Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Angola - Língua portuguesa ocupa uma posição privilegiada no curriculum académico do Uruguai

Mais de 200 mil uruguaios falam fluentemente o português, devido à presença da língua de Camões em todo o sistema de educação naquele país da América do Sul

Javier Geymonat


Segundo o especialista em ensino da Língua Portuguesa, Javier Geymonat, durante a palestra “Ensino de português no Uruguai: estado da arte”, realizada pela Embaixada da República Oriental do Uruguai na Universidade Gregório Semedo em Luanda, «a língua portuguesa ocupa uma posição privilegiada no curriculum académico, estando entre os três idiomas com maior presença no ensino público.»

O português está no mundo académico uruguaio desde o Tratado do Mercosul, em 1991. É lecionado de forma obrigatória em 93 escolas do ensino primário, no ensino médio em 22 centros escolares de línguas estrangeiras, onde é feita por opção, durante três horas por semana, e em cursos ligados à hotelaria, imobiliária, seguro, tecnologia, logística, secretariado e agricultura.

Em relação ao ensino universitário, disse o docente, frequentam anualmente as aulas de português mais de dois mil estudantes, através da Universidade Pública, de Conselhos de Formação e Educação e Centros de Línguas Estrangeiras.

Javier Geymonat, uruguaio, referiu que os professores de língua portuguesa fazem atualização regular em centros de formação públicos e privados.

De acordo com o especialista em ensino de língua portuguesa, a realidade torna o povo uruguaio mais próximo da Comunidade dos Países de Língua Oficial Portuguesa (CPLP), organismo do qual é observador. In “Revista Port. Com” – Portugal com “Javier Geymonat”



sábado, 5 de maio de 2018

Uruguai - Admite possibilidade de fazer parte da CPLP

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Uruguai admitiu apresentar uma candidatura a membro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), salientando que apesar de não falar português, existe uma grande afinidade com a língua

Questionado à saída de um encontro com os embaixadores permanentes dos países lusófonos junto da Comunidade de Países de Língua Portuguesa sobre a possibilidade de o estatuto do Uruguai evoluir de país observador para Estado membro, Rodolfo Nin Novoa admitiu "não saber bem qual é o funcionamento nem os requisitos", mas disse que era uma possibilidade.

"Quando se entra numa organização como país observador, temos sempre o objetivo de ser membro permanente; não falamos português, mas estamos muito vinculados à língua portuguesa", salientou o chefe da diplomacia do Uruguai à agência Lusa.

No final da visita à CPLP, no âmbito da visita oficial que realiza a Portugal, Rodolfo Nin Novoa justificou a reunião com os embaixadores devido à "proximidade com um dos mais importantes países de língua portuguesa, o Brasil", que permite ao Uruguai relacionar-se "com muita fluidez com os seus habitantes, a sua cultura, e a sua democracia".

O Uruguai tem o estatuto de Observador Associado desde a XI Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, decorrida no final de 2016, em Brasília.

"Só estamos há um ano e meio na CPLP, mas o que nos atrai é a possibilidade de coordenar políticas económicas, culturais, de direitos humanos, de democracia e liberdade, que são a base fundamental da sustentação da paz e segurança internacionais", concluiu o governante. In “Revista PORT.COM” - Portugal

domingo, 26 de março de 2017

Uruguai - Registra aumento de 1,5% do PIB em 2016

Economia uruguaia, país Observador Associado da CPLP, acelerou no último ano, já que em 2015 a expansão do PIB foi de 1%; país se distancia de problemas econômicos enfrentados por vizinhos Brasil e Argentina

A economia uruguaia alcançou em 2016 seu 14º ano consecutivo de crescimento, com o aumento do PIB (Produto Interno Bruto) registrado no ano de 1,5%, chegando a US$ 55,266 bilhões, informou na quinta-feira (23/03) o Banco Central do Uruguai (BCU).

A cifra indica a aceleração da economia uruguaia no último ano, já que em 2015 a expansão do PIB foi de 1%, assim como o distanciamento do Uruguai dos problemas econômicos enfrentados por seus vizinhos – em 2016, o PIB do Brasil teve redução de 3,6%, enquanto o da Argentina caiu 2,3%.

Segundo a consultora econômica CPA Ferrere indicou ao jornal uruguaio El País, Montevidéu registrou crescimento médio de 1,7% nos últimos três anos, enquanto Buenos Aires e Brasília tiveram contração de -2,3% e -0,8%, respectivamente.

Danilo Astori, ministro de Economia e Finanças do Uruguai, declarou na última semana que o país “se sobrepôs a este impacto” regional e “agora esperamos começar lentamente a recuperar níveis de crescimento maiores do que os que temos tido nos últimos dois anos”.

Como indicou o BCU, “o incremento no nível de atividade em 2016 se explica pelas taxas positivas na maioria dos setores, destacando-se por sua incidência os aumentos em transporte, armazenamento e comunicações, como resultado do crescimento das telecomunicações e do fornecimento de eletricidade, gás e água (de 15,6%), devido à maior proporção de energia elétrica gerada a partir de fontes renováveis”.

A instituição afirmou também que o aumento nestes setores “foi parcialmente neutralizado por quedas na construção e em comércio, reparos, restaurantes e hotéis, explicado pela queda na atividade comercial”. As exportações tiveram queda de 1,4%, assim como as importações, de 2,9%, o que determinou “que o volume do saldo comercial com o exterior resultasse menos negativo do que o do ano anterior”, disse o BCU.

Consultoras financeiras ouvidas pelo El País expressaram seu otimismo e colocaram sua previsão de crescimento para a economia do Uruguai em 2017 entre 2% e 3%. In “Opera Mundi” - Brasil

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Um romance da alma uruguaia

                                                            I
Embora seja dono de obra considerada um marco fundamental na literatura uruguaia do século XX, Francisco (Paco) Espínola (1901-1973) continuava inédito em outros idiomas. Esse estranho e inexplicável silêncio, porém, acaba de ser rompido com a publicação de seu romance Sombras sobre a terra (1933) pela editora Letra Selvagem, de Taubaté-SP, em tradução de Erorci Santana, com texto de “orelhas” do crítico e poeta Ronaldo Cagiano. Além de nota do editor, o livro traz prefácio do crítico uruguaio Leonardo Garet, professor do Instituto de Estudos Superiores e do Instituto de Filosofia, Ciências e Letras, de Montevidéu, e a reprodução do prefácio da terceira edição, de 1966, publicada pelo Centro dos Estudantes de Direito de Montevidéu, escrito pelo crítico, historiador e ensaísta uruguaio (nascido na Argentina) Alberto Zum Felde (1889-1976).

Garet deixa claro, em seu prefácio, que foi com dor que constatou que em América Latina en su literatura (México, Siglo Veintiuno, 1972), obra de quase 500 páginas coordenada por César Fernández Moreno que conta com a participação de 27 colaboradores, adotada também no curso de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP), não há uma citação do nome de Espínola. Só César Aira o reconhece em seu Diccionario de autores latino-americanos (Buenos Aires, Emecé, 2001).

E, no entanto, Sombras sobre a terra não fica a dever a outros romances paradigmáticos da literatura hispano-americana, como Junta-cadáveres, do também uruguaio Juan Carlos Onetti (1909-1994), Os passos perdidos, do cubano Alejo Carpentier (1904-1980), Pantaleão e as visitadoras, do peruano Mario Vargas Llosa, O obscuro pássaro da noite, de José Donoso (1925-1996), e Trópico enamorado, do boliviano Augusto Céspedes (1906-1997), outra obra nunca publicada no Brasil, embora tenha o porto de Santos como um de seus cenários.           

O romance teve sua edição de estréia em 1933, em Montevidéu, e ganhou segunda edição em 1939, em Buenos Aires. Seguiram-se mais uma edição em 1966 e outra em 2001 (Clásicos Uruguayos), que inclui vários estudos preliminares, a propósito dos cem anos de nascimento do escritor. A edição brasileira surge agora depois que o editor Nicodemos Sena “descobriu” na livraria de alfarrábios El Galeón, na zona central de Montevidéu, um exemplar de 1966, indicado por seu proprietário, Roberto Cataldo, para quem naquele romance “está a alma uruguaia”.


                                                           II
Sombras sobre a noite, como se percebe pelo título, é um daqueles romances ligados ao (sub)mundo noturno e seus notívagos, na linhagem de Agonia da noite, de Jorge Amado (1912-2001) e outros poucos na literatura brasileira. A exemplo de seus congêneres hispano-americanos, aborda as relações humanas nas casas noturnas e nos prostíbulos. O protagonista, de nome Juan Carlos, é um órfão de pai assassinado e mãe vítima de tuberculose, que vive num imenso e solitário casarão aos cuidados da negra Basília e cresce no Baixo, el Bajo, como é conhecida a zona do baixo meretrício nas cidades latino-americanas, em meio a prostitutas, cafetões e outros seres marginalizados. Foi num prostíbulo que o jovem Juan Carlos encontrou refúgio e compreensão, além de iniciar-se nas artes do amor.

Autobiográfico, o romance não tem, praticamente, um enredo que se possa seguir de fio a pavio, mas é formado por episódios que antes constituem flagrantes do modo de vida daqueles que transitam por aquele mundo às avessas. As prostitutas, porém, são extremamente humanas e mesmo aqueles que vivem do suor de suas mulheres no ofício que é considerado o mais antigo do mundo não são apresentados como seres cruéis ou vis, mas como “namorados” ou apenas “rapazes” enamorados de suas amantes.

Não se pense também que o leitor aqui irá encontrar cenas tórridas ou eróticas. Pelo contrário. Haverá de perceber certo desencanto em cenas no bar de um prostíbulo em que há sempre um cantante de tangos, milongas e estilos (típica composição uruguaia para ser acompanhada ao violão) a lamentar a fatalidade daquela vida à margem, um purgatório para a entrada no paraíso que só virá com a morte. Por trás desse romance poético, ainda que realista, perpassa, porém, um sentimento de solidariedade com os menos favorecidos, os deserdados da terra.


                                                           III
Francisco Espínola nasceu, em San José de Mayo, a 4 de outubro de 1901. Era, portanto, maragato, como todo aquele que nasce no pequeno departamento de San José, que fica às margens do Rio da Prata e na área metropolitana de Montevidéu. O termo maragato aqui também tem a ver com os nossos maragatos, os sulistas que deram início à Revolução Federalista no Rio Grande do Sul, em 1893, contra os chimangos, os legalistas. Eram chamados de maragatos não só por causa do lenço vermelho que traziam ao pescoço, mas porque vinham do exílio no Uruguai, exatamente na região de San José, que fora colonizada por espanhóis procedentes da comarca espanhola de Maragatería, na província de León.

Espínola nasceu no seio de uma família de tradição blanca, ou seja, ligada ao Partido Blanco, de inspiração conservadora, cujo ideário, aparentemente, seguiu pelo menos até 1962, quando se filiou ao Partido Comunista Uruguaio. Foi professor e crítico literário e teatral. Combateu a ditadura de Gabriel Terra (1873-1942), advogado que ocupou a presidência da república uruguaia de 1931 e 1938. Alto dirigente do Partido Colorado, igualmente de ideário conservador, Terra liderou um golpe de estado em 1933, com o apoio do exército. Durante seu governo, colocou na prisão muitos adversários políticos, inclusive vários professores, como Espínola. Preso em 1935, Espínola seria felicitado na prisão por alguns de seus algozes, que haviam tido a oportunidade de ler Sombras sobre a terra.

Sua estréia literária deu-se em 1926 com o livro de contos Raza ciega, no qual o crítico uruguaio Alberto Zum Felde viu similitudes com Crime e castigo, de Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Escreveu ainda Saltoncito (1930), relato para crianças; El rapto y otros cuentos (1950); Milón o el ser del circo (1954), ensaio sobre estética; e Don Juan el Zorro (1968), três fragmentos de romance. Escreveu também peças de teatro. Em 1961, foi distinguido com o Grande Prêmio Nacional de Literatura do Ministério de Instrução Pública do Uruguai.

No artigo “El Bajo maragato cruza fronteras”, publicado no semanário Busqueda, de Montevidéu, de 19 de fevereiro de 2015, a jornalista Silvana Tanzi, a propósito da então presumível publicação do romance no Brasil pela editora Letra Selvagem, traça um perfil de Espínola com a ajuda de um artigo de Alfredo Mario Ferreiro (1899-1959), em que este poeta dizia que o escritor fazia parte de uma geração que “vivia em ritmo lento e podia passar horas conversando no boliche”. Segundo Ferreiro, Espínola vestia-se sempre de preto com uma gravata e colarinho quebrado e engomado, usado em camisas destinadas a trajes formais como o smoking. “Dias houve em que Espínola falou pelo espaço de oito ou dez horas. E parecia um minuto”, recordou Ferreira, que era seu amigo.

Espínola morreu durante a madrugada de 27 de julho de 1973, por coincidência dia em que ocorreu o golpe de Estado liderado pelo presidente Juan María Bordaberry (1928-2011), que instaurou um regime de exceção que duraria até 28 de fevereiro de 1985. Naquela manhã, os uruguaios acordaram ao som de marchas militares que eram tocadas nas emissoras de rádio, prenunciando um período de muitas perseguições, torturas e assassinatos de opositores à ditadura. Adelto Gonçalves – Brasil

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Sombras sobre a terra, de Francisco Espínola, tradução de Erorci Santana, com prefácio de Leonardo Garet, prólogo da terceira edição por Alberto Zum Felde, texto de “orelhas” de Ronaldo Cagiano e nota do editor Nicodemos Sena. Taubaté: Editora Letra Selvagem, 5ª edição (1ª em português), 360 págs., R$ 40,00, 2016.
Site: www.letraselvagem@letraselvagem.com.br E-mail: letraselvagem.com.br


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Adelto Gonçalves, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Os vira-latas da madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981; Taubaté, Letra Selvagem, 2015), Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Editorial Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012), e Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Uruguai – Próximo Observador Associado da CPLP

A secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação portuguesa afirmou hoje que o Uruguai vai ser observador associado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) no segundo semestre deste ano.

A decisão de se tornar observador associado da CPLP insere-se numa estratégia "de aproximação aos países de língua portuguesa" e na vontade de "aproximação do Uruguai a África".

"O Uruguai será membro associado da CPLP na próxima cimeira, no segundo semestre, em 2016".

A responsável acrescentou que vai ser também assinado, sem adiantar uma data, um memorando sobre cooperação triangular entre Portugal, Uruguai e países lusófonos africanos.

Para reforçar a aproximação a África e também ao Brasil, o Uruguai quer expandir a língua portuguesa, que já se fala nas zonas de fronteira, disse.

"Fala-se português nas zonas de fronteira, onde é a segunda língua", sublinhou, explicando que o reforço da língua passará pelo recurso a cursos 'online', devidamente certificados.

A secretária de Estado portuguesa referiu estar em análise com as autoridades uruguaias a realização de uma semana do Uruguai em Lisboa, no próximo ano, para reforçar o relacionamento bilateral e trocar experiências em diversas áreas.

A realização da semana de Portugal no Uruguai inseriu-se numa estratégia de diversificação de parceiros económicos, depois de identificadas como áreas preferenciais na relação económica bilateral turismo, água, resíduos, saneamento e infraestruturas, disse.

Várias empresas portuguesas participaram nesta semana, na sequência de um trabalho prévio de identificação das áreas de intervenção, "havendo ecos extraordinariamente positivos" em relação a este evento, sublinhou Teresa Ribeiro, destacando a participação da comunidade portuguesa no país sul-americano "muito ativa e empenhada".

"Há convergências históricas, culturais e linguísticas que o Uruguai valoriza muito", o que facilita o relacionamento político e empresarial, afirmou.

Atualmente são observadores associados da CPLP a Geórgia, Maurícia, Japão, Namíbia, Senegal e Turquia.

A CPLP integra Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Cabe ao Brasil, que ocupa a presidência 'pro tempore' da organização lusófona, indicar a data e o local da próxima cimeira de chefes de Estado e de governo. UE-CPLP

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Brasil – Acordo de Transporte Fluvial com o Uruguai

Acordo facilita transporte hidroviário entre Brasil e Uruguai

Um dos objetivos é a revitalização da navegação comercial de cargas entre Lagoa Mirim e Lagoa dos Patos

O acordo de Transporte Fluvial entre o Brasil e Uruguai, que tem por objetivo facilitar a navegação comerciais, entrou em vigor no passado mês de outubro. A medida vai permitir o acesso livre e não discriminatório de empresas mercantes (que atuam no transporte de cargas) dos dois países no transporte fluvial e lacustre (transporte realizado pelos lagos) realizado na Hidrovia Brasil-Uruguai.

Umas das iniciativas previstas é a revitalização da navegação comercial de cargas entre Lagoa Mirim e Lagoa dos Patos, além de intervenções em rios e portos que compõem a bacia da hidrovia Brasil-Uruguai.

A hidrovia Brasil-Uruguai abrange o setor brasileiro da Lagoa Mirim e seus afluentes, especialmente o Rio Jaguarão; o Canal de São Gonçalo, os canais de acesso hidroviário ao porto de Rio Grande; a Lagoa dos Patos e o Rio Guaíba, Rio Grande do Sul. No Uruguai, envolve a Lagoa Mirim e seus afluentes, especialmente os rios Jaguarão, Cebollatí e Tacuarí, além de portos e terminais reconhecidos pelos países.

O acordo binacional, assinado em 2010 e promulgado no dia 23 de outubro de 2015, estabelece o alcance da hidrovia, as autoridades responsáveis, além da criação de Secretaria Técnica integrada por funcionários por ambos os países para garantir a efetiva aplicação. A Secretaria Técnica prevista no acordo já está exercendo suas atividades. In “Portal Brasil” - Brasil

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Brasil - O futuro em águas profundas

O navio MSC Zoe, um dos maiores porta-contêineres do mundo, atracou, em agosto de 2015, pela primeira vez no porto de Sines, o único em Portugal que tinha capacidade para recebê-lo, seguindo com destino ao Extremo Oriente, em viagem que tivera início em Hamburgo, com passagem por Antuérpia, marcando a abertura do serviço do armador suíço entre a Ásia e o Norte da Europa.

Com 395,4 metros de comprimento e capacidade para 19.220 TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), este é o terceiro navio da MSC a navegar pelo Hemisfério Norte, dentro de uma programação que prevê a construção de 20 supercargueiros. É de se lembrar que, na Europa, além de Sines, outros portos, como Hamburgo, Antuérpia, Algeciras, no Sul da Espanha, Maasvlakte 2, na Holanda, e London Gateway, dispõem de infraestrutura portuária para receber porta-contêineres com estas dimensões. Até aqui, o maior porta-contêineres que havia atracado em Sines tinha capacidade para 14 mil TEUs.

Como se sabe, não há a menor possibilidade de que, um dia, esse navio venha a atracar no porto de Santos, a não ser que seja construído um terminal off shore. O maior navio que já atracou em Santos foi o CMA CGM Tigris, com 300 metros de comprimento e capacidade para 10.622 TEUs, o que se deu em fevereiro de 2015.

Parece claro que essa é uma tendência irreversível, pois os custos do frete têm sistematicamente diminuído nos últimos anos em razão da economia de escala que os meganavios oferecem. Diante disso, Santos corre o risco de perder em breve alguns dos seus serviços regulares, se não houver a construção de uma infraestrutura moderna compatível para aceitar a atracação de maiores porta-contêineres.

Isso significa que a quase totalidade de sua atual infraestrutura pode ficar ociosa, diante da impossibilidade de receber embarcações com dimensões superiores a 336 metros de extensão, seu limite atual, mas que depende das condições da maré. Com um movimento de 3,6 milhões TEUs em 2014, Santos é o porto sul-americano que ocupa hoje a posição mais elevada no ranking de movimentação de carga.

O porto de Vitória-ES é o que oferece melhores condições geográficas para se adaptar aos novos tempos. Mas, por questões geopolíticas, o governo brasileiro havia optado por investir recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na construção do porto de Rocha, no Uruguai, que, com 60 pés de profundidade, estará apto a receber meganavios da Ásia e da África.

De acordo com o projeto, o porto de Rocha deverá movimentar 80 milhões de toneladas por ano, mas sabe-se que o Uruguai não tem condições de sozinho receber ou exportar cargas que justifiquem esse número. Oferecendo maior calado e menos burocracia, Rocha haveria de atrair contêineres e granéis que normalmente seguiriam para os portos de Buenos Aires, Rio Grande-RS, Imbituba-SC, Paranaguá-PR e, principalmente, Santos. Se vai sair do papel, é o que não se sabe. Até porque o novo governo uruguaio já anunciou que esse projeto não está entre suas prioridades. Adelto Gonçalves - Brasil


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Adelto Gonçalves, jornalista especializado em comércio exterior, é doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Bolívia – Obtêm acordo com o Uruguai para uma saída para o Oceano Atlântico

Mujica outorga à Bolívia saída para o Oceano Atlântico - Pepe Mujica e Evo Morales assinaram um acordo em que o governo uruguaio concede facilidades para a Bolívia usar o terminal de cargas do porto que será construído em Rocha

São Paulo – O presidente do Uruguai, José Pepe Mujica, e o presidente da Bolívia, Evo Morales, assinaram no passado dia 26 de Fevereiro de 2015, um memorando em que o Uruguai outorga a Bolívia uma saída para o Oceano Atlântico no porto de águas profundas que será construído no departamento uruguaio de Rocha. As condições para utilização serão definidas nos próximos meses, com uma equipe de técnicos.

O documento expressa a disposição do governo uruguaio de conceder à Bolívia facilidades e concessões para utilização do espaço terrestre do porto e do terminal de águas profundas que será construído na costa atlântica do Uruguai. O projeto é avaliado em US$ 500 milhões e contará com recursos brasileiros, por meio do Fundo de Convergência Estrutural do Mercosul.

Mujica, que concluirá seu mandato hoje, afirmou que é “inevitável” que o povo boliviano tenha uma saída para o mar e que o intercâmbio comercial marítimo é um “direito natural” para o desenvolvimento das nações. “Todos os países de América do Sul necessitam desta integração para o comércio de complementariedade para o bem do nosso povo”, disse. O presidente uruguaio agradeceu o trabalho de Morales em colaborar para a permanente integração da América Latina.

O acordo foi firmado em uma reunião na Casa de Governo do Uruguai, em Montevidéu, capital do país. Morales afirmou que o porto de Rocha se converterá no “primeiro ponto de saída” da Bolívia para o Oceano Atlântico e que as duas nações “trabalharão conjuntamente” na região. “Agradecemos em nome do povo boliviano a grande iniciativa de nosso presidente José Mujica, pelo convite para visitar o Uruguai e aprofundar nossos laços de solidariedade e complementariedade”, afirmou Morales, durante entrevista coletiva.

Os chanceleres uruguaios e bolivianos Víctor Oporto e David Choquehuanca também assinaram acordos complementares para garantir a instalação de unidades de tratamento de água na Bolívia e para implementar ações de combate à discriminação racial e de promoção de igualdade de oportunidades nos países. In “Rede Brasil Atual” - Brasil

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Estatísticas


Segundo o sítio Socialbakers a língua portuguesa é a terceira mais falada no Facebook, logo a seguir à inglesa e espanhola. Para este resultado há a evidenciar a segunda posição a nível mundial do Brasil, com 61,8 milhões de registos, ficando apenas atrás dos EUA.

Entre os países de língua oficial portuguesa, ou países que ensinam português, temos a nível mundial, Portugal na 39ª posição com 4,6 milhões de registos no Facebook, na 69ª posição, o Uruguai com 1,7 milhões, no 77º lugar, o Paraguai com 1,3 milhões, seguido de Angola na posição 98ª, 616 mil registos, Moçambique no lugar 113º, 356 mil, Macau em 127º com 216 mil e nas últimas posições temos Cabo Verde, 147º lugar, 105 mil inscritos, Guiné Equatorial, posição 175º com 31 mil e São Tomé e Príncipe no lugar 203º, com 7 mil registos no Facebook. Não existem registos para a Guiné Bissau e Timor Leste. Baía da Lusofonia

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Cem

Passados três meses do início do blogue Baía da Lusofonia em que o protagonismo pertence à palavra, com origem na parte mais ocidental da europa, mais concretamente no noroeste da península ibérica, de expressão de língua galega e de expressão de língua portuguesa, chegámos ao número cem de textos apresentados.

Desses cem textos, vinte e quatro são da autoria do blogue, sendo os restantes, citações, poemas, duas traduções e dois textos de autor. O leque de citações vai desde o simples homem da rua, a professores, escritores, aos mais altos representantes das nações, desde a Galiza a Angola, dos E.U. da América e México à Suécia, de Moçambique a Timor-Leste, passando por Goa e Macau. Do Uruguai, Brasil, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Casamansa, Cabo Verde e Portugal.
Na Baía da Lusofonia mareiam simplesmente palavras levadas pelas naus e caravelas portuguesas que aportaram nas enseadas mais recônditas banhadas pelos mares e oceanos.
Essas palavras levaram conhecimentos, mas também destruições de costumes milenares, transmitiram alegrias e tristezas, carregaram amores mas também ódios, transportaram sorrisos e lágrimas, acenaram com a riqueza e criaram pobreza, apoiaram a formação de novas famílias através da miscigenação, mas ajudaram também a separar pais dos filhos, homens das mulheres.
Normalmente para a história ficam sempre os lados negativos e para esses há que pedir desculpa, mas no fundo fica também uma língua, que será o símbolo da unidade nacional, pois é uma língua que por onde se fala define fronteiras e nesse aspecto é um facto único, com é o exemplo do grande Brasil.
Para um amador com pouco tempo livre e com uma actividade profissional muito diferente do conteúdo da Baía da Lusofonia é com agradável surpresa que vê crescer, mês após mês, os visitantes deste blogue que estando sedeado em Portugal, tem como origem de 90% dos leitores quatro países, Portugal 29,5%, Rússia 27,5%, Alemanha 18% e EUA 15%. Os restantes 10% distribuem-se por uma vintena de países.
A Baía da Lusofonia é um espaço livre, simples, aberto a todos aqueles que através da palavra de expressão galega e portuguesa, pretendam exprimir opiniões, mas sempre com respeito, sem agressões verbais. Obrigado. Baía da Lusofonia


segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Sustentabilidade

“Durante todo a tarde estivemos falando sobre o desenvolvimento sustentável, de como retirar as imensas populações da pobreza. Que se passa nas nossas cabeças com o modelo de desenvolvimento e consumo que actualmente vivem as sociedades ricas? Faço esta pergunta: O que se passaria com este planeta se os indianos tivessem a mesma proporção de automóveis por família, que os alemães possuem? Quanto oxigénio necessitaríamos para podermos respirar? Mas claro! O mundo terá hoje os elementos materiais para que seja possível que sete ou oito mil milhões de pessoas possam desfrutar do mesmo nível de consumo e desperdício que têm as mais opulentas sociedades ocidentais? Será possível? Ou será que teremos que ter um dia, um outro tipo de discussão? Porque nós criámos uma civilização em que estamos, filha do mercado, filha da competição, que se deparou com um progresso material portentoso e explosivo.

 Mas a economia de mercado criou sociedades de mercado, e nós deparamos com esta globalização que significa olhar por todo o planeta e perguntamos, estamos governando a globalização ou é ela que nos governa? É possível falar de solidariedade e que estamos todos juntos numa economia baseada na concorrência impiedosa? Até onde chega a nossa fraternidade?
Nada disso eu digo, para negar a importância deste evento, pelo contrário, o desafio que temos pela frente, é de uma magnitude de carácter colossal e a grande crise não é ecológica, é política! O homem não governa hoje! Há forças envolvidas que governam o homem e a vida. Porque não viemos ao planeta para nos desenvolvermos, em termos gerais, nós viemos ao mundo para tentarmos ser felizes, pois a vida é curta e rapidamente se vai, nenhum bem vale mais do que a vida e isto é elementar! Mas se a vida vai passando, e nós trabalhando e trabalhando para consumir sempre mais e a sociedade de consumo é o motor, porque em definitivo, se paralisa o consumo, a economia pára e se parar a economia o fantasma da estagnação económica aparecerá para cada um de nós.
Mas este híper consumo que está agredindo o planeta e que tem de ser acelerado, fazendo coisas que durem pouco, porque é preciso vender muito, E uma pequena lâmpada eléctrica que não pode durar mais que mil horas, mas existem lâmpadas que podem durar 100 mil, 200 mil horas, contudo estas não podem ser feitas pois o problema é o mercado, porque temos de trabalhar e temos de sustentar uma civilização que usa e deita fora e com isto estamos num círculo vicioso.
Estes são problemas de carácter político, que estão dizendo que está na hora de começar a lutar por outra cultura, não se trata de voltar aos tempos dos homens das cavernas, ou ter um momento de atraso, mas não podemos continuar indefinidamente sendo governados pelo mercado, mas sim temos de o governar. Por isso eu digo, na minha humilde maneira de pensar, que o problema é de carácter político, porque os antigos pensadores, Epicúreo, Séneca, os Aymaras, definiam: Pobre não é o que tem pouco, mas sim, que na verdade necessita infinitamente de muito, e deseja, deseja, mais e mais. Isto é claramente de carácter cultural. Então, eu saúdo os esforços e acordos que são feitos. E eu vou acompanhá-los como governante, porque sei que algumas coisas que estou a dizer perturbam!
Mas devemos perceber que a crise da água e a agressão ao meio ambiente não são a causa, mas sim o modelo de civilização que construímos e no que temos de rever no nosso modo de vida, pois eu pertenço a um pequeno país, o Uruguai, muito bem dotado de recursos naturais para viver. No meu país há três milhões de habitantes, um pouco mais, três milhões e duzentos mil habitantes, mas há 13 milhões de vacas, das melhores do mundo e cerca de oito a dez milhões de excelentes ovelhas, o meu país, o Uruguai, é exportador de alimentos, de lacticínios, de carne, é uma planície onde quase 90% da terra é aproveitável.
Os meus camaradas trabalhadores lutaram muito pelas oito horas de trabalho e agora estão conseguindo o direito às seis horas. Mas aqueles que alcançaram seis horas, conseguiram dois empregos, portanto, trabalham mais do que antes. Por quê? Porque eles têm de pagar uma infinidade de despesas, a moto que comprou, o automóvel que comprou, e pagar contas e mais contas…e quando um dia acordar perceberá que é um velho reumático como eu e assim se passou a vida! E um dia fará esta pergunta: Será este o destino da vida humana? Estas coisas são muito elementares, o desenvolvimento não pode ser contra a felicidade, tem que ser a favor da felicidade humana, do amor ao planeta Terra, às relações humanas, do amor aos filhos, de ter amigos, ter somente o necessário.
Precisamente, porque este é o tesouro mais importante que temos, quando lutamos pelo meio ambiente, devemos lembrar que o primeiro elemento do meio ambiente se chama Felicidade Humana. Muito obrigado.” José Mujicas - Uruguai
Tradução: Baía da Lusofonia

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Lingüística

"Configura-se como uma tradição dentro de nossa associação, que completará o seu cinquentenário em 2014: o Presidente da ALFAL assume as funções de director-editor da revista institucional Lingüística. Esta é a razão pela qual assumi esta responsabilidade sucedendo a Diretora anterior, Alba Valencia Espinoza, que, por sua vez, substituiu Ataliba Teixeira de Castilho que, por sua vez, sucedeu o fundador da revista Humberto López Morales. A propósito, como toda a tradição, esta regra e a atribuição de funções dentro da associação não estão registradas por nenhum texto regimental.

Tendo em vista o excelente trabalho feito por meus antecessores, sei que a responsabilidade é muito grande. Procurarei estar à altura das circunstâncias, oferecendo a nossos sócios uma revista dinâmica e moderna, na qual, de acordo com a natureza da associação, tenham espaço os mais diferentes temas que ocupam a linguística e filologia atuais. Assim Lingüística é uma revista geral de linguística e filologia que promove (como faz a própria associação) o contato e intercâmbio entre linguistas pesquisadores de disciplinas diferentes cujos artigos, teórica e metodologicamente rigorosos, exploram aspectos das línguas espanhola, portuguesa e ameríndias.

Isso podia levar a que, finalmente, a revista, de tão geral, não tivera interesse a ninguém em particular. Este perigo é sanado através de uma harmonização na escolha dos artigos de cada número, quer por sua similaridade temática, teórica e/ou metodológica, quer pelo contraste que podem oferecer ao leitor interessado em temas que estão além de sua especialização estrita, o que é, sem dúvida, desejável."  Adolfo Elizaincín – Uruguai