Pintura Arq. Eduardo Moreira Santos, Lx (28.08.1904 - 23.04.1992)
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quinta-feira, 7 de maio de 2020

Covid-19 - Investigador da Universidade de Coimbra defende que refundar a participação cívica é um imperativo para a reconstrução do “novo normal”

Com vários países do mundo a efetuarem uma gradual saída do designado lockdown (bloqueio total) adotado para conter a pandemia da Covid-19, Giovanni Allegretti, investigador do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra (UC) e coordenador do PEOPLES' - Observatório da Participação, da Inovação e dos Poderes Locais -, afirma que é importante «relembrar a classe política que a participação de cidadãs e cidadãos na reconstrução da sociedade no período pós-emergência é fundamental».

Numa reflexão sobre o papel dos cidadãos após a pandemia, Giovanni Allegretti sublinha que «é claro que a participação vai ter que ser repensada. As pessoas têm medo de se reencontrar em grandes grupos, e provavelmente estão saturadas de tecnologia nas suas vidas, mas querem, sobretudo, ser ouvidas sobre grandes questões, como a reconstrução do estado social (sobretudo educação e saúde) e a luta contra as novas desigualdades e exclusões».



O investigador do CES defende que Portugal não pode ficar fora deste debate. Vários países já estão a trabalhar nesse sentido. Por exemplo, «em França, um painel de 150 cidadãos selecionados aleatoriamente para integrar a “Convenção Cidadã para o Clima” apresentou o relatório “Contribuição para o plano de saída da crise”, enquanto uma centena de autarcas, governadores, intelectuais e líderes sociais enviavam ao Presidente Macron a petição “#NousLesPremiers: um cenário democrático para o mundo do depois”, que propõe um plano em três etapas, que prevê o envolvimento direto dos habitantes na reconstrução da sociedade e da economia».

Também em Espanha começou a debater-se a «forma de acompanhar a (polémica) proposta de um novo “Pacto da Moncloa”, prevendo a criação de painéis de cidadãos sorteados para que possam partilhar as suas visões sobre o planeamento da era “pós-Covid”», refere.

Em Itália, um dos países do mundo mais afetados pela Covid-19, «cidades como Milão, Bari ou Nápoles têm vindo a abrir aos cidadãos os seus Planos de Resiliência, a organizar hubs para otimizar as atividades espontâneas de solidariedade, e a coordenar as mais de 40 mil iniciativas de crowdfunding que foram sendo financiadas durante o período de emergência», exemplifica o especialista.

Para um país como Portugal, «que entrou com força no mapa mundial da participação pública, à qual os meios de comunicação nacionais têm dedicado tanto espaço, é impossível ficar alheado deste debate», afirma.

«Somos dos poucos países que tem tido centenas de orçamentos participativos locais e até três experiências promovidas pelo governo nacional, e a RAP (Rede das Autarquias Participativas) é única no panorama europeu. Por dois meses, os nossos processos participativos formalizados ficaram em modalidade “stand-by”, bloqueados pelo distanciamento social e as urgências sanitárias. Mas agora é tempo de repartir, partilhar a reconstrução, canalizar as novas formas de ativismo solidário e lúdico que nasceram na emergência, e de transformá-los em ativismo estratégico», fundamenta o coordenador do Observatório da Participação, da Inovação e dos Poderes Locais.

Assim, prossegue Giovanni Allegretti, para que «o “novo mundo” seja mesmo novo, o Estado não pode atuar sozinho. As instituições são inerciais e as elites políticas não têm suficiente criatividade para se colocarem no lugar das tantas pessoas diferentes que compõem a nossa sociedade. Para não repetir os erros do passado, não precisamos de assistencialismo nem de paternalismo, mas que seja reconhecido aos cidadãos o direito de participar, sobretudo após estes meses de tragédia, com o nosso comportamento responsável e pró-ativo».

Ao Estado, segundo o investigador, cabe essencialmente estabelecer um processo de reconstrução tripartido (instituições, empresas, comunidades), «abrindo espaços substantivos para cidadãs e cidadãos, e coordenando os níveis de governos num percurso participativo multinível, que possa imediatamente aproveitar (em cada nível administrativo) das tantas ideias e práticas de cogestão dos bens comuns que foram emergindo e – por certo – irão emergir ao longo do percurso». Universidade de Coimbra – Portugal

O artigo na íntegra de Giovanni Allegretti:

Refundar a participação cívica: um imperativo para a reconstrução do “novo normal” - Giovanni Allegretti (Centro de Estudos Sociais – Universidade de Coimbra)

Muitos países procederam na semana passada a uma gradual abertura do lockdown. Torna-se, por isso, importante relembrar a classe política que a participação de cidadãs e cidadãos na reconstrução da sociedade no período pós-emergência é fundamental. Em França, um painel de 150 cidadãos selecionados aleatoriamente para integrar a “Convenção Cidadã para o Clima” (www.conventioncitoyennepourleclimat.fr) apresentou o Relatório “Contribuição para o plano de saída da crise”, enquanto uma centena de autarcas, governadores, intelectuais e líderes sociais enviavam ao Presidente Macron a petição “#NousLesPremiers: um cenário democrático para o mundo do depois”, que propõe um plano em 3 etapas, que prevê o envolvimento direto dos habitantes na reconstrução da sociedade e da economia. Em Espanha, começou a debater-se a forma de acompanhar a (polémica) proposta de um novo “Pacto da Moncloa”, prevendo a criação de painéis de cidadãos sorteados para que possam partilhar as suas visões sobre o planeamento da era “pós-Covid”.

Em Itália, vozes de elevada autoridade moral têm-se feito ouvir contra as comissões e as task-forces nomeadas pelo Governo para planear a reconstrução pós-pandemia. Essas deixaram de fora especialistas de participação cidadã e quase não contemplam a presença de mulheres-peritos, tal como realçou a apresentadora de TV, Ambra Angiolini, durante um concerto do 1 de Maio, transparecendo para a sociedade uma mensagem política distorcida sobre as forças que são necessárias reunir para que o “mundo novo” não aprofunde desigualdades e exclusões.

Como escreveu o ex-presidente da Corte Constitucional italiana, Zagrebelski, fundador da “Bienal da Democracia” de Turim, o governo parece não entender que “hábitos, atividades e necessidades materiais e espirituais das pessoas não são matéria inerte, moldável como cera nos mínimos detalhes” e depois do período de obediência é necessário construir a fase da responsabilidade”. Esta não pode prescindir de uma participação ativa dos cidadãos porque "chamar à obediência e solicitar à ética responsabilidade são coisas profundamente diferentes” e os meios para promover cada uma delas também são totalmente diversos. Este debate reforçou-se com a apresentação do “Relatório 2019 da administração partilhada dos bens comuns”, redigido pelo Laboratório da Subsidiariedade (www.labsus.org) que coordena 218 cidades italianas que apostaram na construção de pactos de gestão de espaços, edifícios e atividades públicas, co-construindo regulamentos municipais para agilizar a cooperação entre comunidades e autarquias. Vale a pena reforçar que cerca de 20 por cento destes pactos são realizados com grupos informais de cidadãos (não legalmente constituídos), e 1/5 dos participantes são indivíduos não filiados nas formas de associativismo clássico. Uma parte significativa destes ‘movimentos’ não interromperam a sua atividade durante o período de emergência, optando por direcionar a sua ação para apoiar pessoas em situação de vulnerabilidade. Para realçar o contributo à resiliência das cidades italianas, oferecido por estas experiências participativas, a Associação Nacional de Municípios (ANCI) tem vindo a organizar webinars para divulgar as boas práticas e imaginar como “refundar a participação” cívica com a retomada gradual das atividades sociais. Cidades como Milão, Bari ou Nápoles têm vindo a abrir aos cidadãos os seus Planos de Resiliência, a organizar hubs para otimizar as atividades espontâneas de solidariedade, e a coordenar as mais de 40 mil iniciativas de crowdfunding que foram sendo financiadas durante o período de emergência. Muitas câmaras têm distribuído longos inquéritos visando entender como os cidadãos têm vivido a sociabilidade limitada, os espaços da casa, as exigências de apoio familiar à telescola e as dinâmicas de smart working. Em apenas uma semana, Reggio Emilia recolheu 4800 respostas a um extenso questionário para repensar a participação cívica, e 34 por cento dos que responderam declararam que estão prontos a envolver-se, embora nunca se tenham implicado nos processos participativos antes da crise.

É claro que a participação vai ter que ser repensada. As pessoas têm medo de se reencontrar em grandes grupos, e provavelmente estão saturadas de tecnologia nas suas vidas, mas querem, sobretudo, ser ouvidas sobre grandes questões, como a reconstrução do estado social (sobretudo educação e saúde) e a luta contra as novas desigualdades e as exclusões.

É preciso também repensar os padrões das habitações, reprogramá-las para novas formas de convívio e multifuncionalidades, como ensina uma rede de arquitetos da Galiza que está a apoiar os habitantes na transformação dos seus espaços de vida. Nova Orleães – depois do furação Katrina – tem ensinado ao mundo quanto a participação na reconstrução é indispensável para repensar o tecido urbano e a sua economia. Durante a crise da Covid-19, autarquias como as de Prato (com o seu diálogo precoce com a enorme comunidade chinesa) ou Seattle (decidindo com os cidadãos os sítios a ser usados para as quarentenas) têm dado prova de que apostar nos habitantes pode trazer soluções geniais até na emergência.

Pode Portugal ficar fora deste debate? É impossível, para um país que entrou com força no mapa mundial da participação pública, à qual os meios de comunicação nacionais tem dedicado tanto espaço. Somos dos poucos países que tem tido centenas de orçamentos participativos locais e até três experiências promovidas pelo governo nacional, e a RAP (Rede das Autarquias Participativas) é única no panorama europeu. Por dois meses, os nossos processos participativos formalizados ficaram em modalidade “stand-by”, bloqueados pelo distanciamento social e as urgências sanitárias. Mas, gora é tempo de repartir, partilhar a reconstrução, canalizar as novas formas de ativismo solidário e lúdico que nasceram na emergência, e de transformá-los em ativismo estratégico. Para repensar a nova economia, a harmonia com a natureza, as maneiras de fazer cultura e de se encontrar em formas que garantam segurança e criem nova sociabilidade. Para que o “novo mundo” seja mesmo novo, o Estado não pode atuar sozinho. As instituições são inerciais e as elites políticas não têm suficiente criatividade para se colocarem no lugar das tantas pessoas diferentes que compõem a nossa sociedade. Para não repetir os erros do passado, não precisamos de assistencialismo nem de paternalismo, mas que seja reconhecido aos cidadãos o direito de participar, que foi conquistado, durante estes meses de tragédia coletiva, com comportamentos responsáveis e pró-ativos. Ao Estado cabe sobretudo montar um processo de reconstrução tripartido (instituições, empresas, comunidades), abrindo espaços substantivos para cidadãs e cidadãos, e coordenando os níveis de governos num percurso participativo multinível, que possa imediatamente aproveitar (em cada nível administrativo) tantas ideias e práticas de cogestão dos bens comuns que foram emergindo nestes meses e – por certo – irão emergir ao longo do percurso.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Internacional - Estudo avalia o impacto da COVID-19 na exaustão parental

Um consórcio internacional, que reúne cientistas de 40 países, incluindo Portugal, está a estudar o impacto da COVID-19 na satisfação e exaustão parental no mundo. O objetivo desta investigação transcultural é aumentar a compreensão dos fatores que dificultam ou ajudam os pais e mães a lidar com o stresse resultante da necessidade de conciliarem múltiplas tarefas em situação de confinamento.

As implicações da pandemia que enfrentamos, «especificamente o confinamento a casa, o isolamento social, o encerramento das creches, jardins-de-infância e escolas, o teletrabalho, o lay off e os despedimentos, vieram colocar novos desafios ao exercício da parentalidade e da coparentalidade», afirma Maria Filomena Gaspar, investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES) e professora da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (FPCEUC), que coordena o estudo em Portugal, em conjunto com Anne Maria Fontaine, professora emérita da Universidade do Porto (UP).

Estes desafios, acrescenta a especialista em Psicologia da Educação da UC, «resultam das múltiplas tarefas que têm de conciliar (funções parentais habituais, apoio ao ensino escolar em casa, trabalho em casa, aumento das horas despendidas em tarefas domésticas) numa situação de confinamento que é nova e, para muitos pais, acompanhada de grandes desafios financeiros e da antecipação de dificuldades no futuro».

A equipa solicita a participação de pais e mães neste estudo através do preenchimento de um questionário, disponível aqui. É feito um apelo especial aos pais para responderem, «pois habitualmente são as mães que mais participam neste tipo de investigação, o que gera uma lacuna na compreensão da satisfação e exaustão parental dos homens». A única condição é ter pelo menos 1 filho(a) a viver em casa, qualquer que seja a idade.

Maria Filomena Gaspar explica que «há fatores que podem ajudar os pais e mães a lidar com o stresse resultante da necessidade de conciliarem múltiplas tarefas em situação de confinamento, enquanto outros podem dificultar. No primeiro grupo inclui-se a existência de um/a companheiro/a que partilha as tarefas e de momentos em que os pais/mães se autocuidam, por exemplo, enquanto no segundo grupo podemos considerar a existência de uma criança com problemas de comportamento ou hiperatividade ou uma mãe/pai muito autoexigente consigo mesmos».

Este é o segundo grande estudo conduzido pelo consórcio internacional que investiga o burnout parental (IIBP: Internacional Investigation of Parental Burnout) e que é liderado por Isabelle Roskam e Moïra Mikolajczak, da Universidade de Louvain, na Bélgica.

O objetivo deste grupo de cientistas é estudar a validade conceptual, prevalência e variação intercultural do burnout parental em todo o mundo (cf. https://www.burnoutparental.com/international-consortium). Universidade de Coimbra - Portugal

domingo, 15 de março de 2020

Centro de Estudos Sociais - A Mão Invisível, uma história do neoliberalismo em Portugal

Desde os anos 80, as ideias económicas conhecidas por neoliberais tornaram-se dominantes em Portugal. A sua aplicação, em consonância com a integração europeia, modificou as estruturas económicas, mas registou fracos resultados no desenvolvimento do país. Como foi que essas ideias chegaram a Portugal, se difundiram e espalharam até se tornarem hegemónicas? E por que é tão difícil removê-las? Este filme procura responder as estas perguntas e questionar o futuro. Universidade de Coimbra “Centro de Estudos Sociais” - Portugal


quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Portugal - EQUI-X, um programa inovador para prevenir a violência baseada no género

Vai ser lançado, na próxima sexta-feira, dia 13 de dezembro, em Lisboa, o EQUI-X - um manual de ação que pretende transformar normas rígidas de género, fornecendo novas abordagens para prevenir a violência e promover a igualdade entre jovens de diferentes idades através da discussão de feminilidades e de modelos não violentos e equitativos de masculinidade.

O lançamento terá lugar no Centro de Informação Urbana de Lisboa (CIUL), pelas 17 horas, com a presença da Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro, e de outras individualidades.

Inspirado nos programas H (Homem) e M (Mulher) da organização não-governamental internacional Promundo, este programa resulta de um projeto de investigação que juntou 15 investigadores/as e ativistas de cinco países – Portugal, Alemanha, Bélgica, Croácia e Espanha – e foi financiado com cerca de meio milhão de euros pelo programa “Direitos, igualdades e cidadania” da União Europeia.

Os programas H e M do Promundo, reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como programas de boas práticas, baseiam-se em evidências alicerçadas em abordagens pedagógicas transformadoras de género, que questionam papeis, identidades e normas de género entre meninas e meninos, mulheres e homens de várias idades.

Em Portugal, o projeto foi desenvolvido por uma equipa de investigadores do Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra (UC) e do Promundo Portugal e implementado em três centros educativos (Olivais, em Coimbra; Navarro de Paiva, em Lisboa; Santa Clara, em Vila do Conde) e em três escolas do ensino básico e secundário (Infanta Dona Maria, Coimbra; EB Marquês de Pombal; Escola Secundária de Pombal).

A equipa trabalhou diretamente com 122 jovens de ambos os sexos (63 rapazes e 59 raparigas), com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos. Ao longo dos últimos dois anos, foram realizadas 52 sessões educativas dinâmicas, colocando em prática 34 oficinas (das 39 que constituem o EQUI-X) em torno de seis temas principais: relações de género; masculinidades; masculinidades e media; saúde sexual e reprodutiva, violência e diversidades; paternidade e cuidados. Para avaliar o impacto do programa, isto é, verificar se houve mudanças de atitude com a implementação do EQUI-X, foi aplicado a cada jovem um pré e pós teste.

De uma forma geral, nota Tatiana Moura, coordenadora do estudo português, «todos os jovens que participaram na implementação do EQUI-X mostraram mudanças em termos de atitudes, valores, comportamentos e aprendizagem esperados. O programa conseguiu proporcionar reflexões sobre algumas atitudes e comportamentos em relação às normas de género, às expectativas sociais estereotipadas de género, em relação à igualdade e corresponsabilidade, entre outras, que foram a bússola desta intervenção».

Por exemplo, nas questões de igualdade de género, tanto os meninos como as meninas partilharam atitudes positivas desde o princípio da intervenção em questões objetivas (divisão de tarefas domésticas, decisão sobre ter filhos, uso de preservativos, etc.), melhorando em atitudes subjetivas: um homem precisa ser “duro” (passou de 61,1% para 80,6% nos meninos e de 74,1% para 92,6% nas meninas); meninos que se comportam como meninas são “fracos” (de 63,9% para 83,3% nos meninos e de 88,9% para 100% nas meninas).

Comparando os resultados obtidos nas escolas com os dos centros educativos, verificou-se que, de modo geral, «as atitudes dos jovens nos centros educativos são menos equitativas do que nas escolas em geral e refletem uma desigualdade também no acesso aos direitos e de uma vida sem violência. Sobretudo os meninos nos centros educativos têm atitudes marcadamente menos igualitárias», afirmam os investigadores Rita Santos e Tiago Rolino, embora se tenham observado algumas exceções: «por exemplo, nas questões: para ser um homem, é preciso ser “duro”, que evoluiu de 18,2% para 36,4%; o casal deve decidir junto que tipo de contracetivo usar, passando de 54,5% para 81,8%».

As meninas, pelo contrário, «são mais reflexivas em questões como: ambos os parceiros devem ter responsabilidade para evitar a gravidez (evoluiu de 46,2% para 84,6%), um verdadeiro homem somente tem sexo com mulheres (alterou de 69,2% para 84,6%) e não é só responsabilidade da mulher evitar a gravidez (de 7,7% para 69,2%)», explicam.

Além do programa de intervenção adaptado à realidade e cultura de cada um dos cinco países participantes no projeto, foi também desenvolvido um manual europeu onde são expostas algumas reflexões pertinentes sobre temas que foram identificados como fundamentais nas práticas de trabalho quotidiano dos parceiros, com o objetivo de alcançar a equidade de género e prevenir a violência nas suas múltiplas formas.

«Pretendemos desconstruir a caixa rígida de masculinidades que contribui para a perpetuação das desigualdades de género», afirma Tatiana Moura. Este projeto chama ainda a atenção «para os desafios das mudanças políticas e das clivagens à direita conservadora e o retrocesso que isso pode significar na agenda da igualdade de género e na implementação de metodologias deste tipo», conclui.

A equipa espera agora que o EQUI-X seja útil como ferramenta de trabalho em escolas e centros educativos do país, bem como em outros contextos de educação não formal. Universidade de Coimbra - Portugal

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Guiné-Bissau - Documentário Guiné-Bissau: Da Memória ao Futuro estreia no 46.º aniversário da independência nacional do país



A estreia do documentário Guiné-Bissau: Da Memória ao Futuro, está agendada para 24 de setembro, às 21h00 (hora de Lisboa, GMT+1), na RTP África. Realizado por Diana Andringa, produzido pela Garden Films e pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, no âmbito do projeto CROME - Memórias Cruzadas, Políticas do Silêncio. As Guerras Coloniais e de Libertação em Tempos Pós-coloniais, este filme é testemunha das esperanças e dos bloqueios que foram construindo a Guiné-Bissau ao longo de mais de quatro décadas.

Filmado integralmente na Guiné-Bissau, em setembro de 2018, quando se celebravam os 45 anos da independência, o documentário regista os testemunhos de um conjunto de académicos de várias nacionalidades, membros da sociedade civil guineense, artistas e combatentes da luta de libertação nacional que refletem e debatem as memórias e os legados desse passado.

Guiné-Bissau: Da Memória ao Futuro percorre uma ampla viagem reflexiva sobre a imaginação e a construção da Guiné independente, mostrando-nos, também, como a memória pode servir de instrumento à geração do presente para a construção do futuro.

Fusos Horários da exibição na RTP África: Lisboa: 21h / Bissau: 20h / Praia: 19h / Luanda: 21h / S. Tomé: 20h / Maputo: 22h

Sinopse:

A 24 de setembro de 1973, poucos meses depois do assassinato do seu líder histórico, Amílcar Cabral, o PAIGC-Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde declarava unilateralmente a independência da Guiné-Bissau. Era o corolário de uma longa luta contra o colonialismo e mais um passo dado no caminho que haveria de levar ao 25 de Abril em Portugal. O país tornou-se politicamente independente e passou por variadas vicissitudes ao longo de praticamente cinco décadas. Em 2018, um conjunto de académicos, membros da sociedade civil e combatentes guineenses encontraram-se com académicos portugueses e de outras nacionalidades no âmbito de um colóquio coorganizado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES-UC), através do projeto CROME, pelo Centro de Estudos Sociais Amílcar Cabral (CESAC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP). Realizado por Diana Andringa, este documentário toma esse encontro como um pretexto para uma mais ampla viagem reflexiva sobre as esperanças e os bloqueios que foram construindo a Guiné independente. E mostra-nos também como a memória pode ser um inesperado instrumento para imaginar outro futuro. Trecho do filme aqui. Universidade de Coimbra “Centro de Estudos Sociais” – Portugal


Ficha Técnica: Documentário / 60 minutos / Portugal – 2019; Realização: Diana Andringa; Guião: Diana Andringa e Miguel Cardina; Produção: Garden Films e CES-UC