Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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sexta-feira, 5 de abril de 2019

Brasil – Arqueólogos brasileiros e portugueses estudam gravuras rupestres descobertas no Paraná



O município de Capitão Leônidas Marques, situado na região sudoeste do Paraná, é habitado por pouco mais de 15 mil pessoas e tem chamado a atenção de pesquisadores.

Arqueólogos descobriram aproximadamente 150 gravuras rupestres em um sítio arqueológico. As gravuras estão distribuídas em três rochas e os pesquisadores estimam que elas foram esculpidas há pelo menos 4 mil anos.

O local de descoberta do sítio já vem sendo estudado desde 2009, quando, por meio do licenciamento ambiental, o mesmo foi identificado e já cadastrado no banco de dados do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O sítio arqueológico Vista Alta e outros sítios de diversas tipologias foram identificados durante as prospecções arqueológicas realizada nas áreas pretendidas para a implantação da Usina Hidrelétrica do Baixo Iguaçu.

Apesar dos estudos terem começado há dez anos, foi no mês passado que iniciou-se uma avaliação mais aprofundada da área. Em decorrência da importância do sítio, do potencial informativo para a comunidade e do fato de que a área estava sofrendo impactos decorrentes de outras atividades, o Iphan solicitou estudos mais detalhados e a verificação da possibilidade de transformar o sítio em um local de visitação, um museu a céu aberto.

Segundo divulgou o órgão no último dia 12, pesquisadores brasileiros e portugueses, das empresas Espaço Arqueologia e Instituto Terra e Memória de Portugal, estão tratando em laboratório especializado fotografias feitas por drone, para a produção de material cartográfico bem como modelos digitais de terreno e descrição do estado de conservação. As fotografias também servirão para subsidiar um modelo de gestão do sítio após as atividades de levantamento.

Todo o material que se encontra em estudo possibilitará produzir um vasto conjunto informações sobre o sudoeste do Paraná, bem como dados interpretativos sobre o comportamento humano nesta região, tanto nos aspectos tecnológicos como simbólicos. O sítio é considerado de alta relevância e a sua localização privilegiada, em área não afetada diretamente pelo barramento, faz com que ele tenha grande potencial para ser preservado, estudado e visitado.

Os impactos ao meio ambiente causados por grandes projetos de infraestrutura, instalações industriais, entre outros, sempre estão vinculados aos aspectos culturais das comunidades onde essas obras são realizadas. É nesse sentido, que o Iphan, por meio do licenciamento ambiental, tenta assegurar a sustentabilidade dos ecossistemas em suas variabilidades físicas, bióticas, socioculturais e econômicas.

O licenciamento ambiental é uma obrigação legal prévia à instalação de qualquer empreendimento ou atividade potencialmente poluidora ou degradadora do meio ambiente, compartilhada entre instituições federais, estaduais e municipais. Nos processos de licenciamento ambiental o Iphan é consultado preventivamente, para que um empreendimento ou atividade não venha a impactar ou destruir os bens culturais acautelados em âmbito federal.

As medidas são imprescindíveis para que um projeto não impacte ou destrua os bens culturais considerados patrimônio cultural dos brasileiros. In “Mundo Lusíada” - Brasil

Macau - Uma viagem ao passado, presente e futuro dos portugueses na Região

A obra “Portugueses em Macau” atravessa vários séculos desde a chegada dos portugueses ao território até aos dias de hoje. Mais do que isso debruça-se sobre os factores que levam os portugueses a ficar e a perspectivar um futuro no Oriente ou a partir para outras paragens. O livro, da autoria de Vítor Teixeira e Susana Costa e Silva, será lançado no próximo domingo, pelas 17:30, no Clube Militar



O que faz com que os portugueses continuem a querer conhecer Macau? Instalarem-se cá, arranjar um emprego, eventualmente criar uma família? O que os faz também vir e voltar – para Portugal ou para o mundo? “Portugueses em Macau”, um livro da autoria de Vítor Teixeira e Susana Costa e Silva, responde, de certa forma, a estas questões, através de um trabalho feito com base na História, mas também nos testemunhos de 20 entrevistados que vivem actualmente em Macau ou que já de cá saíram.

A obra, que foi editada pelo Jornal Tribuna de Macau e resulta de um estudo financiado pelo Instituto de Estudos Europeus de Macau, será lançada no domingo no Clube Militar, pelas 17:30. Este trabalho surgiu de “um impulso antigo” de Vítor Teixeira, que se começou a materializar em termos de investigação e preparação “de algo mais substancial” em 2013, quando assentou na RAEM. O livro é “apenas um contributo, um pródromo para algo maior”. Contudo, sempre foi uma ideia desde que aportou “pela primeira vez, há quase 20 anos,” em Macau.

Numa perspectiva muito pessoal e daquilo que apurou nas entrevistas que conduziu, Susana Costa e Silva disse à Tribuna de Macau acreditar que, no futuro, os portugueses que “sairão serão mais certamente deste último grupo, essencialmente os “millenials”, no sentido em que vieram para Macau como podiam ter ido para Singapura, como podem ir para a Malásia ou outro sítio”, uma vez que não perspectivam – à semelhança da geração X – um emprego para a vida e uma carreira normalmente desenrolada sempre no mesmo lugar.

Chegou ao território “uma leva de jovens entre 2013 e 2015, altura da crise” porque havia mais oportunidades de trabalho cá do que aquelas que se afiguravam em Portugal. Macau apresenta-se como local interessante a nível profissional, contudo um interesse difícil de sustentar a longo prazo, afirmou a autora. “Uma pessoa que está há quatro ou cinco anos na mesma posição quer crescer, quer continuar a carreira… Se quiser fazer carreira internacional não vai poder ficar em Macau toda a vida. Quanto maior a ambição, maior a necessidade de catapultar a experiência adquirida aqui para outros contextos”, explicou. Há muitas oportunidades, contudo, “se não houver raízes familiares cá, não sei se é possível manter essa ligação por muito tempo”.

São, aliás, as ligações um elo muito importante para esta geração, na perspectiva da autora. “Fiquei com a ideia de que as gerações mais novas precisam muito da ligação afectiva à restante diáspora portuguesa, porque é muito difícil sobreviver a Macau se não houver esse laço afectivo. E existe efectivamente”, sublinhou Susana Costa e Silva, acrescentando que, quanto melhor o acolhimento, maior a inserção na comunidade e, assim, maior a probabilidade de permanecerem no território.

Há também quem venha e que de certa forma inicialmente autojustifique a decisão que tomou de se mudar e que “nunca vai admitir perante os amigos que o lugar para onde se expatriou tem mais desvantagens do que aquelas que inicialmente conseguiu antecipar” – é precisamente nesta matéria que Susana Costa e Silva tem uma posição algo crítica. “Isto é típico do português, além de que vemos aquele que teve a coragem de sair da sua zona de conforto para experimentar viver numa zona que não lhe era familiar a nível pessoal e profissional como arrojado, empreendedor, disposto a correr o risco para descobrir coisas novas”, explicou.

Para a autora é preciso ter capacidade de resiliência, algo que têm “os que cá permanecem”, mas é também essa resiliência que os limita a regressar a casa novamente. “A mudarem-se [os portugueses] vão para Singapura, para Londres, porque se voltarem para Portugal vão perguntar se as coisas correram mal e as pessoas não se querem expor a esse sentimento”, rematou, clarificando que não só acontece em Macau, como noutros contextos, como Angola ou Brasil.

Isto não impede, porém, que haja quem se apaixone “com o tempo”. “Há quem seja capaz de fazer o balanço e dar por terminada a missão que tinha a cumprir em termos pessoais ou profissionais e partir para outra. Ou então decidir que é o lugar onde quer ficar porque já se sente em casa”, afirmou Susana Costa e Silva. “O sentir-se em casa para o português é fundamental. Se se sentir em casa em Macau vai ficar cá e um dia, mesmo que tenha de regressar, vai deixar ficar aqui uma marca, ou ficar marcado”, acrescentou.

Os “believers

A maior clivagem que encontrou foi entre o grupo de portugueses que sempre cá viveu, os também denominados de “believers”, e aqueles que agora procuram o território ou “makers”. Foi exactamente ao conversar com pessoas que pertencem a essa geração mais velha que percebeu que “muitas já não sabem viver em Portugal”, daí se terem estabelecido e continuarem a morar por cá: “Macau, que é muito mais sobrepovoada [comparando com Lisboa, por exemplo] confere maior estabilidade porque dá mais certeza, parece que as pessoas sabem com o que podem contar. Algumas ficam porque gostam efectivamente e outras ficam porque já não sabem viver noutro lugar”.

Susana Costa e Silva relembrou até o exemplo de um entrevistado que disse “Portugal pode ser a minha pátria, mas Macau é a minha mátria”. Claro que continuam a ter uma grande ligação ao país de origem, “mas não é a mesma coisa desta geração mais nova que mais depressa decidiu vir como decide mudar para outro lugar ou regressar”. A ligação que estas pessoas têm à diáspora portuguesa acaba por lhes dar um sentimento de conforto para que continuem aqui a viver.

O factor segurança foi um dos que todos os entrevistados realçaram, nomeadamente em termos da sua própria segurança e dos bens pessoais: “Foram unânimes em admitir que vivem um clima de maior segurança cá do que se vivessem noutro local. Mesmo na Europa essa segurança em relação aos bens pessoais não é tão óbvia como aqui”.

O que os leva a partir

A insatisfação, de forma geral, relativamente ao território é o que faz com que muitos portugueses regressem a casa ou se desloquem para outros países. Cansaço e dificuldades em gerir a vida diária, aliados a problemas como poluição, trânsito e confusão de pessoas foram alguns dos factores apontados pelos entrevistados que saíram de Macau. “Por exemplo, o facto de ser fácil arranjarem uma empregada que ajuda na vida familiar também foi realçado, mas não parece ser suficientemente compensador para ultrapassar [os outros problemas]”, explicou Susana Costa e Silva, realçando que nada tem que ver com a motivação pessoal ou profissional.

Alguns dos entrevistados falaram da dificuldade com que viam os filhos pequenos crescerem num território “menos aberto a experiências novas” e que Macau não é necessariamente o lugar ideal para que os filhos passem as fases de infância e adolescência. O facto de andarem numa escola internacional, onde estão expostos a uma multiculturalidade que não existiria noutro contexto, é visto como positivo só até certo ponto. “A partir de determinado ponto era preferível terem uma vida ao ar livre, mais saudável do que aquela que Macau lhes proporciona”, frisou.

Além disso, a barreira linguística e cultural “muito forte” faz com que as pessoas não consigam criar laços de amizade que vão para além das relações profissionais com quem “já tem uma vivência muito própria de Macau, que sempre viveram cá”. Susana Costa e Silva considera que um dos grandes problemas se prende com o estabelecimento de laços com a comunidade local e dá um exemplo.

“As diásporas que vivem por exemplo no Brasil não se queixam disso porque é muito fácil criar laços, não é apenas pelo facto de falarem a mesma língua, mas por ser mais fácil criar afinidade. Aqui mesmo que ambos falem inglês, não é a língua nativa de nenhum dos dois e convenhamos um chinês a trabalhar em Macau não tem tanta proximidade com um português como teria um brasileiro ou até um angolano”, concluiu.

Um trabalho que durou anos através do qual a autora, que nunca viveu em Macau, conseguiu “aprender imenso” sobre as características destes diferentes grupos que compõem a comunidade portuguesa no território. E que está sempre em movimento.

A obra, escrita em português e inglês, explica a história dos Portugueses em Macau, desde a sua chegada no século XVI, até aos dias de hoje, bem como os factores que os levaram a permanecer no território, mesmo depois da transferência de administração, em 1999, e a perspectivar a sua permanência nesta região administrativa especial chinesa no futuro. Catarina Pereira – Macau in “Jornal Tribuna de Macau”

Portugal - Os carros autónomos elétricos fabricados em Coimbra

Até há pouco tempo, a entrada na maioridade significava, acima de tudo, poder conduzir. Mais do que votar, os adolescentes dos anos 90 ansiavam por tirar a carta de condução. O automóvel era sinónimo de liberdade e maturidade e também, muitas vezes, de oportunidades de trabalho



Atualmente, as coisas mudaram tanto que o interesse dos millennials em ter um carro baixou para níveis que os fabricantes de automóveis consideram preocupantes. Aliás, algumas marcas nos Estados Unidos estão já a incluir outras opções na sua oferta, como por exemplo, a possibilidade de subscrever uma viatura através de uma assinatura mensal, o equivalente a ver uma série na Netflix ou HBO em vez de comprar o DVD. Jorge Saraiva, um dos fundadores da Tula Labs, tem consciência desta mudança de hábitos: “O automóvel elétrico atual não vai resolver o problema dos engarrafamentos. A nossa aposta vai claramente para a utilização dos transportes públicos e para a possibilidade de, depois de usarem o comboio, as pessoas terem acesso a um sistema modal que lhes permita percorrer o último troço do trajeto para chegarem a casa ou ao trabalho. A nova geração de jovens já não quer um automóvel, não lhes interessa comprar um automóvel nem possuir viatura própria.”

Fiel a esta ideia, a empresa de Coimbra, pioneira e especialista no mercado de veículos autónomos, desenvolveu um sistema versátil e dinâmico que permite transportar pessoas e mercadorias em espaços públicos ou privados tais como hospitais, hotéis, fábricas ou universidades. Os seus veículos sem condutor são elétricos, disponibilizando assim uma solução limpa, e estão especialmente indicados para ligar diferentes espaços ou edifícios dentro de um mesmo complexo, tal como acontece já no hospital Rovisco Pais.

A equipa da Tula Labs é composta por especialistas em diferentes áreas tecnológicas (robótica, software, eletrónica), disponibilizando soluções inteligentes e fluidas que permitam, acima de tudo, uma poupança nos custos. Embora, para já, os seus sistemas só funcionem em espaços controlados (com trajetos e paragens pré-definidos), a Tula Labs espera que, muito em breve, veículos como os seus se tornem habituais nos bairros das grandes cidades. Se as expectativas se cumprirem, esta não será apenas uma boa notícia para a empresa, já que será algo que nos beneficiará a todos. Álvarez Cedena – Portugal in “Diário de Notícias”



quinta-feira, 4 de abril de 2019

Moçambique – Conferência Internacional "Crescendo Azul 2019"

O Governo de Moçambique apresentou, na passada quarta-feira, dia 03 de Abril, a 1a Conferência Internacional “Crescendo Azul”, que realizar-se-á nos dias 23 e 24 de Maio, no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo, capital de Moçambique



A importância dos Mares e Oceanos para a humanidade como fonte de vida, produtor de oxigénio, suporte dos ecossistemas, regulador do clima, produtor de alimentos, fonte de emprego e como reserva de água, tem vindo a ser reconhecida a nível global, com destaque para a Organização das Nações Unidas, através da Agenda 2030 que define os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), particularmente o ODS14 sobre a conservação e utilização sustentável dos oceanos, mares e recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável".

Aliás, estes instrumentos, no seu conjunto, além de aumentarem o nível de compreensão de outros quadros legais internacionais pertinentes, como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS), lançam bases para uma cooperação estruturada entre as nações, na vertente marítima, que conduzam à proclamação dos Mares e Oceanos como factores de desenvolvimento sustentado e de segurança dos países, e, por outro, à promoção de uma colaboração permanente, em torno de uma abordagem intersectorial e interagências, para uma efectiva gestão integrada da área costeira e marinha, sobretudo, nos países menos desenvolvidos.

A natureza transfronteiriça dos Mares e Oceanos faz com que os crescentes desafios ligados às ameaças globais como as alterações climáticas, crescimento demográfico, degradação do ambiente marinho, perda da biodiversidade e o elevado risco de poluição e à proliferação do lixo plástico, aliadas às questões relacionadas com a segurança marítima, requeiram abordagens harmonizadas e concertada entre as várias Nações que compartilham este recurso, ou que indirectamente a ele estejam ligadas.

A região do Oceano Índico Ocidental, particularmente o Canal de Moçambique, é rica em biodiversidade e ecossistemas marinhos costeiros, desde os recifes de corais que se estende desde a costa do Quénia, até a zona do Norte de Moçambique: florestas de mangal que se pontificam no Delta do Zambeze, dunas costeiras ricas em recursos minerais, ervas marinham que albergam uma população única de golfinhos remanescente na região e uma grande diversidade de recursos pesqueiros que são fonte de renda e subsistência para a população costeira. Para além destes recursos, a região é igualmente rica em hidrocarbonetos, particularmente na Bacia de Rovuma.

A Intensa utilização dos recursos pesqueiros existentes na região; a intensa utilização desta região como rota de transporte marítimo, assim como o advento da exploração de hidrocarbonetos requerem uma abordagem consertada, integrada e harmonizada. Esta acção é particularmente relevante no canal de Moçambique onde ainda persiste a pesca ilegal devido existir uma falta de capacidade dos países para fiscalizar as suas águas territoriais que é exacerbado pela limitada capacidade institucional para enformar o desenvolvimento duma Economia Azul sustentável. Estes factos, e não só, que procuram uma forte colaboração e coordenação a nível nacional, regional e internacional, e dada a sua localização geoestratégica, impõem a Moçambique a necessidade de assumir proactivamente a responsabilidade de promover o desenvolvimento duma Economia Azul sustentável, à luz dos comandos emanados dos seus instrumentos de política e legais, alinhados com os de cariz regional, continental e internacional.

Moçambique pretende juntar-se ao movimento global de chamamento para acção lançado pelas Nações Unidas e por vários organismos responsáveis pela sustentabilidade dos Oceanos no quadro da implementação do ODS14, estabelecendo uma plataforma de diálogo permanente, a realizar-se em séries, bienalmente, denominada de Conferência “Crescendo Azul”. As abordagens da Conferência, inseridas nas áreas temáticas (Governação e sustentabilidade do oceano; Oceano e inovação; Rotas do oceano; Energia do oceano), focalizar-se-ão no país e na Região Ocidental do Oceano Índico (zona de inserção geográfica de Moçambique), com o objectivo de promover a concertação, o alinhamento e a partilha do conhecimento, necessários a um efectivo cumprimento dos compromissos assumidos, no quadro da implementação do ODS14.

A edição da primeira conferência é realizada no reconhecimento de que o conhecimento, assente na investigação científica e tecnológica, é a chave basilar para o desenvolvimento da Economia Azul. Considerando o contexto nacional e regional, caracterizado por limitado conhecimento científico e desenvolvimento tecnológico, urge a necessidade de se direcionar recursos de investimento, tanto na formação como no reforço ou criação de capacidade técnica e institucional, para permitir que a ciência e tecnologia encorpem o desenvolvimento de uma Economia Azul sustentável.

A Economia Azul é considerada a nova fronteira da renascença a nível global, que tem levado a que um número crescente de países esteja empenhado em formular Políticas e Estratégias que integram a Economia Azul como base de transformação socioeconómica por meio de iniciativas e estratégias integrantes e harmonizadas, bem como de acção conjunta entre países para desenvolver o potencial latente que os Mares e Oceanos oferecem à humanidade.

Destaque vai para a Estratégia Marítima Integrada Africana 2050 da União Africana (objectivos da UA 2050) e o Manual de Política de Economia Azul para África, que para além de aumentar o nível de compreensão de outros quadros internacionais pertinentes, como a Convenção das Nações Unidas sobre o direito do mar (UNCLOS), lançam as bases para uma cooperação estruturada da vertente marítima visando proclamar os Oceanos como factores de desenvolvimento sustentado e da segurança marítima dos países, promovendo a colaboração em torno de uma abordagem intersectorial e interagências para uma efectiva gestão integrada da área costeira e marinha em África.

Assim, o desafio permanente que emerge da necessidade de se traduzir a agenda global, continental e regional em directivas e acções concretas e transformacionais a nível do país, individualmente e no contexto de blocos de países, para um efectivo desenvolvimento azul sustentável, constitui o móbil da organização e realização da série de conferências.

Com a Conferência em alusão pretende-se que os participantes se debrucem sobre quatro áreas temáticas, nomeadamente:

GOVERNAÇÃO E SUSTENTABILIDADE DO OCEANO
- Plataformas Regionais / Internacionais
- Poluição
- Biodiversidade / Conservação
- Mudanças Climáticas/Segurança Alimentar
- Segurança Marítima

OCEANO E INOVAÇÃO
- Ciência
- Tecnologia
- Inovação

ROTAS DO OCEANO
- Transporte / Navegação
- Portos
- Comércio Marítimo
- Turismo

ENERGIA DO OCEANO
- Energias Renováveis
- Petróleo
- Gás
-Comércio

Para a primeira Conferência a ter lugar nos dias 23 e 24 Maio de 2019, está definido o seguinte lema:

Crescendo Azul: Exploração Sustentável e Compartilhada do Oceano


A Conferência “Crescendo Azul” com foco na região Ocidental do Oceano Índico pretende juntar cerca de 500 participantes entre entidades nacionais, regionais e internacionais, com interesses e competências múltiplas em ramos de Economia Azul e governação do mar, integrando dirigentes a mais alto nível, decisores, implementadores, empresas de ramo, doadores, instituições financeiras, instituições de ensino & pesquisa, Sociedade Civil e ONG, com actividades ligadas ao mar, zonas costeiras, oceanos e seus ecossistemas. InMinistério do Mar, Águas Interiores e Pescas” - Moçambique

Galiza - Encontro entre as dramaturxias galega e portuguesa

O Consello da Cultura Galega, o Camões, Centro Cultural Portugués en Vigo e a Escola Superior de Arte Dramática de Galicia poñen en marcha o programa Dramaturxias itinerantes / Dramaturgias itinerantes, que ten por obxectivo servir de ponte entre as escrituras teatrais galega e portuguesa para fomentar, a través do diálogo escénico, un mellor coñecemento mutuo que poida agromar en futuros traballos colectivos.

Nesta primavera de 2019 inaugúrase o ciclo en Galicia o ciclo, primeiro en Compostela e despois en Vigo, coas dramaturgas Patrícia Portela e Lina Pérez. Poderán escoitarse os seus textos orixinais nas voces de alumnado da ESAD e de parte do Grupo de Teatro Amador do Centro Cultural Português do Camões de Vigo “Eu.Experimento” ao tempo que haberá ocasión de departir coas dúas escritoras nun debate moderado por Afonso Becerra. Por volta do verán, a actividade terá continuidade en terras portuguesas.

As obras serán Escudos Humanos. Uma peça de acção con muitas palabras (2008) de Patrícia Portela, interpretada polo Grupo de Teatro Amador do Centro Cultural Português do Camões en Vigo, Eu.Experimento, dirixido por Vanesa Sotelo; e Os cans non comprenden a Kandinsky (2017) de Avelina Pérez –obra orixinalmente editada pola erregueté | Revista Galega de Teatro no seu número 91–, interpretada polo alumnado da ESAD de Vigo, dirixido por Nuria Montero, profesora e actriz.

Coma en anteriores encontros literarios –organizados en colaboración co Instituto Ramon Llull e o Instituto Etxepare-, o Consello da Cultura Galega publicará na súa web os textos dramatizados na xornada coa finalidade de seguir a estreitar os vencellos entre a cultura galega e a portuguesa, co teatro como aliado na construción dun espazo común e diverso no que existirmos e dende o que falar coas nosas propias voces.

A primeira sesión de Dramaturxias itinerantes / Dramaturgias itinerantes terá lugar o vindeiro luns, 8 de abril de 2019, ás 18:30, no Consello da Cultura Galega. O martes, 9 de abril, ás 16:30, esta sesión de lecturas dramatizadas repetirase na sede da Escola Superior de Arte Dramática de Galicia (ESAD), en Vigo. In “erregueté” - Galiza

Moçambique - Distrito do Búzi com acesso a voz, internet e linha fixa

A Tmcel (Moçambique Telecom, SA) restabeleceu, integralmente, os serviços de voz, internet e linha fixa no distrito do Búzi, uma das zonas mais afectadas pelo ciclone Idai, na província de Sofala.

Para possibilitar maior fluidez nas comunicações, por parte da população, aquela empresa pública de telefonia móvel disponibilizou, igualmente, o acesso grátis de voz, válido para todas as operadoras, a partir de cabines instaladas no posto policial daquele distrito.

Recorde-se que, neste âmbito de solidariedade social, para com as populações vítimas do ciclone, a Tmcel já havia disponibilizado ao Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), meios de comunicação, constituído por 50 telemóveis, para comunicações de voz e mensagens, contendo crédito no valor de cinco mil meticais cada, e ainda recargas no valor de 100 mil meticais, destinadas às equipas operativas do INGC posicionadas nos locais da tragédia.

Adicionalmente, a operadora pública de comunicações disponibilizou uma linha verde gratuita (823441), através da qual os cidadãos podem contactar o INGC para reportar ocorrências ou solicitar assistência e informações. In “Olá Moçambique” - Moçambique

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Portugal - Anticorpos da gema de ovo em pastilhas contra a gripe, uma investigação da Universidade de Aveiro

E se a vacina da gripe fosse substituída por pastilhas efervescentes? A ideia nasceu na Universidade de Aveiro (UA). À base de vitamina C e de uma mão cheia de minerais, o ingrediente secreto das super-pastilhas está nos anticorpos retirados das gemas dos ovos das galinhas. Sem as contraindicações das vacinas que todos os anos têm de ser reformuladas e sem a agulha invasiva, as pastilhas querem revolucionar o combate à gripe. Assim haja financiamento

Os anticorpos IgY – assim se chamam os ingredientes chave das pastilhas efervescentes - são produzidos exclusivamente por aves, estando concentrados nas gemas dos ovos. Proteínas que atuam no sistema imunológico como defensoras do organismo, apontam os investigadores do Departamento de Química (DQ) da UA, é possível manipulá-los de forma a torná-los armas eficazes no combate ao Influenza, o vírus causador da gripe.

A ideia de incorporar os anticorpos IgY em pastilhas efervescentes foi desenvolvida por Marguerita Rosa, Emanuel Capela e Mariam Kholany, estudantes do Doutoramento em Engenharia Química do DQ e do CICECO - Instituto de Materiais de Aveiro da UA.

“Espera-se que estes anticorpos não espoletem reações inflamatórias no sistema imunitário humano, diminuindo passivamente a carga viral da pessoa afetada”, explicam os investigadores que deixam uma garantia: “Uma pastilha por dia é o que desejamos alcançar para manter a proteção ao longo do tempo de maior incidência do vírus da gripe”.

Com a tecnologia e os conhecimentos científicos necessários para acabarem com o Influenza, os jovens investigadores querem criar um produto nutracêutico revolucionário e inovador para combater o vírus da gripe. “A nossa ideia passa por desenvolver pastilhas efervescentes contendo anticorpos da gema do ovo específicos para as proteínas membranares constantes do vírus, e suplementadas com vitamina C e outros minerais para reforçarem o sistema imunitário”, explicam.

“Trata-se de um método passível de ser utilizado por toda a população e não apenas por doentes de risco, tendo a vantagem de ser não-invasivo quando comparado com a vacinação tradicional”, garantem.

O projeto dos estudantes da UA foi mesmo um dos doze finalistas selecionados para apresentação de um pitch no decorrer da V IMFAHE's International Conference 2019 - Innovation Camp, que decorreu em março na Universidade de La Laguna em Tenerife (Ilhas Canárias). No final, venceram o segundo prémio no concurso, arrecadando 2 mil euros para trabalharem na proposta ao longo do próximo ano. Universidade de Aveiro “Departamento de Química e do CICECO - Instituto de Materiais de Aveiro” - Portugal

Guiné-Bissau - Emigrante na Noruega quer colocar mil caixotes de lixo nas ruas de Bissau

Bissau - O jovem guineense Juviano Landim, emigrante na Noruega, iniciou o desafio de colocar mil caixotes de lixo pelas ruas de Bissau, para ficar mais limpa através do projeto "Homens Novos"para inspirar os cidadãos a terem um comportamento melhor. 

Desde o dia 26, Juviano e um grupo de 30 jovens do projeto "Homens Novos" começaram a colocar recipientes em alguns cantos da capital guineense, contando iniciar uma campanha de sensibilização para que as pessoas passem a deitar lixo naqueles bidões metálicos.

A meta de Juviano Landim, jovem guineense crescido em Portugal, mas emigrante na Noruega desde 2008, é colocar nas ruas mil bidões.

"Queremos ter uma cidade limpa. Somos homens novos, uma mentalidade nova. Basta uma Guiné diferente, uma Guiné melhor, um Bissau limpo, uma cidade limpa é o que nos pretendemos, é o nosso ganho neste projeto", disse á Lusa para justificar a iniciativa.

Juviano Landim afirmou que faz o que pode enquanto cidadão para ajudar a mudar as mentalidades num país, numa cidade "que deixa muito a desejar" em termos de saneamento, onde, disse, a população não tem o hábito de deitar o lixo para algum recipiente, que "nem existe".

Os promotores do projeto "Homens Novos" compram os bidões de 200 litros às gasolineiras, nomeadamente à subsidiaria da Galp na Guiné-Bissau, a Petromar, cortam-nos ao meio, pintam-nos, perfuram-nos, para evitar tentação de roubo para outros fins, e a seguir colocam-nos em lugares de passagem para que as pessoas deixem aí o lixo.  

A ideia, acrescentou Juviano Landim, é que a Câmara Municipal retire as caixas do lixo diariamente e que nunca falte meios para a compra dos bidões.

Através da amostra nas redes sociais das ações, o projeto "Homens Novos" tem recebido apoios financeiros sobretudo de guineenses no estrangeiro, mais do que no próprio país, destaca o promotor da iniciativa que visa "mudar o rosto de Bissau".

Juviano Landim considera-se patriota daí ter trabalhado sempre no sentido de apreender na emigração, voltar e ajudar a Guiné-Bissau, incutindo nos cidadãos o respeito pelo ser humano.

"Saí daqui muito novo, cresci em Portugal, fui para Noruega em 2008. Vi na Noruega o respeito pelo ser humano, aprendi isso e como guineense, gosto da minha terra, considero-me um patriota, sempre foi meu objetivo voltar para trabalhar para minha terra", frisou Landim.

Por querer trabalhar "de forma honesta", Juviano vai vivendo entre Bissau e a Noruega, para onde volta sempre que lhe faltam recursos para desenvolver o projeto que traz da emigração. In “Agência de Notícias da Guiné” – Guiné Bissau com “Lusa”

Macau – Lançado sistema de tradução chinês-português-inglês com reconhecimento de voz

Macau - O Instituto Politécnico de Macau (IPM) lançou um novo sistema de reconhecimento de voz e interpretação simultânea chinês-português-inglês, com o qual espera aliviar o trabalho de tradutores e intérpretes.

"Quando um orador discursa, o sistema reconhece automaticamente as palavras e transforma-as num discurso escrito, depois, de forma simultânea e automática, faz a tradução", explicou o coordenador do Centro Pedagógico e Científico da Língua Portuguesa do IPM.

Gaspar Zhang falava aos jornalistas à margem do lançamento, que decorreu no âmbito de uma conferência sobre os novos desafios e oportunidades na área da tradução, com recurso à inteligência artificial.

"Assim, podemos ver no ecrã um discurso na língua de partida e na língua de chegada", acrescentou, sublinhando que a interpretação simultânea automática é agora "uma realidade".

O sistema foi desenvolvido pelo Laboratório de Tradução Automática Chinês-Português-Inglês do IPM, inaugurado em outubro de 2016 pelo primeiro-ministro português, António Costa.

Desde a criação do laboratório, o IPM tem investido muito na área do 'big date' e na área da inteligência artificial, lembrou Zhang, mencionando, entre outros, o sistema de tradução chinês-português.

O uso deste "sistema auxiliar de tradução chinês-português/português-chinês de documentos oficiais" foi acordado, em março, com o Fórum para a Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa.

No entanto, Gaspar Zhang ressalvou que o sistema lançado agora foi desenhado para aliviar o trabalho dos tradutores e intérpretes, e não para os substituir.

"Neste momento, pelo menos hoje, as máquinas não podem substituir os tradutores nem intérpretes. O nosso objetivo é ajudar os tradutores e os intérpretes", salientou. In “Sapo Timor-Leste” com “Lusa”

Brasil - Construtor das corvetas projeta fortalecimento do cluster naval

O Consórcio Águas Azuis, escolhido para construir as quatro corvetas da classe Tamandaré para Marinha, afirmou que o programa contempla uma sólida transferência de tecnologia nas áreas de engenharia naval para construção de navios militares e de sistemas de gerenciamento de combate e de plataforma. Em nota, as empresas destacaram o conteúdo local superior a 40%, entre a construção dos navios e desenvolvimento de sistemas de última geração, o surgimento de um cluster naval militar e civil forte e competitividade para atender a futuras demandas da força naval, inclusive a possibilidade de exportação de produtos de defesa.

O consórcio,formado pela Thyssenkrupp Marine Systems, Embraer Defesa & Segurança e Atech, subsidiária do grupo Embraer, também elencou o fortalecimento da indústria local e das universidades, com a participação de centros de pesquisa e desenvolvimento, bem como a capacidade de suporte em serviço a um produto de alta tecnologia e com longo ciclo de vida. A expectativa é que o projeto gere mais de 1.000 empregos diretos e aproximadamente 4.000 postos de trabalho indiretos.

“Estamos muito honrados pela Marinha do Brasil nos confiar a missão de construir as corvetas classe Tamandaré. Fazer parte do programa CCT reforça nossa posição de liderança e as tecnologias comprovadas que oferecemos ao setor de defesa naval em todo o mundo por quase dois séculos”, disse Rolf Wirtz, CEO da thyssenkrupp Marine Systems. Ele acrescentou que a parceria trará empregos qualificados e tecnologia para o Brasil, fortalecendo sua indústria de defesa.

A Embraer Defesa & Segurança fará a integração de sensores e armamentos para o sistema de combate, trazendo também ao programa a sua experiência de 50 anos em soluções de suporte em serviço. O presidente da empresa, Jackson Schneider, acrescentou que o consórcio oferece um modelo sólido de parceria nacional com capacidade comprovada de reter a transferência de tecnologia, garantindo o desenvolvimento de futuros projetos estratégicos de defesa no Brasil. "Sempre estivemos confiantes e o resultado de hoje comprova que nossa oferta, realmente, vai ao encontro das necessidades operativas da Marinha do Brasil”, disse Schneider.

A Atech, empresa do grupo Embraer, será a fornecedora do CMS (sistema de combate) e do IPMS (sistema integrado de gerenciamento de plataforma) das corvetas e receptora de transferência de tecnologia (ToT) em cooperação com a Atlas Eletronik, subsidiária da Thyssenkrupp Marine Systems, e a L3 Mapps. Localizada no Rio de Janeiro (RJ) e em São Paulo (SP), a Atech conta com 500 engenheiros especializados no desenvolvimento de software e hardware para aplicações de defesa e possui expertise única em engenharia de sistemas e tecnologias de consciência situacional e apoio a tomada de decisão.

As empresas do consórcio Águas Azuis agora formarão uma sociedade de propósito específico (SPE) para a fase de execução do programa. As quatro corvetas, que têm previsão de entrega entre 2024 e 2028, possuem um orçamento da ordem de US$ 1,6 bilhão. A construção das unidades está prevista para o estaleiro Oceana, em Itajaí (SC). Com aproximadamente 310.000 metros quadrados, o estaleiro do grupo CBO também conta com instalações localizadas em Niterói (RJ), que poderão servir de base logística e de apoio em serviços para a Marinha. Danilo Oliveira – Brasil in “Portos e Navios”

Timor-Leste - O preço do isolamento

Vinte anos depois do referendo da independência, Timor-Leste tem praticamente concluída a definição da soberania terrestre e marítima. As negociações com a Austrália terminaram com fronteiras permanentes e as com a Indonésia, sobre terra e mar, estão a avançar. O país está no entanto cada vez mais isolado por depender de monopólios em áreas como as telecomunicações e a aviação



Timor-Leste continua a depender de soluções muito mais caras do que qualquer país vizinho. O país depende de monopólios que nem sequer controla e permanece condicionado a vontades externas, incluindo, de empresas estatais de outros territórios.

Sucessivos Governos timorenses foram-se acomodando a uma realidade de menor qualidade e preços mais caros, sem autonomia nacional nas ligações internacionais nem aéreas, nem por cabo de fibra.

A postura governativa deixou o país a pagar preços astronómicos pela internet. Os operadores pagam 200 dólares norte-americanos por megabit por segundo, quando os países vizinhos pagam entre três a oito dólares. No que diz respeito às viagens aéreas, os preços chegam a ser 10 vezes mais caros. A situação tem-se vindo a agravar e permanece, apesar de anos de debates e de sucessivos projetos.

Na área das telecomunicações, por exemplo, os operadores gastam 12 milhões de dólares por ano a comprar internet por satélite - a preços elevadíssimos - porque o Governo não tomou ainda uma decisão sobre uma ligação internacional por cabo de fibra ótica.

Um recente estudo, o "Speed Matters", sobre o setor em Timor-Leste, referia que a ligação de fibra ótica poderia ter benefícios anuais superiores a cerca de 45 milhões de dólares.

Estimativas da International Telecommunications Union (ITU) indicam que a velocidade média da internet em Timor-Leste é 25 vezes mais lenta do que a de outros países da Ásia e Pacífico.

O estudo mostra que só 12 por cento das ligações por telemóvel em Timor-Leste incluem acesso 3G - apesar da rede abranger já 97 por cento da população, que ilustra a potencial "elevada procura" com o progressivo uso crescente de internet móvel.

Só 25 por cento dos timorenses usa a internet regularmente, bastante aquém da média mundial que ultrapassa os 46 por cento e da média da Ásia e Pacífico que é de 41,5 por cento.

Estudos do setor mostram que o problema poderia ser resolvido, em poucos meses, com uma das várias opções de ligação por cabo, com custos reduzidos.

Isolamento aéreo

No caso das ligações aéreas o problema é idêntico com tendência para se agravar.

O país vai ficar mais isolado, com o fim dos voos entre Díli e Singapura, uma das únicas três ligações internacionais que o país tem. As outras duas, para Bali na Indonésia, e para Darwin, na Austrália, são das mais caras do mundo, em preço por quilómetro.

A ligação a Singapura caiu por indecisões e polémicas em torno da licença da Air Timor. Os problemas tiveram origem no Serviço de Verificação Empresarial (SERVE) que queria que a empresa a quem a Air Timor fazia o charter do avião, a SilkAir, tivesse registada em Díli.

O fecho de operações afeta não só o transporte de passageiros, mas também o de carga. Produtos farmacêuticos, peças para automóveis e aviação, e carga geral são normalmente transportados nos voos de Singapura para a capital timorense.

Várias empresas, incluindo a Heineken - a única fábrica internacional do país - já escreveram ao Governo a pedir uma intervenção que evite que a rota cesse de operar, o que não vai ocorrer, pelo menos para já.

A situação reforçou a insistência para que haja uma companhia aérea de bandeira no país.

Pedro Miguel Carrascalão, especialista do setor aéreo e um dos responsáveis de um novo projeto apresentado ao Governo para a criação de uma companhia de bandeira timorense, defende que a opção de uma empresa 100 por cento pública é a melhor para o país.

"Podemos resolver os problemas de preços, baixando o custo das viagens para a Indonésia e Austrália, e ganhamos mais autonomia", defendeu, numa referência aos custos, que considerou "desproporcionadamente elevados", mantidos pelas companhias aéreas da Indonésia e da Austrália.

Uma empresa "100 por cento do Estado" é a melhor opção porque teria mais força do que uma empresa privada para competir na Indonésia, o principal mercado, com as empresas da transportadora estatal Garuda que voam para Díli.

A aposta daria opções de rotas a horários diferentes dos atuais, ligações a centros regionais, viagens de ida e volta e até voos com outras empresas em "code sharing".

Na proposta apresentada ao Governo, a estratégia poderá custar até 45 milhões de dólares norte-americanos ao Estado. Já as receitas, salientou, podem "chegar aos 80 milhões" de dólares com um amplo impacto na economia timorense. Pedro Miguel Carrascalão acrescentou que a solução pode ser uma forma direta de combater os preços abusivos dos monopólios australiano e indonésio.

Com um monopólio, desde 1999, na ligação a Darwin, a AirNorth, da gigante australiana Qantas, continua a manter preços por quilómetro especialmente elevados.

Em abril, o preço indicativo de uma viagem de ida e volta Díli-Darwim (722 quilómetros para cada percurso) é superior a 600 dólares norte-americanos. No mesmo período, um voo de ida e volta entre Darwin e Singapura (3.350 quilómetros para cada percurso) custa perto de metade. O preço de um bilhete entre Díli e Darwin - 722 quilómetros - custa praticamente o triplo do que custa, por exemplo, viajar mais do dobro da distância entre Macau e Banquecoque.

A ligação com a Indonésia depende igualmente de um monopólio, neste caso, do grupo Garuda com as marcas Citilink e Sriwijaya. Nos últimos seis meses, os preços dos voos das transportadoras mais do que triplicaram, forçando muitos em Timor-Leste a procurar alternativas mais baratas para sair do país.

Uma viagem ida e volta entre Díli e Denpassar, capital de Bali, Indonésia, (1.140 quilómetros cada percurso) custa mais de 590 dólares, enquanto um voo entre Kupang, capital de Timor Ocidental, e Surabaya, segunda maior cidade indonésia (1.236 quilómetros cada percurso) custa apenas 150. Isto significa que o preço por quilómetro e por lugar Díli-Bali é de 26 cêntimos, 20 cêntimos mais que os seis cêntimos entre Kupang-Surabaya. António Sampaio - Macau In “Plataforma”

terça-feira, 2 de abril de 2019

Cabo Verde - Investigadores da FCTUC ajudam a salvar espécies de aves marinhas ameaçadas

Uma equipa de investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) está a estudar nove espécies de aves marinhas de Cabo Verde, no âmbito de um projeto internacional financiado em 2,4 milhões de euros pela fundação para a conservação da natureza MAVA.

Iniciado em 2017, o projeto, que é liderado pela BirdLife International, tem como objetivo final evitar a extinção de espécies marinhas em Cabo Verde. A investigação centra-se em duas grandes vertentes: produção de conhecimento científico sobre as aves marinhas do arquipélago, nomeadamente a sua distribuição, fenologia e ameaças a que estão sujeitas, e proteção e conservação das espécies através da criação de áreas marinhas protegidas.

Para observarem todos os movimentos e comportamentos das espécies em estudo, os investigadores da FCTUC colocaram dispositivos de seguimento (GPS Logger) em várias aves e, também, em barcos de pescadores artesanais que colaboram no projeto, para se compreender as interações das aves com as comunidades locais.

Estes dispositivos permitem «recolher e analisar detalhadamente informação sobre a distribuição e fenologia das várias espécies, como por exemplo, o tamanho das colónias existentes, a dieta, os locais de reprodução das aves, etc., e quais as ameaças que sofrem no mar, concretamente que tipo de interação têm com a pesca, para, por exemplo, perceber se a captura das aves é acidental ou intencional», detalha Vítor Paiva, coordenador da equipa portuguesa composta por oito investigadores, sublinhando que atualmente «há muito pouco conhecimento sobre as aves marinhas de Cabo Verde e sobre as reais ameaças que enfrentam».

Os investigadores estão ainda a utilizar nas aves tecnologia de GPS que deteta os radares de grandes embarcações para aferir o impacto da pesca industrial nas aves.

Com base nos resultados obtidos neste estudo que deverá ficar concluído até 2022, os investigadores vão, juntamente com o Governo de Cabo Verde, que também é parceiro no projeto, delinear áreas marinhas protegidas. Entretanto, até ao final deste ano, vão ser elaborados planos de ação para cada uma das nove espécies ao nível do arquipélago, o que poderá implicar regulamentação e fiscalização das pescas.

A adoção de fortes medidas de proteção e conservação das aves marinhas em Cabo Verde é urgente, pois «há espécies que correm sérios riscos de extinção. Por exemplo, a fragata, uma espécie marinha que já esteve presente em grandes quantidades no arquipélago, hoje em dia está praticamente extinta. O último casal foi avistado em 2012, e nunca mais houve reprodução. Esta espécie muito provavelmente foi capturada até à sua extinção», alerta Vítor Paiva.

As equipas vão ainda dar especial atenção à necessidade de erradicação de espécies invasoras que colocam em risco as aves marinhas, principalmente gatos e ratos. Além disso, o projeto tem também uma forte componente de sensibilização a ser aplicada por organizações não-governamentais locais, como a Biosfera. O projeto financia ainda mestrados e doutoramentos de alunos cabo-verdianos nas universidades de Coimbra e Barcelona para capacitação de investigadores locais. Universidade de Coimbra “Faculdade de Ciências e Tecnologia” - Portugal

Congresso internacional "Macau e a língua portuguesa: Novas pontes a Oriente"

Início: 27/11/2019 Fim: 29/11/2019 Data de abertura: 22/03/2019 Data de encerramento: 01/06/2019 Países: China, Macau

Chamada de trabalhos
Congresso internacional "Macau e a língua portuguesa: novas pontes a Oriente"
27 a 29 de novembro de 2019
Instituto Português do Oriente & Instituto Politécnico de Macau

Macau tem constituído, desde o século XVI, uma ponte importantíssima entre Oriente e Ocidente, um ponto de referência no diálogo e enriquecimento mútuo de culturas e línguas tão diferentes. Atualmente, no âmbito da estratégia “Uma Faixa, uma Rota”, a nova Rota da Seda proposta pelo Governo Central da República Popular da China, pretende-se que Macau funcione, cada vez mais, como uma plataforma entre a China e os países de língua portuguesa. É também em e desde Macau que se tem realizado um grande investimento na formação de quadros bilingues em chinês-português, o que implica investigação em temas tão diversos como a língua portuguesa, as literaturas e as culturas dos países lusófonos, as metodologias de ensino do português, bem como a tradução e interpretação.

No ano em que se comemoram os 40 anos do restabelecimento de relações diplomáticas entre a China e Portugal, e os 20 anos da criação da Região Administrativa Especial de Macau, o Instituto Politécnico de Macau e o Instituto Português do Oriente, que também comemora 30 anos de existência, organizam em Macau um congresso internacional em que professores e investigadores de diferentes geografias possam partilhar as suas pesquisas sobre temas relativos à língua portuguesa, nas suas realidades diversas, multifacetadas e dispersas pelo mundo.

Procura-se, assim:
  • promover a reflexão académica e a partilha de investigação sobre a língua portuguesa, o seu ensino, tradução e interpretação, bem como as literaturas e culturas que em português se exprimem;
  • contribuir para consolidar e divulgar o papel de Macau e da língua portuguesa como ponte e plataforma entre a China e os países de língua portuguesa.
O congresso incluirá sessões plenárias com conferencistas convidados de renome (a divulgar oportunamente) e sessões de comunicações livres nas seguintes áreas:
  • Linguística
  • Literatura e cultura
  • Pedagogia e didática
  • Tradução e interpretação
As comunicações livres deverão ser apresentadas em português e terão uma duração individual de 20 minutos, seguidos de 10 minutos de discussão. As propostas devem ser submetidas através da plataforma EasyChair (https://easychair.org/conferences/?conf=maclp2019).
Datas importantes
  • Submissão de resumos: até 01/06/2019
  • Notificação sobre a aceitação de resumos e envio das respetivas cartas de aceitação: até 15/07/2019
  • Envio de inscrições e respetivo pagamento: 15/07/2019 – 15/10/2019
  • Divulgação do programa final do congresso: 15/11/2019
  • Realização do congresso: 27-29/11/2019
  • Submissão de textos para publicação nas atas do congresso: 29/02/2020
Veja a chamada completa e a ficha de inscrição em anexo. In “Plataforma 9”
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Documentos