Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sábado, 6 de abril de 2019

Espanha – Divulga manuscrito emblemático da literatura medieval portuguesa


O Ministério da Cultura de Espanha e a Polícia Nacional do país vizinho apresentaram em Madrid uma folha manuscrita restaurada do Livro da Montaria, redigido no século XV, na corte de D. João I de Portugal

Trata-se de um «fragmento» de uma obra «emblemática da literatura medieval portuguesa» e «fundamental» para o estudo da arte de caçar dessa época, explicou o diretor-geral das Belas-Artes espanholas, Román Fernández-Baca.

A «preciosa» folha manuscrita, que tinha sido roubada em 1995 e recuperada em 2014, foi «restaurada, estudada e digitalizada», e foi devolvida esta quinta-feira, 4 de abril, ao Arquivo Provincial de Lugo (Galiza).

O Livro da Montaria original está desde 1600 na biblioteca do colégio da Companhia de Jesus de Monforte de Lemos (concelho de Lugo).

Anteriormente, pensa-se que teria sido doada a essa instituição pelo cardeal Rodrigo de Castor Osório, filho da III Condessa de Lemos, com ligações à família real portuguesa.

Após a expulsão dos jesuítas de Espanha, no século XVIII, a obra desapareceu e foi considerada destruída.

O Livro da Montaria, escrito por iniciativa direta do rei João I, entre 1415 e 1433, descreve ensinamentos práticos sobre a arte da cavalaria e técnicas específicas para caçar diferentes presas, sobretudo o urso e o javali.

O livro só era conhecido através de testemunhos medievais, entre eles as referências feitas pelo filho e sucessor de João I, o rei Duarte, e pelos registos na sua biblioteca.

Até à recuperação deste manuscrito, considerava-se que havia apenas três exemplares do Livro da Montaria, todas elas cópias posteriores ao período medieval.

O mais antigo, datado de 1626 e feito a partir do livro a que pertence o fragmento hoje apresentado, está guardado na Fundação Oriente, em Lisboa.

Os dois posteriores foram elaborados em 1844 e em 1897 e estão, respetivamente, na Biblioteca Nacional de Lisboa e na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.

«A montaria era muito importante naquela época, porque era uma forma de preparação para a guerra», explicou Severiano Hernández, subdiretor-geral dos Arquivos Estatais.

A investigação sobre a localização do Livro da Montaria foi iniciada em fevereiro de 2014, quando o Arquivo Provincial de Lugo localizou outros 24 «fragmentos» dessa obra que tinham sido «reutilizados» para proteger vários livros com atos ou escrituras notariais feitas em Monforte de Lemos, no século XVIII.

De acordo com o que foi explicado, sendo as folhas de pergaminho mais resistentes que o papel comum, os «fragmentos» do Livro da Montaria foram utilizados para embrulhar as escrituras notariais.

«A folha recuperada foi devolvida em 2014 pela família de uma pessoa que supostamente tinha subtraído o fragmento» em 1995, disse o comissário chefe da Unidade de Delinquência Especializada e Violenta (UDEV) da Polícia Nacional espanhola, Enrique Juárez.

Escrito entre 1415 e 1433, o livro tem 70 capítulos divididos por três volumes, e estava erradamente classificado como contendo um texto musical. In “Revista Port. Com” - Portugal

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Macau - Professor da UM descobre material histórico relacionado com a história moderna das relações sino-ocidentais

O professor António Saldanha descobriu um Manuscrito datado do século XVI onde são abordados vários tópicos da vida da sociedade chinesa durante a Dinastia Ming



António Saldanha, professor do Departamento de História da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Macau (UM) apresentou recentemente um documento histórico que é considerado um “grande contributo para o estudo da história dos primórdios das relações Sino-Ocidentais”.

De acordo com a UM, o documento encontrado é um manuscrito que discorre detalhadamente sobre vários tópicos da sociedade chinesa da Dinastia Ming, incluindo “o sistema social, legal, judiciário, político e tributário, a organização geográfica e administrativa e as culturas popular e de elite”.

O autor foi um mercador português que passou 13 anos em cativeiro em Cantão, após ser capturado em 1549 pelo general Zhu Wan, superintendente dos assuntos militares responsável pela defesa costeira de Zhejiang e Fujian, durante a erradicação da pirataria na fronteira de Fujian e Guangdong.

O documento escrito em Macau, depois da libertação do seu autor, foi enviado para a Europa onde passou despercebido. Agora pode ser acrescentado à lista dos primeiros seis manuscritos europeus escritos pelos portugueses durante a sua permanência em diferentes partes da China, entre 1520 e 1560. Pensa-se que estes documentos foram as bases da percepção Ocidental da China como “o paradigma de um Império Asiático poderoso, organizado e altamente civilizado”.

António Saldanha é perito nos primórdios da história das relações Sino-Ocidentais, nos Impérios Ibéricos na Ásia e em História de Macau.

O documento foi apresentado na inauguração da quinta conferência de “Macaulogia” intitulada “Macaulogia e o Desenvolvimento de Macau”, presidida pelo director da Faculdade de Ciências Sociais, Hao Yufan. In “Jornal Tribuna de Macau” - Macau

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Galiza - Cincuenta décimas contra don Diego Zernadas


É uma longa carta em verso, sem assinatura e sem data, mas por volta de 1770, com 50 décimas dirigidas contra dom Diego Zernadas, o conhecido Cura de Fruíme, uma das figuras mais sobranceiras da Galiza do Iluminismo. O professor da Faculdade de Filologia e Tradução José A. Fernández Salgado acaba de publicar o livro Cincuenta décimas contra Diego Zernadas, lançado pela Edições Laiovento, que dá a conhecer a edição e estudo de um manuscrito inédito, escrito em galego, que se enquadra dentro do período conhecido como dos Séculos Escuros.

A escassez de textos escritos em galego do século XVIII acrescenta a valia destas “Cincuenta décimas” e obrigam a matizar afirmações sobre o anedótico uso do galego escrito nesta altura. "À vista deles, parece melhor que neste tempo existe uma escrita em galego, embora muitos desses textos não cheguem a imprimir. Daí a importância da publicação deste manuscrito", sublinha Fernández Salgado, professor do Departamento de Filologia Galega e Latina, ao mesmo tempo que sublinha que as “Cincuenta décimas” não só são importantes pela sua datação num tempo de escassa ou nula produção escrita, mas também o tamanho do texto, 500 versos, o texto mais longo deste período após as coplas do Padre Sarmiento.

"A sua extensão, datação, redação íntegra em galego e um registo linguístico cuidado tornam as Cincuenta décimas contra dom Diego Zernadas um texto de referência obrigatória na História da língua e literatura galegas", enfatiza forte o autor na introdução da obra.

O manuscrito que se edita encontra-se num pequeno livro de quatro folhas sem referência no arquivo da Fundação Penzol. "Eu estava a trabalhar nos arquivos da fundação numa pesquisa que nada tinha a ver com isso e ao ver uma caixa com documentos pendentes para catalogar encontrei estas folhas e, é claro, estar em galego, chamou a atenção", explica Fernández Salgado, ao que acrescenta que "estes documentos poderiam pertencer ao fundo de José María Álvarez Blázquez". Encontrou em 2011 e, desde então, aproveitou grande parte do seu tempo livre a trabalhar nele, "sobretudo nos meses de Verão em que diminui o trabalho docente", explica o pesquisador.

À importância da datação e da extensão do manuscrito, o autor do livro acrescenta outros aspectos. Por um lado, não só está redigido totalmente em galego, "outros textos da época podem ter partes em espanhol", mas que as décimas apresentam qualidade linguística, "nelas é usado um registo linguístico culto, enquanto outros escritos da época são textos populares, que imitam o falar do povo", enfatiza Fernández Salgado. Por outro lado, o texto tem qualidade literária e o seu autor, embora desconhecido, é um "cavalheiro" culto que sabe versificar e conhece a arte literária.

A fim de aproximar as “décimas” a vários tipos de destinatários, tanto a pesquisadores como leitores, o livro inclui duas edições do manuscrito: uma quase paleográfica, e outra com o texto atualizado graficamente e com abundantes notas que facilitam a compreensão de uma obra centrada sobretudo na censura contra o Cura de Fruime, focalizada principalmente nos “Petitorios”, que vinham publicando desde 1745, a fim de arrecadar bens para o culto da Virgem das Dores, que Zernadas era um grande devoto. "Pelo que parece o autor das “décimas” estaria ofendido pela crítica ou censura que o padre lhe devia ter feito nalgum deles", explica o autor.

Além disso, o volume inclui capítulos à parte de comentários e conjecturas sobre a datação e autoria do texto e um completo e rigoroso estudo linguístico, tanto gráfica, como gramatical e lexical.

As linhas de pesquisa de José António Fernández Salgado centram-se no estudo da gramática e léxico galegos, na historiografia linguística, na língua literária e na edição de textos, sobretudo do século XIX. Acerca disto, é autor de várias edições e estudos da obra de Marcial Valladares, como a coleção de provérbios (2003), Poesia (2003) e a novela Majina, ou a filha espúrea (2011). Sobre ele publicou também a monografia Marcial Valladares. Biografia de um precursor no Renascença galego (2005) e vários artigos sobre o seu dicionário, a sua gramática e a sua proposta ortográfica.

Fernández Salgado é co-autor também do Nível Base da Língua Galega (1993) e do Dicionário de Dúvidas da Língua Galega (1991). Atualmente é o editor da revista Cumieira. Cadernos de pesquisa da nova Filologia Galega (nº 1, 2016), que publica o Departamento de Filologia Galega e Latina da Universidade de Vigo. In “GCiencia” - Galiza