Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)

sábado, 24 de outubro de 2015

O Brasil e o TPP

SÃO PAULO – Se não bastasse o imobilismo que caracterizou a diplomacia brasileira em relação ao comércio exterior nos últimos 13 anos, várias nações com as quais o Brasil tradicionalmente mantém intercâmbio movimentaram-se e acabam de formalizar o Tratado Transpacífico de Comércio Livre (TPP). Depois de quase cinco anos de negociação, Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Cingapura, Estados Unidos e Vietnã concluíram um acordo que suprime taxas alfandegárias em suas transações e define padrões técnicos unificados.

E o Brasil? Cálculos preliminares indicam que as exportações brasileiras para esses países – a hoje, ao redor de US$ 54 bilhões – deverão cair pelo menos 3%, especialmente nas áreas de minérios, commodities agrícolas e produtos industrializados. Só em manufaturados foram US$ 31 bilhões exportados – o equivalente a 35% do total de vendas externas do País – e US$ 47 bilhões importados.

Se sair o acordo entre Estados Unidos e União Europeia, a chamada Parceria Transatlântica, conhecida pela sigla TTIP, a perspectiva é de que a situação se agrave ainda mais, provocando maior isolamento comercial do Brasil, pois os europeus já não terão tanto interesse em assinar um acordo com o Mercosul e, provavelmente, aumentarão suas exigências. Com a TTIP, segundo cálculos da Fundação Getúlio Vargas, a queda nas exportações brasileiras chegaria a 5%.

O resultado de tantos desastres na política externa só pode ser debitado à (des)orientação do Ministério das Relações Exteriores a partir de 2003, quando os teóricos do Partido dos Trabalhadores (PT), sábios aos seus próprios olhos, imaginaram que poderiam sobrepor a influência dos Estados Unidos no continente com uma política pretensamente denominada Sul-Sul.

Ou seja, em vez de privilegiar o maior mercado do mundo, entendeu-se que seria possível fazer um bloco só com os países em desenvolvimento, favorecendo-se Cuba, Venezuela, Argentina, Bolívia, Equador e ainda países africanos não necessariamente governados por regimes de esquerda, como prova o trabalho desenvolvido pela diplomacia brasileira para que a Guiné Equatorial, nação onde pouco se fala Português, aderisse em 2014 à Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), sem levar em conta que aquele país é governado há três décadas pelo mesmo governante e apresenta um dos piores registros de direitos humanos no mundo, segundo pesquisa anual da organização de direitos civis Freedom House, de Washington.

Diante de tão rotundo fracasso diplomático, o que se espera é que o atual governo entenda que o TPP representa uma mudança completa no tabuleiro das negociações comerciais, pois indica que o futuro será regido por mega-acordos comerciais. E que continuar na defesa do imobilismo e ficar de fora desses grandes acordos equivale a levar a Nação a um suicídio político. Milton Lourenço - Brasil

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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

UCCLA - Lançamento do número especial da revista MENSAGEM

No âmbito da homenagem que tem vindo a ser feita pela UCCLA aos associados da Casa dos Estudantes do Império, terá lugar no dia 29 de outubro, às 17 horas, o lançamento do número especial da Mensagem, no Salão Nobre dos Paços do Concelho.

O evento contará com as intervenções do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, Secretário Executivo da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), Murade Murargy, e Secretário-Geral da UCCLA, Vitor Ramalho.

A revista Mensagem era o Boletim associativo publicado pela Casa dos Estudantes do Império, em Lisboa, entre 1948 e 1964, e que assumia a expressão dos interesses, identidades, opções e projetos dos estudantes africanos.

A UCCLA tem vindo a organizar diversas iniciativas de reconhecimento e de homenagem à Casa dos Estudantes do Império (CEI), a saber: homenagem à CEI (Universidade de Coimbra, dia 28 de outubro de 2014), debate sobre a “Casa dos Estudantes do Império e o Movimento Associativo Estudantil” (Assembleia da República, dia 24 de fevereiro de 2015), exposição “Casa dos Estudantes do Império. Farol de Liberdade” (Paços do Concelho, de 21 de maio a 25 de junho de 2015), Colóquio Internacional “Casa dos Estudantes do Império: histórias, memórias, legados” (Fundação Calouste Gulbenkian, dias 22, 23 e 25 de maio de 2015) e encontro com os associados da CEI que exerceram funções de Primeiros-Ministros ou Presidentes da República - Fernando França Van Dúnem (Angola), Joaquim Chissano (Moçambique), Maria Eugénia Neto, em representação de Agostinho Neto (Angola), Mário Machungo (Moçambique), Miguel Trovoada (S. Tomé e Príncipe), Pascoal Mocumbi (Moçambique), Pedro Pires (Cabo Verde) e Jorge Sampaio (Portugal) – na Fundação Calouste Gulbenkian, no dia 25 de maio de 2015.

Com este lançamento a UCCLA assinala, também, o 30.º aniversário da sua criação. UCCLA


Macau – Chefes unidos à volta da gastronomia lusófona


























Um leque alargado da cozinha mais tradicional de seis países e territórios preenche o menu da mostra “Sabores do Mundo”, incluída no programa da 7a Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa

A cozinha do restaurante Tromba Rija abriu as portas a seis “chefs” para confeccionarem os pratos mais tradicionais de Macau, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo-Verde, Goa, Damão e Diú e Angola e partilharem experiências e técnicas no âmbito da mostra “Sabores do Mundo”, que hoje termina integrada na 7a Semana Cultural da China e dos Países de Língua Portuguesa. A iniciativa destaca-se desde logo pela diversidade de cheiros, sabores, cores e apresentações.

Com raízes na Guiné-Bissau, Mafalda dos Santos mora em Almada e é em Portugal que tem há quatro anos o restaurante “Cantinho da Mafalda”. Para a mostra gastronómica em Macau, a “chef” guineense apostou em pratos como o caldo de mancarra e, para sobremesa, adocicou a boca dos presentes com mousses.

“Na cozinha da Guiné-Bissau trabalhamos com produtos naturais. Trouxe o chabéu, que é extraído da palmeira, o caldo de mancarra que é feito com a polpa do amendoim, e a siga que é feita a partir da extracção do óleo da palmeira. Para sobremesa trouxe mousses de manga e de cabaceira”, contou.

A partilha da cozinha com colegas lusófonos é vista por Mafalda dos Santos como uma importante experiência. “Aprendemos todos os dias técnicas diferentes. Trocamos experiências o que tem sido muito bonito, óptimo e fantástico”, considerou.

Goa, Damão e Diu está representada pelo jovem cozinheiro Ian Marc de Souza, proprietário do restaurante e galeria de arte “Off The Wall” onde são confeccionados pratos que “cruzam” as culturas hindu e portuguesa. Para a mostra, optou por trazer, entre outros, galinha com chouriço, linguiça e farinheira e carne frita com chili.

“A minha comida é o oposto daquela que os meus colegas confeccionam porque envolve processos muito complexos. A técnica, por exemplo, é muito diferente. Mas tenho aprendido muito porque os meus colegas usam ingredientes únicos. Cada prato é confeccionado de uma forma completamente diferente, mas está a ser, sem dúvida, uma experiência única”, destacou ao Jornal Tribuna de Macau.

Herculano Dillon de Jesus, proprietário e cozinheiro do “Lagoa Azul”, restaurante onde é servida comida macaense há quatro anos, deu a provar bafasa, tacho e minchi, numa expressão clara da fusão entre as culturas portuguesa, goesa, indiana e chinesa.

“O bafasa é um prato que tem características muito semelhantes à cozinha indiana só que, em vez do caril, leva açafrão. Já o tacho, que é um cozido ‘macaense à portuguesa’, é uma cópia do prato português apesar de não ser confeccionado com o enchido mas sim com o toucinho chinês”, explicou.

Embora sejam pratos conhecidos dos residentes de Macau, Herculano Dillon de Jesus salienta que o segredo está, sem dúvida, nos molhos e no toucinho. Já sobre o minchi, o truque é outro.

“O minchi é um prato muito conhecido. Leva batatas, que são cortadas aos cubos e têm de estar estaladiças no ponto, e carne picada de porco. É um prato que requer o uso de três tipos diferentes de molho de soja e que faz toda a diferença no sabor”.

Humberto Inácio Nhantumbo veio de Moçambique onde trabalha há 12 anos no ramo hoteleiro. “Para este almoço decidi trazer caril de carne de vaca com amendoim, que tem como base o leite do amendoim propriamente dito. Adiciona-se água para extrair o leite e coze-se com tomate e cebola. Parece fácil, mas é um prato que leva o seu tempo a confeccionar porque há uma série de pormenores a ter em conta”, esclareceu.

Unidos pela gastronomia, os seis “chefs” partilham a cozinha e, acima de tudo, novas técnicas, ingredientes e ideias, além de poderem experimentar os pratos dos colegas. “Experimentei um bocadinho de tudo mas o que me chamou mais à atenção quer pelo sabor, quer pelo facto de ser diferente, foi a cachupa de Cabo Verde”, confidenciou o “chef” moçambicano. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

Portugal – No cruzamento das redes de globalização

Os portos e a Economia do Mar são "um caminho vital para o futuro" de Portugal "na construção de um espaço geoeconómico atlântico".

Ideia defendida por António Costa Silva, presidente do grupo Partex Oil and Gas, na intervenção de fecho da conferência "Desafios do Mar Português", organizada esta quarta-feira pelo Centro de Investigação e Estudos do Mar (CIEMar), em Ílhavo.

O gestor da companhia petrolífera portuguesa propriedade da Fundação Calouste Gulbenkian projetou "uma visão para Portugal" no século XXI que deve ter em conta "a centralidade atlântica do País no cruzamento das redes energéticas, comerciais, financeiras e outras" para moldar o desenvolvimento económico.

Nesse contexto, o presidente da Partex defendeu a importância de Portugal aproveitar como "âncora" os recursos da sua Zona Económica Exclusiva (ZEE), mas também uma "política de alianças" e a "interação com o hinterland", através das redes europeias de transportes, as redes comerciais e do conhecimento.

90 % do comércio mundial já se faz pelo mar, colocando os oceanos como eixo central no enquadramento geopolítico, com efeitos na globalização e luta por recursos.

Costa Silva perspetiva, por isso, "um novo papel da Bacia Atlântica que está a reemergir" devido a descobertas energéticas das últimas décadas e do potencial das ZEE, em particular a de Portugal.

Cerca de 90% dos recursos offshore descobertos no planeta estão localizados no oceano Atlântico (Brasil, Angola têm papeis fundamentais no Atlântico Sul), onde existem 30% do petróleo e 35% de gás.

"Com o declínio do preço do petróleo alguns destes projetos que são caros estão congelados ou adiados, mas vão retornar porque o consumo de energia vai aumentar" disse o gestor e especialista da área energética, sublinhando, por isso, a necessidade de desenhar "uma estratégia multidimensional" para aproveitar as oportunidades, assumindo os portos e a Economia do Mar "uma centralidade incontrolável".

Discurso direto

"Possíveis futuros? Portugal precisa de um grande hub portuário, polivalente. Atenção aos grandes navios (...). Portugal tem de ficar agregado às redes transeuropeias de transporte. Portugal tem de ficar ancorado à sua ZEE. Temos recursos (...). A mineração do espaço marítimo será incontornável. Se não o fizermos, outros farão em outras partes do mundo" - António Costa Silva, presidente do grupo Partex.

"Devemos mapear os nossos recursos, é uma função de soberania. Existe interesse e potencial em explorar no offshore. Vamos perfurar para saber se existe gás no Algarve, com regras claras e eficazes". In “Notícias de Aveiro” - Portugal

Angola - “Habeas Corpus” Já

Quatro longos meses do mais longo cacimbo. Ontem foi finalmente anunciada a data do início do julgamento dos activistas que têm estado no centro da vida política angolana. A notícia foi como uma espécie de válvula de descompressão social, num momento em que o país está na boca do mundo, e não pelas melhores razões.

Depois de um mês de greve de fome, Luaty Beirão ocupou um espaço mediático correspondente à gravidade do seu estado de saúde mas que acabou por remeter os demais presos políticos para um perigoso segundo plano. O seu nome encheu praças e capas de jornal, hashtags e cartazes, de Luanda a Lisboa, sem nunca conseguir com isso abrir uma brecha de negociação com o governo, pelo menos até onde é sabido.

A inflexibilidade do Estado angolano, perante uma exigência que merece ser ouvida, não só pelo atropelado desenrolar do processo, mas também pelo risco de vida eminente do Luaty, deixa Angola mal vista, dentro e fora de portas. Em nome da liberdade individual, tantas vezes limitada por bem menos, assistimos a um “lavar de mãos” por parte do Governo, obviando o facto dos activistas estarem detidos em instalações penitenciárias, sob a responsabilidade de um Estado que tem o dever de proteger a vida.

Mas é certo que a pressão tem surtido algum efeito. Cada vez mais gente se posiciona publicamente sobre o assunto dos 15+2. As críticas sobre como o Governo tem gerido este caso chegam mesmo desde dentro do MPLA. No que diz respeito ao Luaty, também ele viu a sua condição melhorada. Só que enquanto ele recebia assistência médica adequada à sua condição, numa clinica privada providenciada pelo Estado, refira-se, surgiam rumores de agressões aos outros presos, inclusive a Albano Bingobingo, um dos que está em greve de fome. Aqui se vêem as consequências de uma reivindicação demasiado focada num deles, em vez de em todos. Adivinha-se também um certo aproveitamento, procurando dividir o grupo e até mesmo as famílias.

Entretanto, é triste observar o esforço para descredibilizar uma onda de solidariedade que se levantou espontaneamente, fruto exclusivo do cacimbo angolano, tão distante das primaveras que nos tentam impingir ao jantar.

De um lado, Luaty continua em greve de fome. Tenho lido a palavra “herói” demasiadas vezes. É daquelas palavras que a imprensa gosta, palavras que vendem jornais. Mas como disse Mia Couto, muito bem lembrado na excelente carta de Luís Bernardino, “infeliz do país que precisa de heróis”.

De outro, a Justiça está, hoje mais do que nunca, entre a espada e a parede, entre a pressão da sociedade civil e a pressão do poder político. O terceiro factor de pressão é, sem dúvida, o tempo. Por mais que se tente adiar, a decisão mais sensata, capaz de acalmar os ânimos e restituir algum norte para que as investigações prossigam, é que eles aguardem pelo dia 16 em casa. Só assim se alivia o desgaste político e emocional acumulados, a manipulação mediática e a indignação da sociedade. Habeas Corpus já, para todos. E que já seja hoje. Aline Frazão – Angola in”Rede Angola”

Portugal – Como reduzir consumo energético dos edifícios

A Fundação Oriente, em Lisboa, vai receber o Building Energy Symposium nos dias 24 e 25 de novembro, um evento focado na forma como a energia está revolucionar o modo como construímos, financiamos e utilizamos os edifícios, que na União Europeia (UE) são responsáveis por 40% do consumo total de energia e 36% das emissões de CO2. De acordo com a Comissão Europeia, melhorar a eficiência energética dos edifícios pode reduzir o consumo energético na UE em 5% e as emissões de CO2 em 6%.

Num contexto em que 35% dos edifícios da UE tem mais de 50 anos e em que até 2020 os novos edifícios têm de ter um balanço energético próximo do zero, o Building Energy Symposium reúne um conceituado leque de especialistas e representantes corporativos nacionais e internacionais para ajudar a traçar os caminhos mais eficientes na redução do consumo energético dos edifícios em Portugal.

Em dois dias de trabalhos, o Building Energy Symposium, com o comissariado dos professores Augusto Mateus e Manuel Pinheiro, irá reunir um conjunto de oradores e de empresas de referência para apresentar exemplos práticos da implementação de medidas de eficiência energética, entre os quais se incluem importantes entidades nacionais e internacionais como o Grupo Saint Gobain, a Sonae Sierra, o InterContinental Hotel Group - IHG, a Deloitte ou o Grupo André Jordan. O evento visa ainda fornecer sugestões e ajudar a traçar caminhos para obter um parque edificado mais eficiente em Portugal, quer em edifícios já existentes quer em novas construções.

Duas das mais relevantes instituições mundiais na área do imobiliário irão também participar ativamente neste simpósio, nomeadamente o RICS - Royal Institution of Chartered Suveryors, representado por Maarten Vermeulen, Managing Director for Europe, Russia & CIS; e a ULI - Urban Land Institute, representado pela CEO na Europa, Lisette van Doorn.

O Building Energy Symposium pretende ser uma ferramenta com utilidade prática para todos os profissionais que se relacionam, de forma direta ou indireta, com o ciclo de vida de um edifício, desde proprietários e investidores, aos ocupantes, utilizadores (população flutuante), projetistas, equipas de gestão e manutenção, agentes imobiliários, até aos construtores e fornecedores de materiais e equipamentos.

O evento é organizado pela parceria Vida Imobiliária e Promevi, realiza-se este ano pela primeira vez e conta já com fortes apoios quer a nível empresarial quer institucional. A Saint Gobain é o patrocinador master do Building Energy Symposium; e a Schmitt+Sohn, a JLL e a Sanitana assumem os patrocínios platina, enquanto a SRS Advogados se posiciona como patrocinador ouro.

O evento reúne também o apoio das principais associações ligadas ao imobiliário e à área da energia, nomeadamente: OET, AHP, APFIPP, APFM, APPII, RICS, ULI, APEMETA, ANFAJE, ALP, APEA, ICP, CENTRO HABITAT, AGEFE, CCILA e a COGEN PORTUGAL.

Para Arturo Malingre, diretor do Building Energy Symposium, “numa altura em que estamos a meros cinco anos de ter de cumprir as metas traçadas pelas diretivas europeias referentes à eficiência energética, é crucial conseguir trazer um apport de quem já implementou medidas concretas, com resultados comprovados, para auxiliar todos os que estão ainda a percorrer esse caminho. E os bons exemplos são tanto nacionais como internacionais. É isso que pretendemos com este evento e é nesse ponto que se diferencia e é inovador”.

Dados da Comissão Europeia revelam que são necessários 100 mil milhões de euros por ano para conseguir cumprir os objetivos de eficiência energética traçados para 2020, os quais estabelecem poupanças energéticas de 20% até essa data. Os edifícios são, neste contexto, um dos fatores mais relevantes, já que são responsáveis por cerca de 40% do consumo total de energia na UE e de 36% das emissões de CO2.

Além das regras e diretrizes para os edifícios novos, que devem ter um balanço energético próximo do zero em 2020, a Comissão Europeia alerta para importância de realizar melhorias no parque edificado, referindo que 35% de todos os edifícios existentes no território têm mais de 50 anos. In “blog.imobiliário.com” - Portugal

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Brasil - Mais acordos comerciais

SÃO PAULO – Ao final de julho, depois de vinte anos de negociações e um amplo entendimento entre Estados Unidos e China, a Organização Mundial de Comércio (OMC) selou um acordo comercial sobre tecnologia de informação que incluiu 201 produtos e componentes eletrônicos, como GPS e tela sensível ao toque, que vão ficar livres de tarifas de importação. O lamentável é que o Brasil, embora a OMC seja dirigida pelo diplomata brasileiro Roberto Azevêdo, tenha ficado de fora.

A alegação oficial é que o País não teve a oportunidade de incluir no acordo aqueles produtos que exporta. Ainda segundo a lógica oficial, o Brasil, como faz parte da OMC, poderá continuar vendendo seus produtos para os 54 membros que assinaram o acordo, já que as reduções tarifárias que foram acordadas valem também para o País. E o Brasil, se entender que lhe é conveniente, pode reduzir suas tarifas de importação para esses produtos. O outro argumento é que, se o País tivesse entrado no acordo, a sua indústria eletroeletrônica desapareceria do mapa, pois não teria como enfrentar os baixos custos dos produtos chineses.

Por essa lógica, parece que só o Brasil bancou o esperto, enquanto os signatários do acordo fizeram papel de bobo. Mas não é assim. Se acordos comerciais não fossem vantajosos para aqueles que os assinam, com certeza, não haveria no mundo hoje mais de 350 tratados em vigor. Além disso, basta fazer-se uma cotação internacional para se descobrir que no Brasil um telefone celular ou um aparelho de vídeo custa o dobro do preço que os países signatários do acordo oferecem. Obviamente, quem paga pela diferença é a população brasileira.

Sem contar que, estando fora do acordo, o Brasil, fatalmente, ficará mais atrasado em tecnologia. E corre o risco de ver sua indústria eletroeletrônica totalmente excluída do mercado externo por falta de tecnologia de ponta e de preço competitivo. Não bastasse isso, o Tratado Transpacífico de Livre Comércio (TPP) acaba de ser assinado, depois de cinco anos de negociações, entre Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru, Cingapura, EUA e Vietnã, reunindo 40% do PIB mundial. Quer dizer, esse novo bloco mostra que enquanto o mundo se articula, o Brasil e o Mercosul mantêm-se isolados.

Em resumo: ao deixar por décadas em segundo plano o mercado externo, o Brasil hoje tem dificuldades para assinar novos acordos. Nesse sentido, é de se lembrar que, em mais de 20 anos, o País fechou tratados de livre-comércio só com Israel, Palestina e Egito – dos quais apenas o primeiro está em vigor – e de preferências tarifárias com Índia e África do Sul, participando de outros no âmbito do Mercosul. Está há anos em negociações com a União Europeia, também por meio do Mercosul, e estuda um acordo com a Jordânia.

Felizmente, a partir de janeiro de 2015, houve uma mudança de mentalidade na política comercial brasileira, como mostram os acordos de cooperação e facilitação de investimentos assinados com México, Angola, Moçambique e Maláui, além do acordo aduaneiro com os Estados Unidos. Mas, seja como for, é ainda muito pouco para uma nação que se apresenta como a sétima maior economia do mundo. Milton Lourenço - Brasil


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Milton Lourenço é presidente da Fiorde Logística Internacional e diretor do Sindicato dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística do Estado de São Paulo (Sindicomis) e da Associação Nacional dos Comissários de Despachos, Agentes de Cargas e Logística (ACTC). E-mail: fiorde@fiorde.com.br. Site: www.fiorde.com.br.