Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
Mostrar mensagens com a etiqueta Edmar Monteiro Filho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Edmar Monteiro Filho. Mostrar todas as mensagens

sábado, 4 de agosto de 2018

“A Noite é dos Pássaros”: um exercício original e virtuoso

Queiramos ou não admiti-lo, somos uma Nação fundada sobre a escravidão, e não apenas dos povos africanos, oficialmente extinta há pouco mais de cem anos, mas também dos povos que aqui viviam antes da chegada da esquadra de Cabral, em 1500. De fato, não estamos sozinhos num concerto mundial em que a violência tem origem nas diferenças não apenas de cor da pele como também de crença, de origem, de convicção política e tantas outras. Mas sofremos especialmente as consequências de um feixe de misérias ocasionadas pelo tratamento de seres humanos como bestas durante centenas de anos. Ainda hoje, há os escravos com carteira assinada, os escravos sem segurança, sem garantias, os escravos humilhados pela necessidade absoluta.

Aquele que domina e escraviza entende o outro como inferior, criatura vinculada ao conceito de utilidade, seja para realizar as tarefas que o dominador não deseja ou não está apto a realizar, seja para dar prazer ou simplesmente alimentar a vaidade de deter a posse de outro ser humano – ainda que, no mais das vezes, tal domínio venha justificado pela negação da humanidade do escravizado. Assim, a escravidão nasce da diferença que se autoriza a suprimir a dignidade ao outro, na medida em lhe retira não apenas a liberdade, mas a autodeterminação.

A necessidade de levar a civilização ou a salvação a povos considerados inferiores muitas vezes serviu de pretexto para escravizá-los, com base numa concepção que se traduz pela máxima: “minhas ideias e meus costumes são melhores e mais verdadeiros que o do outro e, por isso, é preciso impô-los para o seu próprio bem”. No caso dos portugueses que chegaram às terras brasileiras, a ideia de civilização entrou em choque com certos costumes impeditivos da sua própria existência, casos do incesto, do homicídio e da antropofagia. Por isso, a existência do sacrifício humano e do canibalismo acabaram suscitando não apenas o repúdio e a proibição, mas também a imposição de outras atitudes igualmente contrárias à convivência, como o genocídio e a escravização.

Ainda que a antropofagia praticada pelos povos indígenas em tempos coloniais seja o eixo temático do precioso romance “A Noite é dos Pássaros”, do escritor paraense Nicodemos Sena, seu enfoque é outro. Trata-se – nas palavras do próprio autor – de uma experiência que parte da história para avançar pela literatura, buscando a atmosfera dos mitos indígenas e “despindo-os da roupagem imposta pelo colonizador”, de modo a construir uma narrativa que mergulha firmemente “na penumbra dos sonhos”. O relato aborda as peripécias do naturalista português Alexandre Rodrigo Ferreira, feito prisioneiro dos tupinambás em 1751. Conforme o costume, o cativo recebe o tratamento de hóspede, enquanto aguarda o momento em que será morto e devorado, como forma de vingança pelos inúmeros membros da tribo mortos pelos portugueses. Seus dias se passam em angustiosa espera, lendo e relendo um desgastado volume que narra as aventuras do mercenário alemão Hans Staden, que viveu situação semelhante à sua, sobreviveu ao sacrifício e retornou ao país natal para redigir as memórias do cativeiro. Para amenizar sua angústia, Alexandre conta com uma importante aliada na figura da jovem Potira, filha do chefe tupinambá, que por ele se apaixona e promete salvá-lo do ignóbil destino que o espera.

A pesquisa extensa realizada pelo autor, os enxertos da língua tupi nas falas dos personagens, a detalhada descrição da vida na aldeia, estabelecem um conjunto rico e verossímil, que foge do meramente exótico ao se apoiar a todo instante nas inserções da mitologia indígena no enredo. A beleza da poesia tupi, liberada do exotismo romântico, mas em diálogo reconhecido com obras fundamentais da nossa literatura, desde “Caramuru”, passando por “I-Juca Pirama”, até chegar aos modernos “Cobra Norato” e “Macunaíma”, transforma “A Noite é dos Pássaros” num exercício original e virtuoso, no qual História e mito, fantasia e registro fiel do real e a força da linguagem estão a serviço de uma narrativa de amor e de costumes. E, como se não bastasse, serve ainda ao propósito de suscitar interessantes reflexões acerca do verdadeiro significado da cultura em sua ampla diversidade. 

Difícil não enxergar na revoada final dos pássaros uma espécie de polifonia de cores e significados dentro de uma suntuosa sinfonia. Edmar Monteiro Filho - Brasil


_________________________________

SENA, Nicodemos. A Noite é dos Pássaros. Belém PA: CEJUP, 2003, 136p. edmont@uol.com.br


___________________________________________________

EDMAR MONTEIRO FILHO escreve e publica desde 1980. Vencedor dos prêmios Guimarães Rosa, Cruz e Souza, Cidade de Belo Horizonte e Luiz Vilela e finalista do Prêmio São Paulo de Literatura. Publicou dez livros, entre prosa e poesia. Atualmente é doutorando em Teoria e História Literária pela UNICAMP.

domingo, 10 de setembro de 2017

“Atlas do impossível”: contos surrealistas

                                                            I
Um livro de contos, geralmente, é o resultado da reunião de textos literários dispersos e autônomos que o autor produz ao longo dos anos, quase sempre sem um fio narrativo que os una. São também textos que escapam a qualquer critério quantitativo, ou seja, não podem ser definidos com base em sua extensão. Mas, ao contrário da novela e do romance, o conto exige, antes de tudo, a atenção concentrada do leitor para produzir nele um “efeito preconcebido, único, intenso, definido”, com observou o professor, ensaísta e investigador venezuelano Carlos Pacheco (1948-2015) em Del cuento e sus alrededores. Aproximaciones a una teoria del cuento (Caracas, Monte Ávila Latinoamericana, 1997, p. 20), com base no que dizia o poeta norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1849), para quem o “conto devia ser lido de uma assentada”.

Atlas do impossível (Guaratinguetá-SP, Editora Penalux, 2017), de Edmar Monteiro Filho, quinto livro de contos do autor, não preenche todos esses critérios. Mas, entre os 15 relatos que o compõem, há dois que provam que a extensão em número de páginas ou palavras não é mesmo critério seguro para definir um conto. Por exemplo, o texto de abertura, “Autorretrato em espelho esférico”, tem apenas 18 linhas, enquanto aquele que encerra o volume, “Galeria”, ocupa 49 páginas, dividido em dez capítulos ou trechos, aproximando-se do que se poderia chamar de novela.

O livro, porém, vai além. São relatos caudatários do movimento surrealista da década de 1920, liderado pelo poeta e crítico francês André Breton (1896-1966), que, tanto na pintura ou na gravura como na poesia ou na prosa, procurava incorporar elementos desconexos, formas abstratas e ideias irreais, com o objetivo declarado de escapar da lógica e da razão. Em outras palavras: levar o poder da subversão à criação.

Muitos destes contos, de fato, não apresentam um fio condutor, mas, ao contrário do que seria comum em livros do gênero, foram escritos sob a inspiração de dois mestres. Um deles é o artista gráfico holandês Maurits Cornelis Escher (1898-1972). O outro se trata de Jorge Luis Borges (1899-1986), poeta e contista argentino, a quem a Academia Sueca ficou a dever um Prêmio Nobel de Literatura.

Em Escher, Monteiro Filho buscou inspiração não só para a narrativa de seus contos, a ponto de o título de cada uma das 15 peças repetir o de uma gravura do artista. De certo modo, os relatos buscam provocar no leitor a mesma sensação de estranhamento que as telas de Escher costumam causar naqueles que as observam, pois sempre exigem uma nova visão, tal a confusão mental que provocam. Do mesmo modo, os textos do contista exigem, invariavelmente, uma nova leitura.

É de se lembrar que as gravuras de Escher procuram representar construções impossíveis, explorações do infinito e metamorfoses, em que os padrões geométricos entrecruzados transformam-se gradualmente em formas completamente diferentes. Além das gravuras (xilogravuras, litografias e meios-tons) de Escher, Monteiro Filho vale-se de alguns de seus pensamentos, como aquele que funciona como epígrafe para o conto “Ordem e caos”: “Não consigo parar de brincar com nossas certezas incontestáveis”.


                                               II
Há também nestes contos referências implícitas e explícitas a Jorge Luis Borges, que, inclusive, aparece como personagem em “Mãos desenhando”, que conta as peripécias de um acadêmico tucumano para se tornar íntimo do mestre, visitando-o com certa frequência em seu apartamento na calle Maipú, no centro de Buenos Aires, além de segui-lo à distância pelas ruas de uma cidade que o escritor, à beira da cegueira, começava a deixar de enxergar.

Como se estivesse disposto a romper todas as classificações estabelecidas pelos críticos para o gênero, o autor cita neste conto pessoas ainda vivas, como a escritora, tradutora e professora argentina Maria Kodama, ex-secretária e viúva de Borges, e o contista, romancista e novelista brasileiro Menalton Braff.

Já no conto “Três mundos”, Monteiro Filho, igualmente nas pegadas de Borges, repete a metáfora do espelho, desenvolvendo uma autorreflexão sobre seu próprio processo de escrita, ao misturar realidade e ficção. E procura reconstituir a história fabulosa da vida do libanês Ismail, que chegou ao Brasil em 1950 e adquiriu um imóvel na Rua Treze de Maio, a principal da pequena cidade de Amparo, no interior de São Paulo, onde montou uma sorveteria, depois de, como soldado da Legião Estrangeira, ter participado de combates em Camarões e na Europa e, mais tarde, no Marrocos, depois de realistar-se, voltar à França em 1926.

Até que, em 1939, já com família constituída e uma sorveteria herdada do tio para cuidar, ao atender a um obscuro chamado interior, abandonou tudo e partiu para o Norte da África, realistando-se na Legião, para participar de novos combates. É a vida desse personagem que o narrador recupera com o auxílio de seu filho brasileiro, Kalil, agora um empresário bem sucedido. Para se ter uma ideia do estilo sóbrio, mas instigante, de Monteiro Filho, segue um excerto:

“O narrador está sentado diante de Kalil. O filho brasileiro de Ismail tem as unhas cuidadas e se veste bem. Por telefone, declarou trecho de seu arsenal: longas conversas com o pai, um legado inestimável de episódios de uma vida prodigiosa. Se teria tomado notas? Desnecessário, já que possui memória prodigiosa – o mesmo adjetivo talvez desmentindo esse prodígio. Kalil não vê problemas em contar o que sabe sobre Ismail. Suas frases calculadas traduzem as intenções: “Não se pode permitir que uma trajetória de vida tão rica caia no esquecimento”; “Ismail é um personagem riquíssimo”: “toda essa riqueza renderá um livro”: “O pai legou-lhe um tesouro”. Mas o narrador se agarra aos fios possíveis de sua história” (pag. 51).


                                               III
Como observa o experiente professor, romancista e pintor Aércio Flávio Consolin, no texto de apresentação que escreveu para as “orelhas” deste livro, os contos de Monteiro Filho “foram criados sob a égide de artistas que apuseram ao real uma reinterpretação subversiva pela própria natureza, derivando para uma suprarrealidade que atiça a compreensão e alarga-a por ampliar a perplexidade a cada aproximação, tanto das gravuras de Escher como da literatura por Borges”.

Nas pegadas do que diz Consolin, as imagens insólitas de Monteiro Filho têm atraído também a atenção de estudiosos jovens, como Alexandra Vieira de Almeida, doutora em Literatura Comparada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), para quem “o contista mostra seu pleno domínio sobre esta arte difícil do conto que para muitos é o texto em prosa da literatura mais complexo de se elaborar, pois é necessária a medida certa, o ponto essencial”.

Já para o romancista e pesquisador Krishnamurti Góes dos Anjos, autor de O Touro do rebanho (Lisboa, Editora Chiado, 2014), que obteve o primeiro lugar no Concurso Internacional de Literatura da União Brasileira de Escritores (UBE), do Rio de Janeiro, quem vier a ler esta obra de Monteiro Filho estará “diante de um escritor com pleno domínio dos aspectos que envolvem a estruturação de suas histórias (onde ecoa um lirismo cativante)”. Para ele, o contista “articula e combina múltiplas linguagens, verbais e não verbais para criar sistemas autorrepresentativos onde a fusão interativa de elementos propicia uma maior consistência e eficiência de um fazer literário que o coloca entre os mais expressivos prosadores brasileiros da atualidade”.

Aliás, os textos de Alexandra Vieira de Almeida e Krishnamurti Góes dos Anjos, que podem ser localizados na Internet, merecem desde já ficar reservados como prefácio e posfácio para uma possível segunda edição de Atlas do impossível, tal a maneira percuciente como interpretaram a originalidade dos contos de um escritor tão seguro de seu ofício.


                                               IV
Edmar Monteiro Filho (1959) escreve e publica desde 1980. Possui graduação em Ciências Biológicas Modalidade Médica pela Universidade Federal de São Paulo (1980) e em História pela Fundação Municipal de Ensino Superior de Bragança Paulista (2007), com especialização em História Cultural pela mesma instituição (2010). É mestre em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), título obtido com a dissertação “O major esquecido: Histórias de Alexandre, de Graciliano Ramos” (2013). Faz doutoramento em Teoria e História Literária na Unicamp.

Recebeu os prêmios literários Guimarães Rosa (1997), promovido pela Rádio França Internacional, com o conto “Primeiro de janeiro é o dia dos mortos”, e Cruz e Souza de Literatura, com o livro Aquários (contos, Fundação Catarinense de Cultura, 2000). Fita azul (São Paulo, Editora Babel, 2011), seu primeiro romance, foi um dos finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura de 2012.

Publicou ainda Este lado para cima (poesia, edição de autor, 1993), Halma húmida (poesia, edição do autor, 1997), Às vésperas do incêndio (contos, edição do autor, 2000), com o qual conquistou o Prêmio Cidade de Belo Horizonte, Que fim levou Rick Jones? (contos, edição de autor, 2010) e  Azande (novela, edição de autor, 2004). É autor também de O Rei condenado à morte & outras histórias (Guaratinguetá-SP, Editora Penalux, 2015).

Nascido na cidade de São Paulo, mora em Amparo desde a infância, mas, como funcionário do Banco do Brasil, viajou por quase todo o País recolhendo relatos e experiências que depois utilizaria em seus contos. Foi em jornais de Amparo que começou a publicar seus textos em 1981, ano em que ganhou seu primeiro prêmio literário com o conto “Maré vermelha”, na cidade de Araguari-MG. Desde 1997, ministra oficinas literárias de contos em várias cidades. Assina uma coluna em que faz resenhas de livros no semanário A Tribuna, de Amparo. Adelto Gonçalves – Brasil

________________________________

Atlas do Impossível, de Edmar Monteiro Filho. Guaratinguetá-SP: Editora Penalux, 246 págs., R$ 45,00, 2017. E-mail: penalux@editorapenalux.com.br Site: www.editorapenalux.com.br


__________________________________________________

Adelto Gonçalves, jornalista, mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana e doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP), é autor de Os Vira-latas da Madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981; Taubaté, Letra Selvagem, 2015), Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012) e Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015).

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Contos dos quais o leitor jamais sairá indiferente

I

Não se sabe quando nasceu o conto na forma como o conhecemos hoje, mas um arremedo do gênero deve ter sido o primeiro relato que um homem da caverna tentou fazer a um(a) companheiro(a). Basta ver que até mesmo sociedades ágrafas guardam narrativas míticas, que foram transmitidas oralmente de geração para geração. Seja como for, apesar de suas raízes estarem fincadas na história da Humanidade, o conto como gênero literário é produto nascido no século XIX, quando a imprensa começou a se expandir.

A essa época, o leitor de jornais – obviamente, alguém alfabetizado e possuidor de alguma cultura – passou a se interessar por literatura, o que justifica o aparecimento não só de relatos pouco extensos nas folhas diárias, semanais ou quinzenais bem como de capítulos de romances, os chamados folhetins, que apareciam geralmente no rodapé da página. Obviamente, o conto, como narrativa curta, foi o gênero que mais bem se adaptou ao espaço limitado dos jornais, atraindo romancistas e contistas conhecidos como Guy de Maupassant (1850-1893) em Paris, Eça de Queirós (1845-1900) em Lisboa e Machado de Assis (1839-1908) no Rio de Janeiro.

Hoje, em tempos de informática, a narrativa curta acaba de ganhar novo fôlego, com a proliferação de blogs e sites que reproduzem microtextos, a já denominada microficção, ainda que já proliferem pelo menos desde o início do século XXI os chamados e-books, que reproduzem romances e livros de todos os gêneros, embora seja a sua leitura exercício difícil ao menos para aqueles que já carregam mais de cinco ou seis décadas às costas e foram formados na velha escola do livro impresso e das bibliotecas públicas.

                                                           II
Provavelmente, pressionados pelo espaço reduzido dos jornais e revistas, os contistas procuraram, ao longo do século XX, concentrar suas narrativas em poucas e resumidas linhas, sem deixar de se aprofundar no âmago de suas personagens. É de se reconhecer que, no século XX, os argentinos Jorge Luis Borges (1899-1986) e Julio Cortázar (1914-1984) foram aqueles que procuraram, por meio do gênero, criar uma nova forma de fazer literatura na América Latina. Para tanto, procuraram romper com os modelos clássicos, produzindo narrações que escapam à linearidade temporal. Geralmente, suas personagens adquirem autonomia, graças à profundidade psicológica que lhes creditam.

No Brasil, não foram poucos os escritores que se sentiram influenciados pela maneira criativa de escrever narrativas breves que tanto Borges quanto Cortázar exibiam. Ainda hoje essa influência é visível. Como pode constatar quem vier a ler O Rei condenado à morte & outras histórias (Guaratinguetá-SP, Editora Penalux, 2015), de Edmar Monteiro Filho (1959), que reúne relatos inéditos e outros já publicados e premiados.

Entre os textos inéditos, está o conto que abre o livro, uma narrativa densa que tem como pano de fundo o futebol, curiosamente um tema pouco explorado pelos escritores brasileiros, embora essa seja a modalidade esportiva mais popular no País. É de se recordar que, desde o começo do século XX, o excepcional romancista Lima Barreto (1881-1922) sempre se opôs ao futebol, não propriamente contra a prática esportiva, mas contra um projeto político-ideológico das elites que procurava fazer do football um esporte praticado só por pessoas bem postas na vida.

O Rei, como percebe o leitor a partir da capa, é Pelé, o jogador mais famoso do mundo, mas o foco do conto recai sobre personagens secundárias, coadjuvantes, as “vítimas” do malabarismo do atacante, ou seja, jogadores obscuros – ou pelo menos não tão notórios e famosos como Ele (a quem se reverencia com a letra inicial em maiúscula) – que, em algum momento de suas carreiras, tiveram de enfrentar a sua genialidade.

O conto começa com Gustavsson, zagueiro da seleção sueca “humilhado” por um “chapéu” desconcertante na derrota da Suécia para a seleção brasileira, na final da Copa do Mundo de 1958. Avança com um relato que parece saído das páginas de um jornal da década de 1950 e que reproduz os acontecimentos de um dia de sábado à tarde, em agosto de 1959, quando, no estádio Conde Rodolfo Crespi, na Rua Javari, no tradicional bairro da Moóca, em São Paulo, o Santos derrotou o Juventus pelo Campeonato Paulista e Pelé marcou um gol antológico, depois de aplicar dois “chapéus” em dois antagonistas e mais um no goleiro Mão de Onça.

O conto reconstitui ainda o antológico “gol de placa”, anotado por Pelé, em 1961, no Maracanã, em lance em que metade da equipe do Fluminense foi driblada pelo craque. E encerra-se com os acontecimentos de certa noite de domingo de 1969, no mesmo estádio do Maracanã, onde ocorreu o chamado “milésimo gol” marcado por Pelé diante do goleiro argentino Andrada, do Vasco da Gama. Desse episódio há um vídeo que mostra como “El Gato”, depois de sofrido o gol, dá socos no chão, inconformado por passar para a história como coadjuvante da glória do Rei do futebol. Anos mais tarde, Andrada voltaria às páginas dos jornais, desta vez acusado de ter colaborado em crimes praticados em 1983, à época da última ditadura militar (1976-1983) que tanto infelicitou a Argentina.

                                                           III
No segundo relato do livro, “Primeiro de janeiro é o dia dos mortos”, laureado com o Prêmio Guimarães Rosa de 1997, em concurso promovido pela Rádio França Internacional, o contista mergulha no inconsciente de um policial alcoólatra, às voltas com um assassino de mendigos na cidade de São Paulo. Em outro conto, “Alfinete”, um médico psiquiatra sofre uma estranha metamorfose diante dos olhos do leitor, assumindo as idiossincrasias e alucinações de seu paciente, tal como uma personagem de Franz Kafka (1883-1924).

Aliás, no conto “Água Suja”, Edmar Monteiro Filho repete também o cotidiano sufocante e burocrático de Kafka, ao reconstituir a vida de um funcionário da Justiça em sua tentativa de conciliar as divergências entre dois cidadãos. Em outro texto, “Cavaleiro negro contra o matador de cangaceiros”, igualmente criativo, o autor investiga a alma de um filho oprimido pelo pai, que busca conforto nos desafios de uma máquina de fliperama.

Em “Voador”, os personagens são Kublai Khan, Marco Polo, Italo Calvino, o rei V. e o próprio autor. Como numa fábula, o leitor pode viajar no tempo e no espaço, indo da China à Florença, passando por Amparo, pequena cidade do interior de São Paulo. Enfim, são oito relatos dos quais o leitor não sairá ileso e muito menos indiferente, tal a inventividade do seu autor.

                                                            IV
Edmar Monteiro Filho escreve e publica desde 1980. Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Federal de São Paulo (1980) e em História pela Fundação Municipal de Ensino Superior de Bragança Paulista (2007), com especialização em História Cultural pela mesma instituição de ensino (2010). É mestre em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de São Paulo (Unicamp), título obtido com a dissertação “O major esquecido: Histórias de Alexandre, de Graciliano Ramos” (2013). Atualmente é doutorando em Teoria e História Literária na Unicamp.

Recebeu também o Prêmio Cruz e Souza de Literatura, com o livro Aquários (contos, Fundação Catarinense de Cultura, 2000). Publicou ainda Este lado para cima (poesia, edição de autor, 1993), Halma húmida (poesia, edição do autor, 1997), Às vésperas do incêndio (contos, edição do autor, 2000), com o qual conquistou o Prêmio Cidade de Belo Horizonte, Que fim levou Rick Jones? (contos, 2010) e a novela Azande (edição de autor, 2004).

Nascido na cidade de São Paulo, mora em Amparo, desde a infância, mas, como funcionário do Banco do Brasil, pôde viajar por quase todo o País recolhendo experiências que depois utilizaria em seus contos. Também atuou como funcionário do Fórum local. Foi ainda em jornais de Amparo que começou a publicar seus textos, em 1981, ano em que ganhou seu primeiro prêmio literário com o conto “Maré vermelha”, na cidade de Araguari-MG. Desde 1997, ministra oficinas literárias de contos em várias cidades. Assina uma coluna em que faz resenhas de livros no jornal semanário A Tribuna, de Amparo. Adelto Gonçalves - Portugal       

________________________________________ 
O Rei condenado à morte & outras histórias, de Edmar Monteiro Filho. Guaratinguetá-SP: Editora Penalux, 206págs., R$ 38,00, 2015. E-mail: penalux@editorapenalux.com.br
Site: www.editorapenalux.com.br


________________________________________ 
Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Os vira-latas da madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981; Taubaté, Letra Selvagem, 2015), Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012), e Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Um pungente retrato de um mundo marginal

Ainda hoje, nossas concepções acerca da história sofrem a contaminação de modelos baseados no chamado “senso comum”, no personalismo e em outros vícios que nosso sistema educacional teima em reproduzir. Com isso, resta esquecido que para refletir criticamente sobre os acontecimentos do passado – recente ou remoto – é preciso fazer uso de uma mescla de critérios científicos e subjetivos, trabalhados harmonicamente, em constante diálogo.

Aceitar como verdades incontestáveis as informações reproduzidas por determinadas pessoas ou por veículos de comunicação, cuja legitimidade baseia-se apenas em seus percentuais de audiência é, no mínimo, ingenuidade. Sem método para reflexão, sem análise criteriosa, toda informação é especulação. Por outro lado, os dados e os números frios, desacompanhados de interpretação, também não se traduzem em conhecimento efetivo sobre a realidade.

Mas, então, como confiar no que se vê, no que se ouve, no que se lê, sem correr o risco de reproduzir falácias ou ideias equivocadas? Questão difícil quando se sabe que a própria escrita da História ainda se debate entre o cientificismo puro ou o relativismo que a coloca como mais uma entre tantas formas de narrativa. Roger Chartier afirma que o trabalho do historiador não pode se afastar do objetivo de buscar a verdade, mesmo que tal objetivo possa ser, conceitualmente, impossível de atingir. Abandonar tal busca seria deixar o campo livre a toda sorte de falsificações, a todos aqueles que, “por traírem o conhecimento, ferem a memória”.

Assim, o exercício constante de um olhar crítico perante toda informação é uma forma de evitar, na medida do possível, a ideia enganada, o ato intempestivo e a reprodução do erro. Por isso, é importante não se fiar em uma única fonte informativa, aceitar que toda ideia evolui ao longo do tempo e, por fim, buscar conhecimentos que permitam discutir e compreender.

Dentre as ferramentas utilizáveis para a construção da história, a memória pessoal é a mais carregada de subjetividade. Assim, seu uso como forma de interpretação de determinado período ou fato histórico estaria contaminado por procedimentos próprios da literatura. Entretanto, desde que Walter Benjamin fez uso de fragmentos de memória para contar a história de uma cidade em “Infância em Berlim por volta de 1900”, aprendemos que se a memória é ineficaz para uma construção linear dos fatos, pode tecer um painel de percepções múltiplas, simultâneas e polifônicas que se entrecruzam para formar o tecido histórico, conforme afirma Pablo Porfírio. 

Adelto Gonçalves não omite o fato de que a memória é o reservatório de onde retira os acontecimentos e os personagens que povoam as páginas de “Os vira-latas da madrugada”. Em sua infância, vivida à beira do cais do porto de Santos, assistiu ao desfile desses trabalhadores portuários, malandros, bêbados, prostitutas, pequenos comerciantes contra o pano de fundo dos momentos que antecederam o golpe militar de 64.

É desse material que retira sua narrativa e é a partir dele que vão surgindo as figuras vivas do moleque Pingola, do revolucionário Marambaia, do aspirante a craque Cariri, das prostitutas Irene e Sula, do mendigo Plínio, de Nego Oswaldo, de Quirino, todos vivendo entre as boates, os cortiços, bares, armazéns e bordéis do bairro do Paquetá. O autor assume a condição de espectador dos fatos que deram origem à ficção ao inserir entre um capítulo e outro algumas descrições autobiográficas, que qualifica como “confissões”.

Se o recurso tenciona acrescentar credibilidade factual aos eventos narrados, a subjetividade memorialística invade o suporte histórico, resultando num movimento que passa do ficcional ao documental e àquele retorna, expandindo e enriquecendo a leitura. Dessa forma, se a interferência explícita da voz do autor não permite esquecer que estamos diante de suas lembranças, o momento histórico em que a narrativa transcorre surge por inteiro através dos olhos de uma testemunha ocular dos fatos.

“Os vira-latas da madrugada” é um pungente retrato de um mundo marginal, onde o lenocínio e a malandragem convivem com anseios por tempos novos, coroados pelo fim da exploração e da miséria de toda espécie. Aos olhos do leitor, os destinos desses personagens românticos defrontam-se com uma violência maior, implacável. E é então que sua luta por uma justiça social inatingível nos toca de maneira especial. Porque, enfim, ainda hoje partilhamos os mesmos sonhos e ainda buscamos os meios de transformá-los em realidade. Edmar Monteiro Filho – Brasil

____________________________________ 

Os vira-latas da madrugada, de Adelto Gonçalves, com prefácio de Marcos Faerman, apresentação de Ademir Demarchi, posfácio de Maria Angélica Guimarães Lopes e ilustrações e capa de Enio Squeff. Taubaté-SP: Associação Cultural Letra Selvagem, 216 págs., 2015, R$ 35,00. E-mail: letraselvagem@letraselvagem.com.br  Site: http://www.letraselvagem.com.br


______________________________________________ 

Edmar Monteiro Filho é mestre em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de São Paulo (Unicamp), título obtido com a dissertação “O major esquecido: Histórias de Alexandre, de Graciliano Ramos” (2013), e doutorando em Teoria e História Literária na Unicamp. Recebeu os prêmios literários Guimarães Rosa (1997) e Cruz e Souza de Literatura, entre outros. Publicou Fita Azul (romance, Babel, 2012) Este lado para cima (poesia, edição de autor, 1993), Halma húmida (poesia, edição do autor, 1997), Às vésperas do incêndio (contos, edição do autor, 2000), Que fim levou Rick Jones? (contos, 2010) e a novela Azande (novela, edição de autor, 2004).  Assina uma coluna em que faz resenhas de livros no jornal semanário A Tribuna, de Amparo. E-mail: edmont@uol.com.br

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

“Fita azul”: a reconstrução da memória

I

Fita azul (São Paulo, Editora Babel, 2011), primeiro romance do contista e poeta Edmar Monteiro Filho, um dos finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura de 2012, surpreende da primeira à última linha pela segurança com que o seu autor desempenha o seu ofício. Escrito como se saísse da pena de uma mulher, acontecimento raro na Literatura Brasileira, o romance foi construído a partir de lembranças da mãe do autor sobre a infância e a adolescência vividas em Amparo, cidade hoje de 70 mil habitantes, estância hidromineral a 50 quilômetros de Campinas, terra de adoção de Bernardino de Campos (1841-1915), advogado e fazendeiro de café que foi um dos altos próceres da Primeira República (1889-1930) e duas vezes presidente do Estado de São Paulo (1892-1896 e 1902-1904).

O romance não está dividido em capítulos nem partes, mas em blocos que o leitor só consegue identificar plenamente na última linha, quando a memorialista revela a sua idade à época dos acontecimentos que narra. Eis um exemplo:
(...) Minha irmã não adoece, paira séria e elegante sobre esses males menores do mundo. É professora competente, leciona em Pedreira. Anda de trem, compra os tecidos e encomenda suas roupas para uma costureira de Serra Negra, para tristeza das habilidades da mãe (...). Nos finais de semana vejo-a passeando de braços dados com uma ou outra amiga, rindo e conversando ao redor do jardim ou pelo Largo da Matriz, enquanto saio do catecismo e das rezas direto para casa. Já não tenho quaisquer dúvidas sobre meu ódio: intenso, maduro.
                        Eu tenho quinze anos de idade. (...)

Mais adiante, lê-se:
(...) E desejei tanto esses filhos, que até o Caçador me procurou para as obrigações que mal cumpria, movido por um sentimento que julguei ser ternura, mas que depois descobri ser apenas remorso. E se foi por um período curto de proximidade, foi o suficiente para que eu descobrisse, certa manhã de enjoo terrível, que Deus mais uma vez atendera às minhas preces.
                        Eu tinha vinte e seis anos.

Sem querer antecipar o final do livro, seguem as últimas linhas:
(...) Tenho o meu jardim, a cidade toda, o tempo, tudo guardado num armário cuja chave me pertence. Diante dele, observo o mundo que envelhece. A mãe repetia: “cuidar da vida que a morte é certa”, como uma sina, um destino inexorável. Ajoelho-me e rezo, exijo com o mesmo fervor desde que aprendi a usar minha fé para os devidos propósitos. Não seria justiça adoecer e morrer agora que está tudo consumado.
                        Eu tenho cento e trinta anos.

É isso mesmo: a anti-heroína de Edmar Monteiro Filho vive até a provecta idade de 130 anos. Fita azul é o esforço desmedido de uma professora que, ao anotar suas lembranças, procura reconstruir a memória, como se guardasse suas experiências e sentimentos num armário metafórico, com a mesma paciência com que alinhava seus livros na estante, revivendo um passado em que as mulheres não tinham voz e eram obrigadas a aceitar caladas tudo o que os homens diziam e faziam nem tanto às escondidas.

                                                           II
Como se escreveu acima, o romance tem a bucólica cidade de Amparo como o seu grande cenário: a praça da Matriz, os casarões da época dos “barões do café”, as casas humildes das décadas de 1920 e 1930, as ruas de paralelepípedos, o Jardim Público, ainda hoje um recanto inconfundível na paisagem urbana, a praça da velha estação de trem da Mogiana, o vetusto hospital da Beneficência construído em gótico português e as discretas e mansas águas do rio Camanducaia. Mas a Amparo do romance é ainda aquela do final do século XIX, onde  nasceu e viveu a personagem principal até o início de sua vida adulta e para onde ela retorna depois de uma ausência de mais de 40 anos.

O título do romance vem da fita azul que marcava as integrantes mais qualificadas da irmandade católica Filhas de Maria, numa época em que o que o padre dizia no púlpito era o que valia na cidade. Se não virara uma carola de mão cheia, a memorialista dizia acreditar que com fé tudo é possível e que Deus sempre estava disposto a ouvir suas orações e, mais importante, a cumprir os seus rogos.

Mas não imagine o leitor que sentirá pela memorialista imensa ternura. Trata-se de uma mulher seca, dura e áspera consigo mesma e com os outros, tantas vezes malvada, que sentia um ódio bíblico pela irmã mais velha, mas que também era vítima, tal como a imensa maioria das mulheres de seu tempo. Só que com uma diferença marcante: para escapar da dura e triste realidade, um casamento mal sucedido, uma paixão não correspondida, a família esfacelada, ela se refugia em literatura de alta qualidade – Luís de Camões, Osman Lins, Mario Vargas Llosa, Ernest Hemingway, Julio Cortázar, Gabriel García Márquez, Herman Hesse, José Lins do Rego, Florbela Espanca, Ferreira Gullar, Pablo Neruda, Ítalo Svevo, entre outros.

No dizer do poeta, ensaísta e crítico Ronaldo Cagiano, na apresentação que escreveu para este livro, Fita azul é uma “obra densa e psicológica, particularizada por uma linguagem elegante e uma atmosfera envolvente”, que “espelha as ambiguidades, contradições e pesadelos da personagem central e nos remete aos romances de formação”. Para Cagiano, Edmar Monteiro Filho, “uma das grandes revelações da literatura brasileira”, vem arejar a ficção contemporânea com sua voz renovadora. De fato, não é a toda hora que surge um romancista tão seguro e maduro como este.

                                                           III
Edmar Monteiro Filho (1959) escreve e publica desde 1980. Possui graduação em Ciências Biológicas Modalidade Médica pela Universidade Federal de São Paulo (1980) e em História pela Fundação Municipal de Ensino Superior de Bragança Paulista (2007), com especialização em História Cultural pela mesma instituição de ensino (2010). É mestre em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de São Paulo (Unicamp), título obtido com a dissertação “O major esquecido: Histórias de Alexandre, de Graciliano Ramos” (2013). Atualmente é doutorando em Teoria e História Literária na Unicamp.

Recebeu os prêmios literários Guimarães Rosa (1997), promovido pela Rádio França Internacional, com o conto “Primeiro de janeiro é o dia dos mortos”, e Cruz e Souza de Literatura, com o livro Aquários (contos, Fundação Catarinense de Cultura, 2000). Publicou ainda Este lado para cima (poesia, edição de autor, 1993), Halma húmida (poesia, edição do autor, 1997), Às vésperas do incêndio (contos, edição do autor, 2000), com o qual conquistou o Prêmio Cidade de Belo Horizonte, Que fim levou Rick Jones? (contos, 2010) e a novela Azande (edição de autor, 2004).

Nascido na cidade de São Paulo, mora em Amparo, desde a infância, mas, como funcionário do Banco do Brasil, viajou por quase todo o País recolhendo os relatos que depois utilizaria em seus contos. Foi em jornais de Amparo que começou a publicar seus textos, em 1981, ano em que ganhou seu primeiro prêmio literário com o conto “Maré vermelha”, na cidade de Araguari-MG. Desde 1997, ministra oficinas literárias de contos em várias cidades. Assina uma coluna em que faz resenhas de livros no jornal semanário A Tribuna, de Amparo. Adelto Gonçalves - Brasil

_______________________________ 

Fita azul, de Edmar Monteiro Filho, com apresentação de Ronaldo Cagiano. São Paulo-SP: Editora Babel, 171 págs., 2011.
E-mail: edmont@uol.com.br

___________________________________

Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de Os vira-latas da madrugada (Rio de Janeiro, José Olympio Editora, 1981; Taubaté, Letra Selvagem, 2015), Gonzaga, um poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002), Bocage – o perfil perdido (Lisboa, Caminho, 2003), Tomás Antônio Gonzaga (Academia Brasileira de Letras/Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2012), e Direito e Justiça em Terras d´El-Rei na São Paulo Colonial (Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2015), entre outros. E-mail: marilizadelto@uol.com.br