Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Brasil - Primeiro submarino brasileiro classe Scorpène será lançado ao mar em dezembro

Além disso, primeiro submarino nuclear será finalizado até 2028



Batizado de Riachuelo, o primeiro submarino da classe Scorpène construído no Brasil deverá ser lançado ao mar em 14 de dezembro deste ano. Além dele, outros três serão montados e lançados a cada 18 meses, até 2023. Há ainda a previsão de que o primeiro submarino nuclear seja concluído em 2028.

O anúncio foi feito pelo diretor geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha do Brasil, o almirante de esquadra Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Júnior, que apresentou o Programa Nuclear da Marinha (PNM) e o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), nesta sexta-feira. A palestra do almirante, realizada no auditório da Capitania Fluvial de Porto Alegre, no Centro Histórico, reuniu militares da Marinha do Brasil e representantes da Pucrs, Ufrgs, Fiergs e da empresa AEL Sistemas, que produz materiais para as Forças Armadas.

Bento Costa apresentou detalhes dos projetos e a importância dessas iniciativas para o desenvolvimento do Brasil. Sobre o projeto de submarinos, Júnior disse que o Brasil está recuperando a sua capacidade de construção. Ao detalhar o projeto, o almirante informou que o primeiro modelo de submarino (S-BR), baseado no projeto francês “Scorpene”, foi desenvolvido com transferência de tecnologia francesa do Naval Group em parceria com a Marinha do Brasil e está sendo montado no Complexo Naval de Itaguaí, no Rio de Janeiro.

“O Programa Nuclear da Marinha do Brasil tem como objetivo dar maior segurança à costa brasileira e gerar impactos significativos na economia do país. Toda a atividade nuclear em território brasileiro é para fins pacíficos”, destacou o Almirante que é diretor geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha do Brasil. Bento Costa afirmou ainda que o país está entre os mais extensos do mundo (ocupa a sexta posição) e possui grandes reservas naturais.

Em relação à tecnologia, o almirante afirmou que o programa da Marinha do Brasil traz inovação, competitividade e desenvolvimento ao país e apresentou dados dos últimos dez anos do programa. Segundo ele, o Prosub movimentou 700 empresas civis nacionais, 18 universidades e institutos de pesquisa, e foi responsável pela geração 4,8 mil empregos diretos e 12,5 mil empregos indiretos.

Sobre o programa nuclear brasileiro, o almirante disse ele começou a operar em 1914 por meio de parcerias com países como Itália, Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha. Já a origem do Programa do Submarino Nuclear remonta a década de 1970, com o Plano Estratégico da Marinha, que indicava a necessidade de projetar e construir submarinos de propulsão nuclear.

Na década de 1980 e 1990, foi firmada uma parceria com a Alemanha para a construção de cinco submarinos e a transferência de tecnologia. Em 2008, um acordo de parceria estratégica foi assinado com a França possibilitando a construção de quatro submarinos convencionais e um submarino de propulsão nuclear, além da construção de um estaleiro e de uma base naval. “O projeto básico do nosso submarino de propulsão nuclear foi finalizado e certificado pelos franceses em janeiro de 2017 e estamos na fase de detalhamento do projeto”, acrescentou. Cláudio Isaías – Brasil in “Poder Naval”

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Brasil - Montagem final do primeiro submarino convencional do Prosub

A Marinha do Brasil inicia hoje, 20 de fevereiro de 2018, com a presença dos ministros da Defesa do Brasil e da França, a fase de integração dos quatro submarinos convencionais da Classe Riachuelo previstos pelo Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), um dos maiores projetos tecnológicos em andamento atualmente no país. O marco desta nova fase do Prosub acontecerá no Complexo Naval da Itaguaí, com o início da montagem final do “Riachuelo”, o primeiro dos submarinos convencionais do programa a ter unidas todas as seções que formam o casco e os múltiplos sistemas já instalados em cada uma delas. Esta fase, de elevada sofisticação tecnológica, é a última, antes do lançamento do submarino ao mar, previsto para o segundo semestre deste ano.

O Prosub prevê, além da construção concomitante dos quatro submarinos convencionais, o projeto e a construção do primeiro submarino brasileiro com propulsão nuclear e a infraestrutura necessária à construção, operação e manutenção do ambos os modelos.

O programa conta com forte participação de universidades e centros de pesquisa, o que gera, entre outros benefícios, transferência de tecnologia, desenvolvimento próprio de tecnologias, processos e materiais avançados, fomento ao desenvolvimento da base industrial brasileira de defesa, capacitação de profissionais em atividades altamente especializadas e milhares de empregos diretos e indiretos. In “Portos e Navios” - Brasil

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Argentina – Escoa o tempo para encontrar o submarino

Submarinos militares são construídos para atravessar os oceanos da forma mais indetectável possível – sem ser reconhecidos por inimigos e espiões. Entenda como



O último contato do submarino argentino ARA San Juan aconteceu há uma semana, na quarta-feira (15/11), quando a tripulação relatou uma avaria no sistema de baterias.

Deste então, as equipes de resgate correm contra o tempo para salvar a vida dos seus 44 tripulantes. O ARA San Juan é um submarino militar, concebido para participar de missões secretas de vigilância.

Agora, todos se perguntam: por que é tão difícil encontrá-lo? Submarinos militares são construídos para atravessar os oceanos da forma mais indetectável possível – sem ser reconhecidos por inimigos, adversários e espiões. Eles raramente emergem para estabelecer contato de rádio ou telefone com suas centrais de comando, permanecendo geralmente em silêncio.

Mas é claro que isso não se aplica a uma emergência. Nesse caso, a tripulação deve chamar a maior atenção possível: ela pode emitir alerta de socorro na superfície, como também batidas ou outros sons debaixo d'água.

A forma do submarino, no entanto, pode ser um empecilho, pois ele foi projetado para absorver o maior número possível de sinais acústicos.

Um submarino "invisível"?

Submarinos modernos construídos com tecnologia "stealth" – que permite a maior inviabilidade possível – são, por exemplo, os do tipo A212 da Marinha alemã ou o SAAB A26 da Força Naval sueca. Eles foram desenvolvidos na década de 1990 e, desde o início, foram concebidos como submarinos indetectáveis.

Eles quase não emitem ruído ou calor e refletem o mínimo possível os impulsos de radar e sonar. O ARA San Juan não pode ser comparado com esses submarinos.

O submarino argentino foi construído pelo estaleiro alemão Thyssen Nordseewerke e entrou em operação já em 1985. Mais tarde, ele recebeu uma modernização, concluída em 2013. Mas, em princípio, todo submarino militar é construído de forma a emitir o menor número possível de sinais – isso também vale para o ARA San Juan.

Já na Segunda Guerra Mundial, a Alemanha construiu submarinos com capacidade de invisibilidade. O primeiro deles foi o tipo VII da Marinha alemã. Ele foi projetado para reduzir o tanto quanto possível o ruído de motor e, ao emergir, emitir um sinal de radar o mais fraco possível. Desde então, os fabricantes de submarinos desenvolveram cada vez mais formas de tornar esses veículos subaquáticos "invisíveis".

Dispersão em vez de reflexão

O maior perigo para navios e aviões – mas também para submarinos – vem do radar. Ele funciona de forma que as ondas eletromagnéticas sejam refletidas por um material sólido e, de preferência, metálico.

Os iates feitos de plástico reforçado com fibra refletem essas ondas apenas fracamente, sendo na verdade também barcos invisíveis. Só que nesse caso, isso não é algo desejado. Por esse motivo, eles possuem na maioria das vezes um refletor de radar em seu mastro – um octaedro feito de chapa metálica. Assim, o navio se torna reconhecível para os radares.

Quando querem tornar um navio grande invisível, os construtores recorrem de forma semelhante a superfícies plásticas. Isso faz com que, em vez de refletidas, as ondas de radar sejam espalhadas em todas as direções possíveis.

Os projetistas constroem a fuselagem de navios ou aviões num ângulo peculiar, o que faz com que os sinais sejam irradiados numa direção diferente. Nos submarinos, este truque é usado com menos frequência. Aqui, o mais importante é a forma aerodinâmica ideal: quanto melhor o deslocamento do submarino, menor será a emissão de ruído e calor do motor.

Evitar o magnetismo

Atualmente, em submarinos militares, são utilizados praticamente apenas materiais não magnéticos, como aço inoxidável ou titânio. Isso tem a ver com o fato de que muitas minas submarinas estão equipadas com detonadores magnéticos. Se o casco de um navio passar muito perto, elas explodem.

No entanto, se o submarino não é magnético, é provável que ele passe incólume por uma mina submarina. Essa é também uma vantagem para evitar outros detectores eletromagnéticos.

Absorventes acústicos

O que se aplica às ondas de radar também se aplica aos ruídos. O principal instrumento para o rastreamento do fundo do mar é o sonar. Ele emite um sinal sonoro que é refletido pelo solo oceânico. Dependendo do tempo de retorno e da intensidade do sinal, o sonar pode detectar a profundidade da água ou se o solo é rico em sedimentos, coberto de vegetação ou rochoso.

Novamente, um revestimento adequado pode absorver grande parte do sinal do sonar. Assim, na tela, o submarino pode aparecer somente como um difuso monte de lama.

Os possíveis inimigos também não devem saber o que está acontecendo no submarino. Mesmo o barulho de uma escotilha ou o tilintar de panelas pode revelar a sua posição. Ainda mais evidentes são os ruídos de motores e propulsão.

Por esse motivo, dentro de um submarino, tudo que puder se chocar provocando ruídos é isolado e acolchoado com borracha. Somente motores silenciosos são utilizados e, durante uma missão submersa secreta, apenas sussurrantes motores elétricos entram em ação. O bom isolamento acústico também dificulta que a tripulação chame atenção através de batidas e pancadas.

Menor emissão possível de calor

Os submarinos também podem ser interceptados por meio do calor que produzem – por exemplo, com uma câmera de infravermelho a partir de um avião. Por esse motivo, os fabricantes tentam o tanto quanto possível reter o calor dentro do submarino ou ao menos dissipá-lo da melhor maneira.

Em todo caso, devem ser evitadas áreas em que a água apareça de forma bastante aquecida. A medida mais eficaz aqui também é: motores altamente eficientes.

Carros, aviões e navios também podem ser interceptados por ondas eletromagnéticas, que eles mesmos emitem. Isso vale também, é claro, para os submarinos.

Tais ondas podem ser sinais de rádio ou outras radiações que emanam de dispositivos elétricos a bordo: sistemas de radar próprios, computadores, motores, telefones celulares, sistemas de armamentos e muito mais.

Todas essas fontes de radiação devem estar desligadas ou, se isso não for praticável, devem ser isoladas o tanto quanto possível.

Marinha argentina diz que ruído incomum foi detectado no dia do desaparecimento de submarino
(Reuters) - Um ruído incomum foi detectado na semana passada, no dia em que um submarino argentino desapareceu, perto de sua última posição relatada, disse o porta-voz da Marinha, Enrique Balbi, a jornalistas nesta quarta-feira.

Pressionado por repórteres sobre a natureza do som detectado, Balbi se recusou a dizer se indicava uma explosão ou outra emergência a bordo do ARA San Juan, que enviou comunicação pela última vez em 15 de novembro. In “Defesanet” - Brasil


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Internacional - Equipe da BBC atacada por grandes tubarões

Os predadores cercaram o minissubmarino da equipe da BBC quando ela estava a cerca de 700 metros de profundidade

O encontro perigoso da equipe de filmagem do documentário Blue Planet II com tubarões aconteceu quando o minissubmarino com os membros da equipe desceu a uma profundidade de mais de 700 metros para "perceber o que acontece às carcaças de baleia" no fundo do mar. Depois de atravessar uma nuvem de areia, a equipe enfrentou os tubarões, que cercaram o submarino.

Aparentemente, os tubarões esfomeados tomaram o batiscafo por um concorrente, começando a empurrar o submarino e a atacá-lo.

"O submarino é muito forte, mas eles eram tão grandes que tive um pouco de medo", contou mais um membro da equipe.



Assim que os predadores perceberem que a embarcação não ameaçava o seu festim, eles perderam o interesse por ela e a equipe conseguiu continuar com a filmagem. In “Sputnik Brasil” - Brasil

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Brasil – Equipamento sofisticado para fins ilícitos

A Polícia Civil do Pará localizou e apreendeu um submarino que, segundo a principal linha de investigação das autoridades, seria usado para o tráfico internacional de drogas. O veículo estava escondido num buraco do Rio Guajará Mirim, próximo a uma vila de pescadores no município de Vigia de Nazaré, a cerca de três horas de Belém. A descoberta foi possível graças a uma ligação anônima feita para o disk denúncia do governo local.

Com 17 metros de comprimento, três de diâmetro e 4 de altura, o submarino – feito de fibra de vidro e já todo estruturado – foi encontrado na passada terça-feira (15). Segundo o secretário de Segurança Pública do Pará, general Jannot Jansen, o veículo estava “praticamente pronto” e prestes a entrar em operação.

A embarcação tem capacidade para uma tripulação de 30 pessoas e para transportar até 30 toneladas de carga. Uma perícia deverá apontar qual seria o alcance do submarino e, dessa forma, confirmar as suspeitas de que ele seria utilizado para levar drogas até a costa norte-americana.

“Há indícios suficientes de que ele seria utilizado para o transporte internacional de drogas. Na troca de informações que fazemos com a agência de inteligência colombiana, fomos informados sobre a intenção de um cartel daquele país de usar submarinos produzidos artesanalmente com o objetivo de transportar drogas”, disse à Agência Brasil o secretário Jansen.

Segundo o general, as suspeitas ficam ainda mais reforçadas pelo fato de tal veículo requerer grandes investimentos e tecnologias complexas. “Com certeza há, por trás disso, um grupo de importância do tráfico internacional, ligado a algum cartel de língua espanhola”, disse ele. Além disso, foram encontradas, no interior do submarino, inscrições em espanhol nas caixas de alguns produtos, com palavras como La Columbia e Guerrilla 762, o que reforça ainda mais essa hipótese.

Na vila de pescadores próxima ao local onde o submarino foi encontrado, o grupo de criminosos chegou a construir três casas de madeira. Elas seriam usadas como bases de observação para monitoramento da região. As construções serviram também de estaleiro para construção das peças à base de fibra e como um alojamento e refeitório, com diversos beliches, mesas, alimentos, roupas, calçados e utensílios de higiene.

“Sabemos que era um grupo grande, de cerca de 15 pessoas, trabalhando na embarcação, e que eles estavam lá desde setembro. Provavelmente eram trabalhadores brasileiros. Como uma embarcação dessas precisa de gente especializada em engenharia naval, as investigações devem avançar com certa facilidade, no sentido de identificar os envolvidos na construção do veículo”, acrescentou o secretário.

Na passada quinta-feira (17), os policiais começaram os trabalhos de deslocamento do submarino até a base do Grupamento Fluvial do Estado, em Belém. Pedro Peduzzi – Brasil in “Agência Brasil”

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Brasil – Marinha suspende projeto para defesa do pré-sal

O corte de recursos devido à crise econômica levou a Marinha a suspender o projeto para monitorar o mar territorial do país e proteger os recursos do pré-sal, informou o comandante da Marinha, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira.

Um estudo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) estima que a área do pré-sal possua ao menos 176 bilhões de barris de recursos não descobertos e recuperáveis de petróleo e gás natural.

Também foi afetado pelo corte o projeto do submarino nuclear brasileiro, cuja previsão inicial de entrada em operação, avaliada para 2025, sofrerá um atraso de três a quatro anos, segundo o comandante da Marinha, almirante Eduardo Bacellar Leal Ferreira.

“Com orçamento 30% menor do previsto neste ano, tivemos que refazer o cronograma físico e financeiro de uma série de projetos. Todos os projetos sofreram redução de ritmo em diferentes graus”, informou Leal Ferreira a jornalistas em São Paulo. "Temos que enfrentar esta realidade e dar nossa contribuição para se adaptar [à crise econômica no país]. Não podemos desistir e nos desesperar", acrescentou.

O governo federal bloqueou em maio R$ 69,9 bilhões em gastos para 2015. Pela Lei Orçamentária, a Marinha teria disponíveis R$ 3,85 bilhões para custeio e R$ 2,1 bilhões para investimentos neste ano. Com o corte, porém, de R$ 2 bilhões, restou para investimento R$ 1,3 bilhão. Sobraram quase mais R$ 2,6 bilhões para custeio.

O projeto para controlar e vigiar a a zona econômica exclusiva brasileira do Oceano Atlântico, chamado de Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (Sisgaaz), uma área de 4,5 milhões de quilômetros quadrados, tem investimento estimado de R$ 13 bilhões e tinha previsão inicial de estar concluído em 2027.

A interrupção ocorreu no dia 29 de outubro “devido às restrições orçamentárias impostas”, quando uma carta, comunicando oficialmente a decisão, foi enviada aos três consórcios concorrentes. O documento não foi divulgado.

Segundo a Marinha, o alerta foi enviado às candidatas a contratante principal, sendo elas: Embraer Defesa & Segurança, Odebrecht Defesa e Tecnologia e Orbital Engenharia. Não há previsão de quando o programa será retomado, o que pode ocorrer “assim que as condições financeiras permitirem”.

Invasões

Semelhante ao projeto que o Exército possui para vigiar as fronteiras terrestres, o Sisgaaz tem como missão garantir maior segurança marítima e a defesa no Atlântico Sul, gerando maior eficiência dos órgãos brasileiros para a fiscalização de narcotráfico e contrabando pelo mar, operações de busca e salvamento e também impedir que embarcações de outros países invadam as águas jurisdicionais brasileiras.

Em 30 de outubro, o jornal “Folha de S. Paulo” divulgou que navios de guerra dos Estados Unidos realizaram operações marítimas na costa brasileira em 2014 sem avisarem às autoridades e sem terem sido percebidas. Segundo o comandante da Marinha, o ocorrido se deve a uma diferença de entendimento sobre como o Brasil e os Estados Unidos analisam cláusulas da convenção da ONU sobre os direitos do mar. Ele minimizou suspeitas de que outras invasões podem ter ocorrido.

“Eu considero estes meus direitos, de autorizar manobras militares, em especial com emprego de armas, em nossa zona econômica exclusiva. O americano tem uma posição diferente, ele acha que a navegação ali é livre e não inclui qualquer restrição a operações militares. É a interpretação que ele tem e ele tenta forçar a ideia de que o ponto de vista dele está coerente”, afirma Leal Ferreira sobre o tema.

“Este é um assunto para ser discutido no ponto de vista diplomático e não no âmbito militar”, diz. “São pequenos pontos divergentes que não podemos transformar em grandes contendas”.

O Sisgaaz, quando introduzido plenamente, permitirá ao Brasil identificar navios invasores em toda a sua área de controle, afirma o comandante. Com a suspensão do programa, não há previsão de quando isso irá acontecer.

Submarino a ver navios

A construção do submarino nuclear, que também servirá como fator de dissuasão para impedir a invasão de embarcações estrangeiras e impor o poder militar brasileiro no mar, também foi atingida pelo corte de recursos.

Além do atraso em até 4 anos para a sua finalização, haverá corte de 200 funcionários civis em São Paulo e Iperó entre o fim de 2015 e início de 2016. Hoje são 3 mil pessoas trabalhando no desenvolvimento - 1.200 são profissionais qualificados, como cientistas, que não podem ser desvinculados do projeto por possuírem informações estratégicas.

O projeto do submarino nuclear brasilerio teve início em 1979 e já consumiu mais de R$ 1 bilhão de recursos. "Fomos afetados pelo corte orçamentário e tivemos que reduzir o ritmo, mas não paralisou. Em 2015, o esperado era de R$ 320 mil para custeio, e recebemos R$ 250 mil. Esta redução significativa deve se manter em 2016", afirmou Leal Ferreira.

A Marinha também vem emperrando em adversidades para desenvolver a propulsão nuclear, pois os países que detêm o conhecimento – o seleto grupo com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU (EUA, Rússia, China, Inglaterra e França) – não desejam repassá-los ao Brasil.

"Com certeza, vai atrasar. Há duas dificuldades. A primeira é financeira, temos que ter um fluxo de dinheiro constantemente. Porque fazemos contratos para daqui a três, quatro anos, e repactuar um contrato destes sempre fica muito difícil, os próprios fornecedores ficam desconfiados. A outra é dificuldade técnica, porque estamos desenvolvendo tudo sozinho, sozinho, sozinho. Mas nós estamos avançando", diz Leal Ferreira.

“Quando eles (outros países) tomam conhecimento que nós vamos usar aquele determinado equipamento no programa nuclear, eles proíbem a venda. Tudo nós temos que descobrir por nós mesmos. Apesar das dificuldades técnicas, nós estamos sempre avançando, até agora não teve nada intransponível. Mas com a redução dos recursos, tivemos que reduzir mais", salientou o comandante da Marinha. Tahiane Stochero – Brasil in “O Globo”