Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Moçambique - CFM investe em locomotivas e vagões

A Portos e Caminhos-de-Ferro de Moçambique (CFM) investiu cerca de 33 milhões de euros na aquisição de cinco locomotivas novas e 300 vagões-plataforma



Uma fonte da empresa, citada pela “AIM”, adiantou que as locomotivas, que já se encontram em Maputo, têm capacidade para rebocar vagões carregados com 2 700 toneladas, contra as 1 800 toneladas conseguidas pelo equipamento actualmente em uso.

As novas máquinas foram compradas nos EUA, enquanto os vagões virão da vizinha África do Sul, esperando-se que cheguem a Moçambique dentro em breve.

A CFM não adquiria vagões há mais de duas décadas, sendo que durante os últimos anos manteve a actividade possível recorrendo a requalificações constantes do material circulante, uma solução tida como bastante onerosa.

Para minimizar o défice em material circulante, os CFM vinham também alugando equipamentos nos países vizinhos, especialmente no Zimbabué, o que, segundo a fonte da empresa, também irá cessar.

“Com esta aquisição, os CFM podem responder às necessidades dos clientes, tanto na Linha de Ressano Garcia, como na Linha de Limpopo, respectivamente, da Áfricado Sul e do Zimbabué”, disse. In “Transportes & Negócios” - Portugal

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Angola - Novas locomotivas duplicam operações

O Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) entra para a história como a primeira companhia ferroviária angolana a aceder àquela que já começa a ser considerada pela comunidade ferroviária nacional como a nova geração de locomotivas do país, as GE-C30-ACi, da gigante norte-americana General Electric

O processo de compra dessas máquinas entra, também ele, para a história como um dos maiores contratos da indústria ferroviária mundial e uma das maiores aquisições de locomotivas feitas de uma só vez. São no total 100 unidades que Angola solicitou à General Electric para modernizar a frota de locomotivas das três companhias nacionais, detidas pelo Estado.

O contrato prevê a entrega faseada das máquinas. As primeiras quinze já chegaram ao país e foram repartidas pelas três companhias, mas é o CFB que recebeu primeiro e ficou com oito unidades, mais de metade do lote, e já projecta as suas operações com base nas novas locomotivas.

Para já, enquanto as suas congéneres, a de Luanda, para a qual estão reservadas duas unidades, e a de Moçâmedes, cinco, aguardam pela entrega formal das novas locomotivas, o Caminho-de-Ferro de Benguela já promete duplicar o número de viagens semanais, do Lobito ao Luau, passando de duas para quatro, e dobrar o número de passageiros e a quantidade de carga transportados. 

É com satisfação incontida que o presidente do Conselho de Administração do CFB, José Carlos Gomes, confirma ao Jornal de Angola que as oito locomotivas destinadas à companhia já repousam no Lobito. “O Executivo investiu forte numa caminhada inovadora, para satisfazer o melhor possível as necessidades das populações, que há muito clamam pelo incremento do número de viagens entre Lobito (Benguela) e Luau (Moxico)”, afirma.

A modernização da frota de locomotivas do país é uma iniciativa presidencial, que, a despeito da ­crise financeira que o país atravessa, recomendou ao Ministério dos Transportes para persistir no negócio, orçado em centenas de milhares de dólares e suportado por uma linha de crédito do Canadá.

A iniciativa junta-se a outros investimentos públicos de vulto feitos no sector ferroviário, nos últimos anos, e que traduzem a importância estratégica que o Executivo atribui às empresas do sector no Plano Nacional de Desenvolvimento, de médio e longo prazo.

Importante instrumento no sistema de transportes que conformam o chamado Corredor do Lobito, o Caminho-de-Ferro de Benguela é, entre os três, o que maiores recursos públicos já absorveu, o que se explica pelo facto de ser o que maiores danos sofreu em consequência da guerra, mas sobretudo pela sua importância estratégica para o país.

O Corredor do Lobito é uma plataforma de transportes intermodal, que começa no Lobito, atravessa as províncias do Huambo, Bié e Moxico, até ao município do Luau, de onde o Caminho-de-Ferro de Benguela se liga à República Democrática do Congo, resultando daí a dimensão transfronteiriça do CFB.

Através da ligação à Zâmbia, que passa apenas pela criação de um ramal a partir do Moxico até à fronteira daquele país, é possível chegar à cidade da Beira, em Moçambique, a Dar-es-Salaam, na Tanzânia, junto ao Oceano Índico, o que confere ao Caminho-de-Ferro de Benguela uma dimensão transcontinental.

As ligações com a República Democrática do Congo e a Zâmbia, concluído que está o “trabalho de casa” que cabia a Angola, dependem agora dos dois países. Enquanto não cumpre as suas missões transfronteiriça e transcontinental, o Caminho-de-Ferro de Benguela serve o país da melhor maneira, garantindo o transporte de pessoas e de mercadorias do litoral para o leste, passando pelo centro sul.

Nova etapa

Desde que o comboio do Caminho-de-Ferro de Benguela voltou a apitar no percurso que sai da cidade do Lobito, no litoral atlântico, até ao município do Luau, província do Moxico, extremo leste do país, passando pelo Huambo e pelo Bié, começou-se a verificar sinais de transformação no dia-a-dia da população que habita ao longo do seu “hinterland”, a começar pela circulação segura e barata das pessoas, passando pelo transporte de todo o tipo de mercadoria e material indispensável para a construção de infra-estruturas para o desenvolvimento das diferentes vilas e povoações atravessadas pelo ramal do CFB.

Numa só viagem, o comboio leva em média 1.900 passageiros e 520 toneladas de mercadorias. A companhia tem a sua sede no município do Lobito, onde foi construída uma moderna estação, infra-estrutura  inteiramente alinhada com um ambicioso programa de modernização e de reabilitação das infra-estruturas ferroviárias.

Trata-se de uma imponente obra, um autêntico postal da chamada “sala de visitas de Angola”, como também é chamada a cidade dos flamingos, e que foi pensada para dar o máximo de comodidade aos passageiros e prestar serviços de elevado padrão. À estação ferroviária do Lobito, somam-se outras 37 até à cidade do Huambo, a traduzir o gigantesco esforço de recuperação das infra-estruturas ao longo do traçado do Caminho-de-Ferro de Benguela.

Ao longo da linha do Caminho-de-Ferro de Benguela ainda existem importantes empreitadas por concluir, como a consolidação dos trabalhos da via, o acabamento do sistema integrado de comunicações, comando e controlo das circulações, incluindo testes em alguns troços. Prossegue, igualmente, o reforço das áreas de drenagem ao longo da linha. Tudo isso para garantir uma circulação mais segura do comboio.

Entre as estações sobressaem, ainda, as da Catumbela e a do Negrão, autêntica placa giratória dos comboios para o planalto central e a cidade de Benguela. Do Negrão a Caimbambo, passa-se pela área do Guviriri, onde foi instalado um aparelho responsável pela medição das águas do rio Cubal, cujas enchentes provocaram, no passado, enormes prejuízos em vidas humanas, colheitas e gado.

Comércio

Com a circulação do comboio, dezenas de camponeses viram chegar uma oportunidade para venderem os seus produtos. Ao longo da linha, em Caimbambo, Cubal, Ganda, Tchinjenje, Ukuma, Longonjo, Caála e outras, a chegada do comboio é sempre motivo de celebração para os camponeses, desejosos de vender tudo o que podem. Aliás, o comboio funciona, também, como um forte incentivo à produção rural, devido à sua acessibilidade e, sobretudo, à elevada capacidade de escoamento.

O desenvolvimento económico e social das diferentes povoações situadas no “hinterland” do CFB, nas províncias de Benguela, Huambo, Bié e Moxico passa hoje, inquestionavelmente, pelo Caminho-de-Ferro de Benguela.

Pelas carruagens e vagões do Caminho-de-Ferro de Benguela circula bebidas, sobretudo cerveja, farinha de milho, sal, peixe seco, gás butano, combustíveis (gasolina e gasóleo), diverso material de construção, viaturas, sucatas, cimento, equipamentos agrícolas, roupa usada, calcário, mobiliário, colchões, material de telecomunicações, cimento e toda a parafernália essencial às pessoas e para a montagem e recuperação de infra-estruturas nas regiões atravessadas pelo comboio.

Em 2012, estatísticas apontam que viajaram pelo Caminho-de-Ferro de Benguela  23968 pessoas, do Lobito ao Huambo, cifra que caiu para 11324 no ano a seguir, registando uma ligeira subida em 2014 ao ficar em 18775.  Em 2015, houve quase o dobro de passageiros nessa frequência, com um registo de 35860 pessoas.

Em 2016, entre Janeiro e Setembro, o Caminho-de-Ferro de Benguela transportou 288498 passageiros e 20657 toneladas de mercadoria, entre produtos do campo, bebidas, cimento e gás de cozinha.

Há sinais de grande vitalidade em todo o traçado do Caminho-de-Ferro de Benguela. O comboio devolveu a esperança de uma vida melhor à população, pois havia muitos produtos a estragarem-se nos campos agrícolas.

Hoje, muita gente vende milho, feijão, batata-doce, legumes e outros produtos nos mercados de Benguela, Lobito e noutros centros urbanos um pouco por todo o país, graças ao comboio.

No Huambo, está em construção um centro para a formação dos técnicos do CFB e uma linha para formação prática na condução de veículos e outras infra-estruturas da via. Na província do Bié, uma potência agrícola no centro de Angola, a população vê reavivadas as esperanças quanto ao escoamento da sua produção, a partir das estações do Kunhinga, Cunje, Catabola, Chipeta, Camacupa, Cuemba e de outras localidades do Moxico, onde a linha férrea termina na estação do Luau, junto à fronteira com a RDC e da Zâmbia. Aí o impacto do comboio é absolutamente notável.
 
Entre 2005 e 2015, o programa de reabilitação do CFB representou um investimento de 1900 milhões de dólares americanos de um total de 3500 milhões de dólares destinados à reparação da rede dos caminhos-de-ferro de Angola.

Nestes números, estão incluídas outras infra-estruturas, umas reabilitadas e outras erguidas de raiz ao longo do traçado do Caminho-de-Ferro de Benguela em todo o seu corredor, desde o Atlântico ao Luau, que incluem estradas, aeroportos, portos, escolas e centros de saúde.

A reabilitação e a modernização dos ramais do CFB incluem a instalação de redes de fibra óptica e de equipamentos de sinalização e de segurança em toda a extensão das linhas, construção de pontes, pontões, apeadeiros, passagens de nível e valas de drenagem, além de modernas estações para comodidade dos passageiros, o que explica as somas astronómicas da empreitada.

Percurso histórico

O Caminho-de-Ferro de Benguela começou a ser construído em 1899, com a finalidade de dar acesso ao interior e facilitar o transporte dos recursos minerais extraídos da República Democrática do Congo. A ligação ao Luau aconteceu em 1929. Desde muito cedo, a linha mostrou ser um sucesso, revelando-se muito rentável, por constituir o caminho mais curto para transportar as riquezas mineiras do Sul do Congo para a Europa.

Em 1931, o Porto do Lobito recebeu por via férrea o primeiro carregamento de cobre proveniente do Catanga. Mas a guerra que se seguiu à Independência de Angola obrigou à suspensão do funcionamento do CFB, dado que boa parte da sua infra-estrutura acabou por ser destruída ou danificada, inviabilizando o trânsito.

Em 1987, numa fase de abrandamento, foi acordado um plano de reconstrução entre as autoridades de Angola e do Congo Democrático, que acabou por não ser levado a cabo por causa do reacender da guerra. Com o advento da paz, em 1991, Angola solicitou um estudo para a sua reconstrução com a ajuda do Banco Mundial, com vista a retomar o tráfego ferroviário e a potenciar a capacidade do Porto do Lobito.

Durante o breve período de paz, a ferrovia transportou material em quantidade reduzida, mas conseguiu voltar a funcionar, ainda que em distâncias médias.

O tráfego era então assegurado por oito locomotivas da General Electric, modelo U20C, 2 Paxman 8RPHXL, seis de dois motores acoplados Cummins NT855L4, com um total de 22 locomotivas a diesel e mais 19 dedicadas a serviços menos importantes.

Em 1995, contava com 53 locomotivas (das quais 24 foram adquiridas em segunda mão à África do Sul), quatro vagões restaurantes, igual número com camas e 1761 carruagens.

Em 2005, foram encetadas conversações entre os governos de Angola e da Zâmbia para retomar o funcionamento. Em 2009, foi concluída a remoção dos engenhos explosivos nesta linha, num esforço conjunto das Forças Armadas Angolanas, Instituto Nacional de Desminagem, Gabinete de Reconstrução Nacional e Polícia de Guarda Fronteira. Desde então, o Caminho-de-Ferro de Benguela reescreve a sua própria história. André dos Anjos – Angola in “Jornal de Angola”

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Angola - Recebe as primeiras locomotivas GE

O primeiro lote de 15 locomotivas que vão reforçar a capacidade dos Caminhos-de-Ferro de Angola chegou ao país em finais de Novembro passado, anunciou em Luanda o ministro dos Transportes Augusto da Silva Tomás.

As locomotivas, fabricadas pela General Electrics, foram desembarcadas nos portos de Luanda, Lobito e Namibe a fim de entrarem ao serviço das empresas Caminhos-de-Ferro de Luanda (CFL), Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB) e Caminhos-de-Ferro de Moçâmedes (CFM).

O fornecimento das locomotivas é resultado do memorando que o governo de Angola e a General Electric Company assinaram em Fevereiro de 2013, em Chicago. O memorando, rubricado pelo CEO da GE Transportation, Lorenzo Simonelli, e pelo ministro dos Transportes angolano, Augusto Tomás, estende a colaboração ao sector de aviação civil e à reparação de locomotivas até então avariadas.

Nos termos do memorando, as primeiras 15 locomotivas deveriam ter chegado a Angola em 2014 e as restantes 85 num período de cinco anos, mas a degradação da situação financeira do país atrasou a sua concretização. Ainda assim, a entrega agora concretizada antecipa o previsto para o primeiro semestre de 2017.

As unidades encomendadas por Angola estão a ser construídas em Erie, Pennsilvânia.

Além das locomotivas, a General Electric vai fornecer peças e formar técnicos angolanos na manutenção dos equipamentos. In “Transportes & Negócios” - Portugal