brasileira
contará com 20 estandes. Nesses espaços, estarão expostas empresas brasileiras
exportadoras de uvas, melões, melancias, limões, mamões, abacaxis, laranjas,
maçãs, bananas, abacates e mangas, além de polpas congeladas e hortaliças.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
Brasil – Produtores apresentam-se na maior feira internacional de frutas
Macau - Rede online oferece aulas de Português, Espanhol e Chinês
José
Pedro Farinha e Bernardo Mendia, fundadores da Federação Sino PLPE, querem
facilitar a comunicação entre várias associações a um nível multi-sectorial
através de uma rede de contactos online
Constituída no final de Março
de 2015, a Federação Sino Países de Língua Portuguesa e Espanhola (Sino PLPE)
está agora apostada em promover o intercâmbio linguístico via internet,
oferecendo aulas de português e espanhol para empresários asiáticos e chinês
para ocidentais, através de um programa online.
Os países lusófonos e hispânicos eram o alvo prioritário inicial deste
projecto, mas as necessidades de acesso ao mercado internacional por parte de
associações de outros países africanos e orientais fizeram com que a Federação
Sino PLPE estendesse a oferta a empresários asiáticos.
O objectivo da Federação passa
por “promover sempre eventos, seminários, encontros, convidar as associações de
vários países a participar em feiras e exposições para que consigamos atingir
um nível de interacção” entre as diversas partes, salientou José Pedro Farinha,
um dos fundadores da Federação Sino PLPE.
José Pedro Farinha e Bernardo
Mendia decidiram sediar a Federação Sino PLPE em Macau, por entenderem que o
território é o “melhor ponto de ligação” entre o Ocidente e o Oriente, desde
logo pela posição que ocupa no mapa.
Cerca de um ano depois de ter
sido formalmente criada, a Federação conta actualmente com oito dezenas de
associados. “Ao fim de um ano ter 80 empresas associadas é um feito!”,
considera José Pedro Farinha.
Reforçando o balanço positivo,
Bernardo Mendia recorda, por sua vez, que o primeiro evento oficial da Federação
Sino PLPE atraiu a participação de “pessoas da América Latina, do Brasil e
muitos de África”.
De acordo com José Pedro
Farinha, a Federação não tem quaisquer fins lucrativos. “Ganhamos dinheiro com as
nossas empresas e não com a Federação”, assevera.
Entre as empresas e
associações que aderiram à Sino PLPE, os dois empresários destacam a Associação
de Estudantes Luso-Macaenses, a MAFFA (Macau Air Freight Forwarding (Logistics)
Association), ou a AMICACHI (Associação de Amizade Cabo Verde-China), entre
outras. In
“Jornal Tribuna de Macau” -
Macau
Brasil - Portos participam do combate ao Aedes Aegypti
O ministro Helder Barbalho
inicia na próxima segunda-feira, dia 15/02, um tour pelos portos brasileiros
para acompanhar pessoalmente as ações de combate à propagação do mosquito. O
primeiro porto a receber a visita de Helder Barbalho será o do Rio de Janeiro,
na segunda-feira, dia 15/02. O segundo porto será o de Belém, no dia 16/02. O
ministro supervisionará ações de limpeza do terreno e de esclarecimentos sobre
o ciclo reprodutivo do Aedes Aegypti, bem como as doenças que ele causa aos
trabalhadores e servidores portuários. Nessa atividade a Secretaria de Portos
contará com a ajuda de vários ministérios.
O documento assinado pelo
ministro será enviado tanto aos portos públicos e quanto aos privados, e fará
uma convocação de união de esforços de todos aqueles que trabalham no setor
portuário brasileiro.
A estratégia da secretaria
também buscará envolver as comunidades do entorno das áreas portuárias.
O combate ao mosquito já é
uma ação feita rotineiramente nos portos brasileiros. Seguem alguns exemplos do
que já vem sendo feito, em alguns casos desde 2014:
No Porto do Itaqui, no
Maranhão, além de mutirão, já foi feita palestra nas dependências do porto por
representante da Secretaria Municipal de Saúde para esclarecimento de dúvidas
sobre prevenção e ensinamentos sobre como fazer armadilhas contra o mosquito da
dengue a partir de garrafas PET.
O Porto de Manaus inseriu em
seu site um pop-up com mensagem de combate ao Aedes Aegypti. Esse pop-up serve
de link para mais informações sobre medidas de prevenção, doenças transmitidas
por ele, sintomas e tratamento do zika vírus.
A Companhia Docas do Rio de
Janeiro, distribui folhetos às embarcações para que elas façam a prevenção
contra os criadouros do mosquito, além utilizar nas dependências do porto
larvicidas e vaporização com produtos contra o inseto e de evitar o acúmulo de
água.
Na Bahia, há a divulgação de
cartilha na Internet e Intranet, por meio de mala direta para dirigentes,
chefias e empregados, além de inspeção diária em busca de focos nos locais com
maior risco.
A Companhia Docas do Pará
trabalha em parceria com a Anvisa e com a Prefeitura de Barcarena. Também
contratou uma empresa especializada que levanta os pontos críticos dentro das
unidades portuárias, classifica e monitora os mesmos, além de fazer serviços de
combate a vetores como o Aedes Aegypti.
Nos Portos de Paranaguá e
Antonina, o Projeto Porto Escola ministra palestras sobre o tema, há divulgação
de material informativo, inclusive nas ilhas.
O Porto de Itajaí, em Santa
Catarina, promove campanhas com a comunidade e mutirões voluntários como o
realizado para recolhimento do lixo disperso nas margens do rio Itajaí.
O Porto de Vitória realiza campanha
permanente de conscientização e educação para funcionários e moradores da
comunidade onde o porto está inserido.
A Companhia Docas do Rio
Grande do Norte aciona fiscais da Anvisa constantemente para realizar inspeções
sanitárias e conta com programa de controle e monitoramento de vetores, realiza
aplicação de inseticidas em prédios e áreas adjacentes.
Em Pernambuco, o Porto de
Suape tem um núcleo de prevenção da dengue e outras doenças relacionadas ao
mosquito e uma extensa lista de ações. No Porto do Recife, uma empresa
especializada combate o Aedes Aegypti e monitora as áreas de maior risco de
proliferação.
No Porto de Maceió, são
recolhidas semanalmente amostras para análise em laboratórios e está sendo
preparado material de divulgação para o site do porto.
A Companhia Docas de São
Paulo cobra a implantação obrigatória de Núcleos de Prevenção à Dengue por
todas as arrendatárias, consignatárias e locatárias do Porto de Santos,
sujeitas a sanções previstas em resolução da própria Codesp.
No Porto de Pecém, no Ceará,
também há inspeções constantes aos locais mais vulneráveis. In “Secretaria
de Portos” - Brasil
Portugal – Caravela portuguesa registada na praia do Guincho
Foi registada na manhã do
passado dia 01 de fevereiro de 2016 uma caravela portuguesa (Physalia physalis)
no areal da Praia do Guincho. A mesma espécie já tinha sido avistada pela mesma
pessoa a 11 de janeiro passado. Esta é a primeira ocorrência para o mês de
janeiro e uma das poucas ocorrências registadas para fevereiro na Península
Ibérica. Esta espécie é frequentemente confundida com medusas (ou alforrecas)
devido ao seu aspeto gelatinoso mas é, na verdade um sifonóforo. É constituído
por um conjunto de vários indivíduos simbióticos (zooides), cada um com a sua
função específica, que funcionam todos juntos como um único organismo.
A caravela portuguesa
apresenta longos tentáculos providos de umas estruturas venenosas, os
cnidócitos, que libertam um veneno forte, quando em contacto com outros
organismos. As toxinas libertadas por estes organismos causam reações cutâneas
e dor intensa, mesmo quando os organismos já se encontram mortos. Assim sendo,
é aconselhado que os utilizadores das praias mantenham a distância, não toquem
nos organismos.
As caravelas portuguesas são
organismos cosmopolitas que habitam águas quentes e temperadas de todos os
Oceanos, no entanto encontram-se maioritariamente em águas oceânicas. Em
Portugal ocorrem com mais frequência nos Açores e Madeira e foram avistadas na
costa continental com alguma raridade, embora existam registos recentes.
A ocorrência de caravelas
portuguesas é no entanto difícil de prever. A sua distribuição é fortemente
influenciada por fenómenos atmosféricos e oceânicos, especialmente pelo vento,
que transporta estes organismos através do seu pneumatóforo, uma vesicula cheia
de gás que se assemelha a um balão flutuante.
Assim sendo, novas ocorrências
destes organismos ou ocorrências mais frequentes poderão estar associados a
processos de alterações climáticas, tais como o aumento da temperatura ou
alterações dos padrões dos ventos. O IPMA solicita a que todos os que avistem
estes organismos nas praias que façam uma foto e indiquem o local onde o
encontraram e enviem uma mensagem para plancton@ipma.pt. Também gostaríamos de
contar com voluntários que se ofereçam para uma colaboração mais consistente. Instituto Português do Mar e da Atmosfera -
Portugal
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
Brasil - Insegurança: até quando?
SÃO PAULO – O incêndio que
atingiu, no dia 14 de janeiro, 20 contêineres refrigerados que armazenavam
produtos químicos no pátio alfandegado da Localfrio, na margem esquerda do
porto de Santos, em Guarujá, não alcançou as proporções daquele que ocorreu na margem
direita, no Distrito Industrial da Alemoa, em abril de 2015, mas serviu para
deixar mais uma vez à mostra a flagrante falta de infraestrutura do País em
quase todos os segmentos. Se um incêndio de pequenas proporções provocou tantos
transtornos, é de se imaginar o que ocorreria num acidente de grandes
proporções.
Seja como for, os dois
incêndios mostram a situação de calamidade pública que a Baixada Santista pode
chegar, se vier a ocorrer um acidente de grandes proporções no porto, seja
incêndio ou vazamento. Se o principal porto do País opera em condições tão
precárias, sem plano de emergência que mereça a confiança da população, não se
pode esperar que os demais portos brasileiros possam oferecer melhores
condições.
Por enquanto, o Corpo de Bombeiros
faz o monitoramento do local, enquanto especialistas da Companhia Docas do
Estado de São Paulo (Codesp), da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo
(Cetesb) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama) preparam o trabalho de auditoria sobre as causas do
acidente. Um laudo parcial da Localfrio está prometido para 30 dias, a contar
de 17 de janeiro.
Até o momento, as causas do
acidente não foram divulgadas. De qualquer modo, levando em conta a orientação
dada pela Cetesb para que a Localfrio venha a segregar resíduos de dicloro que
não queimaram e a sua cobertura para evitar o contato com águas da chuva, o que
poderia desencadear nova reação química, provocando emissão de fumaça e,
obviamente, transtornos à população, isso pode indicar que, em tese, os
procedimentos não teriam sido os mais adequados.
Diante disso, o sentimento que
fica é de impotência diante da inevitabilidade dos fatos. Mesmo que a auditoria
aponte as causas e possíveis culpados, não se acredita que as autoridades
venham a criar condições para um enfrentamento mais rápido diante de situações
críticas. Também não se sabe até agora que as punições e multas aplicadas em
casos anteriores tenham resultado em efetivas medidas de segurança e para melhorar
a qualidade de vida da população. Assim, o mais provável é que, em semanas, o
recente desastre caia no esquecimento e as prometidas medidas reparadoras
também. Até quando a população terá de conviver com tamanha insegurança? Milton Lourenço – Brasil
____________________________________
Milton Lourenço é presidente
da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de
Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e
da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e
Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Fernando Pessoa, empregado de escritório
Para
aqueles que hoje medem a importância de um homem pelo saldo de sua conta
bancária, decididamente, Fernando Pessoa não teria sido alguém que pudesse dar
lições de empreendedorismo
Em janeiro de 1926, aos 38
anos de idade, com alguma experiência no campo econômico e comercial, o poeta
Fernando Pessoa (1888-1935) entendeu que tinha conhecimentos suficientes para
editar uma publicação mensal ligada a esses dois setores, a “Revista de Comércio
e Contabilidade”, que fundou em Lisboa em parceria com seu cunhado Francisco
Caetano Dias. Mas, olhando sem “parti pris”, o currículo que o poeta carregava
era a de empreendedor desastrado e de empregado de escritório, um
guarda-livros, tal como o seu heterônimo Bernardo Soares, que, se experiência
tinha, seria só para ensinar a arte do trabalho contábil. Na verdade, Pessoa
ganhava a vida mais como tradutor de inglês para o português, o que lhe
permitia desempenhar a atividade para várias casas comerciais, aproveitando-se
da larga dependência de Portugal em relação a Inglaterra.
Como empreendedor, de fato,
nunca teve êxito: a própria publicação dedicada ao comércio e à contabilidade
teria vida efêmera, apenas seis números, assim como a editora e tipografia
Íbis, que, instalada em 1907 no bairro da Glória, mal chegou a funcionar. Em
1921, fundou a Editora Olisipo, de ruinosa carreira comercial. Nela publicou os
seus “English Poems I e II” e “English Poems III”, e “A Invenção do Dia Claro”,
de Almada Negreiros (1893-1970). Em 1923, a Olisipo lançou o folheto “Sodoma
Divinizada”, de Raul Leal (1886-1964), que foi alvo de um ataque moralizador da
Liga dos Estudantes de Lisboa e apreendido por ordem do governo, junto com as
“Canções”, de António Botto (1897-1959).
Pela Olisipo, Pessoa pretendia
lançar uma série de livros importantes — a maioria traduzida (ou com tradução
prevista) por ele mesmo, talvez para evitar maiores custos. Na acanhada Lisboa
de sua época, com meia dúzia de livrarias e editoras, esse também não seria um
ramo muito promissor para quem não dispunha de maiores recursos para
empreendimentos mais ousados num mercado restrito. E já ocupado por algumas
casas tradicionais, que se acotovelavam no Chiado e na Baixa.
Levando em conta, porém, a boa
formação que Pessoa recebera na África do Sul, de 1896 a 1905, seria de esperar
que tivesse tido uma carreira profissional de maior sucesso — “a vida que podia
ter sido, e que não foi”, como diria o poeta Manuel Bandeira (1886-1968) —, e
não a obscura vida de empregado de escritório, o que lhe permitiu apenas viver
em quartinhos em casas de familiares ou alugados na rua da Glória, no largo do
Carmo, nas ruas Passos Manuel, Pascoal de Melo, D. Estefania e Almirante
Barroso, entre outros locais, até que se transferiu de vez para a casa da
família na rua Coelho da Rocha, 16, onde viveu os últimos 15 anos de sua
vida e hoje está a fundação que leva o
seu nome.
Para aqueles que hoje medem a
importância de um homem pelo saldo de sua conta bancária, decididamente,
Fernando Pessoa não teria sido alguém que pudesse dar lições de empreendedorismo
ou organização comercial. Nem mesmo ânimo — ou, quem sabe, maiores recursos
financeiros — teve para estudar na Faculdade de Letras da Universidade de
Lisboa, quando retornou de sua temporada africana, como pretendia. Talvez
tivesse tido uma boa carreira como professor, se houvesse primeiro superado a
timidez, o que nunca fez.
Ao passar os anos de sua
formação em Durban, na África do Sul, à época colônia britânica, em companhia
da mãe e do padrasto, o jovem Pessoa teve a oportunidade de estudar na Convent
School, uma escola privada (liceu) e, depois, na Commercial Schoool, de 1902 a
1903, e na Durban High School, sob a orientação de Mr. W.H. Nicholas, homem de
personalidade notável que, possivelmente, serviu de modelo para o seu
heterônimo Ricardo Reis.
Fosse como fosse, foi em seu
arsenal de conhecimentos comerciais que Fernando Pessoa se baseou quando
decidiu escrever textos para a “Revista de Comércio e Contabilidade”. São
textos um tanto ingênuos, do ponto de vista comercial, que incluem uma visão do
mundo da publicidade, mas que trazem a marca inconfundível do literato que os
produziu. Tanto que levou o ficcionista, poeta e jornalista português António
Mega Ferreira, ex-editor do “Jornal de Letras”, a recolhê-los em “Fernando
Pessoa. O Comércio e a Publicidade” (Lisboa, Cinevoz/Lusomedia, 1986).
São estes textos que agora
ganham versão em italiano em “Fernando Pessoa: Economia & Commercio:
Impresa, Monopólio, Libertà” (Perugia, Edizioni dell´Urogallo, 2011),
traduzidos pelo professor Brunello De Cusatis, da Faculdade de Letras e
Filosofia da Universidade de Perugia,
autor de uma esclarecedora introdução. O volume inclui ainda o iluminado
ensaio-posfácio “O Evolucionismo Comercial de Fernando Pessoa”, do poeta, tradutor
e ensaísta Alfredo Margarido (1928-2010), recentemente falecido, a cuja memória
o livro é dedicado.
Tudo o que se disse linhas
acima se pode constatar neste trecho: “Um comerciante, qualquer que seja, não é
mais do que um servidor do público, ou de um público; e recebe uma paga, a que
chama o seu “lucro”, pela prestação desse serviço. Ora toda gente que serve
deve, parece-nos, buscar a agradar a quem serve. Para isso é preciso estudar a
quem se serve (...); partindo não do princípio de que os outros pensam como
nós, ou devem pensar como nós (...), mas do princípio de que, se queremos
servir os outros (para lucrar com isso ou não), nós é que devemos pensar como
eles” (FERREIRA, 1986, p. 46).
Pode-se a partir deste texto
concluir que Pessoa pensava um pouco longe para o seu tempo. Afinal, naqueles
anos em que a publicidade ainda começava a se impor, poucos fabricantes levavam
em conta pesquisa de mercado antes de lançar qualquer produto. Funcionavam como
senhores todo-poderosos que seguiam só a própria intuição e gosto - o público
que tratasse de consumir o que ofereciam. Até porque a concorrência era mínima.
E Pessoa já advogava que se devia consultar o gosto do consumidor antes de
colocar qualquer novidade no mercado. Era um pensamento revolucionário.
Foi a partir de 1925 que
Pessoa passou a trabalhar também na área de publicidade e propaganda, ao
conhecer Manuel Martins da Hora, que seria o fundador da Empresa Nacional de
Publicidade, a primeira agência de publicidade de Portugal. Mas a experiência
não foi bem sucedida, como lembra De Cusatis na introdução. Foi por volta de
1926-1927 que o poeta imaginou um slogan para a Coca-Cola, que então estava
sendo lançada em Portugal, representada pela firma Moitinho d´Almeida Lda.,
empresa para a qual o poeta prestou serviços como profissional autônomo.
O slogan dizia: “Primeiro
estranha-se. Depois entranha-se”. Há um jogo de palavras que se pode chamar de
inventivo ou genial, mas, por trás, havia certa sugestão que hoje nem mesmo um
publicitário muito ousado seria capaz de formular, ainda mais pensando nas
conveniências de seu cliente. Em outras palavras: o que se queria dizer com
aquilo é que, primeiro, a bebida teria um gosto um tanto estranho para a época,
mas que, depois, com a continuidade, poderia oferecer certo êxtase, obviamente
em função de sua toxicidade.
O resultado foi óbvio: não
durou muito para que a autoridade sanitária de Lisboa proibisse a distribuição
do produto e determinasse o seu sequestro. Convenhamos: do ponto de vista
comercial, foi um desastre. A tal ponto aquilo ficou marcado que a Coca-Cola só
haveria de voltar ao mercado português quase meio século depois, ao final da
ditadura fascista (1928-1974), cujo grande ícone foi o professor António de
Oliveira Salazar (1889-1970). Olhando com olhos comerciais, o slogan só poderia
ter saído da cabeça de um inconsequente. Só mesmo um nefelibata seria capaz de
imaginar que aquilo não poderia trazer consequências funestas para seu cliente,
ainda mais na sociedade portuguesa de então em que as forças do fascismo
começavam a cobrir a nação com suas asas funéreas. Isso não significa dizer que
o slogan não tenha qualidades.
Pelo contrário. Preenche todos
os requisitos modernos que se exigem de um bom slogan publicitário. Tanto que,
recentemente, em Portugal, por ocasião do lançamento do “Frize”, uma água
limão-cola, o slogan foi recriado para: “Primeiro prova-se; depois aprova-se”,
como observou Andréia Galhardo, da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da
Universidade Fernando Pessoa (UFP), do Porto, no artigo “Sobre as práticas e
reflexões publicitárias de Fernando Pessoa” (http://bit.ly/hStOCn).
É claro que, ao que se saiba,
até hoje, ninguém escreveu isto com todas as letras, até porque Pessoa foi
canonizado e entronizado no altar dos pais da pátria portuguesa, ainda que, em
vida, nunca ninguém lhe tenha dado muita importância. Até para publicar seus
versos sempre encontrou dificuldades, o que o levou a acumular seus escritos
numa arca, que foi o inestimável espólio que legou à Literatura Portuguesa.
Mas, seja como for, Pessoa não
pode ser tomado como gênio das finanças ou da publicidade — até porque, nestes
dois campos de negócios, a genialidade está diretamente ligada à capacidade de
fazer os clientes obterem lucros e, obviamente, também lucrar muito com eles.
Nem por isso se pode deixar de reconhecer em Pessoa, depois da leitura destes
textos didáticos, um funcionário de boa formação comercial e econômica, mas daí
a imaginá-lo um mago das finanças ou do mercado é ir além da conta.
Não se pode deixar de
assinalar também que Pessoa sempre foi um antidemocrata pagão, antiliberal e
anticatólico, mais propenso a aceitar as ideias da maçonaria, o que fez no
artigo “As Associações Secretas: análise serena e minuciosa a um projeto de lei
apresentado ao Parlamento”, publicado em 1935 no “Diário de Lisboa”, e de certo
esoterismo, características que De Cusatis ressaltou com sagacidade em
“Esoterismo, Mitogenia e Realismo Político em Fernando Pessoa. Uma Visão de
Conjunto” (Porto, Edições Caixotim, 2005).
Era um homem um tanto
contraditório, uma alma angustiada, o que, provavelmente, o levou à dependência
alcoólica. Mas era, sobretudo, um excepcional poeta. Educado em escolas que
seguiam as mais puras tradições britânicas, se tivesse ido para Londres, em
1905, em vez de Lisboa, como era de sua pretensão, para tornar-se um poeta
inglês, é de imaginar que teria tido melhor sorte na vida, mas aqui de novo
adentramos o perigoso terreno do imponderável: “a vida que podia ter sido, e
que não foi...” Adelto Gonçalves –
Brasil in “Jornal Opção”
Adelto Gonçalves é doutor
em Literatura
Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Os vira-latas da madrugada (Rio de
Janeiro, José Olympio Editora, 1981; Taubaté, Letra Selvagem, 2015), Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de
Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona
brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil,
2002), Bocage – o perfil perdido
(Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio
Gonzaga (Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São
Paulo, 2012), e Direito e Justiça em
Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São
Paulo, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br
Moçambique – Camponeses locais convidados a depositarem excedentes nos silos de Lichinga
O convite surge pelo facto de
se ter constado que aqueles empreendimentos estão subaproveitados, mesmo
sabendo que a província do Niassa possui cerca de quinhentas toneladas de
excedentes agrícolas da última safra.
Neste momento, apenas se encontram
nos silos mil toneladas de uma capacidade instalada de cinco mil.
O director Provincial da
Indústria e Comércio no Niassa, Horácio Linaula, disse que neste ano, a Bolsa
de Mercadorias, gestora dos empreendimentos vai iniciar a emitir certificados
de depósito como títulos de crédito para atrair os produtores a armazenar os
seus excedentes agrícolas nos silos.
Os cinco silos da cidade de
Lichinga foram inaugurados em Dezembro de 2014 e para a sua construção, o
governo em parceria com a União Europeia, desembolsaram dois milhões de
dólares, o equivalente a cerca de sessenta milhões de meticais. In “Rádio
Moçambique” - Moçambique
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