Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Macau – Uma alternativa para os médicos dentistas portugueses


Uma dezena de dentistas portugueses na RAEM é muito pouco. “Macau continua a apresentar um enorme potencial para atrair os médicos dentistas portugueses”, diz o bastonário da Ordem dos Dentistas ao Ponto Final, que pretende reactivar o Congresso Dentário Sino-Português em Macau

Registados na Ordem dos Médicos Dentistas (OMD) portugueses há quatro profissionais em Macau, mais oito que indicaram à Ordem estarem na China. De nacionalidade portuguesa, em Macau, há cerca de uma dezena, sendo que cerca de metade já aqui nasceu e a outra optou por Macau, após a licenciatura, segundo números fornecidos pelas autoridades da RAEM à OMD, e que esta divulgou ao Ponto Final. Mas o bastonário da OMD acredita que é possível aumentar muito mais estes números. “Num momento em que Portugal continua a deparar-se com um excesso de médicos dentistas (conforme comprova o estudo Os Números da Ordem), Macau surge como uma alternativa em termos de oportunidades de trabalho e de aplicação do conhecimento adquirido por estes profissionais altamente qualificados,” diz Orlando Monteiro da Silva, ao Ponto Final.

“Macau continua, por isso, a apresentar um enorme potencial para atrair os médicos dentistas portugueses,” acrescenta o bastonário. “Recordo que a Região assume-se como plataforma de ligação entre os países de língua portuguesa e a China, especialmente agora com a abertura da Ponte do Delta, uma obra que certamente trará outra dinâmica à região e desafios em todas as áreas, incluindo a da saúde”.

Para além da questão concreta de Macau poder acolher mais dentistas formados em Portugal, Orlando Monteiro da Silva destaca outra forma de aproximação entre as duas partes: “acredito que existem todas as condições para o intercâmbio ao nível do conhecimento, da tecnologia e da investigação, não só através da prática clínica, mas também académica e científica. Envolver governos, faculdades e outras entidades na dinamização deste relacionamento trará certamente ganhos para as populações e para a profissão”.

Foi neste sentido que a República Popular da China e Portugal assinaram no final de 2017 um protocolo de cooperação na área da medicina dentária. O documento prevê o intercâmbio de conhecimentos científicos, tecnológicos, de inovação e ainda de profissionais entre os dois países, tendo Macau como “ênfase especial”.

Na altura foi referido que o protocolo pretendia trazer benefícios para as populações envolvidas, nos dois países. “É um protocolo de troca de saberes científicos, tecnológicos, de inovação, de profissionais, de congressos, de organizações mútuas, entre a China e Portugal. Obviamente com ênfase especial em Macau, para incrementar as relações a este nível entre os dois países, particularmente na medicina e na medicina dentária”, disse Orlando Monteiro da Silva. Mais de um ano depois, o bastonário da OMD afirma que no contexto do acordo “têm sido desenvolvidos contactos no sentido de realizar alguns eventos em Portugal”.

Em Orlando Monteiro da Silva, que conhece bem Macau, existe “a convicção de que a troca de experiências e conhecimentos é benéfica para ambos os países. Daí ser nossa intenção retomar num futuro próximo o Congresso Dentário Sino-Português em Macau, um evento com provas dadas na aproximação dos dois povos. Este encontro sempre se assumiu como uma oportunidade de excelência para a formação contínua e partilha académica, científica e profissional entre médicos dentistas asiáticos e de países de língua oficial portuguesa”.  João Meneses – Macau in “Ponto Final”

sábado, 3 de novembro de 2018

Portugal – Aeroporto de Beja, a infraestrutura que os políticos de Lisboa não enxergam

Autarcas e empresários do Baixo Alentejo criticam os “milhões de euros” previstos para o possível aeroporto no Montijo e insistem no potencial da infraestrutura de Beja como complementar a Lisboa e Faro, recusando o “rótulo” de “elefante branco”



Se avançar a construção do novo aeroporto no Montijo (Setúbal), o valor do investimento previsto “é completamente despropositado, é descabido até”, disse à agência Lusa o socialista Jorge Rosa, presidente da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (CIMBAL).

Também o presidente da Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral (NERBE/AEBAL), Filipe Pombeiro, questionou se Portugal terá “disponibilidade” para “fazer um investimento de largos milhares de milhões de euros noutro mega-aeroporto”.

“Será que não existem soluções? Acho que existem, nomeadamente o aeroporto de Beja”, defendeu à Lusa.

Os empresários alentejanos, salientou Filipe Pombeiro, nada têm “contra o Montijo”, estão é “a favor” do equipamento que “está feito em Beja” e que “tem todas as condições para servir o país”.

O aeroporto de Beja, que resulta do aproveitamento civil da Base Aérea n.º 11 e custou 33 milhões de euros, começou a operar a 13 de abril de 2011, quando se realizou o voo inaugural.

Desde então, apesar de aberto, tem estado praticamente vazio e sem voos e passageiros na maioria dos dias e quase só tem servido para estacionamento e manutenção de linha de aviões de algumas companhias aéreas.

Este verão, o tráfego de passageiros aumentou, graças a operações de voos “charter” associadas a pacotes de operadores turísticos.

Em julho, a infraestrutura aeroportuária alentejana foi escolhida pela empresa aérea europeia Hi Fly, que já aí detém uma base para estacionamento e manutenção de aeronaves, como “palco” da 1.ª aterragem em Portugal de um Airbus A380, o maior avião comercial do mundo, por ser o único aeroporto nacional com capacidade para o receber (este “gigante dos céus” continua a parar em Beja entre operações).

A construção de uma unidade de manutenção e desmantelamento de aviões da empresa Aeroneo e de um hangar da empresa portuguesa MESA para manutenção de aviões, sobretudo da Hi Fly, são alguns dos projetos que estão previstos para o aeroporto de Beja.

Autarcas e empresários da região têm reivindicado que esta infraestrutura tem de ser mais aproveitada, nomeadamente em termos de voos de passageiros, como complementar aos aeroportos de Lisboa e de Faro, que dizem estar “esgotados”.

Para o presidente da Câmara de Beja, Paulo Arsénio (PS), o aeroporto da cidade “reúne boas condições para servir de retaguarda a Lisboa” e “a qualquer aeroporto nessa zona, tal como o demonstrou este verão, através de ações promovidas por operadores turísticos”.

E ainda no que respeita a voos de passageiros, acrescentou o autarca, “a superlotação” que “já existe” no aeroporto de Faro “também pode e deve ser explorada” para rentabilizar Beja: “Pode ser um extraordinário aeroporto complementar para toda a região algarvia”.

Por isso, sublinhou, ainda que avance “um aeroporto complementar na zona de Lisboa”, como o que está previsto no Montijo, “não é por aí que Beja sairá grandemente prejudicada”, porque o equipamento da cidade "é de excelência" e, "sempre que haja superlotação a norte ou a sul, está muitíssimo bem situado para servir de complemento”.

Convicto de que o aeroporto de Beja “não será, de certeza, um elefante branco”, o autarca lembrou que a infraestrutura tem “uma potencialidade de aproveitamento e de criação de mais-valias e de emprego” que ultrapassa “o simples tráfego de passageiros”.

“O que é preciso são duas ou três empresas âncora que, depois, possam atrair outras para a região”, sustentou.

No “caminho” que o aeroporto de Beja precisa de percorrer para se afirmar, realçou o presidente do NERBE/AEBAL, subsistem ainda dois problemas.

“Ainda não houve um governo que olhasse para o aeroporto e o quisesse viabilizar” e “há o problema das acessibilidades”, assinalou Filipe Pombeiro, frisando: “Se tivermos uma boa ferrovia e uma boa rodovia, numa hora e pouco conseguimos estar em Lisboa”.

Jorge Rosa, da CIMBAL, sugeriu até que os “milhões” previstos para o Montijo deveriam ser aplicados “na melhoria das acessibilidades rodoviárias e ferroviárias” à região, que “estão muito más”, o que “permitiria encurtar o tempo de distância até Lisboa”, acabando com "o argumento que é utilizado, o da distância, para não se considerar o aeroporto de Beja como complementar” ao da capital.

“Já o Alqueva não o era, como se provou, e isto também não é nenhum elefante branco. Se tivermos condições de acessibilidades, tenho a certeza de que este investimento ainda vai dar um retorno muito grande ao país”, argumentou Filipe Pombeiro. In “Sapo24” – Portugal com “Lusa”

sexta-feira, 30 de março de 2018

CPLP – O potencial económico para além da língua

Londres – A secretária-executiva da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) considerou, que o crescente interesse de países como a Coreia do Sul no estatuto de observador mostra o potencial económico da organização sem o idioma como prioridade.

Trata-se do segundo país asiático a procurar aproximar-se de um mercado com 270 milhões de pessoas, depois do Japão, que já possui o estatuto de observador associado, juntamente com o Senegal, Namíbia, Turquia, República Checa, Uruguai, Geórgia, Eslováquia, Maurícia e Hungria.

Segundo Maria do Carmo Silveira, Itália, Costa do Marfim, Andorra, Argentina e Chile já têm os processos bastante avançados e espera-se que a aprovação seja abordada na cimeira do Sal, em Cabo Verde, agendada para 17 e 18 de Julho.

Outros países também já terão sondado ou manifestado interesse, incluindo França, em serem observadores da CPLP, o que dá acesso a participar nas Cimeiras de Chefes de Estado e de Governo, Conselhos de Ministros, ao acesso a documentação e a apresentar comunicações.

Num seminário no Instituto Real de Relações Internacionais, em Londres, a dirigente são-tomense, em funções há 15 meses, argumentou que a CPLP se deve adaptar às “profundas alterações na conjuntura política e económica interna dos Estados membros e significativas transformações no modo de funcionamento das economias mundiais”.

Perante os atuais desafios económicos e sociais, que são confrontados com a redução da ajuda ao desenvolvimento, os países africanos “querem ver na CPLP novas formas alternativas de relacionamento” que promovam maior contacto com o sector privado.

“Para os países africanos membros, a CPLP não deve continuar focalizada apenas na língua portuguesa como há 20 anos. O critério exclusivamente linguístico deixa de ser sentido. Outras organizações já existentes com base nesse critério adaptaram-se e alteraram a sua composição e os seus objetivos estratégicos”, vincou Silveira.

Sem esquecer o património linguístico e cultural, acrescentou, “estes países têm todo o interesse que a organização se adapte à nova realidade, resultante da conjuntura internacional, onde os pilares sociais económicos e sociais assuma maior importância no domínio da geopolítica e da geoeconomia”.

Para a secretária-executiva, o potencial da CPLP está sobretudo na cooperação económica e empresarial, mas lembrou que a decisão para reformular a organização criada em 1996 depende dos dirigentes de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

“O que temos feito ao nível do secretariado executivo é lembrar os Estados membros o extraordinário instrumento de desenvolvimento interno e de projeção internacional que têm em mãos, sem nunca esquecer que caberá aos Estados decidir o que fazer com ele”, concluiu Maria do Carmo Silveira. In “Inforpress” – Cabo Verde