Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 21 de março de 2019

Internacional - Astrolábio reconhecido pelo Guiness como o mais velho do mundo é português


Um astrolábio recuperado no local do naufrágio de uma nau da armada portuguesa participante na segunda viagem de Vasco da Gama à Índia, em 1502-1503, foi classificado pelo livro "Guinness World Records" como o mais velho do mundo



Resgatado ao fundo do mar Arábico, ao largo da costa de Omã, por arqueólogos britânicos em 2016, o instrumento de navegação pertencente à nau "Esmeralda", naufragada em 1503, foi também autenticado por investigadores como o único astrolábio de disco sólido com uma proveniência verificável e o único exemplar decorado com um símbolo nacional: o brasão real de Portugal.

O fino disco de 175 milímetros de diâmetro e apenas 344 gramas foi analisado por uma equipa de investigadores que viajou até Mascate, Omã, em novembro de 2016, para fazer imagens 'laser' de uma seleção dos mais importantes artefactos recuperados no local do naufrágio da nau portuguesa.

O processo científico de autenticação do disco como sendo um astrolábio, realizado por meio de imagens 'laser', foi descrito num trabalho publicado terça-feira no International Journal of Nautical Archaeology por David Mearns e Jason Warnett, da empresa Blue Water Recoveries, e Mark Williams, do departamento de investigação WMG da Universidade de Warwick, no Reino Unido.

Os investigadores creem que o astrolábio Sodré que agora entrou para o "Livro Guinness dos Recordes Mundiais" foi feito entre 1496 e 1501.

Como o mais antigo astrolábio autenticado, preenche uma lacuna cronológica no desenvolvimento destes instrumentos icónicos e pensa-se ter sido um instrumento de transição entre o astrolábio planisférico clássico e o astrolábio de roda aberta, que começou a ser usado algum tempo antes de 1517.

Os astrolábios são considerados o mais raro e mais valioso dos artefactos encontrados em locais de naufrágios antigos, existindo apenas 104 exemplares em todo o mundo. In “Visão” - Portugal

sábado, 5 de setembro de 2015

África do Sul – Desigualdade social

Estátuas de Bartolomeu Dias e Vasco da Gama em risco de serem demolidas na África do Sul

A euforia de milhares de estudantes perante a remoção da estátua do colonizador Cecil Rhodes foi o culminar dos protestos contra o racismo institucional, mas para o movimento “Rhodes must fall”, este é só o início. Duas décadas após o fim do ’apartheid’ na África do Sul, ainda estão por sarar as feridas abertas por séculos de colonialismo. As estátuas de Bartolomeu Dias e Vasco da Gama também podem vir a ser demolidas.

A juventude sul-africana de amanhã dirá que foi 2015, e não 1994, o ano em que a mudança realmente começou”, diz um estudante, momentos antes de a estátua do colonizador Cecil Rhodes ser removida da Universidade da Cidade do Cabo (UCT), perante a euforia de milhares de alunos.

“O que queremos é a descolonização da mente, a descolonização das instituições”, afirma Masixole Mlandu, do movimento Rhodes Must Fall (“Rhodes tem de cair”). Muitos vêem nesse dia, a 9 de Abril, o desfecho vitorioso de um mês de protestos, que começou quando um estudante atirou um balde de fezes contra o monumento. Os estudantes ocuparam um edifício da universidade, acusando a instituição de contribuir para a perpetuação duma narrativa de supremacia do homem branco, e por todo o país símbolos do colonialismo foram atacados com tinta.

Vasco da Gama
Pelo Cabo há também estátuas de Vasco da Gama e Bartolomeu Dias, a lembrar que os portugueses foram os primeiros europeus a dobrar o Cabo da Boa Esperança e a pisar estas terras. E foram os portugueses quem deu o tiro de partida para o genocídio das tribos San e KhoiKhoi, que habitavam a região há milénios.

Há quem acuse os jovens de desrespeitar a história do país, fomentar um nacionalismo negro e passar ao lado dos verdadeiros problemas actuais, como a corrupção. Mas o que parece certo é que as feridas abertas pelo colonialismo europeu estão longe de saradas.

“As estátuas são só uma metáfora. Representam o sofrimento negro, a nossa derrota enquanto negros neste mundo. Crescemos com a inferioridade gravada no corpo, privados da nossa própria terra, desconectados de nós mesmos. Os negros continuam a viver com a violência todos os dias, em todos os lados. Escravidão, supremacia branca, capitalismo – é esse o verdadeiro legado de Rhodes”, desabafa Masixole, que todos os dias passava pela figura de bronze a caminho do curso de Ciências Políticas e Sociologia – até agora.

Bartolomeu Dias
O magnata inglês Cecil Rhodes foi primeiro-ministro da colónia do Cabo em 1890. Apologista da supremacia racial britânica, construiu uma das maiores fortunas da época através da apropriação da terra dos povos africanos e da exploração de trabalhadores negros nas minas de diamantes. Foi da sua fortuna que surgiu a UCT.

A mais antiga universidade do país, e das mais importantes de África, localiza-se hoje meio caminho entre miseráveis ’townships’ (guetos reservados para não-brancos até ao fim do apartheid, onde continua a viver grande parte da população negra e pobre) e alguns dos mais luxuosos bairros do continente. No seu corpo académico, apenas 3% são sul-africanos negros. Pelo país fora, de resto, a riqueza continua a ser largamente ditada pela cor da pele: a população branca perfaz menos de 10%, mas detém metade das receitas nacionais e 70% das terras.

Uma semana depois de Rhodes ter caído, uma tragédia substituía a polémica das estátuas no topo dos noticiários. Cinco pessoas da Etiópia, Zimbabué e Moçambique morriam vítimas de uma nova onda de ataques xenófobos em Durban e Joanesburgo, e mais de mil fugiam das suas casas. Eventos que, duas décadas depois do fim do apartheid, trazem à luz do dia a realidade de miséria, violência e escassez de emprego nas zonas mais pobres.

As homenagens a Nelson Mandela no fim de 2013 poderão bem ter sido as últimas celebrações em torno da ideia da “nação arco-íris”. A reconstrução da África do Sul assentou na narrativa de paz e reconciliação, mas poucos pediram perdão e poucos foram presos pelos crimes do apartheid. Para os estudantes, trata-se de uma mitologia que permitiu a quem estava no poder manter os seus privilégios. E que está a “sufocar o país”.

“Só nos preocupámos com a retórica da nação arco-íris e em cantar ‘kumbaya’, enquanto a nossa economia continua a reflectir as mesmas disparidades sócio-económicas da era do apartheid”, denuncia Ramabina Mahapa, presidente do conselho de estudantes da UCT. “A democracia garantiu uns poucos lugares negros à mesa dos senhores, o resto continua a lutar pelas migalhas que caem da mesa”.

Apesar das leis anti-discriminação e dos programas de assistência social do governo ANC, o número de pessoas a viver abaixo do limiar de pobreza duplicou e o fosso entre ricos e pobres não parou de aumentar, fazendo do país um dos mais desiguais do planeta. Em 2012, as imagens da polícia sul-africana a assassinar 36 mineiros, em greve contra os salários miseráveis, chocavam o mundo. Nesse mesmo ano, a multinacional mineira De Beers, fundada por Rhodes, facturava seis mil milhões de dólares.

“Substituiu-se uma forma de opressão por outra. Quando dizemos ’Rhodes tem de cair’, queremos dizer que a supremacia branca, o capitalismo, o patriarcado e toda a opressão sistemática baseada em relações de poder têm de cair. Atacando os seus símbolos, estamos a lançar uma verdadeira conversa sobre nós mesmos, a transformar as nossas escolas, a sociedade e o mundo”, diz Masixole.

“E ainda dizem que é só pelas estátuas!”, ironizam os estudantes, para quem este é apenas o início. Da luta de libertação de Moçambique vem um dos slogans mais usados pelo movimento. Em português: “A luta continua.“ Francisco Pedro – África do Sul in “Contacto” - Luxemburgo

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Mercadorias


            Ter a oportunidade de escrever artigos de opinião num jornal nacional só é privilégio de alguns, sejam eles jornalistas, comentadores, técnicos. Escreve-se por determinadas razões, sempre com um fim de cumprir um objectivo e quando o jornal é mais regional que nacional, encontramos artigos de opinião, que aparentam querer elucidar os leitores, mas no fundo estão apenas a defender algumas “capelinhas”.

            Esta minha introdução tem por base um artigo de opinião ontem publicado num jornal de grande tiragem que após uma prosa com um fim determinado, acaba dizendo e eu passo a citar: “Por fim: esta solução do Governo de fazer o Poceirão-Caia (com ligação a Sines) é mistificadora. Estamos a criar um eixo de transporte de mercadorias para supostos grandes barcos, carregados de mercadorias do Oriente, que vêm descarregar a Sines. Há nisto um grande valor acrescentado para Portugal? Estamos a apostar tudo na hipótese Sines, sem confirmação garantida, enquanto já existe, hoje, esta realidade: a indústria portuguesa não está no Alentejo. Está entre Setúbal e Viana dos Castelo. Porquê mercadorias a atravessar o Alentejo? Nada disso: o Governo mantém a construção de parte da linha Lisboa-Madrid. Para já, supostas mercadorias. Depois de construída, um dia, alguém a usará também para passageiros. O 'TGV'.”

            O interessante é que no mesmo dia em que o articulista escreveu o artigo a Administração do Porto de Sines vem anunciar: “Em Janeiro de 2013 o Porto de Sines estabeleceu um novo máximo histórico mensal na movimentação de carga contentorizada, com um total de 66.359 TEU, representando um crescimento de 38% face ao mês homólogo de 2012. Comparativamente, a movimentação de contentores nas cargas cresceu 40% e nas descargas cresceu 35%, o que representa um aumento mais significativo nas exportações.”

            Antes de continuar este meu texto, deixo ficar uma pergunta: De que vivem os holandeses, sem ser a produção de flores?

            Vasco da Gama nasceu em Sines e daí percorreu um longo caminho que começou a 08 de Julho de 1497 através do Atlântico, Índico, até alcançar as portas do Pacífico. Tudo isto foi possível porque Sines ficava no centro do mundo e não havia na época o canal do Panamá. Sines vai ser a porta da Europa para a África, América e a Ásia, com a vantagem deste último mercado passar a ter um trajecto limpo de pirataria.

            É evidente que o Alentejo não tem indústrias, mas tem uma planície que permite escoar rapidamente mercadorias de e para a Europa, ganhando dois dias num produto, por exemplo, com destino a Madrid e muito mais, se conseguir chegar por exemplo a Lyon ou Berlim. Para tal necessita de uma linha ferroviária de Velocidade Alta, a única que permite o transporte de mercadorias e de passageiros e que haja a inteligência “quanto baste” para fazer passar a linha ferroviária de maneira a poder servir o aeroporto de Beja, para que este eixo Sines – Beja, seja também um núcleo de transporte de produtos perecíveis entre a América e a Europa.

            O autor do artigo de opinião, conforme citei em cima pergunta: “Há nisto um grande valor acrescentado para Portugal?”. E eu respondo-lhe: não faz a ideia de quanto! É pena que entretanto já tenham passado tantos anos e não se tenham feito investimentos em áreas que dão retorno financeiro. Baía da Lusofonia