Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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domingo, 9 de dezembro de 2018

Timor-Leste - Novo aeroporto de Oecusse concluído

A Região Administrativa Especial de Oecusse-Ambeno (RAEOA) recebeu na passada quinta-feira a obra do novo aeroporto internacional do enclave timorense, o mais avançado de Timor-Leste, com um custo total de quase 120 milhões de dólares.

O aeroporto tem uma pista de 2 200 metros de comprimento e de 45 metros de largura, com um 'stopway' pavimentado de 60 metros a cada extremidade e uma zona de segurança adicional (RESA) de 90 metros, além de uma faixa de 300 metros de largura de área de proteção, segundo informou à Lusa a RAEOA.

A infraestrutura tem capacidade para acolher aeronaves da categoria 4C - B737-800 ou A320-200 equivalente - inclui um terminal com capacidade para 250 mil passageiros anuais e 500 passageiros a chegar e a partir em simultâneo.

O terminal tem 12 balcões de check-in e salas de embarque separadas para voos domésticos e internacionais, mas que podem ser reconfiguradas dinamicamente para acomodar diferentes necessidades.

A unidade conta com sistemas modernos de comunicações, de salvamento e de informação meteorológica automatizada.

Há ainda um terminal de carga e um edifício para os Serviços de Quarentena e um edifício para albergar e manter todos os equipamentos de apoio de placa que fazem parte do pacote de construção e que permitem a assistência às aeronaves.

O aeroporto dispõe ainda de um parque de combustíveis de aviação que pode ser expandido ao longo do tempo e onde se podem armazenar 80 000 litros de Jet Fuel e 3000 litros de AVGAS 100LL para aeronaves ligeiras de pistões.

A obra arrancou em março de 2015 e foi adjudicada à empresa indonésia PT Wijaya Karya com um valor inicial de 79,8 milhões de dólares, revisto em junho de 2016 para 119,9 milhões, o seu valor final.

Esse aumento de preço surgiu depois de uma revisão ao projeto inicial realizado pela empresa ISQ que obrigou a "alterações profundas" no projeto que se não tivessem sido feitas, como foi anunciado na altura pelos responsáveis timorenses, teria inflacionado a obra para um custo de entre 140 e 160 milhões.

Durante os próximos meses ainda continuarão a decorrer trabalhos de finalização e correção de equipamentos, mas a infraestrutura já pode começar a ser usada por passageiros que, para já, continuam a ser limitados a voos domésticos.

O ato contratual, de 'entrega' da infraestrutura, permite que parte do aeroporto possa já ser usado enquanto decorrem as obras finais, explicaram responsáveis do projeto.

Com um custo total de quase 120 milhões de dólares o novo aeroporto amplia significativamente as condições do acesso ao enclave que até 2015 era praticamente apenas por estrada e mar e que, desde aí, tem permitido viagens áreas, ainda que com uma pista provisória.

Antes das mudanças implementadas pela RAEOA, aterrar em Oecusse obrigava, muitas vezes, a afastar vacas e porcos que pastavam nas ervas altas próximo de uma curta pista de terra batida. Uma ligação com risco e cara: o único avião tinha que ser fretado.

Numa primeira fase do projeto, e segundo documentação enviada pela RAEOA à Lusa, foi construída uma pista temporária 750 por 23 metros, uma zona para estacionar duas pequenas aeronaves e uma torre provisória. “Agência Lusa”

Há três anos publicámos: Timor-Leste - Novo aeroporto de Oecusse

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Timor Leste – Novo aeroporto de Oecusse

O aeroporto do enclave timorense de Oecusse deverá custar, no mínimo, cerca de 170 milhões de dólares, mais do dobro do inicialmente previsto, devido a erros, falta de informação e imprecisões no projeto inicial, segundo responsáveis da obra.

Os cerca de 80 milhões do desenho inicial do projeto não correspondiam ao seu custo real, segundo o construtor, a empresa indonésia Wika, e os fiscalizadores da obra, a empresa portuguesa ISQ.

O desenho para a construção do aeroporto foi revisto depois da equipe da ISQ, contratada pela autoridade da região autônoma para fiscalizar a obra, ter concluído que o projeto inicial era irrealizável.

Nos últimos meses, a ISQ trabalhou com a construtora indonésia Wika, a quem foi adjudicada a obra, e com os responsáveis da Zona Especial de Economia Social de Mercado (ZEESM) para analisar o projeto inicial, tendo entretanto construído uma pista provisória, que já funcionou esta semana.

Responsáveis da Wika deram a conhecer o novo desenho do aeroporto durante uma reunião da Comissão de Coordenação e Acompanhamento da Região Administrativa Especial de Oecusse Ambeno, numa apresentação aberta à imprensa.

O encontro contou com a presença do primeiro-ministro de Timor-Leste, Rui Maria de Araújo, do responsável da ZEESM, Mari Alkatiri, e de vários ministros timorenses, incluindo o do Planeamento e Investimento Estratégico, Xanana Gusmão.

Os responsáveis da Wika explicaram que o custo inicial orçamentado não era real, já que seriam necessárias obras adicionais que empurrariam o valor do projeto para entre 140 e 160 milhões de dólares.

Isso sem garantir que o aeroporto cumpria as exigências necessárias, podendo transformar-se num ‘elefante branco’, o que levou à revisão de todo o projeto.

Assim, foram propostos dois novos orçamentos, que variam, dependendo da área que será reclamada ao mar, entre 126 e 171 milhões de dólares.

O valor, em qualquer projeto, pode ser afetado por custos relacionados com o solo, que tem de ser reforçado. No pior cenário, o aeroporto poderá custar quase 200 milhões de dólares, com o valor mínimo a rondar os 171 milhões.

Desenhado durante o anterior Governo e entregue à ZEESM, o projeto estava inacabado, sem informação suficiente essencial para a execução da obra – incluindo os estudos de densidade do solo – e com apenas parte dos requisitos em termos de infraestruturas e outros componentes.

A avançar tal como estava desenhado, explicaram à Lusa elementos da equipe da ISQ, o projeto poderia nunca ser acabado, veria o seu custo real necessariamente inflacionado por custos adicionais e continuaria a ter limitações.

O projeto anterior implicava, por exemplo, que o aeroporto só poderia ser utilizado durante o dia e nunca com mau tempo, e veria, quase obrigatoriamente, a necessidade de alocações orçamentais adicionais.

Uma situação idêntica à que se vive na construção do aeroporto de Suai, que já teve cinco orçamentos adicionais e ainda não está concluído.

Por isso, e como detalharam responsáveis da Wika, foi necessário rever o desenho para incluir os elementos que faltavam, calcular a elevação, concluir a topografia, analisar os solos e otimizar a engenharia.

É necessário um aterro médio de 1,9 metros de altura – ou cerca de 513 mil metros cúbicos – e reclamar ao mar uma área de mais de 21 mil metros quadrados.

A equipe da Wika, com o apoio dos consultores da ISQ, antecipa que a obra só estará concluída em 2018, o que permite dividir o custo ao longo dos próximos três anos, sendo que a pista e o terminal estarão em condições de funcionar a partir de 2017.

O novo aeroporto, de categoria C, permitirá movimentos de aviões com entre 150 e 180 passageiros, da dimensão dos Airbus A320-200 e Boeing 737-800, com uma pista de 2,5 quilômetros de comprimento. O aeroporto terá capacidade para um movimento de 250 mil passageiros por ano (700 em hora de ponta).

Oecusse terá assim possibilidade de ter voos diretos para destinos num raio de 4.000 quilômetros (ou voos de cerca de cinco horas de duração), permitindo ligações com Jakarta, Surabaya, Singapura, Banguecoque e várias cidades australianas, por exemplo.

Oecusse é um dos 13 distritos administrativos de Timor-Leste, localizado na costa norte da metade ocidental da ilha de Timor, constituindo um enclave de Timor-Leste, já que está separado do resto do país pela província indonésia de Timor Oeste. In “Mundo Lusíada” - Brasil