Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 23 de março de 2019

Moçambique – Gás natural liquefeito vai atrair investimento directo estrangeiro

Com um potencial de 15,2 milhões de toneladas, por ano (MTPA), o projecto de Gás Natural Liquefeito (GNL), desenvolvido na bacia do Rovuma, na província de Cabo Delgado, vai atrair entre 27 e 32 biliões de dólares norte-americanos em investimento directo estrangeiro (IDE), devendo rentabilizar 2,6 biliões de pés cúbicos de recursos de GNL ao largo, aumentar de 15 a 18 biliões de dólares o Produto Interno Bruto (PIB) de Moçambique, por ano, e transformar o País, a breve trecho, no quarto maior produtor de GNL do mundo.

Os resultados do estudo macroeconómico independente sobre o potencial da Área 4 do projecto de Gás Natural Liquefeito, elaborado pelo Standard Bank, foram apresentados na passada terça-feira, 19 de Março, em Maputo, e indicam que o GNL do Rovuma tem potencial para tornar a província de Cabo Delgado numa das regiões de maior crescimento acelerado do mundo, com a perspectiva de desenvolver o apoio às cadeias de valor industrial e agrícola.

A propósito da pesquisa, Chuma Nwokocha, administrador delegado do Standard Bank, referiu que com o estudo, o banco pretende contribuir para aumentar o entendimento sobre o desenvolvimento dos projectos do sector, no País: “O Standard Bank está interessado em promover o desenvolvimento económico de Moçambique. Com este estudo, esperamos contribuir para que todos os intervenientes no sector e a sociedade em geral percebam melhor sobre o potencial dos projectos de Petróleo e Gás, seus benefícios e como todos nós podemos contribuir para rentabilizar estes recursos”, frisou.

O projecto de GNL do Rovuma tem como meta de Decisão Final de Investimento (DFI) prevista para meados do corrente ano.

O director de Petróleo e Gás da África Subsaariana do Standard Bank, Paul Eardley-Taylor, explicou que dependendo do cenário CAPEX (investimento em bens de capital), o GNL do Rovuma poderá gerar um aumento do Produto Nacional Bruto (PNB) anual em 10 a 14 biliões de dólares norte-americanos, contribuindo em 4 a 5 biliões de dólares anuais em receitas públicas, nos próximos 25 anos.

“Espera-se que o GNL do Rovuma aumente a taxa de crescimento real projectada para Moçambique de 4 por cento para 4,8, a 5,4 por cento, dependendo do cenário”, sublinhou.

Sob a perspectiva de oferta de emprego, espera-se que o projecto de GNL do Rovuma venha a empregar 20 500 trabalhadores no sector de construção e 1300 operários. Prevê-se, igualmente, que o desenvolvimento das actividades criem muito mais oportunidades adicionais de emprego de diversas cadeias de valor e actividades de reinvestimento associadas ao apoio, fornecimento e lucros provenientes da operação comercial do GNL do Rovuma.

O GNL do Rovuma, conforme destaca o estudo, vai formar o núcleo do que, a curto prazo, será uma indústria substancial de gás doméstico em Moçambique, com um abastecimento regional alargado.

“O desenvolvimento de uma indústria de gás doméstico em Moçambique, poderá ajudar o Governo a alcançar a sua visão de ter um sector de gás doméstico, em paralelo, com capacidade de exportar o GNL. Isto vai conduzir um vasto desenvolvimento nacional e uma transformação social, especialmente na formação das Pequenas e Médias Empresas (PME)”, segundo sustentou Paul Eardley-Taylor.

Enquanto a China aprofunda a sua política de substituição de combustíveis, que visa substituir o carvão mineral por gás natural limpo como fonte de energia, o sucesso do desenvolvimento do GNL do Rovuma poderá colocar Moçambique numa posição de liderança para tornar-se um fornecedor líder de GNL à segunda maior economia do mundo, a longo prazo.

O estudo macroeconómico sobre o impacto do GNL do Rovuma antecede o Estudo Macroeconómico de 2014, que incidiu sobre a Área 4, elaborado pelo Standard Bank, em colaboração com os economistas de Conningarth.

“Sendo o Standard Bank, um banco africano que considera África como a sua casa, compromete-se a conduzir o crescimento do continente, servindo-se da sua presença e da sua visão e perícia para desenvolver os recursos do continente e todo o seu potencial em benefício dos cidadãos africanos”, enfatizou Paul Eardley-Taylor.

Entretanto, o estudo alerta que qualquer atraso do GNL do Rovuma terá um impacto económico negativo para o alcance das metas actualmente projectadas. Para mitigar este risco, o estudo sobre o GNL do Rovuma faz diversas recomendações. In “Olá Moçambique” - Moçambique

sábado, 13 de janeiro de 2018

Moçambique - Anadarko negoceia venda de gás natural à China

A Anadarko, multinacional petrolífera norte-americana com sede em Houston, está a negociar com as suas contrapartes na China a venda de gás natural liquefeito (GNL) da bacia do Rovuma àquele país asiático

MAPUTO- “Está em discussões com uma série de homólogos chineses, incluindo empresas nacionais de petróleo e compradores independentes de GNL emergentes”, disse esta semana a Anadarko, citada pela Bloomberg.

A fonte referiu que o aumento do consumo de gás natural “faz da China um mercado estratégico de longo prazo para o projecto de GNL em Moçambique liderado pela Anadarko”.

A demanda recorde de gás natural na China poderá ajudar a estimular a decisão final de investimento para o arranque dos projectos de exportação de GNL na região da África Oriental, de acordo com Emma Richards, analista sénior de petróleo e gás da empresa de consultoria BMI Research.

Nos primeiros 10 meses de 2017, os preços de GNL registaram uma melhoria considerável, estimulados pelas importações chinesas, e cresceram quase 50 por cento. Por isso, a China acabou por se tornar no terceiro maior importador de gás natural do mundo, depois do Japão e da Coreia do Sul, de acordo com dados compilados pela Bloomberg New Energy Finance.

Enquanto a Eni SpA assinou seu projecto de coral flutuante de sete bilhões de dólares em Moçambique, a Anadarko precisa de mais contratos de compra e venda para justificar uma decisão final de investimento para o desenvolvimento do seu campo de gás natural, na bacia do Rovuma.

A Anadarko já assinou contratos de compra e venda para cerca de 2,6 milhões de toneladas por ano das mais de oito milhões de toneladas que tenciona produzir numa primeira fase.

“A localização geográfica central e favorável de Moçambique significa que o país está bem posicionado para atender às necessidades dos clientes do mercado do lado do atlântico e dos mercados da Ásia e do Pacífico, em particular, aproveitando a crescente demanda por energia na China', disse a Anadarko.

Segundo afirmou Richards, do BMI, a demanda chinesa também vai ajudar a amortecer o impacto negativo do ‘boom’ do gás de xisto dos EUA.

“A China poderá desempenhar um papel ao reduzir o excesso de gás natural”, acrescentou Richards, em entrevista telefónica.

'Se a China aparecer no mercado com maior pujança, procurando aumentar mais volumes, então sim, certamente isso ajudaria os operadores em Moçambique e na Tanzânia a garantir os contratos de compra e venda para facilitar a obtenção de financiamento e fazer avançar os projectos para desenvolvimento”, referiu.

Em Outubro de 2016, o consórcio do Bloco da Área 4 na Bacia do Rovuma, liderado pela multinacional italiana ENI, assinou um acordo vinculativo com a BP Poseidon Ltd., uma empresa totalmente controlada pela BP Plc, para a venda de GNL que será produzido na fábrica flutuante a ser instalada no Campo de Coral Sul, na Bacia do Rovuma.

O contrato, que é válido por 20 anos, cobre a venda de todos os volumes de GNL que serão produzidos a partir da fábrica flutuante de GNL de Coral Sul, com uma capacidade de produção acima de 3,3 milhões de toneladas de GNL por ano. In “Folha de Maputo” - Moçambique

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Moçambique – Anadarko próxima da decisão final de investimento na Bacia do Rovuma

A Anadarko, uma companhia petrolífera norte-americana com sede em Houston, estado do Texas, poderá tomar a decisão final de investimento no próximo ano para a implementação do seu projecto de gás natural na província de Cabo Delgado, em Moçambique, disse na passada semana o director executivo, Al Walker, citado pelo jornal Houston Chronicle.

Há seis anos, a Anadarko descobriu enormes depósitos de gás natural na Bacia do Rovuma que, segundo alguns analistas, poderão colocar Moçambique na liga dos maiores produtores do mundo.

Na altura, a China, a Índia e o Japão encontravam-se envolvidos numa corrida desenfreada para fechar contratos para a importação de gás natural. Agora, a Ásia e outras regiões do mundo registam um excesso de produção de gás natural liquefeito (GNL), algo que acabou refreando drasticamente a apetência dos investidores para o desenvolvimento de novos empreendimentos, a semelhança do projecto de Moçambique, que está orçado em várias dezenas de biliões de dólares.

Contudo, em entrevista concedida sexta-feira, na cidade norte-americana de Houston, Walker, disse que o projecto poderá iniciar a produção precisamente no momento certo, ou seja no período compreendido entre os anos 2022 e 2023.

Essa é a altura em que as empresas de pesquisas energéticas IHS Markit e Wood Mackenzie acreditam que a economia global terá crescido o suficiente para estimular uma nova vaga de demanda de GNL.

Segundo Walker, a Anadarko projecta investir cerca de 15 bilhões de dólares em Moçambique no próximo ano. Isso poderia colocar o projecto em andamento para que o início da exportação de gás natural coincida com a redução dos excedentes no mercado internacional.

“A nossa esperança é de podermos avançar muito rapidamente”, disse ele.

A empresa ainda está por concluir algumas questões pendentes nas negociações com o governo moçambicano, incluindo a assinatura de um acordo para o reassentamento das famílias residentes na área onde será implantado o projecto. O custo do reassentamento poderá atingir cerca de 300 milhões de dólares para a construção de novas casas e outras infra-estruturas para as pessoas afectadas.

A Anadarko já apresentou o seu plano de reassentamento ao governo e aguarda a aprovação do governo.

O acordo de reassentamento, bem como vários outros contratos inacabados, são algumas questões que levaram o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, que se encontra a efectuar uma visita de trabalho de quatro dias aos EUA, a reunir-se com o director executivo da Anadarko, na sexta-feira, na sede daquela multinacional norte-americana.

Uma vez concluídas as negociações, o projecto da Anadarko em Moçambique poderá, eventualmente, encarar os mesmos desafios que outras multinacionais petrolíferas enfrentaram no passado para a construção de unidades de liquefacção de gás natural em regiões com fracas infra-estruturas ou escassez de mão-de-obra qualificada, disse Bob Fryklund, estratega-chefe da IHS Markit.

Aliás, segundo a IHS, nos últimos anos, três em cada quatro grandes projectos de energia implementados em países em desenvolvimento acabaram por ultrapassar o orçamento inicial ou sofreram atrasos.

Por isso, a forte concorrência que se avizinha ao longo dos próximos anos poderá deixar pouca margem de erro para a Anadarko num mercado que, eventualmente, poderá voltar a registar grandes excedentes com a expansão das unidades de processamento de gás natural existentes nos EUA e Austrália, disse Fryklund.

Este é o melhor momento para tomar uma decisão final de investimento, porque os preços provavelmente irão recuperar nos próximos cinco anos o problema é não aproveitar essa janela (de oportunidade), explicou Fryklund.

Não é um desafio intransponível, mas este é o primeiro projecto de GNL da Anadarko, acrescentou.

A petrolífera norte-americana acredita que poderá extrair cerca de 75 triliões de pés cúbicos de gás recuperáveis em Moçambique, tornando as suas descobertas algumas das maiores da última década. In “Agência de Informação de Moçambique” - Moçambique