Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

‘Nós, poetas de 33’: uma coletânea imperdível

                                                           I
Foi Fernando Mendes Vianna (1933-2006), poeta nascido no Rio de Janeiro, quem teve a ideia de organizar uma antologia com poetas brasileiros nascidos em 1933 e passou-a a Joanyr de Oliveira (1933-2009), que de pronto a aceitou. A princípio, eles iriam organizá-la juntos, mas não se sabe até que ponto Mendes Vianna chegou a trabalhar nela, antes que fosse visitado pela indesejada das gentes, como diria Manuel Bandeira (1886-1968). Assim, a tarefa passaria para os ombros de Joanyr de Oliveira, que, se levaria a cabo a missão, escrevendo-lhe até a nota introdutória, igualmente não conseguiria vê-la impressa.

O próprio Joanyr de Oliveira chegou a encaminhar os originais ao editor Victor Alegria, que assumira o compromisso de publicar o livro diante do corpo sem vida de Mendes Vianna. Colaboraria na edição o poeta Anderson Braga Horta, nascido em 1934, mas “amigo de todos os poetas e o maior dentre todos nós que nos tornamos brasilienses”, no dizer do organizador.

Depois desses percalços, Nós, poetas de 33, de Joanyr de Oliveira, sai agora com apresentação de Kori Bolívia, presidente da Associação Nacional de Escritores (ANE) de 2012 a 2014, e três textos sobre a poesia de Mendes Vianna e um apêndice sobre a vida e a obra do organizador da coletânea.  Da obra ainda faz parte uma fortuna crítica com a opinião de críticos sobre livros do organizador, com destaque para o que diz José Louzeiro (1932) a respeito de O grito submerso (1980). Segundo Louzeiro, os versos “Demônios são anjos/ nas arcadas da ventania” só poderiam partir da concepção de um mestre, pois lembram os de Camilo Peçanha (1867-1926) e Mário de Sá-Carneiro (1890-1916).

Se são muitos os poetas brasileiros nascidos em 1933 (uma relação neste livro lista pelo menos 67), a coletânea preparada por Joanyr de Oliveira selecionou 13, que, com certeza, estão entre os mais representativos, embora sempre haja o risco de algum esquecimento imperdoável: Fernando Mendes Vianna, Francisco Miguel de Moura, Heitor Martins, Hugo Mund Júnior, Joanyr de Oliveira, José Jeronymo Rivera, Lupe Cotrim Garaude, Maria José Giglio, Miguel Jorge, Murilo Moreira Veras, Octavio Mora, Olga Savary e Walmir Ayala.

                                                           II
Se Joanyr de Oliveira era um poeta que pensava por imagens, ou imageticamente, como dele disse Oswaldino Marques (1916-2003), a propósito do lançamento de Casulos do silêncio (1982), tinha também o dom da palavra, inclusive no sentido bíblico, já que era um pastor evangélico de puro e sincero coração da Assembleia de Deus, fluente e inflamado, no dizer de Anderson Braga Horta, que com ele conviveu desde os primeiros anos de Brasília. É o que se pode constatar nestes versos tirados de 50 poemas escolhidos pelo autor (2003):
                        Pelas pisadas dos rebanhos
                        na quietude do outono,
                        Deus espraia o mel de sua voz.  
                       
Ouvi, ó tendas de pastores,
                        rodas de carros faraônicos,
                        eqüinos revestidos de auroras.
                        Tranças debruçadas no silêncio
                        somam-se à bondade das videiras
                        e aos cachos bailarinos da seara.
                       
No dorso intangível da solidão
                        Deus espraia o mel de Sua voz.

Sobre Mendes Vianna, há dois ensaios e um discurso de recepção à Academia Brasiliense de Letras em 1987, nos quais Braga Horta destaca o domínio do poeta sobre o verso sem medida e o seu lirismo de acento metafísico. Definido por José Guilherme Merquior (1941-1991) como poeta-pensador, Mendes Vianna é exaltado por Braga Horta também pela modernidade de seu barroquismo, o que configura um perfeito oxímoro à semelhança do “banqueiro anarquista” de Fernando Pessoa (1888-1935). Eis um rápido exemplo da qualidade da ourivesaria de poesia que Mendes Viana costumava exercer:
                        Obrigado, poema, alavanca de paciência,
                        potentíssimo palimpsesto, frágil pluma,
                        pólvora de pólen que explode o pó
                        e ala o corpo e sua urna plúmbea,
                        lançando ao mar a areia da ampulheta!

                                                           III
De José Jeronymo Rivera, tradutor de poemas de autores espanhóis, argentinos e franceses, como Gustavo Adolfo Bécquer (1836-1870), Rodolfo Alonso (1934) e Aloysius Bertrand (1807-1841), há quatro poemas, entre os quais se destaca “Depois”, de Aprendizado de poesia (2004), do qual extraímos os versos iniciais:
            Depois, não lembrarás o meu carinho.
            Hás de esquecer, talvez, quem te quis tanto.
            Nem sentirás o doloroso espinho
            Da saudade, que punge mais que o pranto. (...)

De Olga Savary, contista, ensaísta, jornalista e tradutora, que integra Os cem melhores contos do século e Os cem melhores poemas do século (org. Ítalo Moriconi, 2000), cuja qualidade de poesia já foi atestada por prefaciadores do quilate de Antônio Houaiss (1915-1986), Ferreira Gullar (1930), Gerardo Melo Mourão (1917-2007), Antônio Olinto (1919-2009), Dias Gomes (1922-1999) e Gilberto Mendonça Teles (1931), a antologia reúne dez poemas, dos quais destacamos a estrofe final de “Pedido”, dedicado a Manuel Bandeira, que integra Espelho provisório (1970):
            (...) Meu velho poeta canta
            um canto que me adormeça
            nem que seja de mentira.

Esta imperdível coletânea é encerrada com poemas de Walmir Ayala (1933-1991), talvez o poeta mais premiado de sua geração, autor de uma obra extensa em todos os gêneros, tradutor para o português do poema “El gaucho Martín Fierro”, do argentino José Hernández (1834-1886), publicado pela Ediouro em 1988 e organizador da Antologia dos poetas brasileiros – fase moderna (Ediouro, 1967), com Manuel Bandeira. A título de exemplo, bastam estes primeiros versos de “Tempo submerso”, extraídos de Poesia revisada (1972):
                        O acalanto é despido da vaidade das horas
                        pois a voz desintegrou espelhos
                        onde o vento prisioneiro chorava
                       
Voz e vento partiram na noite
à procura dos astros.
Voz e vento morreram na noite.

Apenas as conchas vazias
guardaram seu último anseio (...).

                                                           IV
Joanyr de Oliveira, mineiro de Aimorés, poeta, contista, romancista, cronista e antologista, era bacharel em Direito e jornalista. Morou em Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo e Goiânia e em Massachusetts, Connecticut e Califórnia, nos EUA. Em 1960, instalou-se em Brasília, onde foi analista da Câmara dos Deputados, depois de haver ingressado, em 1959, no Rio de Janeiro, no quadro de revisores do Departamento de Imprensa Nacional. Foi membro do Instituto Histórico e Geográfico do Distrito Federal, da Academia de Letras de Brasília e da ANE, entidade que presidiu de 2007 a 2009.

Destacou-se como organizador de coletâneas, entre as quais Poetas de Brasília (1962), primeira obra literária editada no Distrito Federal; Antologia dos poetas de Brasília (1971); Antologia da nova poesia evangélica (1978); Brasília na poesia brasileira (Rio de Janeiro, 1982); Poesia de Brasília (1998); Poemas para Brasília (2004) e Horas vagas (contos, 1981). Conquistou mais de trinta prêmios.

De sua obra poética, destacam-se: Minha lira (1957); Cantares (1977); O grito submerso (1980); Casulos do silêncio (1982); Soberanas mitologias e A cidade do medo (Anaheim, Califórnia, EUA, 1991); Luta a(r)mada (Anaheim, Califórnia, EUA, 1992); Flagrantes líricos (Buffton, Ohio, EUA, 1993); Pluricanto — trinta anos de poesia (1996); Canção ao Filho do homem (1998 e 2000); Vozes de bichos (infanto-juvenil, 2000 e 2002); Tempo de ceifar (2002); 50 poemas escolhidos pelo autor (2003); Biografia da cidade (2005); Raízes do ser — poemas para Aimorés (2006); Antologia pessoal (2007); Memorial do sobrevivente (autobiografia e poemas, 2008); e Mensagem no outono (2009), obra póstuma, entre outros.

Em prosa, publicou O horizonte e as setas (contos, em parceria, 1967); Caminhos do amor (contos, 1985); Entre os vivos e os mortos (romance,1985); e Arquitetura dos dias (contos, 2004). Adelto Gonçalves - Brasil

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Nós, poetas de 33, de Joanyr de Oliveira (organizador). Brasília: Thesaurus Editora, 210 págs., R$ 40,00, 2015. E-mail: editora@thesaurus.com.br Site: www.thesaurus.com.br


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Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Os vira-latas da madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981; Taubaté, Letra Selvagem, 2015), Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012), e Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Moçambique – Mozefo, o sonho

Moçambique é uma democracia jovem, um país que fez triunfar a paz e a estabilidade no seu território através de políticas de sucesso privilegiando a expressão livre e o respeito pelo ser humano. Desde então, foram realizados diversos projectos em áreas fundamentais para o desenvolvimento do bem-estar e integridade da população, tais como a saúde, a educação, a energia e criação de infra-estruturas.

Neste novo período da nossa História, é fulcral consolidar as nossas conquistas e criar bases sólidas para a implementação de reformas estruturais. Passo a passo, com firmeza e convicção, trilhamos os caminhos rumo ao futuro contando com a participação de todos os moçambicanos. A juventude, em particular, apresenta-se como o eixo vital da construção de Moçambique, uma força activa que utiliza o conhecimento como veículo principal na elaboração de soluções inovadoras e criativas para o país.

Para formarmos uma sociedade esclarecida, capaz de concretizar os desígnios de Moçambique, é necessário promover a eficácia operacional e a criação de emprego e serviços, fixando práticas empresariais adequadas que transformem o conhecimento em energia pulsante, fonte inesgotável de acção. A aposta na solidariedade e na valorização do homem atinge o seu pleno significado com a participação de todas as franjas da sociedade, realizando-se, assim, o verdadeiro e imprescindível intercâmbio de saberes.

O primado da inclusão e inovação deverá, com a mesma força e perseverança, aplicar-se na potenciação das riquezas tradicionais de Moçambique: a agricultura, sector chave da economia e base de subsistência de 75% da população; e a indústria, cuja dinamização é essencial ao desenvolvimento do ciclo económico do país.

A descoberta de novas fontes de riqueza coloca Moçambique perante um momento de grandes oportunidades e desafios exigindo reflexão e um enquadramento estratégico. Carecemos de traduzir a esperança proveniente dos recursos naturais, em políticas sustentáveis e redistributivas no plano da economia formal, de modo a anular as disparidades existentes e promover o equilíbrio entre robustez económica e desenvolvimento do nosso capital humano.

O projecto MOZEFO, iniciativa do Grupo SOICO, surge neste contexto de transição nacional como um programa transformador, uma plataforma que pretende discutir aberta e efectivamente os desafios que habitam no horizonte moçambicano, partilhando uma visão de futuro e gerando uma oportunidade para que as opiniões, as ideias e as aspirações de todos, se manifestem.

O futuro é hoje. Realçamos, por isso, o optimismo de um povo que está cada vez mais capacitado para definir, com autonomia, a agenda do seu desenvolvimento. Neste sentido, o Fórum MOZEFO pretende oferecer a cada cidadão um lugar dianteiro nas decisões de Moçambique, fomentando movimentos de cooperação e sinergia.

Mais do que uma referência teórica, queremos assumir um papel catalisador dos processos que implicam a passagem da teoria à prática, e ser um instrumento que observa e actua no terreno. Em conjunto, queremos projectar Moçambique no mundo como país empreendedor e parceiro internacional de relevo.

O desafio de Moçambique é agora. Um desafio ao futuro. Um legado para a próxima geração. Aceda a mais informação aqui. Daniel David – Moçambique “Grupo Soico”

Timor-Leste – Celebração da Proclamação da Independência e 500 anos de Interação Timor/Portugal

No passado sábado, dia 28 de novembro de 2015, foi celebrado, por todo o território, o 40º Aniversário da Proclamação da Independência. Este dia foi também o ponto alto das comemorações dos 500 anos de interação entre Timor-Leste e Portugal e a afirmação da identidade timorense, com a realização de grandes eventos em Oe-Cusse Ambeno e em Díli.

Na véspera do Dia da Proclamação da Independência, o Primeiro-Ministro, Rui Maria de Araújo, salientou num discurso, que Lifau era o local perfeito para se reunirem os convidados, provenientes de várias nações, pois foi ali que, há 500 anos, os navegadores portugueses atracaram as suas naus e estabeleceram a primeira capital do Timor Português.

O Primeiro-Ministro timorense aproveitou a ocasião para agradecer a Portugal os esforços diplomáticos de apoio à independência, durante os 24 anos de luta, e por contribuir para estreitar os laços de amizade e solidariedade de Timor-Leste no seio da Comunidade de Países de Língua Portuguesa - CPLP.

Reconhecer o passado, disse, permite-nos entender e celebrar “aquilo que somos hoje como povo, a nossa identidade e o que conseguimos alcançar com ela”, para “alimentar o nosso desejo de alcançar muito mais no futuro”, um futuro onde “nós, timorenses, estaremos ao leme”.

O porta-voz do VI Governo Constitucional, Ministro de Estado Agio Pereira, salientou que “apesar de muitos aspetos negativos resultantes de uma colonização de cinco séculos, Timor moldou uma identidade cultural única, que levou à proclamação da nossa independência a 28 de novembro de 1975 e depois, finalmente, após mais 24 anos de sofrimento e luta, permitiu que Timor-Leste fosse admitido como o 191.o membro das Nações Unidas, em 2002. Governo de Timor-Leste

Brasil - Um bom projeto arquivado

Foi arquivado pelo governo estadual, de acordo com publicação no Diário Oficial do Estado, em 22 de agosto de 2015, o projeto Via Mar, que previa a construção de uma estrada ligando Suzano à área continental de Santos, que seria interligada ao Rodoanel, no seu trecho Leste, e representaria uma alternativa para as congestionadas rodovias Anchieta e dos Imigrantes. Pela estrada, o motorista seguiria um percurso formado por túneis e viadutos até Santos, próximo à entrada do Guarujá, na altura do pedágio da rodovia Cônego Domenico Rangoni, alcançando a margem esquerda do porto. Nesse ponto, um túnel submerso serviria de rota especialmente para veículos de carga até a margem direita.

Essa rodovia, se aprovada, levaria grande desenvolvimento ao Litoral Norte do Estado, hoje em flagrante descompasso com o progresso que se vê no Interior. A estrada seria construída por uma parceria público-privada (PPP). A alegação para o arquivamento é a falta de recursos no País.

No entanto, é de se ressaltar que uma nova ligação entre o Planalto e a Baixada Santista deveria ser considerada prioridade nacional, já que pelo porto de Santos passam 27% do comércio exterior. Ou seja, não era o caso de se tomar aquele projeto como um assunto regional, pois o seu arquivamento deverá comprometer o próprio desenvolvimento nacional.

Como opção para desafogar os acessos em direção ao porto santista, os governos federal e estadual deveriam ampliar a malha ferroviária, a partir da conclusão do Ferroanel, procurando mudar a matriz de transporte. Estudo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) mostrou que 70% das cargas são transportadas em cima de caminhões, enquanto 18% passam por ferrovias. Segundo o levantamento, o País conta com 1,7 milhão de quilômetros de estradas, mas apenas 13% estão pavimentados. Os restantes 87% das rodovias não têm qualquer tipo de pavimentação.

Como mudar essa matriz de transporte será tarefa para gerações de brasileiros, a alternativa que resta é continuar a investir na ampliação da malha viária. Nesse sentido, a construção da rodovia Suzano-Santos seria uma opção menos onerosa, que poderia ajudar a melhorar o fluxo de veículos rumo ao Litoral. Outra opção é a conclusão das obras da BR-163, no trecho Cuiabá-Santarém, em território paraense, prevista agora para o final de 2017, que ajudará a desviar a produção do agronegócio da região Central para o Norte, em vez de continuar a seguir em direção aos portos do Sudeste e do Sul.

Como o porto de Santos, mesmo com a decantada crise econômica, continua a bater sucessivos recordes de movimentação – o movimento de janeiro a setembro cresceu 6,8% em relação ao mesmo período de 2014, passando de 83 milhões para 88,6 milhões de toneladas –, não é difícil imaginar os problemas que se avizinham. Milton Lourenço – Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.

Guiné-Bissau – Direitos humanos

Governo promete melhorar a situação no país

Bissau - O governo da Guiné-Bissau prometeu hoje trabalhar em colaboração com as ONGs para melhorar o actual quadro dos Direitos Humanos do país.

A promessa foi feita pelo ministro da Presidência de Conselho de Ministros e dos Assuntos Parlamentares, ao presidir a cerimónia de abertura da Quinzena dos Direitos e do primeiro encontro Internacional sobre os Diretos Humanos, organizado pelas ONGs dos países da CPLP que atuam neste domínio, em colaboração com a Casa dos Direitos, e que decorre sob o lema “Vozes de Nós-Meninos de rua, Inclusão e Inserção”

Malal Sané destacou que a situação dos Direitos Humanos evoluiu consideravelmente na Guiné-Bissau, mas que há muito por fazer e que esta tarefa é da responsabilidade dos guineenses em geral.

“A instabilidade politica e governativa é um dos estrangulamentos maiores que o país enfrenta. E se não formos capazes de ultrapassá-la para garantir a paz e estabilidade, para termos instituições fortes capazes de fazer face aos desafios então seremos todos minados”, considerou Sané.

Nesta quinzena dos direitos humanos os participantes vão debater questões relacionadas às crianças em situações de vulnerabilidade.

Na quarta-feira será inaugurada a terceira feira do livro para assinalar os 50 anos do fim da política da Casa dos Estudantes do Império em Portugal, seguida por diferentes manifestações de carácter cultural, musical e teatral.

Para o Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) Augusto Mário da Silva, o encontro constitui um espaço de reflexão sobre os direitos humanos na Guiné-Bissau e representa o culminar de cinco anos de trabalho conjunto das ONGs dos países de CPLP que actuam no domínio da protecção e defesa dos direitos das crianças, em situação de vulnerabilidade.

Augusto Mário lamentou o facto de o encontro de promoção do diálogo estar a decorrer numa altura em que o ambiente político é delicado, caracterizado pela tensão no relacionamento entre os titulares de órgãos da soberania, “o que poderá mergulhar o país numa nova instabilidade governativa com consequências imprevisíveis”.

O Presidente da LGDH disse que é urgente e indispensável um pacto de convergência política entre os titulares de órgãos da soberania e de todos os partidos com assento parlamentar para garantir a estabilidade governativa e da conclusão dos mandatos de governo e do Presidente da República que ao longo destes 21 anos da democracia continuam a ser uma miragem.

Por outro lado, referiu que o quotidiano dos guineenses é caracterizado pela baixa qualidade de vida, a impunidade generalizada, desemprego, exclusão social, fraco poder de compra e limitado acesso aos bens e serviços básicos.

Disse que, apesar disso continua a luta pelo poder em vez de se concentrar na redução da pobreza que aumenta a um ritmo assustador.

Augusto Mário disse que é tempo de combater sem reservas a corrupção generalizada, a impunidade institucional porque só assim é que se pode elevar o índice da boa governação e consequentemente o nível da vida dos cidadãos.

E neste particular o Presidente da LGDH manifestou a sua solidariedade com as instituições judiciais que “em condições difíceis e até adversas travam uma corajosa luta contra a impunidade, não obstante as sistemáticas tentativas de interferência nas suas actividades por parte de outros órgãos de poder”. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné Bissau

Brasil - Equipamento integrante de turbinas eólicas passa a ser produzido integralmente no país

As usinas nacionais de energia eólica já poderão contar com Geradores de Indução Duplamente Alimentados, que integram turbinas de 3 MW de potência: gerador DFIG 3.15 MW, com índice de 100% de nacionalização. A GE se tornou a única fornecedora deste tipo de equipamento enquadrado no Finame, linha de crédito especial para a compra de componentes eólicos produzidos localmente. A peça está sendo fabricada na fábrica da GE em Campinas, no interior de São Paulo, onde são produzidos componentes eólicos e motores e geradores elétricos.

O gerador é utilizado na machine head da turbina eólica, elemento responsável pela conversão da energia cinética (vento) em energia elétrica. O projeto de nacionalização demandou a união de cem fornecedores locais e estrangeiros, em um trabalho de cerca de um ano entre primeiros contatos e negociações com empresas interessadas no setor eólico.

A GE vem investindo no setor eólico nacional e expandido suas frentes de atuação para melhor atender o mercado. “A energia eólica desempenha papel estratégico na configuração da matriz energética do País. Neste sentido, o movimento de atração de novos fornecedores para atuarem no mercado local será cada vez mais importante ao ponto em que sustentará a expansão da indústria em uma visão de longo prazo”, afirmou o diretor comercial para a América Latina de Power Conversion, da GE Energy Management, Sergio Zuqui.

O próximo passo para a empresa é a nacionalização de inversores para energia eólica e para energia solar, aproveitando a expansão das fontes renováveis na matriz elétrica brasileira. In “Petronotícias” - Brasil

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Para colocar o Brasil nos eixos

SÃO PAULO – Foi em 2011 que o Brasil conseguiu atingir a marca de 1,41% de participação nas exportações mundiais, o seu melhor resultado em 50 anos, mas, desde então, esse índice só tem caído, segundo dados da Organização Mundial do Comércio (OMC). Em 2012, a marca foi para 1,33%, em 2013 para 1,32%, índice igual ao de 2008, em 2014 para 1,22% e em 2015 projeta-se que deve ficar em torno de 1,15%.

A ruinosa administração que tem marcado os últimos governos também se reflete no ranking mundial de importação. E de se destacar que, em 2013, o País ocupava a 21ª colocação, ano em que pela primeira vez o seu índice nas importações mundiais superou o das exportações. O índice de participação do Brasil nas importações mundiais foi de 1,24% em 2010, 1,29% em 2011, 1,26% em 2012, 1,36% em 2013, 1,23% em 2014 e, em 2015, estima-se que fique ao redor de 1,20%.

Embora esteja entre as dez nações que apresentam maior Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil alcança apenas a 22ª colocação como país exportador. Entre os 15 maiores exportadores, 14 estão com suas pautas baseadas em produtos manufaturados. O País aparece como fornecedor de matérias-primas ou insumos (soja em grãos, minério de ferro, couro, carne bovina e celulose), o que é uma demonstração clara de que precisa resolver seus problemas estruturais para evitar que seu parque industrial desapareça, o que só será possível com a criação de condições que possibilitem a redução do chamado custo Brasil, que incide diretamente sobre a competitividade dos manufaturados.

Para tanto, o governo, em vez de se preocupar apenas com o ajuste fiscal, precisa estabelecer uma agenda de médio e longo prazo que enfrente os fatores que compõem o custo Brasil. Em primeiro lugar, deveria fixar um programa de obras que reduzissem drasticamente os gargalos logísticos, tarefa inadiável a levar-se em conta que hoje apenas 13% das estradas são pavimentadas e 70% das cargas seguem por rodovia, segundo dados do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Ao mesmo tempo, o governo deveria trabalhar para que o Congresso venha a aprovar as reformas tributária e trabalhista. Também inadiável é o combate à questão da taxa de juros, que alcança níveis escorchantes, ao lado de uma política que estabeleça redução nos custos de energia, que incidem diretamente na produção industrial. Não se pode também esquecer o combate à burocracia, facilitando o trânsito de mercadorias, inclusive com a flexibilização das regras da cabotagem, que incompreensivelmente seguem às do comércio exterior.

Por fim, se quiser dar uma prova de seriedade e de vontade de colocar no País nos eixos, o governo deve começar a cortar os cargos de confiança, hoje em torno de 24 mil, que custam mais de R$ 1,9 bilhão por ano aos cofres públicos. É de se lembrar que o governo dos EUA tem 8 mil cargos de confiança e o da França, 4.800. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.