Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Brasil - Chineses demonstram interesse em investir na Ferrovia Transnordestina e no Terminal de Minérios do Porto de Suape


Em viagem a São Paulo nesta semana, o presidente do Complexo Industrial Portuário de Suape, Carlos Vilar, reuniu-se com Lin Li, CEO da gigante CCCC (China Communications Construction Company), e os diretores Eduardo Viegas, vice-presidente de Desenvolvimento de Negócios, e Helder Dantas, diretor executivo, para retomar as negociações com o grupo chinês quanto ao interesse em investir no Porto de Suape. Os empresários chineses se disponibilizaram a iniciar as tratativas sobre a conclusão da Ferrovia Transnordestina, no trecho Salgueiro-Suape, uma vez que o grupo também pretende concorrer para construir o terminal de minérios, cuja viabilidade do projeto depende do funcionamento da ferrovia.

Em reunião anterior, quando estiveram na sede do porto pernambucano, o presidente Vilar apresentou o projeto do futuro terminal de minérios. “Nós não podemos ficar parados, esperando que o empresário procure o porto. Vi que eles já haviam feito uma avaliação, entre 2010 e 2012, por meio de uma empresa pertencente ao mesmo grupo, sobre esse projeto, mas que ficou parada muito em função da não conclusão da Transnordestina”, disse Vilar.

De acordo com o presidente, Suape está aberto às negociações e aos investimentos do grupo chinês que já atua neste setor no Brasil há algum tempo, a exemplo do Porto de São Luís, no Maranhão, e as recentes negociações com o Terminal Graneleiro de Babitonga (TGB) em São Francisco do Sul (SC), com investimentos de R$ 1 bilhão.

Em Pernambuco, há uma enorme preocupação quanto à retomada dos trabalhos para a conclusão da Ferrovia Transnordestina e a chegada ao seu destino no estado, que é o Porto de Suape. Segundo o novo cronograma da obra, divulgado pela concessionária Transnordestina Logística (TLSA), será priorizado o trecho Piauí-Porto de Pecém (CE), com término previsto para 2021, enquanto que o trecho Salgueiro-Suape só seria concluído em 2027. Na avaliação do presidente Vilar, isso inviabiliza investimentos tanto do setor público quanto privado no porto pernambucano, com perdas incalculáveis para a economia e o desenvolvimento socioeconômico do estado.

“Suape está pronto para lutar sem medir esforços para conseguir que a Transnordestina seja concluída também na parte que contempla o complexo industrial portuário do estado. Devemos nos reunir nos próximos dias com o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) José Múcio Monteiro para discutir as demandas do porto e, principalmente, buscar ajuda quanto a esta questão da ferrovia”, concluiu Vilar.

Para o CEO do grupo CCCC, Lin Li, essas negociações com o governo são importantes para viabilizar todo e qualquer investimento. Será necessário, ainda, procurar o grupo de mineradoras instaladas no Estado do Piauí, de onde deverão partir os trens com o minério - carga que justificaria o investimento - com destino à ilha de Cocaia em Suape, onde deverá ser construído o terminal, numa área de aproximadamente 75 hectares. Lin Li sinalizou forte interesse em concretizar a parceria com Porto de Suape.

Ao fim do encontro, o presidente Carlos Vilar se viu otimista quanto à reunião e o avanço da retomada das negociações com os chineses. Segundo ele, há um positivismo a partir do novo governo, tanto estadual, com a renovação do mandato do governador Paulo Câmara, quanto na esfera federal, com o governo Jair Bolsonaro, no qual acredita que vai colaborar com a abertura necessária aos investimentos nos portos brasileiros, e Suape se encontra inserido nesse contexto. In “Complexo Industrial Portuário de Suape” - Brasil

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Brasil - Transnordestina deixa região Nordeste nos trilhos do atraso

Em 12 anos de obras, ferrovia recebeu R$ 6,2 bilhões e não foi concluída



Doze anos depois do início das obras da Transnordestina, a empresa responsável pela implantação do empreendimento, a Transnordestina Logística S.A. (TLSA), continua procurando um parceiro privado para concluir a ligação férrea, que já recebeu um investimento de aproximadamente R$ 6,2 bilhões.

As obras estão paralisadas desde 2016. “A Transnordestina é a espinha dorsal da logística do Estado. É um atraso na vida de Pernambuco esse empreendimento não avançar. Faz falta outro modal. E aí temos a BR-232 totalmente desgastada porque todas as cargas passam por lá, quando boa parte podia ir para o interior de trem”, comenta o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe), Ricardo Essinger.

A ferrovia tornaria o escoamento de grãos mais barato e favoreceria o crescimento do setor. “De Gravatá até Araripina, há um clima ideal para a criação de animais, como aves e suínos. O transporte de grãos a preços menores traria a possibilidade de toda essa produção crescer e se instalar um polo de criação de suínos com as indústrias que podem surgir, como fábricas de processados e abatedouros, entre outros. Sem falar em alguns minérios que poderiam vir do interior, como o dióxido de titânio”, afirma Essinger.

Um dos setores que poderiam ficar mais competitivos com a ferrovia é o avícola, que tem grande parte das empresas instalada no Agreste. “Trazer os grãos de trem iria trazer uma economia de 65%, comparando com o frete rodoviário. Hoje, gastamos R$ 15 para transportar o saco de 60 quilos. Com a ferrovia, esse custo ficaria em torno de R$ 6”, afirma o presidente da Associação Avícola de Pernambuco (Avipe), Giuliano Malta.

Atualmente, o setor avícola instalado no Estado consome, mensalmente, cerca de 150 mil toneladas de milho e 50 mil toneladas de soja. Os grãos são produzidos no Maranhão e percorrem de 1,5 mil quilômetros a 2 mil quilômetros de para chegar aos produtores pernambucanos. “Isso faz parte do custo Brasil, e não ocorre só em Pernambuco. Dificulta a competição das empresas do Nordeste com as do Sudeste. Ia ajudar muito se a ferrovia saísse do papel, mas depende muito do governo federal”, lamenta Giuliano.

Gesso

Outro setor que ficaria mais competitivo é o do gesso. “O mais complicado atualmente é o escoamento da produção. O Araripe está perdendo muito mercado, e as empresas estão fechando”, conta o diretor da Indústria de Gessos Especiais (IGE), Josias Inojosa Filho. O setor gesseiro tinha a esperança de exportar gipsita, caso o empreendimento fosse concluído. “Os caminhoneiros buscavam o gesso para não voltar sem carga ao Sudeste. O tabelamento do frete acabou com isso e dobrou o preço do frete rodoviário”, comenta.

Josias critica também o traçado da ferrovia, alegando que, do jeito que está, o setor precisará usar caminhão. “O transporte é o grande gargalo contra a expansão de vários tipos de negócios. Ou se faz uma solução integrada com vários modais ou seremos sempre tupiniquins”, aponta. “Há uns 25 anos, a gipsita saía do Araripe de caminhão, ia até Petrolina, pegava a balsa e chegava às indústrias cimenteiras instaladas em Minas Gerais. Tudo isso ficou no passado. O Rio São Francisco está assoreado, e não se usa mais a hidrovia. A transposição previa várias ações de recuperação do rio, mas essa parte ficou na promessa”, diz.

Foram implantados 600 quilômetros da ferrovia em trechos no Sertão do Piauí, do Ceará e de Pernambuco. No projeto, a ferrovia sairia de Eliseu Martins, no Piauí, e seguiria até a cidade de Salgueiro, em Pernambuco. De lá, um trecho iria até o porto de Pecém, próximo à Fortaleza; e o outro ramal, até Suape. À frente da implantação do empreendimento, a TLSA é uma subsidiária da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), do empresário Benjamin Steinbruck. Na semana passada, o assunto chegou ao debate eleitoral com o governador Paulo Câmara (PSB) – que tenta a reeleição – defendendo o fim da concessão. O senador Armando Monteiro (PTB), que disputa o governo na chapa de oposição, afirmou que, “com o atual concessionário, não vamos sair do lugar”.

Iniciada em 1997, a concessão da Transnordestina foi feita na gestão de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), presidente entre 1995 e 2002. Desde então, somente a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) ameaçou tomar a concessão, mas não levou à frente qualquer procedimento nesse sentido. É difícil finalizar a concessão porque o grupo dono da empresa tem grande influência política e econômica. Entre 2015 e 2016, a empresa foi presidida por Ciro Gomes (PDT), que disputa o cargo de presidente, e é próximo do dono da TLSA. Ângela Belfort – Brasil in “JC”